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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um nome simbólico - José

Quantos Josés nos ocorrem ou se nos deparam quando ponderamos um minuto apenas, José I de Portugal, José Saramago, José Afonso, José Maria da Fonseca, José Malhoa, José Régio ou até Sebastião José... E muitos mais poderia aludir se fosse esse o propósito. Mas não é!

Se para muitos, trata-se de um nome, ou por simpatia, amizade e proximidade poderá até cognitivamente significar algo, para mim ressalta sentimentos e emoções correlacionados com experiências, da mesma forma que um simples odor nos faz recordar alguém.
Quando no ambiente certo, por hipótese entre Irmãos, me tratam por José, turbilha em mim um misto de orgulho, comoção, honra, mas também humildade por me ser permitido envergar um nome que pelo motivo da sua escolha, perpetua ideias e projectos que objectivo ser capaz de não mais largar.
É segurança. Carinho. Vaidade. Dissabores e alegrias. Fome e fartura. Depressão e dinamismo. É esforço, é sacrifício, é morte! Não é morte no sentido de finalizar, desaparecer ou perecer. É transformar, renascer, guardar o que de melhor pode ser lembrado e melhorar, melhorando a experiência já tida e aplicá-la no desenvolvimento de alguém que espera de nós, apenas tudo. Alguém que não pediu para nascer, mas no momento, exige ser criado. Alguém que pela sua inocência e desconhecimento da maldade, dos vícios e do interesse, confia em nós de uma forma inatingível por palavras. Uma confiança inabalável demonstrada ao acaso por um abraço, um beijo, um olhar terno por quem nunca podemos cometer o maior dos crimes do código fraternal: a desilusão. 

De facto, neste desarticulado de palavras, não pretendo centrar a atenção num José, mas, em três. 
Um José do passado que define um dos pilares da construção do que sou. Que noutro tempo e noutros valores insurgiu-se contra alguns princípios e preconceitos pré-estabelecidos e tentou criar bases de convergência ideológica no seio do seu grupo de interesse. Falo do meu Avô, Pai do meu Pai, que cresceu a ser chamado de José Diogo Salvação. Homem aos 11 anos quando por perda do seu Pai, responsabiliza-se pela ajuda à família e desenvolve uma capacidade e talento para o trabalho multifacetado. Ainda assim e compreendendo a relevância do conhecimento para a progressão da sua vida, investe no seu próprio desenvolvimento até à idade da sua morte. Paralelamente, tenta e atinge alguns importantes objectivos, no auxílio conceptual e indirecto aos demais semelhantes. 
Um outro José, que definindo outra e a mais importante das minhas pedras basilares, realizou a sua construção através do esforço e sacrifício, tendo-me oferecido a sua felicidade e sua vida em troca da certeza que um dia eu o reconheceria. Falo do meu Pai, José António de Oliveira Salvação. Tratou-se de um homem que preteriu os interesses pessoais, ou aliás substituiu-os pelo desenvolvimento do meu ser, envolto numa espiral de atribulações matrimoniais motivados por uma doença crónica da sua companheira, minha Mãe. Nunca investiu muito na sua carreira nem tão pouco era um homem de assumpções de risco. Morre cedo, aos 53 anos com a sensação de tarefa cumprida, por ocasião da minha derradeira edificação como homem de família e como profissional. 
O terceiro José é aquele que qualquer determinação e persistência nunca serão inglórios nem suficientes, e para o qual devo dirigir toda a competência que me for permitido reunir na esperança de construir alguém forte no sentido mais lato da palavra. Não se trata de uma acção, mas de um processo de constante desenvolvimento, preparação e atenção não sendo porém uma preparação para a vida, mas a própria arte de viver em si. 

Falo naturalmente do meu primogénito, José Delgado Salvação, que por coincidência ou não, além do Nome apresenta ao mundo as mesmas iniciais do meu Avô: JDS. 
É uma das razões de estar aqui hoje, ou é o conjunto de razões, a certeza e o objectivo, a determinação e persistência. É alguém que merece o meu empenho na melhoria, no desenvolvimento, na evolução de novos saberes e de novas formas de saber. Alguém cuja existência é motivo bastante para merecer que se construa um fio condutor entre a experiência que espero adquirir, e a sede de viver própria de uma criança. 
Para um dia poder dizer... Eu aprendi! 

Autor: José

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mito, Rito e Ritual

Templo de Salomão por Carmen-Lara
A palavra Mito deriva do grego “ mithós” que significa narrativa de carácter simbólico. 

Há quem ligue a maçonaria a inúmeras raízes históricas e lendárias que influenciaram de várias maneiras o seu conteúdo simbólico, mas é na tradição judaico-cristã onde vai encontrar o seu mito fundador e principal, e que vem a ser comum a todas as obediências – a lenda de Hiram. 
É aqui que a maçonaria contemporânea vai encontrar as suas fontes de inspiração mais intensas. 
Quem era este Senhor? era um famoso arquitecto tírio que o Rei de Tiro cedeu ao Rei Salomão a solicitação deste, para a construção do maior santuário alguma vez concebido para a glória do Altíssimo. 
Hiram, aquém também chamavam Abif “o filho da viúva”, organizou toda a sua força de trabalho em três categorias: aprendizes, companheiros e mestres, cada categoria recebendo uma palavra secreta de livre transito, somente conhecida pelos seus membros. 
Foi o conhecimento desta palavra secreta, que três companheiros que a pretendiam conhecer a fim de poderem usufruir dos salários e da consideração devidos aos Mestres, e dada a recusa de Hiram em a divulgar, a razão do seu assassinato. 
É através desta lenda que a maçonaria se liga a um dos temas principais essenciais, praticamente de todas as atitudes espirituais tradicionais – o da morte e da renascença interiores. 

No congresso de Lausana de 1875 procurou-se definir o que é o rito: 
A ordem maçónica é partilhada em diferentes Ritos reconhecidos e aprovados que, apesar de diversos, são todos oriundos da mesma fonte e tendem para o mesmo objectivo. 
Seja de que Rito reconhecido for, um Mação é irmão de todos os Mações do globo. 
Cada Rito tem a sua autoridade reguladora e a sua hierarquia. 
Cada Rito reconhecido é perfeitamente distinto e independente. Os actos de administração que emanam dos seus chefes só são obrigatórios para os Mações da sua obediência. 
Não me parece que o tenham definido de forma clara. 
Para mim o rito não é mais do que um modo de acção do mito e que possui uma força operativa que veicula pela sua prática a energia contida no simbolismo. É uma ferramenta necessária á realização interior de cada um, na medida em que abala a estrutura do indivíduo. 

Definir o que é ritual por palavras simples não é fácil pois se a iniciação é a transmissão, a aprendizagem e a integração efectuam-se essencialmente através do vivido simbólico do ritual maçónico. Este é apreendido de uma forma sensorial e não intelectual, o simbolismo do ritual não é enunciado mas funcional. Sendo o ritual estruturante ele é aberto á procura de uma ou várias compreensões interiores ou pessoais. O ritual é uma característica do grupo dos maçons: repetitivo, ele manifesta e produz a pertença ao conjunto tornando-se na memória dos maçons e o seu propósito de manutenção da sua identidade promovendo a coesão do grupo. 
É por isso que o ritual pelo seu valor, vai actuar sobre o indivíduo e tornando-se eficaz, se for praticado com rigor, sem faltas ou falhas.



Autor: Jorge Amado

sábado, 7 de janeiro de 2012

António Arnaut defende os maçons ... finalmente!





Finalmente, após, mais um vergonhoso ataque das forças obscuras e com fins de outrora como a Inquisição, surge uma voz sábia e ética de um homem impoluto com respeito merecido por toda a sociedade, pela sua integridade de ser humano, moral e Maçon, que com toda a transparência e lucidez desmonta toda a cabala movida pelos interesses de todos aqueles que a coberto da Liberdade conquistada querem agora proibir e castrar o Livre Pensamento. 


A História, como antes o fez, se encarregará de desmascarar estes seres das trevas, a nós Maçons pelo legado dos que nos antecederam temos que estar na primeira linha do combate pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade!


Bem hajas Irmão António Arnaut!


Autor: Grémio Estrela D'Alva

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Câmara de Reflexão

Câmara de Reflexão por Carmen-Lara
As iniciações remontam aos primórdios da humanidade, estando essencialmente associadas a ritos de passagem.
Geralmente nos objectivos das iniciações estão a aprendizagem de valores fundamentais para a vivência de um nível seguinte. Na Maçonaria, a Câmara de Reflexão surge como “peça” fundamental no processo de iniciação. Cuidadosamente dissimulada e fora do conhecimento dos profanos apresenta normalmente uma entrada discreta e de dimensões reduzidas, assemelhando-se no possível a uma gruta, túmulo, ou interior da terra. Sendo a chave da iniciação do neófito na Maçonaria tem uma importância excepcional para o futuro Maçon,  pois é nesse local que o neófito efectua uma reflexão sobre a sua vida profana e o que deverá ser após admissão na Ordem. 

