terça-feira, 13 de novembro de 2007

À Minha Loja Mãe de Lahore

E havia Hundle, o chefe da estação;
Baseley, o das estradas e dos trabalhadores;
Black, o sargento da turma de conservação,
Que foi nosso Venerável por duas vezes.
E ainda o velho Frank Eduljee,
Proprietário da casa As Miudezas da Europa.
E então, ao chegar, dizíamos:
Sargento, Senhor, Salut, Salam...
todos eram "Meus Irmãos",
E não se fazia mal a ninguém,
Nós nos encontrávamos sobre o nível,
E nos despedíamos sob o esquadro.
Eu era o Segundo Experto dessa Loja.
Lá em baixo....

Havia ainda Bola Nath, o contador;
Saul, judeu de Aden;
Din Mohamed, da seção de cadastro;
O senhor Babu Chuckerbutty,
Amir Singh, o sique,
E Castro, o da oficina de reparos,
Um verdadeiro católico romano.
A decoração do nosso templo não era rica,
Ele era até um pouco velho e simples,
Mas nós conhecíamos os Deveres Antigos,
E os tínhamos de cor.
Quando eu me lembro deste tempo,
Percebo a inexistência dos chamados infiéis,
Salvo alguns de nós próprios.

Uma vez por mês, após os trabalhos
Reuníamo-nos para conversar e fumar
Pois não fazíamos ágapes,
Para não constranger os Irmãos de outras crenças.
E de coração aberto falávamos de religião,
Entre outras coisas, cada um referindo-se à sua.
Um após outro, os irmãos pediam a palavra,
E ninguém brigava até que a aurora nos separasse,
Ou quando os pássaros acordavam cantando.
E voltávamos para casa, a pé ou a cavalo,
Com Maomé, Deus, e Shiva,
Brincando estranhamente em nossos pensamentos.
Viajando a serviço,
Eu levava saudações fraternais
Às Lojas ao Oriente e ao Ocidente de Lahore,
Conforme fosse a Kohart ou a Singapura.
Mas sempre voltava para rever meus irmãos.
Os da minha Loja Mãe.
Lá de baixo...

Como gostaria de rever aqueles velhos irmãos,
Negros e morenos,
E sentir o perfume dos seus cigarros nativos,
Após a circulação do tronco,
E do malhete ter marcado o fim dos trabalhos,
Ah! Como eu desejaria voltar a ser um perfeito maçom,
Novamente, naquela Loja antiga.
Diria então Sargento, Senhor,Salut, Salam...
Pois seriam todos meus irmãos,
E ali não se faria mal a ninguém
E nos encontraríamos sobre o nível,
E nos despediríamos sob o esquadro,
Eu seria o Segundo Experto da minha Loja,
Ficaria lá em baixo.

Autor:Rudyard Kipling
(Tradução, em versos livres, de Antônio José Souto Loureiro, Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado do Amazonas)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Vénus: a “Estrela D’ Alva”

