Mostrar mensagens com a etiqueta Descobrir a Maçonaria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Descobrir a Maçonaria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Símbolo e o Templo

Em jeito de proclamação maçónica: Temos consciência do muito pouco que sabemos. Queremos saber mais – é a primeira Luz. Queremos saber, como os nossos Irmãos querem. Queremos alcançar, por revelação simbólica, o que não conseguimos até agora. E conseguiremos? Alguém de todo conseguiu?
Todos nós, Irmãos, temos de comum, o querer construir o nosso Templo, como templo perfeito, o que é acto de Sabedoria e de Força. A essência da Maçonaria está na procura. Mas na procura pensada, e harmónica, o que é acto de Beleza. E para a procura, o meio é o Símbolo e o fim é o Templo – o nosso templo – que vamos construindo, transformando a pedra bruta em pedra cúbica. Este o princípio e o fim.

O Humano, o ser humano desumaniza-se naturalmente com a vida. Os valores que, como na natureza, de si brotavam no início, foram sendo, primeiramente contrariados e depois tendencialmente substituídos por outros, de menor exigência e por fim, erradicados. O Mundo dos Valores é vítima, quase indefesa. Pensamos no entanto que, mesmo submerso, o nosso Mundo dos Valores tem memória, pequena embora. E é dessa memória – notável bóia de salvação do homem - que alguns partem para a Luz. E por via dessa Luz, o Mundo dos Homens Justos e de Bons Costumes está à nossa mão. O nosso Templo está em construção, sólida.

Decididamente diremos que, embora sem o domínio consciente do Segredo, tivemos um momento de sorte – chamamo-lo assim com convicção – quando os Irmãos nos aceitaram na Ordem, porque um amigo nos quis também seu Irmão. Nós, só muito excepcionalmente e sem tal chamamento, teríamos possibilidade de partilha de valores e auscultar tão criticamente a nossa consciência, como agora o fazemos na nossa Viagem Maçónica. Agnósticos como somos, fiéis à matéria e aos sentidos, nada crentes no além e nos Deuses, convictos que é aqui que os Homens se compensam porque só aqui vivem e aqui esgotam a vida, diremos com plena certeza, no Final da Vida, que vivemos felizes porque maçons. Doutro modo, morreremos espiritualmente confortados, após uma vida feliz, porque maçons. Ou doutro modo ainda: - Pedreiros Livres, Livres Pensadores, trabalhadores do Templo que não se acabou – nunca se acaba porque os valores mudam – morreremos compensados porque Maçons.
 
A linguagem maçónica é simbólica. O símbolo é a expressão, as mais das vezes, do indizível. O símbolo é síntese. Começamos esta parte da prancha com afirmação de louvor, por alguns ensinamentos da obra “Maçonaria - Raízes e Segredos da Sua História” de Wilmshurst, que faz uma alusão aos compiladores das pranchas de Iniciação, associadas a cada grau da Maçonaria. Diz então que as ditas pranchas, “pretendem expor a doutrina do sistema e interpretar os símbolos e rituais. Mas estas pranchas – continua a dizer – necessitam duma interpretação. Na verdade, não são concebidas com grande astúcia e sigilo. Os seus compiladores foram confrontados com a dupla tarefa de dar uma expressão fiel da doutrina esotérica, se bem que parcial, encobrindo-a ao mesmo tempo para que o seu sentido lato não fosse compreendido sem algum esforço e esclarecimento e transmitisse pouco ou nada aos não merecedores ou imaturos para a Gnose ou para o ensino da Sabedoria. Eles desempenharam essa tarefa com notável sucesso e de uma forma que provoca admiração daqueles que podem apreciá-lo devido ao seu profundo saber...”. 
Isto dito, para concluir que os rituais dos vários graus, resultaram de compilações, levadas a efeito por quem conhecia a linguagem simbólica e o ritual ou rituais que a complementam; que foi tudo feito, encobrindo-se aos profanos a luz e iluminando os Irmãos, o que revela o carácter esotérico da mesma linguagem e rituais.

As referências escritas que fizemos, leva-nos a concluir que o símbolo maçónico, o ritual, a alegoria, são criações do homem. E como criações do homem, a revelação ou conhecimento intrínseco do símbolo está na directa proporção das capacidades intelectivas de cada um isto é, para uns, certamente que menos dotados ou menos emocionados, o acesso à mudez do símbolo, torna-se mais difícil. Para outros a revelação é menos difícil. Não obstante, estamos decididamente no domínio do terreno, do material, do Homem e das suas virtualidades, sendo que o símbolo é o meio para atingir o fim maçónico - o Templo, ou seja o nosso templo.
 