Assim, espera-se do candidato, no interior da Câmara de Reflexões, uma séria meditação, através da qual seja levado a entender a efemeridade das coisas terrenas e a importância dos bens espirituais. Sendo recebido à entrada do edifício da ordem, a introdução do candidato na Câmara tem uma simbologia especial, correspondendo à descida ao interior da Terra, ao mundo da matéria densa. Ao fazer-se passar o profano pela Câmara de Reflexão, espera-se que o isolamento, a envolvente e os objectos lá colocados possam proporcionar novos ensinamentos. Outro simbolismo muitas vezes associado à Câmara é o do feto no ventre materno, sendo que a estadia no local corresponderia ao tempo de gestação que antecede o nascimento. O embrião desenvolve-se, nascendo para uma nova vida. Tudo isto precedido do aspecto fúnebre simbolizando a morte do neófito para a vida profana. O isolamento e as paredes negras representarão a transição das trevas para a luz que constituirá o culminar do processo de iniciação. Por isso a finalidade da Câmara não será o de provocar medo ao neófito, mas antes o estado de clareza e receptividade a nível espiritual absolutamente necessário ao entendimento dos ensinamentos esotéricos inerentes à Iniciação. Na presença da morte todos os interesses de natureza material perdem todo e qualquer valor ficando a esperança concentrada na possibilidade de um novo nascimento. Torna-se assim extremamente importante que o neófito permaneça na Câmara, preferencialmente sozinho, durante o tempo que lhe permita reflectir sobre tudo aquilo que lhe é possível observar no local.

Autor: Gualdim Paes

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sucedeu

O que a seguir vos relato é inteiramente verdade. Só não importa onde ocorreu, porque a Maçonaria é Universal. Fica o exemplo. 

Reinava profundo silêncio no Templo; era noite de Iniciação e tinha-se acabado de dar a Luz a um profano. Os Irmãos tomavam assento nas suas colunas quando uma voz forte se faz ouvir e um Irmão, de pé, pede a palavra ao VM fora da altura convencionada para tal. Todavia, face ao tom da voz e ao porte assumido e pensando que se tratava de um caso fortuito de indisposição, aliás não incomum em sessões prolongadas, o VM concede-lha. 

“V M”, disse o Irmão se tinha colocado de pé, “permite-me cobrir o Templo, uma vez que não posso resistir por mais tempo à presença deste profano. Separa-nos um facto da vida que, quando ocorreu, prometi vingá-lo, se possível com a morte; mas tive a sorte de me serenar a tempo e a sua ausência também me o impediu. Mas, no momento em que o vejo chegar a este sagrado recinto, não posso resistir ao veemente desejo de me afastar imediatamente da sua presença”. 

“Senhor”, interrompeu o recém-iniciado, dirigindo-se ao VM. “Sou eu quem deve ir-se embora e rogo-lhe que me permita sair. 
O VM, com a serenidade própria que nunca deve abandonar o bom Maçom, perguntou ao seu Irmão de Oficina se era tão grave e tão profundo o assunto que o levava a abandonar o Templo, ao que este respondeu: “Serei breve, VM. Há alguns anos, um filho meu, gravemente doente, foi assistido por um médico mas morreu, na sequência de uma prescrição errada de medicamentos que tomou. Esse médico é o homem que hoje se inicia e, para não perturbar a cerimónia, prefiro abandonar o Templo. 

O silêncio de morte e a emoção contida que tinha invadido os presentes foram interrompidos pelo recém-iniciado que, com voz trémula e dorida, explicou: “Senhor, durante os meus anos de estudo tive um companheiro de aula, mais do que um amigo, quase um irmão; saíamos quase sempre juntos e fazíamos anos no mesmo dia. Já eu tinha tirado o curso quando soube que tinha ficado doente. Acudi imediatamente para lhe dar consolo e para o atender. Coloquei todo o meu esforço, todo o meu carinho e todas as minhas energias a tempo inteiro para o aliviar das suas dores e para acelerar a sua cura. Desgraçadamente, tudo saía ao contrário. A doença tornava-se mais grave a cada dia e, possivelmente pelo empenho em restabelecê-lo, cometi um erro. O meu querido amigo, o meu irmão de alma, morreu. Era nobre e generoso como poucos, inteligente e bom. Eu, senhor, angustiado pela dor, com a alma e com o coração afligidos até ao mais íntimo pela perda irreparável deste tão querido irmão, perdi a motivação para tudo o mais e passei a viver fechado em casa. Destroçado e decadente, acabei por ficar doente e sem poder dedicar-me a qualquer tarefa profissional. Vendo que a minha vida se tornava impossível ao conviver com os amigos comuns e que não podia dedicar-me à minha profissão, fui para o estrangeiro. Ali vivi alguns anos, que, todavia, não tiveram a capacidade de curar esta profunda ferida que deixou na minha existência a morte daquele companheiro, o filho deste digno senhor, a quem publicamente peço que me perdoe. A minha culpa foi inocente. O seu pai quis a minha vida. Pode dispor dela quando quiser. Compreendo a sua dor, porque a minha também foi horrível. 

O Irmão da Oficina, surpreendido, exclamou: “VM, as minhas forças como homem e como pai abandonam-me. Só me resta, como Maçom, suplicar-vos que me permitis ir à coluna para perdoar ao recém-iniciado.” O VM assim o permitiu. 

Uma vez entre colunas, ao lado do iniciado, disse-lhe: “Nunca pensei olhar a tua cara frente a frente, mas tocaste o íntimo do meu coração, que te perdoa neste Templo sagrado. Compreendo que sofreste. São coisas do destino. Irremediáveis. Mas eu, que tanto chorei pelo meu filho idolatrado, neste momento solene e neste local sagrado de abraço como se tu também o fosses, e abraço-te também como meu Irmão de Loja.” 

Fez-se Maçonaria.

Autor: Álvaro

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Gualdim Paes – O Templário

D. Gualdim Paes nasceu em Amares em 1118, coincidindo o seu ano de nascimento com o da Ordem do Templo em Jerusalém. Filho de D. Paio Ramires e de segundo casamento com D. Gontrude Soares, terá passado boa parte da sua infância e juventude no mosteiro de Santa Cruz em Coimbra.

Por doação de D. Teresa, viúva do Conde Henrique e tutora do seu filho Afonso Henriques, fica a Ordem do Templo sediada desde 19 de Março de 1128 no castelo de Soure e respectivas dependências, dois meses apenas após a comparência do fundador da Ordem do Templo perante o Concílio de Troyes, cujo papel acabaria por ser decisivo para o seu reconhecimento e desenvolvimento. Rapidamente, outras doações vêm juntar-se a esta e não sendo necessariamente feitas por senhores poderosos, são no entanto em grande número. Assim, entre 1128 e 1130, 19 bens fundiários, incluindo vários domínios rurais, são atribuídos integral ou parcialmente ao Templo.
Cedo D. Gualdim terá sido chamado ao serviço do futuro Rei D. Afonso Henriques, combatendo a seu lado contra os mouros e sendo armado cavaleiro secular pelo soberano em 1139 no campo da batalha de Ourique. Terá sido também por esta altura, entre 1139 e 1148 que, terá ocorrido a sua admissão na Ordem do Templo, muito provavelmente também por indicação e apadrinhamento de D. Afonso Henriques. Terá ainda combatido ao lado de valorosos cavaleiros como Mem Ramires e Martim Moniz, evidenciando-se durante as tomadas de Santarém, em 1147, e de Lisboa, em 1149. Por essa altura terá sido elevado a Comendador (de Braga ou Amarante).
Da tradição popular consta que, quando D. Afonso Henriques se preparava para travar a batalha de Santarém, São Bernardo terá contado a Gualdim Paes uma revelação tida em sonhos e segundo a qual o rei sairia vitorioso do campo de batalha. Na sequência dessa revelação, o Rei terá prometido oferecer a S. Bernardo de Claraval terras e subsídios para a construção de uma grandiosa abadia.
Partindo para a Palestina, D. Gualdim aí terá permanecido durante cerca de cinco anos como Cavaleiro da Ordem do Templo, participando no cerco à cidade de Gaza em 1153, numa altura em que se estaria no final do Grão mestrado de Bernard de Tramelay e início do de André de Montbard, estando ainda presente na conquista de Áscalon em Agosto do mesmo ano e em várias incursões realizadas na Síria e Antioquia. Durante a sua permanência nesses territórios, terá tido certamente oportunidade de visitar os lugares sagrados de várias religiões. Seria por essa altura Mestre do Templo em Portugal, D. Hugo Martins.
Em Junho de 1145, D. Sancha, filha de D. Teresa, e o seu marido, doam ao Templo o Castelo de Longroiva, bem como as suas inúmeras dependências na região da metrópole de Braga. Nessa cidade e nesse mesmo ano, o arcebispo concede igualmente à Ordem uma casa, um hospital para os peregrinos e metade dos rendimentos eclesiásticos da cidade.

Ao regressar a Portugal, Gualdim Paes terá participado no cerco de Alcácer do Sal ao lado do seu Mestre D. Pedro Arnaldo, um dos fundadores da Ordem (sendo lícito supor que terá sido este a recomendar a ida de D. Gualdim para a Terra Santa). Sucede-lhe no mestrado, tornando-se assim o quarto Mestre em território português (seria por essa altura Grão-Mestre Bertrand de Blanchefort). Será importante referir que, apesar da bula de Alexandre III “Manifestis probatum” reconhecendo a independência do Reino e D. Afonso Henriques como seu Rei ter sido apenas emitida em 13 de Abril de 1179, já desde 1139 era considerada a existência de Portugal como Reino.
Inicia-se então um período de extraordinária expansão da Ordem, recebendo o Templo do Rei um importante domínio agrícola na confluência do Nabão com o Zêzere, onde é iniciada em 1160 a construção do castelo e do convento de Tomar, que se tornará a sede do Templo em Portugal, e mais tarde, da sua alegada sucessora, a Ordem de Cristo. Tomar recebe foral de vila em 1162. São ainda fundados os castelos de Almourol, Idanha, Ceras, Monsanto e o de Pombal. O foral de Pombal terá sido concedido em 1174. Uma década mais tarde e no âmbito de uma vasta doação de terras a sul do Tejo, o Rei insistirá em que os recursos da Ordem sejam utilizados apenas no reino para prosseguir com a reconquista.

