quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Gomes Freire de Andrade (27-1-1757...18-10-1817)


Gomes Pereira Freire de Andrade e Castro nasceu em Viena, Áustria, a 27 de Janeiro de 1757, filho de Ambrósio Pereira Freire de Andrade e Castro, e da Condessa Elisabeth von Schaffgotsch.
Iniciado antes de 1785, provavelmente em Viena na Loja Zur gekrönten Hoffnung, à qual também veio pertencer Wolfgang Amadeus Mozart.
Em 1801, reúne-se em sua casa a assembleia que levou à organização definitiva da Maçonaria portuguesa, com a posterior criação do Grande Oriente Lusitano em 1802, vindo a ocupar o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano de 1815 a 1817.

Defensor dos princípios de liberdade e do nacionalismo, veio a ser acusado de liderar uma conspiração liberal e nacionalista contra a monarquia absoluta de João VI, instrumentalizada em Portugal continental pela Regência, em conluio com o governo militar britânico de William Carr Beresford.

Assim, Gomes Freire de Andrade foi detido como traidor nacional junto com outras onze pessoas: o coronel Manuel Monteiro de Carvalho, os majores José Campelo de Miranda e José da Fonseca Neves e mais oito oficiais do Exército.

Feitos os julgamentos, as execuções tiveram lugar a 18 de Outubro de 1817, sábado no Campo de Santa Anna (posteriormente Campo dos Mártires da Pátria), pouco depois do meio dia, com a saída dos presos do Limoeiro, descalços e vestidos com a “alva” acompanhados por membros do clero. A última vítima, foi executada às 9 horas da noite, tendo posteriormente, os corpos sido empilhados e deitado fogo, tendo as fogueiras ardido até às 11 horas da noite, ao que D. Miguel Pereira Forjaz, a propósito da morosidade das execuções terá dito “é verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar”.
No mesmo dia, no Forte de São Julião da Barra, a execução de Gomes Freire de Andrade teve lugar às 9 horas por enforcamento, seguido de decapitação, tendo sido o seu corpo posteriormente queimado e lançados os restos mortais ao mar.

Após o julgamento e execução de Gomes Freire de Andrade em 1817 e outros, Beresford deslocou-se ao Brasil para pedir maiores poderes. Supostamente havia pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano português. Mas a Regência, "melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente".
Este procedimento brutal da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao retornar do Brasil, onde conseguira de D. João VI maiores poderes ainda.

Numa atitude contemplativa dos princípios que nortearam Gomes Freire de Andrade e demais mártires que com ele perderam a vida, durante a “Primeira Republica” o dia 18 de Outubro foi assumido com dia de feriado nacional, que ainda é recordado como um dia de luto para a maçonaria portuguesa.

Rende-se assim homenagem a Gomes Freire de Andrade como um dos maiores vultos da nossa História, enquanto português e como maçon do Grande Oriente Lusitano, que ajudou a edificar e a engrandecer na luta pela Liberdade e pelo Progresso.
Nota:
No ano de 2003 o Grande Oriente Lusitano ofereceu à cidade de Lisboa um monumento em homenagem a Gomes Freire de Andrade, colocado na rua com o seu nome, em frente à Academia Militar.
Referência ao livro:
"Gomes Freire de Andrade - um retrato do homem e da sua época" da autoria de António Lopes - Edição Grémio Lusitano
Autor: Júlio Verne