Pois bem, a dificuldade está, de facto, na construção do Templo perfeito. Para melhor enquadramento, relembramos o Grão-Mestre António Arnaut, na sua obra “Introdução à Maçonaria”, onde escreve: “vejamos pois qual o caminho dos caminhos, onde todos, chamados liberais ou ditos regulares, se possam encontrar, na tarefa, sempre inacabada, de aperfeiçoar a pedra bruta e de Construir o Templo interior”. 
Antes escreveu: “Num tempo despojado de valores éticos morais, dominado por um capitalismo infrene, sem alma nem regras, que enredou o homem em novas e mais sofisticadas servidões, o que pode e deve fazer a Ordem Maçónica para transformar o mundo de selvagem em humano. Há, seguramente, vários caminhos, e todos são válidos se conduzirem a uma sociedade mais justa e perfeita. Mas estou em crer que é no regresso à espiritualidade Maçónica que se construirá o verdadeiro humanismo”. 
De seguida esclarece o sentido dos dois conceitos, escrevendo: “Espiritualidade é o primado dos valores do espírito, da consciência, do ser, em contraposição ao materialismo dominante, ou seja, à ânsia do ter”. 
Eloquentemente escreve de seguida: “Só a descida à nossa consciência, onde jaz a palavra perdida, permite a descoberta do eu absoluto, como dizia Sérgio, e o encontro do outro, como elo da mesma cadeia universal. Humanismo é a doutrina moral que reconhece o homem como fim e como valor superior, na expressão de Sartre, centro do mundo, medida de todas as coisas. Por isso, todas as reformas e conquistas sociais só terão sentido ético se servirem a dignidade do homem e contribuírem para a fraternidade e harmonia colectivas”. O nosso Templo. 
Dito isto, pensamos que estávamos certos quando inicialmente considerámos que o segredo é o Templo, a construção do nosso templo. Templo que é , depósito vivo e emocional do nosso Mundo de valores, da nossa Consciência. Mundo inicialmente puro, depois quase completamente apagado e que num momento de sorte, colhido por uma centelha de Luz, começa o seu trabalho de reconstrução, com Força, Beleza e Sabedoria, elevando valores, e militando na Justiça e nos Bons Costumes. Donde que o Templo seja Princípio e Fim; e também expressão do homem, como valor superior e capaz de, por virtude própria, se elevar. O Templo, o nosso templo, a construção do nosso templo é, em nosso entender, de facto o segredo. O trajecto pensado, não obstante ter sido pensado em português, na nossa língua, leva-nos às sínteses emocionadas que serão de futuro, as âncoras valiosas da nossa consciência. E este trajecto, trabalhado e as mais das vezes emocionante, com símbolos, é de facto irrevelável, até porque e no fundo se perdeu. Ficamos com o produto, pois a viagem não deixou rasto. 

De facto, perguntarmo-nos do processo de aquisição dum valor, que passámos a ter, quando antes, com maior ou menor dificuldade o conseguíamos esquecer, é ficarmos sem resposta. É facto que o valor é hoje nosso e em circunstância alguma o vamos ofender. O porquê desta alteração, conseguiremos justificá-lo mas o trajecto na nossa consciência, esse é indizível, embora tendo acontecido. Numa síntese: O trabalho solitário ou apoiado, teve um resultado, mas o trajecto e o momento da passagem do valor pensado para valor constituído, embora acontecido, é indescritível porque é Segredo da nossa Consciência. E com a constituição de novos valores, nasceu um homem novo, exactamente o Iniciado Maçon; doutro modo, o iniciado encontrou-se com o eu absoluto ou com o outro que ele não era. Para este desiderato, ao maçon foram ensinados símbolos, palavras e toques, para além de ter sido sujeito e objecto da cerimónia de iniciação. 
Com a iniciação o maçon conhece o ritual maçónico e daqui se concluí que a construção do seu templo, passa pela interpretação simbólica e pelo trabalho ritualista, apenas apreensível a quem foi iniciado. A dialéctica interior do maçon, que o leva à construção do seu templo, parte duma proposição que começa por negar, mas a ela chega como valor, usando os símbolos e a sua interpretação, num percurso de grande labor mental, de grande capacidade de análise e já próximo dos homens superiores. Esta dialéctica, que obviamente continua, até ao decesso, é mais ou menos especulativa consoante o conhecimento do símbolo for mais ou menos profundo. Podemos talvez dizer que a maçonaria pode estar, como qualquer ciência, na primeira linha de combate contra a fragilidade humana. Poderemos também entendê-la como a heroína invulnerável e a combatente pela Humanidade dos Direitos e dos Valores.
 
Mas fechemos o círculo da nossa proposição maçónica, o maçon não se esgota na especulação interior pois assume uma postura militante e actuante, de acordo com os valores que constitui. Não é nem pode ser apenas asceta ou filósofo. Atente-se nos caminhos que percorre da Liberdade, Igualdade e Fraternidade bem como da Justiça, Verdade, Honra e Progresso, para concluir que é no Mundo Profano, no Mundo da relação com os outros que o maçon exprime a Riqueza e a Virtude dos Valores que o Iluminaram. Daí que o Sapientíssimo Grão Mestre nos incite, na sua obra referida, às manifestações de exemplaridade cívica, familiar, profissional; à exemplaridade da nossa vida. Pois bem, louvando-nos no entendimento magnífico do Simbolismo maçónico, fixemos que, símbolos nossos são também os próprios Irmãos, quando as suas vidas são verdadeiramente exemplares. 
Assim concluía com o maior louvor: “ O maçon é o mais Solitário dos Solidários”, frase “mágica” do nosso Irmão Espinosa na sessão comemorativa dos 80 anos de maçon do nosso Irmão Fernando Vale.

Autor: Freud

terça-feira, 26 de novembro de 2013

António Arnaut desafia Maçonaria a rejeitar "capitalismo opressivo"

"Todos aqueles que sentem o povo e a Pátria não podem ficar calados, sob pena de serem cúmplices do drama social que estamos a viver", declarou António Arnaut à agência Lusa, a propósito de dois livros da sua autoria que vão ser apresentados no sábado, em Coimbra.
Na sua opinião, a ordem maçónica, que integra há várias décadas, "devia realmente intervir" e condenar publicamente "este capitalismo opressivo", tanto no país, como a nível global. 
"A Maçonaria devia ter dito aquilo que disse o papa Francisco: o neoliberalismo faz os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos", disse.

Para António Arnaut, escritor, advogado e um dos fundadores do PS, "trata-se, aqui, de intervenção no plano dos direitos humanos, da dignidade do homem e da própria defesa da identidade e da soberania da Pátria". A Maçonaria "devia ter uma palavra e tem estado calada", disse. 
"Devia fazer alguma coisa. Devia realmente utilizar os instrumentos do ofício: a régua e o esquadro, que significam a retidão e a justiça, e o compasso, que significa o livre pensamento e a liberdade", acrescentou.