Em 1190 cercado em Tomar pelas forças comandadas pelo califa Abu al-Mansur, D. Gualdim Paes consegue heroicamente defender o castelo contra um efectivo numericamente muito superior, detendo assim a invasão do norte do Reino.
D. Gualdim terá ainda vivido quase 10 anos após a morte do seu amigo, protector e confrade, D. Afonso Henriques, que pouco antes de partir doou à Ordem do Templo o terço de tudo o que por esta fosse conquistado e povoado a sul do Tejo.
D. Gualdim Paes faleceu em Tomar a 13 de Outubro de 1195, tendo sido sepultado, à semelhança dos outros Mestres portugueses do Templo, na Igreja de Santa Maria do Olival. No entanto, os seus restos mortais já não se encontrarão nesse local na sequência da profanação das sepulturas levada a cabo pelo inquisidor padre António de Lisboa, nomeado por D. João III o Pio, para a tarefa de reformar a Ordem de Cristo. Consta que a caça ao tesouro não terá terminado com Filipe IV em França. As sepulturas dos mestres foram destruídas, documentos foram queimados e a história adaptada à vontade reinante.

D. Lopo Fernandes sucede a D. Gualdim como Mestre da Ordem do Templo em Portugal. Através da bula “Regnans in coelis” de 12 de Agosto de 1308, o Papa Clemente V dá conhecimento aos monarcas cristãos do processo movido contra os Templários e através da bula “Callidi serpentis vigil” de Dezembro de 1310 decreta a prisão dos mesmos, dando início ao famoso e longo processo dos templários, ainda hoje considerado como um dos períodos mais negros da história medieval.
A influência de D. Gualdim Paes na acção dos templários nos confins da Península Ibérica, poderá ter estado ligado a objectivos menos conhecidos e intimamente ligados à génese do reino nascido naquele ponto mais ocidental do continente, onde o mundo conhecido terminava, encruzilhada de culturas, credos e raças, terra onde sob as estrelas Viriato erguera as suas preces a Endovélico. Afinal, Gualdim Paes terá sido armado cavaleiro em pleno campo de batalha por D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal e aquele que, de acordo com a tradição, se diz ter sido o primeiro Mestre dos Templários portugueses.

O que me levou a escolher Gualdim Paes como nome simbólico foi essencialmente o exemplo de coragem, perseverança e lealdade. Foi a capacidade de permanecer fiel aos seus ideais, compromissos, amigos e companheiros de armas, a firme vontade com que enfrentou todas as batalhas e a lucidez e determinação com que geriu a autoridade que lhe foi conferida. Todas estas características pessoais, bem como todo o conjunto de eventos que marcaram a sua vida, desde muito cedo conquistaram a minha mais profunda admiração.

Autor: Gauldim Paes

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Solstício está em nós

Por instantes, duas vezes em cada doze meses, o Sol alcança a sua maior declinação elíptica – e parece suspender-se em luz pura. Nesses dois dias mais longos do ano se marca o início dos ciclos maiores da Mãe-Natureza, celebrados desde que o Homem pôde conhecer e medir o seu lugar no Universo.

Desde a mais remota Antiguidade assinalamos, sob a forma de alegorias míticas e festas telúricas, a abertura gloriosa das Portas Solsticiais. E a própria etimologia latina do SOLSTITIUM nos remete para esse breve momento em que o Astro se sustém, grande e jorrando luz, franqueando os seus portais a quem ousa olhá-lo de frente.
Uma das faces do dualismo primordial do preto e do branco, expresso também nas duas faces do deus Janus, o Grande Arquitecto bifásico, está perfeitamente figurada na festa dos Fogos de S. João de Verão, o Solstício de Câncer, personificado no Baptista, e que assinala a travessia da Porta dos Homens, a abundância e a plenitude do que é perfeito.
O mesmo Sol que ilumina o Ser humano, neste momento de transição das trevas para a claridade, é o mesmo que faz germinar na terra os frutos. Por isso, nesta cerimónia, celebramos também o trigo, o vinho e o azeite – cada um na sua carga simbólica própria e todos como representação da capacidade geradora, desse início em que da semente brotam os primeiros rebentos que hão-de crescer, frutificar e multiplicar-se.
Todos os cultos iniciáticos comemoram a alegoria solsticial, desde a ancestralidade da consciência humana. Fizeram-no os antigos egípcios com Anúbis e os persas com os seus ritos estrelares. Fizeram-no os sacerdotes do Hinduísmo, com os pitri (os espíritos dos que partiram) e o deva yana (o caminho dos deuses). Fizeram-no os cultores dos ritos de Mitra e os gregos, nas suas celebrações de Hermes. Fizeram-no as comunidades druídicas das terras e ilhas do Mar do Norte. Fizeram-no os romanos na deusa Vesta, patrona do Fogo, condutora das almas na viagem do terreno para o celeste, isto é, do efémero para o perene. E fizeram-no os irmãos da Fraternidade dos Mathematikoi fundada por Pitágoras, e depois deles todas as escolas filosóficas e iniciáticas cujo labor se centra, como escreveu René Guénon, naquele momento em que “o passado já não é e o futuro ainda não é”.

Os construtores medievais, os maçons das Corporações de ofício, os Mestres do Craft, adoptaram as festas solsticiais, coincidentes com as celebrações de João Baptista (nos Fogos de Verão) e João Evangelista (nos Fogos de Inverno), e erigiram estes em patronos simbólicos das nossas Lojas de São João. Ainda hoje nós aqui o fazemos também.
No Ritual, quando o Venerável Mestre pergunta “De onde vens?”, a resposta que damos é “De uma Loja de São João”. Mas a qual dos dois Joões nos referimos? A ambos, na realidade, pois ambos constituem alegorias que remetem para a sublimação da construção. E há Irmãos que invocam ainda um terceiro João, S. João de Jerusalém, o Saint John Almoner, o João Esmoler e hospitaleiro tão ligado à reedificação dos Templos e ao socorro dos aflitos. Desse falaremos talvez noutra ocasião.
Algo distingue, contudo, o João Evangelista dos Fogos de Inverno do João Baptista dos Fogos de Verão. O primeiro é o que derrama a luz recebida, é o Verbo, aquele que espalha a ideia e acompanha os trabalhos de construção do Templo interior. O segundo é o João da Iniciação e da revelação, o neófito no preciso instante em que a venda lhe é retirada e ele pode contemplar o Sol iluminador. Também o Ritual o afirma, nesta passagem: “O Baptista, em pleno Fogo do Verão, clama pela expansão do Sol Vitorioso”.
A própria alegoria do baptismo explica, noutra figuração, o momento iniciático da luz. Aquele “que purifica pela água” é também aquele que abre os portais para “uma nova vida”, aqui reflectida na entrada num ciclo de “mais luz”. No baptismo encontramos ainda o princípio da transmissão espiritual através da Tradição. Isto é: ninguém se baptiza a si próprio, assim como ninguém é iniciado fora de uma cadeia tradicional, ininterrupta, que lhe dá valor e sentido – o que nos remete para os fundamentos iniciáticos da nossa Augusta Ordem e para a beleza da transmissão iniciática de Mestre a Discípulo.
Tal como estas celebrações solsticiais de Verão anunciam o dia claro e a luz brilhante, assim João Baptista é aquele que prepara e anuncia a era do Ser maior e o acompanha, pelo baptismo renovador, na travessia dos portais do entendimento. No Bhagavad Gitâ isto vem exposto com estas palavras: “Aqueles iluminados pela Luz do verdadeiro conhecimento recebido do Sol da Sabedoria, conhecem o Espírito Supremo e com Ele se unem; esses passam pela porta e abandonam as trevas”.
No Ritual, quando dizemos que “vimos de uma Loja de S. João” e o Venerável Mestre nos pergunta “Onde se encontra essa Loja?”, a nossa resposta é: “Em qualquer lugar em que o homem tome consciência de si próprio”.

Pois em cada um de nós nasce, com a iniciação, um solstício. O solstício está em nós.