sábado, 23 de setembro de 2006

A Maçonaria e a Religião

Muita gente tem assumido a existência de uma incompatibilidade profunda entre a Maçonaria, ou entre os seus princípios e a Religião, quer em termos restritos, quer em termos latos.
Esta assunção toma um carácter ainda mais estranho, quando existe a ideia de que na Maçonaria, existem referências, seja a livros sagrados (Bíblia, Alcorão, Tora, ... etc.) seja a apóstolos (designadamente a S. João) seja ainda ao conceito de “Grande Arquitecto do Universo”.
Para quem não conheça, tudo isto toma um aspecto quase de uma actividade sombria e ritualista com algum “paganismo” à mistura. Para esta imagem, tem contribuído, quer a “discrição” que caracteriza a vida e a actividade maçónica, no “fazer” e “construir” sem se esperar qualquer reconhecimento público, quer a postura oficial, nomeadamente da Igreja Católica sobre a Maçonaria, decorrente da excomunhão que por aquela lhe foi feita expressamente no passado em relação a católicos maçons, atitude que tem sofrido progressivamente novos contornos de direccionamento para todos aqueles que atentem contra a Igreja Católica sem menção expressa de serem maçons.
Para a compreensão deste posicionamento das duas entidades ou organizações, torna-se necessário compreender, não só os princípios e filosofias que as regem, como também a interpretação de cada uma delas sobre a outra, o que, naturalmente nem sempre é fácil, porquanto ambas assentam em princípios fundamentais da vida em sociedade.

Por um lado, a Maçonaria ao não aceitar quaisquer dogmas, ou melhor ainda, não aceitar a imposição de quaisquer dogmas, deixa a cada indivíduo a liberdade de escolha das suas convicções, nomeadamente religiosas, e assim, todas as religiões (incluindo a atitude ateísta e agnóstica) assumem igual importância e respeito, podendo o maçon, para acto de juramento, adoptar o livro que entenda como sagrado, seja este de carácter religioso ou outro em alternativa, designadamente a Constituição de Andersen, tido como basilar e regulador na actividade maçónica.
Assim, a referência ao “Grande Arquitecto do Universo” procura personificar indistintamente a entidade sagrada para cada maçon, independentemente da sua convicção religiosa, para que assim, e de forma universal, todos os maçons se sintam unidos na sua actuação e respeito mútuo dos seus credos.

Por outro lado, e apesar de a Igreja Católica ter contado entre o clero, figuras importantes que foram igualmente maçons, tem adoptado e mantido uma postura de distanciamento em relação à Maçonaria, não revendo nesta uma actuação que lhe conceda particular atenção ou protagonismo especiais. Para esta situação, têm contribuído igualmente situações de crispação, sobretudo quando a Igreja Católica e Governos se encontraram próximos nas suas actuações e posicionamentos de Estado, que de algum modo colidiram com os princípios maçónicos, nomeadamente quando estavam em causa os direitos fundamentais do pensamento livre dos cidadãos. Foi exemplo disso, a situação anterior a 1974 em que o Estado e a Igreja Católica assumiam uma atitude política, em muitas casos cúmplice, enquanto toda a actividade maçónica estava proibida, sendo os maçons, profusamente perseguidos e presos, face aos seus ideais de Liberdade e de Justiça que não se coadunavam com política de ditadura.

É assim, fácil de concluir, que a Maçonaria e a Religião, qualquer que seja o seu credo, não têm porque ter quaisquer antagonismos, sendo de esperar que tanto a Maçonaria como as várias religiões, em que a Igreja Católica seja uma delas, em coro, não negligenciem nem ignorem nem promovam quaisquer situações de injustiça ou outras em que estejam em causa os valores da vida e da dignidade humanas.
Deste modo seria e será de esperar que ambas, em coro e de forma natural e implícita, defendam a evolução do indivíduo, com base nos princípios morais e cívicos universalmente aceites como de bons costumes, em que todo o Homem deve ser livre, promover a Honra e a Justiça, alcançando a evolução interior, com base no seu Trabalho, no respeito pela Vida e numa atitude Solidária e Fraternal.