Os dois últimos livros de António Arnaut - "Alfabeto íntimo e outros poemas" e "Iluminuras - Adágios, incisões e reflexões" - serão apresentados no sábado, às 15:00, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, pelo professor universitário Seabra Pereira e pela jornalista Clara Ferreira Alves, respetivamente. 
Numa das reflexões, na segunda obra, o "maçon" e antigo grão-mestre do GOL - Maçonaria Portuguesa questiona o papel da instituição "perante as chagas de pobreza e sofrimento que assolam o mundo e cobrem de desespero o corpo exausto de Portugal". 
Defendendo que, num tempo "de tantas desigualdades e injustiças evitáveis, não basta proclamar os princípios", afirma que, "se a Maçonaria não tiver lugar na consciência coletiva, não está na consciência individual dos que juraram lutar pelos seus valores".

A política, o socialismo e a solidariedade são conceitos que motivam outras das reflexões do autor, que dissertaainda sobre o Serviço Nacional de Saúde, do qual foi o principal impulsionador, e o atual líder da Igreja de Roma, o papa Francisco, entre diversos assuntos. "Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais", disse à Lusa. 
António Arnaut acusou aqueles "que passaram para o neoliberalismo, que se venderam", dando os exemplos de Tony Blair (antigo primeiro-ministro britânico) e Gerhard Schroeder (ex-chanceler alemão), "que hoje são administradores de grandes empresas".

Os dois novos livros "são formas de intervenção poética, cívica e ética nos momentos nublados que vivemos, em que o sol não aparece ou só brilha para alguns", sintetizou.

O escritor António Arnaut, antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), exortou hoje a Maçonaria a rejeitar o "capitalismo opressivo" em Portugal e no mundo, lamentando o seu silêncio.

"In Lusa"

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Harmonia no Templo

Peço-vos que as cogitações que a seguir partilho convosco sejam entendidas como algo de muito íntimo e subjectivo. Não pretendo, pois, dizer como deve ser ou o que deve ser a Harmonia num Templo, mas dar-vos apenas o meu testemunho pessoal sobre algumas formas – que se plasmam ora numa plataforma espiritual ora no plano físico – que contribuem para que eu sinta a existência e harmonia no Templo.

Sinto Harmonia num Templo quando, de facto, quer a forma de os Irmãos se movimentarem dentro dele quer as palavras que pronunciam – ritualísticas ou não – induzem vibrações que permitem ao espírito e à mente o completo alheamento do mundo profano e a integral concentração na beleza dos trabalhos. 
No decurso dos anos tenho ouvido alguns Irmãos Mestres dizerem-se fartos das sessões de Loja, argumentando que, cito, “aquilo é sempre a mesma coisa, com as pessoas a fazerem sempre o mesmo”. É nessas alturas que constato que, embora, em tese, qualquer pessoa possa entrar para a Maçonaria, seguramente que a Maçonaria não entra em qualquer pessoa. E fico atónito por não serem capazes de entenderem que é precisamente nessa repetição, que atravessa séculos e culturas, que a Maçonaria se reencontra a cada passo com a sua gloriosa história, revivificando-se num presente que a todos nós cabe fortalecer, para se projectar num futuro onde o seu papel na construção de uma sociedade mais livre, mais justa, mais fraterna e mais solidária jamais desmereça os mais elevados ideais que nortearam os nossos maiores e que a cada um de nós cabe, no presente, o honroso papel de transmitir aos futuros Iniciados.

Sendo a radiodifusão a minha origem profissional, tenho a esperança que me perdoem a mistura do que sinto, com algo que li algures mas que me sinto incapaz de situar. É que, nas sessões maçónicas, os Irmãos emitem vibrações através dos seus pensamentos, sentimentos e ações; para além do mais, o próprio Templo é um grande emissor de ondas. Nestas circunstâncias, pode produzir-se uma enorme harmonia quando coincidem todas as vibrações emitidas, o que significa que passam a possuir uma largura de banda e uma frequência que correspondem ao verdadeiro espírito maçónico.

Reconheço que, antes de sermos Maçons, ou melhor, antes de franquearmos a porta do Templo, temos uma vida profana, quantas e quantas vezes marcada por tristezas, angústias, desilusões e constrangimentos da mais diversa ordem. E por isso peço a generosidade da vossa clemência para aquilo que muito compreensivelmente aceitarei considerarem uma extrapolação grosseira e despropositada do que a seguir ouso referir. É que me atrevo a afirmar que numa sessão de Loja existem não uma, mas duas cadeias de união. 
Porque considero que a primeira delas emana da finalidade mais importante do nosso Ritual de abertura, que é a de ser o instrumento facilitador para uma transição mental desde o ambiente profano até ao mundo maçónico, fazendo com que todos e cada um dos Irmãos se unam para o início da atividade que os levou ao Templo. Para isso e por isso exorto incansavelmente cada um dos Iniciados a que para sempre se deixem impregnar do esoterismo que emana dessa parte do ritual, que, no meu fraco entendimento, não deve ser cumprida de forma aligeirada, para que todos os Irmãos possam acompanhar e reflectir no profundo significado de cada um daqueles momentos. Por eles passa o início da Harmonia de uma sessão no Templo. 

Autor: Álvaro

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nome Simbólico: Imhotep

O nome Imhotep está revestido de grande riqueza e significado simbólicos, a diversos níveis.
Comecemos pelo plano etimológico: traduzindo do Antigo Egípcio, Imhotep significa literalmente “Aquele que vem em Paz”. Por si só, o significado literal do seu nome transmite uma mensagem poderosa, uma das grandes virtudes que a Humanidade deve tentar alcançar, consequentemente um objectivo nobre para qualquer maçom, e para o qual eu pretendo contribuir com o meu trabalho, pensamentos e acções.