Autor: A. Correia da Serra, n.s.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Miosótis

No início de 1934, logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer. Em breve, a maçonaria alemã, que conhecera dias gloriosos e que tivera, nas suas colunas, os mais ilustres filhos da pátria alemã, como Goethe, Schiller e Lessingn, veria esmagado o espírito da liberdade sob o pretexto de impor a ordem e uma supremacia racial.
Quanto retrocesso, desde que Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em 1822, impediu que os esbirros reaccionários da Santa Aliança de Metternich fechassem as Lojas Maçónicas, declarando peremptoriamente que poderia descrever os Franco-Maçons prussianos, com toda a honestidade, como sendo os melhores dentre os seus súbditos…

As Lojas alemãs, na terceira década do século XX, estavam jurisdicionadas a onze Grande Lojas, divididas em duas tendências.
O primeiro grupo, de tendência humanista, seguindo os antigos costumes ingleses, tinha como base a tolerância, valorizando o candidato por seus méritos e não levando em consideração a sua crença religiosa. Constava de sete Grandes Lojas, a saber: Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja Nacional da Saxônia, em Dresden; Grande Loja do Sol, em Bayreuth; Grande Loja-Mãe da União Eclética dos Franco-Maçons, em Frankfurt; Grande Loja Concórdia, em Darmstadt; Grande Loja Corrente Fraternal Alemã, em Leipzig; e, finalmente, a Grande Loja Simbólica da Alemanha.
O segundo grupo consistia nas três antigas Lojas prussianas, que faziam a exigência de que os candidatos fossem cristãos. Havia ainda a Grande Loja União Maçónica do Sol Nascente, não considerada regular, mas que também tinha tendências humanistas e pacifistas.
Voltando a 1934, a Grande Loja Alemã do Sol deu-se conta do grave perigo que iria enfrentar. Inevitavelmente, os maçons alemães estavam a partir para a clandestinidade, devido à radicalização política e ao nacionalismo exacerbado. Muitos adormeceram e alguns romperam com a tradição, formando uma espúria Franco-Maçonaria Nacional Alemã Cristã, sem qualquer conexão com a restante Franco-Maçonaria. Declararam abandonar a ideia da universalidade maçónica e rejeitar a ideologia pacifista, que consideravam como demonstração de fraqueza e como uma degeneração fisiológica contrária aos interesses do estado!

Os maçons que persistiam nos seus ideais precisaram encontrar um novo meio de identificação que não o óbvio Compasso e Esquadro, seguramente em risco de vida.
Há uma pequenina flor azul que é conhecida, em muitos idiomas, pela mesma expressão: não-me-esqueças – miosótis. Entenderam, os irmãos alemães, que esse novo emblema não atrairia a atenção dos nazistas, então a ponto de lhes fechar as Lojas e confiscar as propriedades.

Vergissmeinnicht, em alemão; forget-me-not, em inglês; forglemmigef em dinamarquês; ne m’oubliez pás, em francês; non-ti-scordar-di-me, em italiano; não-te-esqueças-de-mim, em português. Diz a lenda que Deus assim chamou a florzinha porque ela não conseguia recorda-se do próprio nome. O nome miosótis (Myosotis palustris) significa orelha de camundongo, por causa do formato das pétalas.
O folclore europeu atribui poderes mágicos ao miosótis, como o de abrir as portas invisíveis dos tesouros do mundo. O tamanho reduzido das flores parece sugerir que a humildade e a união estão acima dos interesses materiais, porque é notada principalmente quando, em conjunto, forma um bouquet no jardim.
De acordo com uma velha tradição romântica alemã, o nome da flor está relacionado às últimas palavras de um cavaleiro errante que, ao tentar alcançar a flor para sua dama, caíra no rio, com sua pesada armadura e afogara-se.
Outra história, diz que Adão, ao dar nomes às plantas do Jardim do Éden, não viu a pequena flor azul. Mais tarde, percorrendo o jardim para saber se os nomes tinham sido aceites, chamou-as pelo nome. Elas curvaram-se cortesmente e sussurravam a sua aprovação. Mas uma voz delicada a seus pés, perguntou: “- E eu, Adão, qual o meu nome?” Impressionado com a beleza singela da flor e para compensar seu esquecimento, Adão falou: “ – Como eu me esqueci, digo que vou chamá-la de modo a nunca mais esquecê-la. Seu nome será: não-te-esqueças-de-mim.”
Através de todo o período negro do nazismo, a pequenina flor azul identificava um Irmão. Nas cidades e até mesmo nos campos de concentração, o miosótis adornava a lapela daqueles que se recusavam a que se extinguisse a Luz.

Em 1945, o nazismo, com seu credo de ódio, preconceito e opressão, que exterminara, entre outros, também muitos maçons, era atirado para o lixo da História. Nas fileiras vitoriosas que ajudaram a derrotá-lo, estavam muitos maçons – ingleses, americanos, franceses, dinamarqueses, checos, polacos, australianos, canadenses, neozelandeses e brasileiros - desde monarcas, presidentes, comandantes aos mais humildes praças. Entre os alemães, alguns velhos maçons também sobreviveram e com o seu sofrimento ajudaram a redimir, de alguma forma, a memória contra histeria colectivista nazista. Eles eram o penhor da consciência alemã, a demonstração de que a velha chama da civilização alemã continuara, embora com luz ténue, a brilhar durante a barbárie.
Em 14 de Junho de 1954, a Grande Loja O Sol (Zur Sonne) foi reaberta, em Bayreuth, sob o ilustre irmão Dr. Theo Vogel, núcleo da Grande Loja Unida da Alemanha. Nesse momento, o miosótis foi aprovado como emblema oficial da primeira convenção anual, realizada por aqueles que conseguiram sobreviver aos anos amargos do obscurantismo. Nessa convenção, a flor foi adoptada, oficialmente, como um emblema Maçónico, em honra àqueles valentes Irmãos que enfrentaram circunstâncias tão adversas.
Finalmente, para coroar, quando Grão-Mestres de todo o mundo se encontraram nos Estados Unidos, o Grão-Mestre da recém formada Grande Loja Unida da Alemanha ofereceu a todos os representantes das Grandes Jurisdições ali presente um pequeno miosótis para colocar na lapela. O miosótis também é associado às forças britânicas que serviram na Alemanha, em especial na região do Rio Reno, logo após a guerra.
Há uma Loja, jurisdicionada à Grande Loja Unida da Inglaterra, a Forget-me-not Lodge nº 9035, Ludgershall, Wiltshire, que adotou a flor como emblema. Foi formada especialmente para receber os militares ingleses que voltavam do serviço na Alemanha.

Foi assim, que essa mimosa florzinha azul, tão despretensiosa, transformou-se num significativo emblema da Fraternidade – talvez hoje o mais usado pelos maçons alemães. Ainda hoje, na maioria das Lojas germânicas, o alfinete de lapela com o miosótis é dado aos novos Mestres, ocasião em que se explica o seu significado para que se perpetue uma história de honra e amor frente à adversidade, um exemplo para as futuras gerações Maçónicas e para todas as nações.

Autor: Júlio Verne - "In Ruy Luiz Ramires"
MiosótisEssa planta rasteira originária da Rússia, que geralmente tem entre 25 e 30 cm na fase de florescimento, possui pequenas flores azuis, flores brancas, flores rosadas está presente durante as primaveras nos mais belos jardins do planeta.
Deve ser cultivada sob o sol ou à meia sombra e é utilizada como forração de bordas em canteiros, além de fornecer um toque especial em composições de jardins de pedras. O Miosótis gosta de baixa temperatura, sendo que o seu cultivo é mais indicado em lugares de altitude.
Aquilo que pensamos ser as flores do Miosotis, na verdade são inflorescências terminais que se assemelham a espigas, longas, com formações de flores muito curtas e azuis.
A sua beleza é apreciada e encontrada nos jardins de diversos países em razão da facilidade do seu cultivo. Além disso, ela apresenta mais de 50 variedades. O Miosotis também é conhecido como Verónica.
Oferecer esta planta pode representar uma bela declaração como, por exemplo: “meu amor por ti é sincero”.
A forma das flores, com seus reduzidos tamanhos, sugere simplicidade, humildade e união como condições acima de interesses materiais.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Maçon e a Sociedade Profana

A Maçonaria ao unir povos e nações, procura alertar não só para a necessidade de olhar para os problemas actuais da humanidade, como levar os Maçons a formar e a alterar consciências. O exercício de uma cidadania mundial, deve englobar o conjunto dos princípios, valores, atitudes e comportamentos que os povos e nações do mundo devem adoptar para a realização do desenvolvimento sustentável.
A Maçonaria mostra ao Maçom que ele tem um compromisso consigo mesmo, com o seu pensar e o que fazer de sua própria existência. Através do estudo da filosofia socrática aprendemos que, antes de mais nada, a primeira coisa é aprender a pensar. Para aprender a pensar é preciso saber ouvir, ouvir com atenção, buscando encontrar o sentido exacto das palavras de quem fala. E Sócrates ensina-nos que aprender a pensar é aprender a conhecer, a perceber, a discernir, a falar, a agir.
O progresso da Humanidade tem o seu início na aplicação das leis de justiça, de tolerância e da solidariedade, princípios sempre defendidos pela nossa Augusta Ordem. A Justiça nada mais é do que o respeito ao direito de cada um e a base para a convivência em sociedade.

A actuação de um Maçom em sociedade deverá pautar-se pela libertação dos seus vícios e preconceitos, pelo aprofundar das suas virtudes e pela procura do caminho que conduz à prática do bem. Deve também lutar pela plenitude dos direitos e, pela Justiça, fomentando os laços de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre todos. Deve ainda pautar a sua vida pela observância do preceito de ser livre, seguindo as normas de conduta moral dos indivíduos nas suas relações sociais.
Ser Maçom, é ser activo, consubstanciado no estado de espírito que deve caracterizar o membro presente em toda situação em que pode ajudar para que a sociedade se torne melhor. É ter consciência que a nossa discrição não é a omissão, mas que a nossa presença seja activa no apoio a projectos úteis à humanidade.
Na conduta social, a Maçonaria tem de ter uma dupla vertente essencial: reflectir e intervir sobre as regras e códigos morais que orientam a conduta humana e promover a harmonia e a união entre os seus membros, sempre na busca de novas soluções.
A ética está directamente relacionada ao estudo e determinação das condutas humanas no que diz respeito a certo e errado no contexto de uma determinada sociedade. A ética profissional tem como precedente a ética social, ou seja, antes de se determinar as condutas moralmente aceites ou esperadas de uma determinada actividade, existem padrões de comportamento estabelecidos por esta sociedade, à qual o exercício profissional e de cidadania está inserido e se deve reger.