Autor: Sheikh

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

O Templo de Salomão

Muitas pessoas se questionam sobre a Maçonaria, sobre o que fazem os maçons e onde se reúnem. Esta curiosidade aumenta exponencialmente, quando se falam em rituais, lojas e templos, com referência em particular ao Templo de Salomão, com todo o mistério que este encerra, assim como sobre o próprio rei que o mandou construir e quem o concebeu e construiu.
Com efeito, os maçons reúnem-se em assembleias em locais discretos, ao abrigo da indiscrição, com o objectivo de aí trabalharem com o recolhimento e a dedicação que a actividade maçónica reclama, de paz e harmonia, sem que o espaço e vida exterior perturbem o local de reunião, que se quer calmo e tranquilo.
Inicialmente, estes locais de reunião, designados por “Templos”, podiam ser quaisquer, e assim se chamam, não porque neles se exerçam actividades de adoração pagânica ou outra, qualquer que seja a sua natureza, mas essencialmente por alegoria ao Templo de Salomão e ao seu significado, que se tornou ao longo dos tempos, uma referência incontornável da sabedoria e do desejo da evolução do Homem.
Quando procuramos a descrição da construção e do próprio Templo de Salomão, somos remetidos para escritos antigos, nomeadamente para a Bíblia, uma feliz descrição da construção, que diz: “quando se edificava a casa, faziam-na de pedras lavradas na pedreira, e assim, nem martelo, nem machado, nem instrumento de ferro algum foram ouvidos na casa enquanto ele era construída”.
Deve-se no entanto, bem entendido, fazer algumas reservas a respeito dessas descrições muito precisas que não podem apoiar-se senão em textos bíblicos cuja característica dominante não é a clareza nem a objectividade.

Salomão significa em hebraico, “homem pacífico”. O Templo de Salomão significa por isso, o “Templo da Paz”, da “Paz Profunda”, rumo à qual caminham todos os maçons que se abrigam da agitação do mundo exterior.
Ele terá sido construído em sete anos, em que por muitos este número tem sido considerado importante e significativo, nomeadamente em aspectos da natureza, no espectro solar, na música, os sete sábios da Grécia, sete maravilhas do mundo, sendo por isso, conservado como número característico mais elevado, por causa do seu duplo valor, cientifico e tradicional. Considera-se também que “sete” é o número daquele que chegou à plenitude da iniciação.

Deste modo cada um de nós tenta também, fazer uma “reconstituição” material do Templo de Salomão, pois na Maçonaria, esse Templo é tão apenas e acima de tudo, um símbolo, apesar de ser um símbolo de um alcance magnífico, designadamente “o Templo ideal jamais terminado”, o templo em que cada maçon é uma das sua pedras, preparada sem machado, nem martelo, no silêncio da meditação.
Nele sobe-se aos seus andares por escadas em caracol, por “espirais”, que indicam ao Iniciado que é nele mesmo, é voltando-se sobre si mesmo, que ele poderá atingir o ponto mais alto, que constitui o seu objectivo de evolução.
Alegoricamente, o Templo de Salomão é construído de pedra, madeira de cedro e ouro, simbolizando a pedra a estabilidade, a madeira a vitalidade e o ouro a espiritualidade. Assim, para o maçon , o Templo de Salomão não é considerado na sua realidade histórica, nem na sua acepção religiosa, mas apenas na sua significação esotérica profunda e bela.

NOTA HISTÓRICA:O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitectónico transmitido por Davi, seu pai. O trabalho prosseguiu por sete anos. Em troca de trigo, cevada, azeite e vinho, Hiram ou Hirão, o rei de Tiro, forneceu madeira do Líbano e operários especializados em madeira e em pedra. Ao organizar o trabalho, Salomão convocou 30.000 homens de Israel, enviando-os ao Líbano em equipas de 10.000 a cada mês. Convocou 70.000 dentre os habitantes do país que não eram israelitas, para trabalharem como carregadores, e 80.000 como cortadores. Como responsáveis pelo serviço, Salomão nomeou 550 homens e, ao que parece, 3.300 como ajudantes.
O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo e do Santo dos Santos ou Santíssimo, sendo maiores do que as do tabernáculo. O Santo tinha 40 côvados (17,8 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado.
Os materiais aplicados foram essencialmente a pedra e a madeira. Os pisos foram revestidos a madeira de junípero (ou de cipreste segundo algumas traduções da Bíblia) e as paredes interiores eram de cedro entalhado com gravuras de querubins, palmeiras e flores. As paredes e o tecto eram inteiramente revestidos de ouro.
Após a construção do magnífico templo, a Arca da Aliança foi depositada no Santo dos Santos, a sala mais reservada do edifício.
Foi pilhado várias vezes. Seria totalmente destruído por Nabucodonosor II da Babilónia, em 586 a.C., após dois anos de cerco a Jerusalém. Os seus tesouros foram levados para a Babilónia e tinha assim início o período que se convencionou chamar de Captividade Babilónica na história judaica.
Décadas mais tarde, em 516 a.C., após o regresso de mais de 40.000 judeus da Captividade Babilónica foi iniciada a construção no mesmo local do Segundo Templo, o qual foi destruído no ano 70 d.C., pelos romanos, no seguimento da Grande Revolta Judaica.
Alguns afirmam que o actual Muro das Lamentações era parte da estrutura do templo de Salomão.