Historicamente a figura de Imhotep está envolta de grande mistério. Viveu no século XXVII AEC (2700-2600 AEC), no final da segunda e princípio da terceira dinastia egípcia. Vindo do povo, conseguiu chegar a Vizir, equivalente a primeiro-ministro, tendo acima dele apenas o faraó, e segundo alguns autores foi-lhe dado o título honorífico de “Irmão do Faraó”. É o personagem histórico não-monarca mais conhecido do antigo Egipto. A sua titularia conhecida mais completa é: “Chanceler do Rei do Baixo Egipto, Médico, Primeiro em linha depois do Rei do Alto Egipto, Administrador do Grande Palácio, Nobre Hereditário, Sumo Sacerdote de Heliopolis, Construtor, Carpinteiro-chefe, Escultor-chefe, e Chefe dos Fazedores de Vasos”.

A sua fama e importância foi tal, que diversos mitos apareceram em torno do seu nascimento, sendo que num deles Imhotep era filho do deus egípcio Ptah, deus dos artífices e dos arquitectos, patrono dos escultores, carpinteiros, ferreiros e construtores de navios, em suma ligado a tudo aquilo que se possa criar com as mãos.
Homem de muitos talentos, a fazer lembrar as grandes figuras do Renascimento Europeu, distinguiu-se na política, na filosofia, na religião, na magia, na arte, na astronomia, na medicina, na arquitectura e na engenharia.
O mistério à sua volta adensa-se ainda mais pelo facto do seu túmulo ainda não ter sido encontrado, sendo actualmente considerado como uma espécie de “Santo Graal” da Egiptologia, pensando-se que deve estar nas proximidades do complexo funerário do Faraó Djoser em Saqqara. 
Conhecido no seu tempo como curandeiro e médico, é considerado como o pai da Medicina por ser o primeiro conhecido pelo seu nome na História Registada da Humanidade (após a invenção da Escrita) ligado ao campo da Medicina e Cirurgia. Referido em antigos textos médicos com o papiro Edwin Smith do século XVI AEC, que se trata de reprodução mais recente de um texto atribuído a Imhotep, com mais de 90 termos anatómicos e os sintomas e curas de 48 doenças ou casos são descritos nesse documento. Na sua época outros dois nomes surgem ligados à medicina Hesy-Ra e Merit-Ptah, não se sabendo se viveram antes, durante ou depois da vida de Imhotep, mas a fama deste último e os registos históricos acabam por eclipsar os anteriores.
Após a sua morte foi elevado à condição de semi-deus, sendo feitas oferendas e ex-votos no seu túmulo para a cura de doentes. Cerca de 525 AEC foi deificado como o deus da Medicina no panteão egípcio, e substitui Nefertum na grande tríade de Mênfis como filho do deus Ptah. Mais tarde os gregos da Antiguidade Clássica prestaram-lhe culto identificando-o como o conhecido deus grego da medicina Asclepius.
O eminente médico britânico do século XIX Sir William Osler considerou-o como “a primeira figura de um médico a sair claramente do nevoeiro da Antiguidade”

É o primeiro arquitecto conhecido pelo seu nome, sendo por isso considerado o pai da Arquitectura e da Engenharia, numa altura em que o conceito de Arquitectura englobava os campos actualmente separados da Arquitectura e da Engenharia. É-lhe atribuído a autoria daquele que é tido como o primeiro e mais antigo edifício de pedra da humanidade, a Pirâmide de Degraus em Saqqara, e o complexo funerário circundante pertencente ao Faraó Djoser.
Tratando-se de algo completamente novo na história da Humanidade, sendo a prova disso o facto de não ter chegado nenhum vestígio arqueológico semelhante ou anterior, Imhotep teve não só de inventar e desenvolver técnicas especiais para a extracção, transporte, trabalho da pedra e acabamento, enfim transformar a pedra bruta em pedra polida, tema tão caro à nossa Augusta Ordem Maçónica; bem como de desenvolver técnicas de gestão e logística para levar um projecto de uma escala até então nunca vista a bom porto, ou seja a uma boa concretização.
A utilização, pela primeira vez na História, da pedra como material de construção tinha um objectivo muito claro e preciso, criar palácios para a Eternidade, tema tão caro aos egípcios com a sua religião ressurreicionista. É por isso que alguns autores lhe chamam como o inventor da Eternidade. O valor simbólico é de tal maneira intrínseco e óbvio que qualquer explicação adicional parece supérflua.
A partir desta altura, os egípcios passaram de uma construção de madeira e tijolos de lama para uma arquitectura mais imponente, monumental e duradoura em pedra que chegou até aos nossos dias, causando-nos ainda hoje sentimentos de assombro e admiração.

Crê-se que foi iniciado nas mais secretas escolas de conhecimento e místicas existentes durante a sua vida. Uma possível prova disso será o facto de ter chegado a Sumo Sacerdote de Heliópolis, os seus conhecimentos de artesão e o lugar político a que ascendeu. Talvez terá transformado algumas delas ou criado novas, com ligação ao trabalho da pedra. Quem sabe se a Maçonaria não descende directa ou indirectamente de uma delas?
Por todos estes motivos, Imhotep é considerado o primeiro génio da Humanidade, destacando-se nos mais variados campos do conhecimento científico, filosófico, esotérico e místico, estando nele bastante interligados, como nos mais conhecidos nomes do Renascimento Europeu, cientistas e alquimistas como Newton. Para mim e para alguns autores de renome, Imhotep é a primeira centalha de génio que tirou a Humanidade da Escuridão para a Luz, outro tema também tão caro à Maçonaria. Ele representa o despertar da Civilização.
Ao escolher nome simbólico de Imhotep, pretendo seguir os passos de tão extraordinário personagem, quer ele tenha sido real ou simbólico, pois foi a primeira vela na Iluminação da Humanidade para sair das trevas para a Civilização. nos diversos planos, material e espiritual fazendo uma fusão perfeita de ambos. Pretendo com o trabalho da minha pedra bruta, construir o meu Palácio da Eternidade, o legado que deixarei para as gerações futuras através de actos e palavras.