No contexto actual da globalização, é notório a existência de uma crise de ideologia e de valores. O mundo todo está em crise, vivemos dias conturbados caracterizados por desentendimentos, corrupção, desperdícios, injustiças e violências. A ética deixou de ser um padrão de comportamento!
No entanto, a sociedade é a soma dos indivíduos que a compõem. Como depende do indivíduo, basta corrigir o comportamento do ser humano que ajusta-se a sociedade.
A ética que está em causa é a aquela que possibilita ao Homem pautar-se por pensamentos e acções que visem, entre outros, a dignificação humana, o respeito pelo direito à vida ou o melhoramento das condições de vida.

A Maçonaria através dos seus membros e Lojas deve procurar consciencializar os povos e nações na formação do ser humano, no conhecimento permanente, na participação activa nas sociedades e na procura de soluções.
Na sociedade profana e na vida Maçónica, o exercício de cidadania conquista-se, quando participamos no espaço público, quando sabemos escolher, podemos escolher e efectivamente escolhemos, devendo a nossa actuação saber agir para ter uma melhor qualidade de vida.

Viva a Maçonaria!

Autor: Laje

terça-feira, 26 de abril de 2011

2.º Encontro Internacional Lojas Amigas - Portugal

Conforme anunciado, realizou-se nos dias 20 a 25 de Abril de 2011 o 2.º Encontro Internacional de Lojas Amigas, em Portugal, com a presença de Lojas de França, Bélgica e Portugal. Estiveram presentes 11 Lojas de França; 1 Loja da Bélgica; 7 Lojas de Portugal.
Esta organização teve por base a realização do 2.º Encontro Internacional, sobre o tema: CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS. Foram apresentados pelos presentes em representação das suas Lojas vários trabalhos sobre o tema, um colóquio de debate e a conclusão da necessidade do aprofundamento e da garantia dos Direitos Humanos no Mundo.
As Lojas exortaram à continuação do trabalho iniciado no Encontro para que próximo e dentro das próprias organizações a profusão dos ideais da Ordem sejam presentes e aplicados na fraternidade entre os Povos e Nações.

Este Encontro Internacional proporcionou a pessoas oriundas de França, Bélgica e Portugal - cerca de 30 franceses e belgas e, 20 portugueses - um vasto programa de divulgação e promoção do património, da cultura, da língua, da lusofonia.
Foram efectuadas diversas visitas ao território e monumentos portugueses, com visitas guiadas, debates e transmissão de conhecimentos, nomeadamente ao Vale do Sado, Castelo e Cripta de Alcácer do Sal com as influências romanas, Sintra esotérica e simbólica, Vila de Sintra, Palácio da Vila, Palácio Valenças, ao tesouro Templário, Vila Nova da Barquinha, Castelo de Almourol, Convento de Cristo Tomar e, naturalmente, Lisboa cidade da Luz, bem como, a evocação da data de 25 de Abril 1974 na Associação 25 de Abril.

A fraternidade, a sabedoria, a beleza estiveram presentes como valores primordiais: Viva a Maçonaria Universal!

terça-feira, 29 de março de 2011

O meu nome é Fidel Eduardo

Este é o primeiro trabalho desde que fui reconhecido Maçom: Felicidade de pertencer a tão fraterna e livre família!
A experiência de ser iniciado Maçom é de uma infindável miscelânea de sentidos e sentimentos, alguns introspectivos e de análise crítica do nosso “EU”, outros, humanistas e de cidadania, e ainda outros de mudança, de evolução e de sentimento de pertença que só irei esquecê-los quando partir…
Foi-me sugerido, na altura, que pensasse num “nome simbólico” com o intuito de proteger a minha identidade no mundo profano. Pareceu-me uma tarefa bem simples e fácil… contudo, após ter a percepção do simbolismo real, da emoção que aplicamos na sua feitura, da grandeza simbólica de um nome e do seu impacto na minha vida de Maçom… percebi afinal, que era uma empreitada exigente e difícil que merecia da minha parte um envolvimento e empenho que estivesse ao nível de tal desafio. Listei nomes, procurei na Internet, falei com vários Irmãos, e a verdade, é que não conseguia encontrar um nome… um nome que desse simbolismo… que representasse, aquilo que eu sentia ser importante interpretar! Um nome que falasse de mim, do meu “EU”, da linha de vida percorrida, das minhas lágrimas e sorrisos, deste chão que pisei ontem, que piso hoje e que pisarei amanhã! Um nome que condensasse em 5 ou 6 letras o meu mundo interior e envolvente! Para reduzir a abrangência da procura, decidi introduzir características nos nomes a procurar, pelo que decidi que o “meu” futuro nome, deveria cumulativamente ter as seguintes características:
• Simbolizar a FRATERNIDADE, valor (que para mim é) supremo e em que todos nos revemos.
• Teria de ter uma relação directa com o meu mundo, com a minha história, com as minhas memórias.
• Ser o nome de um homem por mim reconhecido como um homem, integro, justo, esclarecido, bondoso e lutador.
• Ter uma vida… uma existência em que ela própria fosse um símbolo… e ao mesmo tempo um exemplo.
• E por fim esse nome deveria tocar-me na minha essência…Trazê-lo no meu coração.

Esse homem, que partiu, que 33 anos antes, me viu nascer, da sua semente e do seu amor… só podia ser o meu Pai! Não era reconhecido Maçom… Não era iniciado… Não era Irmão… Mas hoje vejo e reconheço, que a sua vida no essencial, foi um exemplo que eu devo seguir como verdadeiro e hoje reconhecido Maçom. Quero por isso hoje aqui, exortar o seu nome e lembrar cada gota sangue que vendeu para suportar a pobreza que nos era imposta… Quero exortar a sua memória, para não esquecer as noites não dormidas a trabalhar 8, 12, e 14 horas, para que o pouco não fosse nada. Quero lembrar a sua voz de alento, que em coro com a minha mãe me transmitia, amor, confiança e segurança. Quero erguer no nosso templo, todos os dias o seu nome, quando por mim os meus irmãos me chamarem, de forma que esteja presente o seu carinho, rude mas sincero, envergonhado mas verdadeiro, distante mas atento, discreto mas presente. Quero lembrar-me das suas cavalitas… dos seus ensinamentos que me fizeram o homem que sou hoje!

O meu Pai, sempre me olhou com amor… mesmo zangado… os seus olhos não conseguiam deixar de me amar. Ahh…o meu Pai Fidel … sim o meu Pai, carteiro de profissão, dador de sangue profissional, homem do povo com lancheira, pobre, a trabalhar por turnos e horas extraordinárias infinitas que pouco dinheiro produziam… O meu Pai Fidel lutou, essencialmente por nós… O meu querido Pai… deixava de comer pelos 4 filhos! Tentava com a sua voz de Homem Grande que era, falar baixo para não nos acordar… afinal, ele gostava de nos ver dormir!O meu Pai era um Homem Bom… um homem com valores morais, com princípios, com ética, com carácter e personalidade que eu hoje, e em toda a minha vida quero lembrar e honrar.

Ainda o Amo e quero lembrá-lo mais vezes…Por isso escolhi o seu nome, Fidel Eduardo… Lembrem-no comigo… Ele merece!

Autor: Fidel Eduardo

terça-feira, 15 de março de 2011

Fernando Valle, Um Homem Um Maçon

Quando me foi pedido para indicar o nome simbólico, não hesitei um segundo a referir o nome de “Fernando Valle”, pretendendo assim prestar homenagem ao Homem, ao Humanista e ao Médico, que foi o Dr. Fernando, esperando também que com a vossa ajuda seja sempre digno de pronunciar o seu nome. Conheci o Dr. Fernando do Valle, no final da tarde do dia 08 de Junho de 1954, quando assistiu ao meu difícil nascimento no Hospital de Arganil, na altura Hospital Condessa das Canas. O parto não correu bem, nasci antes de tempo e a minha mãe esteve ás portas da morte. Após o parto, o meu pai que se encontrava no Hospital, sentado num corredor, foi chamado de urgência ao gabinete do médico. O Dr. Fernando, entrega-lhe uma receita e ordena-lhe: “Vai de imediato à farmácia e traz-me este medicamento”. O meu pai triste, olha para ele e diz-lhe: “Senhor Doutor, não trago dinheiro comigo”. Este responde-lhe: “Ó homem não te falei em dinheiro, diz ao farmacêutico que fui eu que mandei, não te preocupes com o pagamento, ou queres que a tua mulher morra”.