Autor: Júlio Verne

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Ser Maçon

Entre os maçons que conheço, quase sempre foram três as razões que os conduziram ao caminho da Maçonaria.
Uma das mais comuns, deve-se à herança dos princípios maçónicos que têm levado muitos a trilharem pelos caminhos que outros como objecto da sua admiração lhes indicaram, e de certo modo, legaram na sua formação humana e cívica.
Outra razão, igualmente comum, se não mesmo a mais frequente, está associada ao convite directamente formulado por alguém, que na qualidade de Maçon, revê em alguém, que não o sendo ainda, as qualidades e as características que entende, de boa fé, constituírem a base de um potencial Irmão Maçon.
Finalmente a terceira razão, e decerto a menos frequente, mas não necessariamente menos importante, resulta de uma busca ou encontro mais ou menos fortuito, a que se seguiu o apelo e a atracção da cultura e causa maçónicas.
De qualquer modo, e indiferentemente do modo como cada indivíduo se tornou Maçon, importa saber as razões que levam a cada momento, milhares de pessoas em todo o mundo a abraçarem uma causa, que para a maioria da pessoas é “secreta”, mas que para os mais atentos, é apenas “discreta”.

À imagem pública de “secretismo” segundo a qual, indivíduos de postura suspeita, se reúnem em locais secretos numa atitude quase conspirativa, para aí desenvolverem acções de influência ou de lobby em proveito próprios, sobrepõe-se outra bem diferente e mais consistente com a realidade.
De facto, ser-se Maçon, é pensar-se em si mesmo como um templo que se vai construindo numa busca constante pela melhoria e aperfeiçoamento enquanto indivíduo, e pensar na sociedade geral que o rodeia e acolhe, como objecto igualmente importante da sua acção enquanto ser integrado na mesma, na busca pela Justiça, a Verdade, a Honra e o Progresso, que caracterizam os Maçons, que neles, aplicam dedicadamente toda a sua Força, a sua Sabedoria e buscando a Beleza nas acções e nas obras.
Com efeito, ser-se Maçon, significa trabalhar com dedicação, numa causa de que todos beneficiem, não sujeitar-se a dogmas ou interesses que excluam o bem social dos demais. É acreditar que a saúde, a educação e a cultura são bens essenciais e que a evolução se dá pela via da instrução e do conhecimento e assim, promovê-los de uma forma acessível e universal.
Poderia dizer-se que não se é Maçon porque se quer simplesmente sê-lo. Ser-se Maçon, é sobretudo uma forma de estar que resulta de um esforço continuado, de modo que não se é Maçon porque se tornou apenas, mas porque os outros nos reconhecem como tal.

Autor: Sheikh

sábado, 5 de agosto de 2006

Quadro "Essência Maçónica" - Artista Sílvia Soares

O quadro intitulado “Essência Maçónica” trata-se de uma obra de Arte essencialmente de carácter simbólico que tem como principal objectivo enaltecer a Maçonaria no seu expoente máximo.