Autor: Imhotep

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Aquilino Ribeiro, um nome simbólico

A escolha do nome que quero adoptar prende-se com a profunda admiração que sempre tive pela Obra do escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963). Maçon, entrou para a Loja Montanha do GOL a convite de Luiz de Almeida ligado GL de Portugal.
No ano de 1906 passa a viver em Lisboa tendo iniciado a carreira de escritor e jornalista. Em 1907 adere à Carbonária. É preso. Mais tarde, a 12 Janeiro de 1908 evade-se da prisão e em Maio foge para Paris. No final de 1910, após a proclamação da republica, regressa a Portugal, voltando depois para França com o propósito de continuar os estudos. Em 1927 envolve-se numa conspiração politica, é perseguido, volta de novo para Paris. 

Homem de convicções fortes deixou para trás o Seminário para se tornar jornalista e escritor. Aquilino teve uma vida cheia de aventuras, que incluiu a de guardar dinamite que viria a explodir no seu quarto (numa casa na Rua do Carrião à Estrela, onde morrem um médico e um comerciante e escapa com vida o estudante Aquilino Ribeiro), duas fugas da prisão, anos de exilio e temporadas na clandestinidade, escondendo-se na Beira e no Minho, territórios que conhecia bem e cujas paisagens descreve demoradamente em muitos dos seus livros. 
Era um cidadão do mundo. Na sua obra cabe um século inteiro, com as vezes e revezes. Na sua vida coube um romantismo aventuroso, sempre lutou contra as injustiças e despotismos vários. Nunca se vergou nem às sotainas da sua adolescência, nem às prisões, a juízes, monarcas ou ditadores. 

Em 1932 entra clandestinamente em Portugal, fixa-se em Abravezes, Viseu. Entretanto, é amnistiado e fixa-se na Cruz Quebrada. No ano seguinte instala-se o Estado Novo de Salazar.
Não cabe aqui a vasta obra de Aquilino, dos livros e textos literários publicados. Nunca deixando o seu sentido de luta contra a Ditadura Salazarista, em 1949,  é membro activo da Comissão eleitoral do General Norton de Matos.
Dedica-se ao ensino e junta-se ao Grupo Seara Nova. No ano de 1959, é-lhe movido um processo censório pelo seu romance "Quando os Lobos Uivam". Em 1960, é proposto ao Prémio Nobel da Literatura pelo Prof .Catedrático Francisco Vieira de Almeida, tendo mais de uma centena de intelectuais e figuras publicas subscrito a proposta. Em consequência deste facto o regime político resolve salvar a face ao arquivar o processo e Aquilino é abrangido por uma amnistia.
Em 1958, já com 74 anos, continua a luta e é um dos promotores da campanha eleitoral de Humberto Delgado. Em 1963, publica "Tombo do Inferno". No dia 27 de Maio de 1977 morre no Hospital da CUF com 77 anos.

Adoptar um nome simbólico de um grande Homem será sempre abusivo, a estatura intelectual e de lutador por causas como a Liberdade e a Justiça é ideal politico que se insere no ideal do Maçon e são razões sobejas para adoptar o seu nome.
A adoção do nome de Aquilino Ribeiro tem a ver com os valores que o escritor (homem livre) pugnou e que na sua obra transparece, com os quais hoje perfilho sintetizados na divisa universal da maçonaria: Liberdade com ordem, Igualdade com respeito e Fraternidade com justiça.
Não aceitou dogmas, embora na sua adolescência tivesse passado pelo seminário, combateu a opressão, a miséria , o sectarismo e a ignorância.
Combateu a corrupção e considerou o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho manual e o trabalho intelectual.
Virtudes que são cultivadas pelos maçons, coma a crença numa sociedade justa e mais perfeita, força aglutinadora que congrega os “homens livres e de bons costumes”.

Autor: Aquilino Ribeiro

sábado, 5 de outubro de 2013

Comemoração da República no Feminino

Exposição de fotografias - Mulheres no tempo da República
 
De Joshua Benoliel (1873-1932), que nasceu em Lisboa, foi fotojornalista e o introdutor da fotografia de imprensa em Portugal.
Deixou um enorme arquivo fotográfico sobre o fim da monarquia e o princípio da república para além de uma foto- documentação sobre Lisboa e as suas gentes.
A exposição que será apresentada no Grande Oriente Lusitano dará a conhecer uma pequena selecção do importante espólio que se encontra conservado no Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa e pretende ilustrar os "quotidianos no feminino" entre 1904 e 1920, mostrando essencialmente imagens de profissões de mulheres (das mais modestas às mais sofisticadas), cenas de rua, os namoros, as greves.

Joshua Ruah - Comissário da Exposição




Mesa Redonda - Quotidianos no Feminino da Implantação da República ao Século XXI

- Fernanda Rollo, Professora Associada de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. "Mulheres, Republicanas e Cientistas são perigosas"
 - António Arnaut, Advogado e Past-Grão-Mestre do GOL. "As Mulheres e a República"
- Maria Antonieta Garcia, Professora Associada da Universidade da Beira Interior (aposentada). "Olhares da Imprensa Guardense sobre o Feminino no início do Séc. XX, Cisões na Cultura Patriarcal"

Quotidianos no Feminino, porque somos Mulheres e queremos vislumbrar o que se esconde na penumbra do véu que cobre a História e a Actualidade do e no Feminino.
A Implantação da República foi indubitavelmente "o acontecimento" dos primeiros anos do Século XX português, com bandeiras políticas, económicas e sociais conhecidas.
E nos quotidianos? Quando e comos e fizeram sentir as "bandeiras" da República? Quem eram e como viviam as mulheres de Portugal no dealbar do Século XX? As cultas, as analfabetas, as urbanas, as rurais e todas as outras? Quem foram essas mulheres ao longo Século XX, em que medida os investimentos na alfabetização e na laicização do Estado, entre outros, se fizeram sentir nos seus quotidianos?
E hoje, mais de cem anos volvidos, quem são e como são as mulheres portuguesas, bisnetas da República? Fazem os seus quotidianos, jus às bandeiras da República, revêm-se nelas, recriam-nas?