Este foi o primeiro episódio que eu, ainda muito novo, ouvia o meu pai contar, sempre com grande emoção, e, por vezes, com os olhos rasos de lágrimas, relatando aquela época difícil, até mesmo de miséria. Hoje, quando passo junto da casa do Dr. Fernando em direcção á minha terra, vem-me à memória a gratidão sentida que o meu falecido pai lhe tinha. O tempo foi passando, contudo a gratidão nunca foi esquecida, nem o Dr. Fernando se esqueceu de nós, pois, quando a minha mãe o visitava ou o consultava, perguntava-lhe sempre: como está o nosso rapaz?
Certo dia o meu pai foi ter com o Dr. Fernando a fim de este lhe passar um atestado para eu poder entrar na escola primária antes dos sete anos de idade, (era obrigatório na altura). Olhou para o meu pai com aquele sorriso característico dele e pergunta: “como vai o nosso rapaz ?”. E seguidamente, um pouco triste, diz-lhe: “Não te posso passar o atestado pois é competência do Delegado de Saúde de Arganil”, contudo acrescentou: Vai ter com o Dr. Batista para te passar o atestado. Não lhe digas que falaste comigo. O atestado custa 40 escudos. Precisas de dinheiro?. Os anos foram passando, contudo os meus pais nunca deixaram de o visitar ou consultar, com excepção de algumas vezes não o poderem contactar por motivos publicamente conhecidos. Estava eu a cumprir o serviço militar em Coimbra, tinha conseguido uma boleia num camião da fábrica de cerâmica de Coja, de Coimbra para aquela localidade, quando desci do camião junto ao Café Central, vi o Dr. Fernando sentado a uma mesa. Dirigi-me a ele para o cumprimentar. Ele olha para mim e diz-me: “Eu conheço-te?” Quando lhe digo que era de Vila Cova e tinha muito prazer em cumprimentá-lo, diz: “És o filho da Normélia”; rindo para mim com aquele sorriso quase angélico que o caracterizava, acrescenta: “Como vais rapaz ?. Sabes: ainda hoje me pergunto como é que vocês não morreram naquele hospital”.

A primeira vez que ouvi falar que o Dr. Fernando era maçon, tinha eu cerca de nove ou dez anos de idade, através de um episódio que passo a citar: Certo dia o meu falecido pai, na época das colheitas, andava a malhar centeio na eira e eu acompanhava-o naquela tarefa, fazia muito pó e eu apanhei uma infecção num dos olhos, como não passava e tinha muitas dores, fui levado pelo meu pai, a Coja, a casa do Dr. Fernando, aí, ele colocou-me umas gotas nos olhos e mandou-o levar-me novamente dois dias depois, a sua casa, pois estava á espera de uma pomada vinda de Coimbra, de nome “terramicina”, a qual “fazia milagres”, como na altura a título de graça o referiu. Passado um tempo o meu pai foi intimado pela GNR de Arganil para se apresentar em Coimbra na PIDE/DGS. Chegado aí foi confrontado com as seguintes perguntas: “O que tinha ido fazer a casa do Dr. Fernando duas vezes numa semana, pois achavam não ser normal. Se tinha um filho doente por que não se dirigiu ao hospital. E ainda se o meu pai pertencia a alguma sociedade secreta conhecida por maçonaria”. Era muito novo mas lembra-me o meu pai comentar com a minha mãe, relativamente a este episódio, o seguinte: “Porque não deixam o homem em paz?, “Eu sei lá de sociedades secretas, se é maçon ou não”. Não sei o que isso é. Que pertence à seita do Dr. Moura Pinto. Dizem que têm um pacto com o diabo e que matam pessoas, como é possível, se te salvou a ti e ao nosso filho”?. Os anos foram decorrendo, houve a Revolução de Abril, vim para a capital, mas muitas vezes me lembrava deste e outros episódios, procurei livros sobre a maçonaria, fui lendo e durante muitos anos uma grande vontade de fazer parte desta Ordem Maçónica. Fiquei também a saber que o Dr. Fernando era o maçon mais velho do mundo, pois foi iniciado aos vinte anos, tendo falecido aos cento e quatro anos de idade.

São alguns dos muitos episódios que me marcaram relativamente a este Grande Homem que foi o Dr. Fernando Valle. Não é por um sentimento de culto á sua personalidade, mas sim motivado pela grande gratidão que a minha família sempre teve para com ele, bem como os seus valores demonstrados e reconhecidos em toda a região de Arganil e no país, valores como a solidariedade, a fraternidade, igualdade e a justiça social, pelos quais sempre se debateu, tendo assim razão suficiente para adoptar o seu nome como meu nome simbólico.
Um trabalho simples e um Homem Simples!

Autor: Fernando Valle

terça-feira, 8 de março de 2011

A Maçonaria de dentro para fora

A Iniciação não é um fenómeno pontual e momentâneo, mas sim um processo, ainda que possa ser representada numa cerimónia. A Iniciação não se dá, provoca-se. Não é uma experiência sacramental ou mágica, mas sim um processo de aprendizagem psicológica. A Iniciação maçónica não é um caminho de salvação de caráter religioso ou esotérico, mas sim um processo de auto esclarecimento, e é compatível com qualquer fé religiosa ou esotérica que não anule a liberdade do indivíduo, assim como também é compatível – no caso da Maçonaria Liberal – com o agnosticismo e o ateísmo. Mas já não seria compatível com um posicionamento de nihilismo radical que negue qualquer sentido transcendente ou imanente ao mundo, que interprete o Universo como um puro caos sem ordem possível, que negue que, apesar da desordem aparente, haja um Cosmos. A Iniciação maçónica não é o único método de esclarecimento, apenas mais um. Existem outros, inclusivamente existem experiências vitais espontâneas que têm virtualidade iniciática por provocarem um aumento de consciência do indivíduo e uma atitude nova e mais responsável face à vida, como na maternidade e na paternidade, a compaixão pela dor alheia, a emoção estética, a criação artística e a experiência da morte. São experiências iniciáticas, não metódicas mas espontâneas. O método de Iniciação Maçónica está conservado nos rituais, que têm sido elaborados num largo processo de decantação histórica que guardam, cada um em seu estilo particular, uma específica “ecologia” emocional e simbólica, um subtil equilíbrio de gestos e de palavras que não pode ser alterado arbitrariamente. Mas o método maçónico não impõe uma unidade ideológica a quem o pratica… É um marco axiológico geral que admite e exige o pluralismo no seu interior. Baseia-se na funcionalidade dos símbolos construtivos, que articulam um imaginário emancipador da consciência individual, que torna cada Maçom resistente a qualquer manipulação simbólica. Por outro lado, a Loja Maçónica não é um grupo de pressão. Não atribui tarefas aos seus membros que condicionem as vidas privadas, a actividade profissional ou o desempenho de qualquer cargo público: cada um interpreta em consciência o seu compromisso maçónico. As Lojas Maçónicas não fazem proselitismo nem marketing para iniciar ninguém, mas podem dar a conhecer a sua existência. Ninguém é obrigado a guardar segredo da sua condição de Maçom. A Maçonaria não é uma organização clandestina. Todos os Maçons comprometem-se, pelo mero facto de o serem, a tentar viver como cidadãos exemplares. Por outro lado, a Maçonaria não é uma seita, já que não busca a submissão dos seus membros e nenhum guru ou líder, mas prepara para cada um dos seus membros um caminho personalizado até à Mestria. Não admite menores de idade nas Lojas e dirige-se a pessoas livres dotadas de autonomia. Não submete os seus membros a nenhum tipo de direcção espiritual. O método maçónico implica-nos racional e emocionalmente, apela ao nosso lado verbal-racional-consciente e também ao nosso lado não verbal-afectivo-inconsciente. A Loja, na Maçonaria Liberal, reúne a dupla condição de grupo iniciático e sociedade de pensamento. A Maçonaria não é um sindicato de interesses nem uma sociedade mútua, ainda que se comprometa a ajudar os seus membros, na medida das suas possibilidades e dentro do que é lícito. Também não é um clube social, ainda que em seu torno possam nascer vínculos de amizade pessoal e de relação social. Não é uma organização de caridade, ainda que possa apoiar a criação e a manutenção de actividades humanistas e de bem-estar social. Não compete com nenhuma confissão religiosa nem com nenhum partido político, ainda que valorize o valor político da liberdade e o respeito pelos direitos humanos. Não tem uma estrutura predisposta para a acção política organizada nem procura o poder político. Não é, sequer, uma associação cultural ou recreativa, ainda que possa dar lugar a iniciativas culturais ou de lazer. Não é uma empresa comercial nem actua movida por qualquer objectivo de lucro, ainda que esteja interessada em gozar da suficiência económica necessária para o desempenho das suas funções. Combina, na sua organização e funcionamento, a verticalidade iniciática com a horizontalidade democrática. Não está organizada como uma estrutura mundial ou internacional, mas organiza-se nacionalmente em federações de Lojas, que recebem o nome de Grandes Lojas ou Grandes Orientes. O ideal da Maçonaria é “Um Maçom livre numa Loja livre”. A Loja é a base do trabalho maçónico. O fundamento básico da Maçonaria é a experiência de autoconstrução pessoal como a descreveram as irmandades de construtores e que posteriormente foi elaborada como um verdadeiro método de construção pessoal e social: “O que tu fazes, faz-te.” A Maçonaria não propugna uma ideologia política determinada, concreta e detalhada, mas sim valores gerais que se concretizam historicamente: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade.” Não é uma instituição didáctica nem doutrinária. A Loja não ensina, mas suscita, sugere, provoca, desperta, impregna. A Declaração Universal dos Direitos do Homem é uma referência axiológica essencial da Maçonaria. A arquitectura simbólica com que trabalha a Maçonaria pretende que cada Maçom faça da sua vida uma verdadeira Obra de Arte de Sabedoria, Força e Beleza, e do mundo um lugar onde sejam possíveis a Paz, o Amor e a Alegria.

A isso chamamos a Arte Real.