A afirmar com convicção e, em simultâneo, a justificar a obra em si, estão representadas as colunas simbolizadoras dos limites do mundo criado, da vida e da morte, dos elementos masculino e feminino, e de tudo o que se pode considerar como activo e passivo; o pavimento em mosaico representado pelo chão em xadrez de quadrados pretos e brancos, com que devem ser revestidos os templos maçónicos e que reflectem a diversidade do globo e das raças, unas pela Maçonaria e com a oposição dos contrários, bem e mal, espírito e corpo, luz e trevas. Nele estão transcritos os fulcrais pensamentos e acções que regem a Ordem Maçónica: Justiça Social, Fraternidade, Aclassismo, Aperfeiçoamento Intelectual e Democracia = Igualdade.
A escadaria apresentada é como uma espécie de guia que nos conduz ao ex-libris da simbologia: o esquadro e o compasso. O Esquadro resulta da união da linha vertical com a linha horizontal, é o símbolo da rectidão e também da acção do Homem sobre a matéria e sobre si mesmo. Significa que devemos regular a nossa conduta e as nossas acções pela linha e pela régua maçónica, temendo Deus como criador do Universo, a quem temos de prestar contas das nossas acções, palavras e pensamentos. Emite, de igual modo, a ideia inflexível da imparcialidade e precisão de carácter e simboliza a moralidade enquanto que o Compasso simboliza o espírito, o pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também o relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas.

Finalmente, a letra G: é a sétima letra do nosso alfabeto onde, por sabedoria, os Maçons apresentam as suas cogitações, que através de estudos, apresentam um resumo dos diversos significados: Gravitação - Força primordial que rege o movimento e o equilíbrio da matéria; Geometria ou a Quinta Ciência - Fundamento da ciência positiva, simbolizando a ciência dos cálculos, aplicada à extensão, à divisão de terras, de onde surge a noção da parte que aos Maçons compete, na grande partilha da humanidade e dos direitos da terra cultivada; Geração - A vida perpetuando a série dos seres. Força Criadora que está no centro de todo ser e de todas as coisas; Génio - Inteligência humana a brilhar com seu mais vivo fulgor; Gnose - Amplo conhecimento moral, é o impulso que leva o homem a aprender sempre mais e que é o principal factor do progresso; Glória - a Deus; Grandeza - O homem, a maior e mais perfeita Obra da Criação; Gomel - Uma palavra hebraica, que entende as obrigações do homem para com Deus e os seus semelhantes. Concluindo, a letra G é, indiscutivelmente, o grande segredo maçónico, segredo tão secreto e misterioso, que nem mesmo os mais cultos e sábios Maçons conseguem decifrá-lo.

Autor: Sílvia Soares
O Quadro "Essência Maçónica" fez parte da exposição: Artistas de Gaia – Exposição Anual de Sócios / 2006 - Exposição na Biblioteca Municipal de Gaia patente de 30 de Junho a 23 de Julho de 2006

sábado, 29 de julho de 2006

O caminho do Aprendiz

Capítulo I - O acordar

Amanhece com o sol a espreitar timidamente pelas janelas que as nuvens combinaram, aspergindo o lugar com um calor calmo, que o crepúsculo teima cada dia em tomar de posse no cacimbo da noite.
O corpo eleva-se lentamente num abandono do lugar onde antes repousara, emprestando a sua forma no leito de areia, num testemunho onde a realidade e o sonho se olharam de frente durante o sono. Avança solenemente ao compasso do silêncio até à beira da água, pelo caminho que os pés nús foram traçando no espaço que o dia prometeu até à chegada da Lua.

Recolhe-se à pequena barca de madeira de acácia, tomando nas mãos as ferramentas com que há-de dar forma à pedra que o aguarda na outra margem, onde nasce o Sol, anunciado pelo aroma das rosas que o vento transporta no tempo.

Guarda as últimas recordações enquanto se liberta das amarras, para tomar nas mãos o leme que a bondade governa enquanto a vela se ergue revolta, enfunada pela alma.
Por fim, a embarcação avança, na travessia que o prendeu, enquanto as ondas lhe anunciam a viagem até ao porto de abrigo, onde mestres e aprendizes trocam artes e conselhos, num renascimento constante.