Um 5 de Outubro no feminino

"A comemoração do 103.º aniversário do 5 de Outubro, foi pensada na importância que a Implantação da República teve sobre as mulheres.
No primeiro ano em que o 5 de Outubro não é feriado nacional, importa analisar cuidadosamente que modificações substanciais se verificaram na situação social, familiar, educacional e cultural das mulheres desde a Implantação da República até aos nossos dias.
É "Um 5 de Outubro do feminino" onde os nossos olhares se fixarão sobre os quotidianos reproduzidos nas imagens "falantes" de Joshua Benoliel e onde as "bandeiras da República" que aliciaram e entusiasmaram as mulheres neste movimento de Liberdade serão revisitadas e reavivadas"

Mery Ruah
Grã-Mestra Grande Loja Feminina Portugal

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Uma bofetada na República

Os Centros Republicanos sempre comemoraram o 5 de Outubro. 
Sempre junto à estátua de António José de Almeida, quer durante a Primeira República, quer na Ditadura do Estado Novo e agora, ao longo da Segunda República. Mas sempre, arrostando durante a Ditadura com cargas policiais e selváticas. 

Agora, acabou-se com o feriado do 5 de Outubro, curiosamente num tempo em que o Sr. Presidente da República louva esta e os seus ideais fazendo apelo à ética Republicana. Os dois anteriores Presidentes, Mário Soares e Jorge Sampaio, também o fizeram e com forte convicção. Ora, quando os nossos Presidentes assim procedem, a República resulta em exemplo estimulante para os comportamentos que os actores políticos nem sempre, como tal, têm assumido. 

Na Ditadura, foi a “República” que aglutinou o combate politico com as intervenções sacrificadas de muitos Republicanos. Os Congressos Republicanos de Aveiro foram disso exemplo notável. A República foi nesses difíceis tempos a voz, o coração e a coragem da Oposição.

O Governo, da República, extinguiu o feriado do 5 de Outubro e ao fazê-lo, pelo menos, está a esquecer os seus fundadores republicanos, já mortos, companheiros de quem nos lembramos agora, Mário Montalvão Machado, Artur Santos Silva, José Augusto Seabra, Artur Andrade, Artur da Cunha Leal, Olívio França, Nuno Rodrigues dos Santos, entre outros.
Importa dizer não, por Decência.
 
Talvez a notável poesia de Papiniano Carlos lida aquando do Congresso Republicano de 1956, ajude a inspirar os Republicanos vivos no exemplo dos Republicanos mortos:

“Que vos dizer, ó companheiros mortos,

Ó mestres queridos, ilustres ou anónimos?
Que palavras incolores, que rosa desfolhada
para dar-vos? Não, a terra não ficou
por semear, nem o navio abandonado,
a tarefa inacabada.
 

Mesmo que vós nos dissésseis: “Estamos mortos!
Que esperais de nós ainda?”, nós sabemos
que é a vosso lado que atravessaremos as sombras
destes terríveis tempos. Convosco viajaríamos
através da morte, da peste e dos infernos
se preciso fosse. A liberdade escreve-se
com sangue, estrelas e raízes, e é no meio
das trevas e dos cárceres que floresce

Assim vós a amastes e nos ensinaste.

Assim a amamos e, em seu nome,
havemos de chegar ao fim
da áspera jornada:

Com o exemplo da vossa união,
com vossa fé, vosso amor ao Povo, vossa verdade,
vosso navio,
vossa inesquecível voz.”

Aqui fica o pedido ao Governo para reflectir devidamente e não “liquidar” o feriado do 5 de Outubro.
Abracemos esta causa. Digamos não!
 

Viva a República!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Para que servem os Símbolos

Todos nós já ouvimos várias críticas aos “homens do avental”, até se ouve dizer: “avental só na cozinha”. Que vivemos do passado e que hoje as pessoas são instruídas, porque há escolas, universidades, livros, tantos jornais, não sendo necessário todo esse material arcaico para ensinar o que é ser fraterno ou ser livre.
Contudo, estas críticas, aparentemente lógicas, fazem pensar e até criar muitas dúvidas a alguns jovens maçons, porque dada a sua pouca vida ou experiência maçónica e, algumas, talvez poucas, e rápidas reuniões de instrução, não lhes dão senão ensinamentos sumários e muito superficiais sobre a natureza e o sentido do nosso trabalho. Foi-lhes dito, em poucas palavras, que o símbolo era um meio de ensino, depois falou-se-lhes de outra coisa, de um desses assuntos corriqueiros do qual se trata todos os dias, e eles pensam, assim, não nos convencem! Para quê tanta complicação para uma tarefa tão natural?
 
Daí a considerar que a simbologia, não passa de uma incómoda rotina, não vai mais que um passo, é um erro suprimi-la só por não poder compreender-lhe o alcance ou não querer dar-se ao incómodo de conhecê-la e dela se desinteressar, como de velhos objectos de família que se conservam por respeito e que não têm mais utilidade.
Há quem fale que é necessário modernizar a maçonaria, sem reflectir que isso seria decapitá-la e privá-la do que constitui o seu método por excelência e a sua primordial razão de ser, ao lado e acima das sociedades profanas, assim se prepara para não ser por toda a vida senão maçom de nome, sem nada ter compreendido e nada sabido.
É para esses jovens maçons, eu incluído, e pelos que querem aprender que vou tentar justificar um velho método, antigo como o mundo do pensamento, todavia sempre jovem, ainda necessário ao nosso mundo contemporâneo, visto que não desagrada exageradamente aos nossos modernizadores.
Ele desempenha para a educação do homem um papel que a instrução de forma profana não pode corresponder. Esse método satisfaz à necessidade funcional do espírito, mobiliza as outras faculdades e opera de maneira diferente das que são empregadas no ensino usual, tem múltiplas e preciosas vantagens e é com justas razões que tem sido mantida através dos tempos e dos povos.
 