Autor: Álvaro

terça-feira, 1 de março de 2011

Jorge Amado de Faria - Um nome simbólico

Jorge Amado de Faria, mais conhecido por Jorge Amado, filho de João Amado de Faria e de Eulália Leal, nasceu a 10 de Agosto de 1912 em Ferradas distrito de Itabuna - Baía, vindo a falecer a 6 de Agosto de 2001. Aos seis anos foi frequentar a escola primária em Ilhéus sabendo já ler, ensinado por sua mãe. Após ter terminado a instrução primária foi estudar para Salvador como interno no Colégio Antonio Vieira, um colégio de padres jesuítas, onde veio a chamar a atenção com as redações que apresentava, e uma delas com o titulo de “O Mar“ despertou o interesse do professor, o padre jesuita Luiz Gonzaga Cabral que o tomou ao seu cuidado fomentando-lhe o gosto pela leitura de autores de lingua portuguesa assim como de outras nacionalidades. Não terminou aqui estes estudos porque o pai ao levá-lo após as férias a este colégio, foge, tendo andado por aí... pois só chegou a casa do seu avô paterno em Itaporanga passado dois meses. Recambiado para casa de seu pai, foi novamente e como interno, matriculado no Ginásio Ipiranga.
Inicia aqui as suas ligações ao mundo da escrita, começando por dirigir o jornal da escola e mais tarde fundando ele mesmo outro jornal. Com quinze anos passou para o regime de externato, empregando-se como repórter policial no “Diário da Bahia” passando depois para o jornal “O Imparcial”. Escreveu uma poesia “ Poema ou prosa” que foi publicada na revista “ A Luva”. Integrou um grupo literário, Academia dos Rebeldes, do qual faziam parte o jornalista e poeta Pinheiro da Veiga, Clóvis de Amorim, Guilherme Dias Gomes, João Cordeiro, Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Aydano do Couto Ferraz, Emanuel Assemany, Sosígenes Costa e Walter da Silveira. Cito estes nomes porque todos fizeram parte da literatura brasileira e não podendo deixar de lembrar que Jorge Amado teria nesta altura pouco mais ou menos dezanove anos.
Em 1930 mudou-se para o Rio de Janeiro onde se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro cujo curso terminaria em 1935. Veio aqui a conhecer Vinicius de Morais, Otávio de Faria e outros escritores conhecidos da literatura brasileira. Em 1931, com 19 anos publicou O País do Carnaval, que foi um sucesso literário. No ano seguinte mudou-se para um apartamento em Ipanema com o poeta Raul Bopp. Aqui vem a conhecer José Américo de Almeida, Amando Fontes, Gilberto Freyre e Rachel de Queiroz esta última que o aproximou aos comunistas. Em 1933 publica Cacau que foi outro sucesso.
Neste ano casou com Matilde Garcia Rosa que tinha 17 anos, o que os obrigou a fugir, face á oposição do pai ao casamento. Este casamento durou onze anos e gerou uma filha que veio a falecer muito jovem. Em 1936, com 24 anos, sofreu a primeira prisão por motivos politicos acusado de participar na Intentona Comunista. No ano seguinte viaja pela América Latina e vai aos Estados Unidos. Quando regressou tinha acontecido o golpe de Getulio Vargas, o que o levou novamente á prisão. Os seus livros O País do Carnaval, Cacau, Suor, Jubiabá, Mar Morto e Capitães da Areia foram queimados por terem sido considerados subversivos.

Termino aqui as citações de parte da biografia de Jorge Amado, por três razões: Primeira - Não pretender entendiar ao apresentar a totalidade da biografia de Jorge Amado pois, qualquer de nós a poderá obter fácilmente na net, aliás como eu fiz. A segunda razão prende-se com a pretensão de reflectir convosco de como nasce ou se desenvolve um talento. Não é tarefa fácil... e eventualmente pretensiosa... Se definirmos o significado de talento como capacidade natural para uma actividade, seja ela a escrita, música ou outra qualquer, aparece-nos a primeira questão: Como aparece a capacidade natural, será ela genética ou indusida pelo meio envolvente, quer familiar ou por formação?
No aspecto genético não entro por aí, pois há tantos autores a favor como em desfavor. É matéria a que falta ainda muito conhecimento. Abordando a segunda vejamos o caso de Jorge Amado: Ao entrar na instrução primária com seis anos, já sabia ler, o que tinha aprendido com sua mãe, não podemos esquecer que a instrução da mulher naquela época deixava muito a desejar – estamos no ano 1912, pelo que será legitimo admitir que a sua familia seria instruída, tanto mais que seu pai era possuidor de uma fazenda de cacau, o ouro negro. Logo uma família de posses, porque na época poucos poderiam dar-se ou luxo de mandar um filho para um colégio interno e para a faculdade.
Ora, no colégio António Vieira, Jorge Amado teve como professor o padre jesuita Luiz Gonzaga Cabral que ao se perceber do talento do seu aluno o auxiliou no seu desenvolvimento. O padre jesuita Luiz Gonzaga Cabral não era só professor, era um homem de rara cultura e ele própio escritor. Se conjugarmos esta situação com a integração nos vários grupos literários de que fez parte penso que é fácil aceitarmos a frase de GOETHE – o talento educa-se.... e porque não a afirmação de PROUST da existencia de dois métodos através dos quais se pode adquirir sabedoria : sem dor através de um professor ou com dor através da vida. Penso que Jorge Amado teve todas estas aprendizagens.
A terceira razão será a razão: porquê a escolha do nome simbólico de Jorge Amado?
Na minha adolescência – eu não lia, devorava livros. Semana que não lesse um dois livros não era semana para mim. Não esquecer que na época não havia televisão, ela só apareceu lá pelos meus dezanove anos. Será critica ...?
Tive a sorte de meu Pai ter uma biblioteca bem recheada, tanto de autores da lingua portuguesa como de autores estranjeiros, e um deles ser Jorge Amado. Li todos os livros dele da época – O País do Carnaval, Cacau, Suor, Jubiabá, Mar Morto e Capitães da Areia e foi precisamente este último que mais me marcou. Como curiosidade lembro que na época todos estes livros eram proibidos, e o Pai tinha-os porque eram enviados do Brasil por um grande amigo dele, o dr. Lafayete, que foi o primeiro secretário-geral do Partido Socialista Português, penso que o nome do Partido se chamava assim, mas não estou bem certo, tendo partido de casa de meu Pai para exílio no Brasil.

Já lá vão tantos anos... Uma vida!

Autor: Jorge Amado

terça-feira, 16 de março de 2010

Voltaire - nome simbólico

Algures durante a minha adolescência confrontei-me um dia com a palavra DEMOCRACIA. Perguntando a meu Pai o que ela significava, citou-me de imediato a seguinte frase famosa, atribuída a Voltaire : “Posso não concordar com nenhuma das tuas palavras, mas defenderei até a morte o teu direito de as dizer." De então para cá, tenho pautado sempre o convívio com os meus Amigos e com o Mundo que me rodeia por estas palavras simples, mas com uma força enorme na construção do Mundo em que vivemos.

Fui mais longe, então, procurando desvendar algo mais sobre a Vida e Obra de Voltaire – enquanto Escritor, Pensador e Filósofo – até aos anos mais recentes em que descobri uma nova faceta do seu Pensamento: a sua condição de Maçom. Mas Voltaire, nascido François Marie Arouet foi ainda um dos principais construtores do moderno conceito de Democracia, base da sã convivência entre Povos e Nações, gerando os ideais nobres da Revolução Francesa, da Independência Americana e da Independência do Brasil. Foi também figura proeminente do Iluminismo emergente no século XVIII e defensor intransigente da liberdade Religiosa e … dos tão consagrados Direitos do Homem !!!
As linhas que se seguem têm uma evolução cronológica e sintética, salvaguardando contudo as diversas fases do Pensamento e da Obra de Voltaire. Não esqueci nestas linhas a sua ligação afectiva a Portugal, lembrada a propósito do Terramoto de Lisboa em 1755 e a sua condição de eterno Maçom, porém formalmente assumida muito próximo da sua morte.

Em 21/11/1694, nasceu em Paris no seio de uma família rica e bem relacionada na corte francesa, François Marie Arouet, aliás Voltaire. Órfão de mãe muito jovem, seu pai internou-o muito jovem num dos mais célebres colégios jesuítas de França, onde foi companheiro de futuros governantes e oposicionistas do regime anterior à Revolução Francesa. Aluno brilhante e precoce manifestou, desde então grande habilidade e agilidade de pensamento. O abade de Châteuneuf, seu padrinho influenciou de imediato a sua formação espiritual, apresentando-o também a Madame Ninon de Lanclos, cortesã rica e com larga fortuna, que lhe haveria de oferecer toda a sua biblioteca de milhares de livros. Por outro lado, Madame Ninon de Lanclos introduziu Voltaire na associação de Humanistas cépticos - a “Société du Temple”, constituída por homens livres e pensadores que se juntavam no “Templo” sob a presidência de Filipe de Vendôme, grande prior dos Cavaleiros de Malta em França, sucessora dos Templários após a sua dissolução. Decidido a enveredar pelas Letras, Voltaire abandonou aos 15 anos o colégio, desagradando por isso a seu pais que insistiu na vontade de o fazer mestre em Direito . Falhando por completo os estudos jurídicos, o pai envia-o para Haia como secretário do embaixador francês na Holanda, marquês de Châteuneuf, irmão do abade. A sua mente brilhante arde incessantemente em novas ideias, fazendo-o aproximar-se de novo de grupos de livres-pensadores que por todo o lado começam a nascer por Paris, nas vésperas da Revolução Francesa.
Aos 26 anos é preso pela primeira vez na Bastilha durante onze meses, adoptando então o pseudónimo VOLTAIRE e escreveu a sua primeira obra literária, a tragédia Édipo. A partir de então, as suas obras passam a revelar uma preocupação crescente com a Liberdade e a Tolerância Religiosa, agradando por isso a muitos franceses divididos por lutas e desavenças de cariz religioso. Um conflito com o Conde de Rohan, com quem se bate em duelo, por causa de uma dama disputada por ambos, obriga-o a nova detenção na Bastilha por duas semanas e ao exílio em Inglaterra, onde começa uma nova Vida e assimila novos conceitos de Democracia e Liberdade, determinantes no seu futuro.