Capítulo II – A iniciação

A viagem fizera-se mansa quando o peito se ofereceu ao vento enquanto as águas que o acompanharam se fizeram submissas à roda de proa, que decidida fizera da rota traçada a oriente o seu caminho.

Deixara para trás o dia profano e um novo já acorrera sem espera do outro lado, à chegada do homem igualmente renascido.
A subida da margem fizera-lhe mais próximos os sons e os homens, onde os malhetes e cinzéis traçavam na pedra a vontade que os esquadros e os compassos mediam no conhecimento de um novo templo.

Assim, entre iguais, igual se fizera na alma e nas vestes, fazendo seu também, o trabalho que os demais levavam por diante, quais cruzes transportadas por um mosaico de apóstolos, quais irmãos de uma mesma família formada por homens livres e iguais.

Tornara-se então neófito, na sabedoria, na força e na beleza, onde entre companheiros, o lugar de aprendiz lhe concedia o direito e a vontade de aprender mais, que o saber de mestres lhe haveria um dia de desmentir, por mais ainda haver por aprender.

Autor: Sheikh

Maçonaria ?! Reflexões de Aprendiz

Sempre tive comigo este defeito de querer saber mais e mais, sem que para isso me tenha lançado em estudos ou leituras, dignos de outros que nisso admiro.
O que aprendi, muitas vezes nem sei como, nem onde, pois frequentemente tive a intuição e a atenção por companheiras, em lições que a vida me foi lançando ao caminho.
Assim, e sem saber porquê, alguns temas me têm soado à memória como que lembrando-me insistentemente para ir ver e aprender, umas vezes seguidas de um desinteresse igualmente súbito, outras para me revestir das roupagens que o crescimento obriga a renovar em chamamentos mais ou menos compreendidos numa descoberta do dia a dia.

É um exemplo disto a "Maçonaria". Não sabia bem o que era, nem para que servia exactamente.
Nunca lhe tinha estado intimamente ligado, nem cresci em meio ligado ao tema, mas curiosamente o nome sempre me soara familiar e continuara na mesma ignorância.
Se nada acontece por acaso, algum sentido devia ter, quando decidi conhecer o que era e o que a motivava. Se aprender não faz mal, algo deveria ter para ensinar.

Não sei, sei que não sabia, mas sei que não saber foi a principal razão para aprender.

Autor: Sheikh

sábado, 22 de julho de 2006

A história da Loja "Estrela D'Alva" na Maçonaria Portuguesa

Símbolo pós 25 de Abril de 1974
Símbolo original de 1908
RESPEITÁVEL LOJA

 ESTRELA D'ALVA

N.º 289

GRANDE ORIENTE LUSITANO

MAÇONARIA PORTUGUESA 

ORIENTE DE LISBOA

PORTUGAL  


A Loja(1) Estrela D'Alva nasce em 1871, na cidade de Coimbra, por iniciativa local de um grupo de maçons, que pretendiam assim, reunir-se em torno dos nobres ideais e princípios maçónicos, mantendo-se em actividade até 1873.

Mais tarde, ainda em Coimbra, entre 1908 e 1912, retomou os trabalhos, adoptando o Rito Escocês Antigo e Aceite.

Em 1919, volta ao activo, agora em Lisboa, tendo a particularidade de durante o período de 1937 a 1945 ter adoptado temporariamente o Rito Francês.

Assim, o nome "Estrela D'Alva" atribuído a uma Loja Maçónica, remonta a mais de um século de existência, com o timbre "Augusta, Benemérita e Respeitável Loja Capitular, Areopagita e Consistorial" sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano.

Durante a sua existência, o testemunho foi passando por gerações, assistindo a diversos acontecimentos marcantes na vida da sociedade portuguesa, como a Implantação da República, o Estado Novo e a Ditadura, a privação da Liberdade e dos Direitos Humanos, a Clandestinidade, a Guerra Colonial e ao alvorecer da Liberdade em 25 de Abril de 1974.