Os nossos antepassados consolidaram-no nas nossas Lojas, tinham múltiplos fins. São esses fins que convém examinar com atenção, pouco a pouco veremos o desempenho diante de nós das regras de conduta de um sistema particular de formação fecundo em ensinamentos e muito digno, por conseguinte, eternizar o laço indestrutível entre todos os maçons passados, presentes e futuros.
O conjunto de ensinamentos simbólicos da maçonaria provem de diversas fontes:
- dos instrumentos de trabalho e dos objectos colocados na Loja;
- dos números e das figuras geométricas;
- das formas ritualísticas para a admissão em Loja ou a passagem de um grau a outro;
- da lenda de Hiram, feito à imagem de todas as lendas de religiões antigas, com as quais se iguala em beleza e profundidade, com vantagem de não impor nenhuma crença misteriosa ao nosso espírito e de ser simplesmente para ele um ensinamento para diversos graus.
O simbolismo, escreveu Findel, na sua célebre história da Franco-Maçonaria, “é o laço exterior dos Irmãos que, dispersados sobre a superfície do globo, têm aspirações comuns e procuram, de acordo com formas transmitidas pela tradição, assemelhar-se a elas e ensiná-las aos outros homens”.
 
Esse único facto, a um simples exame superficial, permite ao mais simplista compreender a importância associada à conservação do simbolismo nas Lojas, pois aqueles que tentassem ferir esses princípios, afastar-se-iam das regras constitutivas que lhe são essências e que são aceites por todos, por conseguinte, incluir-se-iam automaticamente de grande família para mergulhar na massa obscura das incontáveis sociedades que formam os homens do dia-a-dia, afastados de todas as tradições.
O método que disso resulta, base comum da maçonaria e das sociedades iniciáticas que existem em toda a plenitude, ainda que o grande público as conheça pouco, mantém a unidade atrelada à variedade das obediências e das diversas organizações, e dá à marcha dessas instituições um carácter universal.
 
O simbolismo é um estado particular da ciência filosófica no qual todas as afirmações científicas são expressas por símbolos.
O símbolo é uma figura, uma marca, um objecto que tem um significado convencional.
A Franco-Maçonaria não pode abster-se do símbolo, pois ela é uma arte e todas as artes recorrem ao símbolo.
O simbolismo é uma linguagem adequada à maçonaria, é uma linguagem específica de todos os Irmãos e em todos os lugares.
Nós, maçons, temos o esquadro com o compasso, o triângulo e outros objectos muito conhecidos por todos, os quais resumem ideias e gravam-se melhor na memória dos homens.
A filosofia maçónica, por meio dos seus símbolos, enraíza melhor na memória dos homens, os ensinamentos transmitidos, os quais, quando abstractos, podem ser mais bem compreendidos, já que não existem palavras para exprimir o inexprimível.
 
Autor: Fernando Valle

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sob o Signo do Sol

Aproveitemos este período de descanso e o tempo livre que o Verão nos proporciona, para reflectirmos (talvez mesmo meditarmos) sobre a grande luminária de Fogo, fonte de luz e Iluminação: o Sol.

O sentido purificador do Sol, na nossa tradição, e na nossa cultura (árabe-cristã), é de tal forma poderoso que ao longo dos séculos, várias gerações de homens e mulheres de todos os círculos sociais, religiosos e antropológicos, criaram ritos e rituais de celebração Ígnia.  
Na Maçonaria, e na tradição árabe-cristã, procura-se concentrar toda a energia ritualística no momento do Solstício (Junho). Nesse determinado momento de luz máxima, junta-se a energia de cada indivíduo numa cadeia de elos unidos, vincadamente motivados num sacrifício (sacro-ofício – ofício sagrado) de oferenda e purificação plena do corpo e da mente.

Conta-nos Mircea Eliade (pai do estudo filosófico das religiões comparadas) que já na pré-história os homens honravam o Sol, comungando de um Espírito Inspirador e de uma motivação perfeita de glorificação da Fonte-dos-Sete-Raios.  
Na realidade, os rituais e as práticas hoje em uso na Maçonaria e nas escolas árabe-cristãs, contêm quase inalterados, os rituais ancestrais de raiz pagã.
Oferecendo o trigo e o vinho, símbolos da energia vital do homem, a gigantes fogueiras, onde simbolicamente todas as acções negativas passadas se consomem até que no céu surja a poderosa nuvem branca da Anunciação: O novo ciclo.

Deste ponto de vista, o Verão é em si um ritual completo de morte e renascimento.
Assim, que durante este tempo em que estamos aparentemente longe uns dos outros, que a celebração do Fogo nos transmute como se passássemos por um verdadeiro processo alquímico. A Alquimia sob o signo do Sol.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meu Irmão, recebeste a Palavra

Meu irmão, recebeste a Palavra. O que a vida te escondeu, porque é a morte, revelou-to a morte, porque é a vida. 

Meu irmão, tudo neste mundo é símbolo e sonho - é símbolo tudo quanto temos, sonho tudo quanto desejamos. O universo inteiro, de que somos parte por castigo e erro, é uma alegoria cujo sentido hoje conheces visto que teus olhos, por fechados, estão abertos, e teus ouvidos, por oclusos, podem enfim ouvir.