Conhece o rei da Inglaterra e passa a conviver com intelectuais e cientistas como Newton e Locke. Escreve as suas Cartas Filosóficas. A sua obsessão passa a ser, então, a Liberdade de Pensamento e de Expressão, criticando asperamente o obscurantismo e a opressão que se vivia a França. Nesta altura da sua Vida, Voltaire reconhece “a dúvida como um direito humano natural em confronto com a crença”. Por outro lado e influenciado pelos ensinamentos ingleses, desafia os franceses a “Pensar por si próprios” e proclama a famosa frase “Posso não concordar com nenhuma das tuas palavras, mas defenderei até a morte o teu direito de as dizer."
Em 1729 regressa a França, publicando então múltiplos trabalhos - tragédia, historiografia, filosofia - preparados enquanto vivera em Inglaterra.

Uma vez mais é perseguido por criticar a política e as instituições francesas e a falta de tolerância do regime. Voltaire foge para a Lorena onde vai viver com a Marquesa de Châtelet em Cyrey-sur-Blaise. Durante dez anos a Marquesa de Châtelet impediu Voltaire de publicar os seus escritos ofensivos do Rei e da Monarquia francesa, facto que lhe permitiu viver tranquilamente e sem perseguições. Por outro lado, permitiu-lhe estabelecer contactos com intelectuais de toda a Europa, assim como com movimentos aderentes aos novos ventos da Revolução Francesa, que começavam a soprar. Nesta fase da sua Vida, Voltaire dedicou-se principalmente às questões da Ética, da Metafísica e da Física de Newton, mas também à História, à Filosofia, à Poesia e ao Teatro, escrevendo mais de vinte obras. Sobre a Ética como factor primordial nas relações entre os Homens, Voltaire afirma que “o homem é um ser livre responsável pelos seus próprios actos e com consciência capaz de os julgar”. Aos que o interrogam sobre a sua profissão responde apenas : “o meu ofício é dizer o que penso”.

E diz cada vez mais o que pensa, já não apenas em França, mas por toda a Europa, passando a corresponder-se com Reis, Chefes de Estado e Ministros e com grandes vultos das Artes, Letras e Ciências do Velho Continente, num total de mais de 8.000 cartas. Em 1746, é eleito membro da Academia Nacional Francesa que lhe reconhece, finalmente, o estatuto de grande Mestre das Letras e do Pensamento e onde priva com o Cardeal Richelieu e Montesquieu. Com a morte inesperada da Marquesa de Châtelet em 1751, vai de novo viver para Paris até que Frederico da Prússia o convence a ir viver para Berlim a expensas da Casa Imperial.
Os primeiros contactos com a Maçonaria Europeia iniciam-se nesta altura, salientando-se a correspondência mantida sobre esta Augusta Ordem com Frederico da Prússia e com o rei Gustavo da Suécia.
A sua presença em Berlim é de apenas três anos, já que entrando em litígio com o poder prussiano e criticando o seu autoritarismo, é expulso da Prússia sem que, por outro lado, possa regressar a França.

Aos sessenta anos Voltaire pede para viver no Cantão de Genebra na Suíça, situação que lhe foi recusada por não lhe ser permitido expressar as suas ideias e representar as suas peças e a edição das suas obras. Triste e desgostoso com a proibição Suíça, adquiriu uma propriedade em Ferney, do lado francês da fronteira, a muito poucos quilómetros de Genebra.
Nesta localidade do Sudeste da França, vai Voltaire viver os últimos vinte anos da sua existência, porventura os seus anos mais fecundos e gloriosos. Marcando esta etapa da sua Vida uma clara divisão entre o Homem de Letras e o Político, faz questão de referir que o poder político está em Paris, enquanto o poder Intelectual residia agora em Ferney. Nos anos que se seguiram, passaram por Ferney os maiores intelectuais, cientistas e políticos da época para com Voltaire dialogarem e aprenderem. Mas também perseguidos e espoliados foram ao seu encontro, construindo Voltaire habitações e a todos proporcionando condições de trabalho construindo-lhes pequenas fábricas, oficinas e outras actividades. De pequena vila Ferney transformou-se em poucos anos num centro de peregrinação e de cultura.

Às 9.20 horas da manhã de 1 de Novembro de 1755, Lisboa foi praticamente arrasada por um terramoto seguido de um maremoto com ondas de 20 metros. A Europa ficou consternada com a Catástrofe e Voltaire, em especial, escreveu um belo Poema sobre a mesma : “Poema sobre o Desastre De Lisboa”. Mas as relações de Voltaire com Portugal e com a cultura portuguesa não se resumem unicamente ao Terramoto de Lisboa de 1755, cujo grau de destruição surpreendeu toda a Europa. Voltaire que de resto lia com facilidade a língua portuguesa, refere-se na sua obra “Essai sur les Moeurs” às Descobertas, Navegações e Explorações Portuguesas de uma forma elogiosa, dizendo que Portugal “começou a merecer uma glória tão duradoira quanto o Universo, através das trocas comerciais entre as nações, que foi bem depressa fruto das suas descobertas” .
O esplendor universal de Portugal, que atribui às riquezas vindas do Brasil foi, contudo, breve devido, diz Voltaire na obra anteriormente citada, ao facto de “essas mesmas riquezas não terem sido equitativamente distribuídas”, e comenta, com profunda e contundente ironia: “neste país o rei é rico e o povo é pobre, concluindo, não sem alguma verdade, que foi para Inglaterra que os portugueses trabalharam na América”. Muitas outras referências são feitas por Voltaire a Portugal, quer no “Essai sur les Moeurs”, quer na sua muita correspondência. No Poema sobre o desastre de Lisboa ataca os argumentos contraditórios dos optimistas. A Polémica com Rousseau e o “Cândido” constituem o termo da sua evolução pelo que poderíamos chamar de pessimismo viril, porventura temperado pela ideia de que a civilização e o progresso asseguram a felicidade do homem. Os acontecimentos da Europa e, neste caso concreto, o terramoto de Lisboa constituem a sua grande fonte de argumentos contra, principalmente, as ideias de Leibniz sobre a Providência. A sua reacção não deduz uma justificação do mal, mas antes se opõe às explicações unilaterais do Mundo.

No Poema sobre o desastre de Lisboa examina e refuta o axioma “Tudo está bem”.
No Dia de Todos os Santos, homens, mulheres e crianças oravam nas inúmeras igrejas de Lisboa no momento em que se deu o terramoto que matou a maior parte deles. Os filósofos enganados procuravam, em paz, as causas da catástrofe, - e Voltaire comenta que os devotos fariam melhor se chorassem.
Tinha na perspicácia a sua melhor qualidade, que usou ao longo da vida para se tornar num conceituado filósofo, escritor e ensaísta. Tinha já mais de duas dezenas de obras publicadas quando em 1755 as suas mais profundas concepções filosóficas sofreram um abalo proporcional ao sismo que, então, atingiu Portugal.
Com a catástrofe portuguesa, Voltaire viu ruir todas as suas concepções do Mundo vigentes à época, pois considerava que tal fenómeno jamais poderia ter ocorrido se a Terra fosse, como até esse momento se acreditava cegamente, uma mera criação divina, regulada pelos princípios de ordem e harmonia.
Voltaire responde à desilusão com a mesma força com que esta se apoderara dele. Para isso usa “Cândido” (1759), uma comédia romântica que abre uma tensa controvérsia e qual Voltaire preferiu assinar com o pseudónimo “Monsieur le docteur Ralph” (Senhor Doutor Ralph). A Igreja Católica é o principal alvo da obra, através da qual o filósofo francês demonstra com humor que, após o terramoto que assolou Lisboa, só mesmo alguém muito ingénuo, muito cândido, poderia continuar a acreditar que vivia num mundo de bem, regido pela bondade e misericórdia de Deus.
Voltaire foi iniciado na Maçonaria no dia 7 de Fevereiro de 1778, numa das cerimônias mais brilhantes da história da maçonaria mundial, na Loja Les Neuf Soeurs de Paris. Aos 84 anos, Voltaire ingressou no Templo apoiado no braço de Benjamin Franklin, embaixador dos EUA na França. A sessão foi dirigida pelo Venerável Mestre Lalande na presença de 250 irmãos.
O Irmão Voltaire morreu três meses depois.
Não teve tempo de ficar dizendo em Loja, com o peito estufado de vaidade, quantos anos ele tinha de Maçonaria; mesmo se pudesse, ele não o faria, pois conhecia o significado do tempo e o valor da sabedoria.

Autor: Voltaire