A Loja Estrela D'Alva, é um dos inúmeros exemplos em todo o mundo, de dedicação aos ideais maçónicos, em prol da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, subjacentes à Justiça, à Verdade, à Honra e ao Progresso.

Autor: Júlio Verne

(1) Em termos maçónicos, entende-se como "Loja" a congregação de maçons em número e qualidades de acordo com os preceitos maçónicos da Obediência a que a mesma se submete, com o objectivo de exercer uma actividade.

sábado, 15 de julho de 2006

A origem do nome "Estrela d'Alva"


Desde a antiguidade, que à primeira "estrela" a brilhar ao anoitecer e no alvorecer, se tem chamado popularmente de Estrela Vésper, Estrela Vespertina, Estrela Matutina, Estrela do Pastor ou Estrela d'Alva.

Na realidade não se trata de uma "estrela" mas do planeta Vénus, sendo este o corpo celeste mais brilhante depois do "astro-rei" o Sol e da Lua.

Informação científica:Vénus (ou Vênus), é conhecido popularmente como Estrela d'Alva, Vésper ou Estrela do Pastor, devido ao seu grande brilho, cuja magnitude pode chegar a -4,4, é o segundo planeta do Sistema Solar e tem algumas características peculiares. Tem uma rotação retrógrada e lenta, uma atmosfera extremamente densa e um efeito de estufa fortíssimo. A atmosfera é constituída quase exclusivamente por gás carbónico.
Por estar entre a Terra e o Sol, Vénus apresenta fases tal como a Lua. Estas fases foram primeiro observadas por Galileu e foram utilizadas por ele como um indício de que os planetas giravam em volta do Sol.
É, na maior parte do tempo (depois da Lua), o corpo celeste mais brilhante no céu ao anoitecer (ou pouco antes de anoitecer) e o facto de Vénus só aparecer nestas alturas tem a ver com o facto de estar entre a Terra e o Sol.
Sendo o objecto mais brilhante no céu, depois do Sol e da Lua, Vénus é 13 vezes mais brilhante do que a estrela mais brilhante, que é Sírio. Na sua elongação máxima, Vénus está a uns 46º do Sol. Durante 11 meses Vénus, chamada então de Estrela Vespertina ou de Estrela da Tarde, põe-se depois do Sol (no máximo umas 3 horas depois) e nos próximos 11 meses nasce antes dele (no máximo umas 3 horas antes) como Estrela Matutina ou Estrela d'Alva.
Quando está em conjunção superior (Vénus «cheia») está a 258 milhões de km da Terra e quando está em conjunção inferior (Vénus «nova») a 41 milhões de quilómetros, tendo a partir da Terra uma imagem aparente 6 vezes maior. Por isso, quando vemos Vénus mais brilhante é 5 semanas antes ou depois de ele estar na fase de «nova», numa altura em que a parte iluminada do planeta, que é visível da Terra, tem a forma de uma unha.
Desde 1990, a sonda norte-americana Magalhães está em órbita no planeta, enviando à Terra, imagens de radar. No final de 1991, mais de 70% da superfície do planeta já havia sido mapeados.

Autor: Júlio Verne

sábado, 8 de julho de 2006

Princípios Editoriais


A Maçonaria tem por princípios a tolerância mútua, o respeito dos outros e de si mesmo e a liberdade absoluta de consciência. Considera as concepções metafísicas como sendo do domínio exclusivo da apreciação individual dos seus membros e por isso se recusa a toda a afirmação dogmática. Combate a tirania e a ignorância e neste contexto, tudo o que aqui se diz e apresenta, procura ilustrar publicamente os princípios do livre pensamento e do respeito universal pelos direitos de cada indivíduo colectiva e individualmente.
Assim, este espaço dirige-se a maçons e a não-maçons, sendo todas as opiniões recebidas com agrado e respeitadas por igual.

Grémio Estrela D'Alva