Sabes já, meu irmão, visto que estás desperto que o sol é negro e a terra vazia; que o que amámos é o que desconhecemos, que o que sonhámos é o que conhecíamos.

Teu caminho agora é entre onde cessam os astros e a luz do sol não é lei nem dia. Que o Supremo Arquitecto dos Universos te dê a luz que te mostre a profundeza dos abismos e te permita não regressar senão para ser, quando houveres de o ser, nosso Irmão, nosso Juiz, e nosso Mestre; mas, se assim não for ainda, que a paz seja com o que tiveres que ser!

Ave atque vale, frater!

Fernando Pessoa 
3-9-1934 
Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 83

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Há três maneira de ensinar uma coisa a alguém

Há três maneiras de ensinar uma coisa a alguém: dizer-lhe essa coisa, provar-lhe essa coisa, sugerir-lhe essa coisa.

O primeiro processo é o processo dogmático; emprega-se legitimamente ao ensinar coisas sabidas e provadas a criaturas incapazes, por infância ou ignorância, de compreender as provas, se se apresentassem. Assim se ensina gramática às crianças ou aos pouco instruídos, sem entrar em explicações, que seriam inúteis e resultariam frustes, sobre os fundamentos lógicos ou filológicos da gramática.

O segundo processo é o processo filosófico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental certos ensinamentos, ou cientificamente assentes mas desconhecidos do discípulo, ou puramente teóricos e que portanto ele tem que compreender em seus fundamentos, para os poder criticar.

O terceiro processo é o processo simbólico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental ensinamentos que exigem a posse de qualidades mentais superiores ao simples raciocínio, e o símbolo é dado para que essa pessoa, recorrendo ao que nela haja de embrionário dessas qualidades, ao mesmo tempo as desenvolva em si e vá compreendendo, por esse mesmo desenvolvimento, o sentido do símbolo que lhe foi dado.

O primeiro processo dirige-se à memória e chama-se ensino; o segundo à inteligência e chama-se demonstração; o terceiro à intuição. A este terceiro processo chama-se iniciação. 

Fernando Pessoa
Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 84.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Vedes, meu Irmão este pavimento mosaico

Vedes, meu Irmão, este pavimento mosaico; ele é a imagem daquele caos regular a que chamamos a Natureza. Nele, em quadrados regulares, iguais e opostos, se personifica, simbolizando-a, a estrutura contraditória do mundo — a noite e o dia, em todos os sentidos; a matéria e a força, em todos os modos; o corpo e a alma, em todas as formas. Isto que pisamos é o que somos; mas o que somos, quando o podemos pisar, não é mais que o que parecemos ser. O mal e o bem, em todos os intuitos; o humano e o divino, em todos os métodos.





Fernando Pessoa
 

Pessoa por Conhecer — Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990: 82.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Outrora como Agora, é preciso defender a Maçonaria

A Maçonaria não é uma simples associação secreta mas uma ordem iniciática

Da República (1910 - 1935) - Argumentos apresentados sobre o seu artigo publicado no jornal "Diário de Lisboa", sobre o projecto lei de proibição das actividades da Maçonaria:

1. "Tudo quanto de sério ou de importante se faz, faz-se em segredo; e, se as associações secretas são más por serem secretas, todos quantos decidem qualquer coisa sem ser em público, ou com plena publicidade ulterior, estão em igual estado de perversidade.

2. Aparentemente dirigido contra "associações secretas" em geral, o projecto de lei era realmente dirigido contra a Maçonaria.

3. A Maçonaria não é uma simples associação secreta mas uma ordem iniciática, e o seu segredo é o comum a todas as ordens iniciáticas, a todos os chamados Mistérios e a todas as iniciações, ainda que fora de Templo, isto é, directamente de Mestre a Discípulo.

4. Da conversão do projecto em lei adviriam três consequências: 
(a) coisa nenhuma, porque as ordens iniciáticas não se destroem de fora, nem há exemplo de haver vingado qualquer tentativa (e citei três) de as extinguir; 
(b) perseguição aos melhores maçons; 
(c) criação de uma corrente hostil contra nós no estrangeiro — e citei exemplos de idêntica hostilidade em casos de perseguição à Maçonaria —, no que nunca há vantagem, sobretudo para um país como o nosso — pequeno, fraco, com ambições constantes sobre as suas colónias.

5. À parte tudo isto, a Maçonaria não é maléfica nem daninha, e erros ou até "crimes" que porventura provadamente se lhe apresentem são ou: 
(a) provenientes da falibilidade humana, pois que a Maçonaria é composta de homens; 
ou (b) de circunstâncias de meio e época que a Maçonaria não criou e que nela influem, ou em certos sectores dela, como influem sobre toda a gente; 
e que (c) nas mesmas circunstâncias está qualquer outra instituição, secreta ou pública, que exista no mundo, como, por exemplo. a Igreja de Roma, cujos erros e crimes provados são quase sem número.

Fora da linha do argumento fiz também incidentalmente, e a um outro propósito, as seguintes afirmações, que não constituem argumento:

6. O Sr. José Cabral e os anti-maçons são completamente ignorantes de assuntos maçónicos.

7. (a) Não sou maçon, nem pertenço a qualquer Ordem; 
(b) sou suficientemente conhecedor de assuntos maçónicos para deles poder confiadamente ocupar-me; 
(c) os meus conhecimentos maçónicos derivam-se, não da simples leitura de livros mas de certa "preparação especial", cuja natureza me não propunha, nem agora me proponho, indicar; 
(d) não sou anti-maçon; antes, através do meu estudo da Maçonaria, adquiri um conceito favorável dessa Ordem; 
(e) em virtude disso — não foi realmente só em virtude disso — vim defender a Maçonaria."

Fernando Pessoa
(Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Mourão. Introdução e organização de Joel Serrão). Lisboa: Ática, 1979. - 135.)