O planeta Vénus é o terceiro corpo celeste mais brilhante dos nossos céus, pois apenas o Sol e a Lua o conseguem ultrapassar em termos de brilho aparente.
Há vários aspectos fascinantes neste nosso vizinho. Em primeiro lugar é o planeta mais semelhante ao nosso em termos de dimensões: enquanto a Terra tem um diâmetro de 12 756 km, Vénus tem 12 104. Mas se em dimensões e massa são quase gémeos, quando se fala na pressão atmosférica ou na temperatura à superfície, as diferenças são enormes. De facto a pressão atmosférica é cerca de 90 vezes superior à que se encontra no nosso planeta ao nível do mar. No que se refere à temperatura, em Vénus esta ronda os 500º C (Celsius), tanto no equador como nos pólos e tanto onde é de dia como onde é de noite. Na verdade estamos perante o planeta mais quente do Sistema Solar, apesar de nem sequer ser o que está mais próximo do Sol. Esta situação resulta de um enorme efeito de estufa.
Outro aspecto fascinante de Vénus tem a ver com o facto de alternar entre ser “estrela da tarde” ou “estrela da manhã”. Daí ter tido dois nomes durante muito tempo, pois se pensava serem astros diferentes. Como “estrela da tarde” foi conhecido como Vésper e popularmente era a “Estrela do Pastor”. Quando visível ao amanhecer, recebeu o nome de Lúcifer (o que traz a luz) ou Estrela d’ Alva.
Apesar de todo o brilho que vemos no planeta, a verdade é que da Terra nunca o conseguimos apreciar em todo o seu esplendor. Como se pode verificar com um pequeno telescópio ou mesmo com um vulgar binóculo, quando está mais perto de nós todo aquele brilho é produzido apenas por um pequeno crescente, pois a maior parte da superfície iluminada está voltada na direcção oposta à nossa, ou seja, está voltada para o astro-rei. Só quando está do outro lado em relação ao Sol, portanto muito mais longe, é que nos mostra uma maior superfície iluminada. A sua face iluminada apenas fica completamente voltada para nós quando o Sol está entre os dois planetas, o que, como é lógico, inviabiliza a sua observação.
Ao longo dos séculos Vénus tem chamado a atenção das diversas civilizações. Assim é bem conhecido o enorme interesse dos Maias pelo planeta, que consideravam determinadas fases do seu ciclo como especialmente nefastas.
Outro povo que também se terá interessado pelo astro foi o mesmo que terá construído monumentos notáveis como Stonehenge ou Newgrange. Para este povo, conhecido como “povo das estrias gravadas” (devido à forma como tipicamente decoravam as suas peças de cerâmica), a época em que Vénus surge como estrela da manhã estaria relacionada com rituais de renascimento.
Conforme se pode constatar pelos trabalhos de C. Knight e R. Lomas, nomeadamente no livro «Uriel’s Machine» (A Máquina de Uriel), estes investigadores estudaram cuidadosamente o notável monumento de Newgrange e concluíram que a construção do mesmo tinha pormenores que dificilmente poderiam ser obra do acaso. Assim, há uma fenda sobre a abertura da parede oriental que permite que a luz de Vénus incida periodicamente numa das câmaras situadas no centro do edifício. Estas câmaras parecem ser a parte mais importante de toda a construção e as suas paredes foram revestidas de quartzo, o que proporciona um efeito notável. Quando a luz do planeta penetra pela referida fenda, incide nos cristais de quartzo e produz uma intensa luminosidade, quase irreal.
O fenómeno dura apenas alguns minutos, pois o movimento aparente da esfera celeste e as dimensões da abertura levam a que o alinhamento seja de curta duração. Por outro lado, esse fenómeno só ocorre uma vez em cada 8 anos, precisamente na data em que o planeta vizinho alcança o seu máximo brilho aparente. Note-se que para a luz de Vénus provir de oriente e sem ser ofuscada pela do Sol, então é porque é estrela da manhã, ou seja, surge a oriente antes do nascer do sol.
Com base nestas informações, os autores elaboraram uma teoria segundo a qual no interior de Newgrange e noutros monumentos idênticos, haveria rituais de renascimento.
Segundo eles, quando alguém com elevado estatuto social, como um rei ou um alto sacerdote morria, o seu corpo seria conduzido ao interior da gruta artificial e colocado numa das câmaras centrais. Ao aproximar-se a data do fenómeno astronómico, seria levada ao interior dessa mesma gruta uma mulher da sua família cuja gravidez estivesse no final, de modo a que a criança nascesse em data o mais próxima possível daquela em que a luz recebida de Vénus incidisse no interior da câmara. Convirá acrescentar que havia rituais de fertilidade nove meses antes da data do alinhamento de Vénus com a abertura do edifício.
Graças à luz da “estrela da manhã” ocorreria a transferência do espírito do falecido para o recém-nascido, o que daria a este um estatuto idêntico ao do primeiro. O indivíduo em causa seria assim considerado como imortal.

Ainda segundo os mesmos autores, estes rituais poderão estar na génese do ritual em que o Companheiro recebe o grau de Mestre Maçon.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A ONU - 62 anos ao serviço da Humanidade

No passado dia 24 de Outubro, a Organização das Nações Unidas (ONU) completou 62 anos. De facto, a sua fundação oficial ocorreu na cidade de São Francisco, na Califórnia, nesse mesmo dia do ano de 1945, ou seja, pouco depois do final da Segunda Guerra Mundial. De início apenas integrava 51 países, número que veio a aumentar consideravelmente não só pela adesão de outras nações, mas em especial devido à independência entretanto ocorrida de muitos novos estados, nomeadamente em África e na Ásia. Portugal foi admitido na organização em 14 de Dezembro de 1955.
Apesar de a fundação ter sido na Califórnia, a primeira Assembleia Geral da ONU realizou-se em Londres, na Westminster Central Hall. Actualmente a sede da organização é em Nova Iorque.
Logo após a Primeira Guerra Mundial, mais exactamente em 1919, de acordo com o Tratado de Versalhes, tinha já sido criada uma organização semelhante, que foi designada como «Sociedade das Nações» e tinha como objectivos "promover a cooperação internacional e conseguir a paz e a segurança". A «Sociedade das Nações» revelou-se pouco eficaz, nomeadamente devido à subida ao poder de governos de grande pendor nacionalista em diversos países e que aliás estiveram na génese da Segunda Grande Guerra Mundial. A «Sociedade de Nações» foi dissolvida oficialmente aquando da criação da ONU.
O nome “Nações Unidas” já tinha sido usado durante a II Grande Guerra para designar os países aliados contra a Alemanha, Itália e Japão, tendo depois sido adoptado como nome da organização de âmbito mundial que surgiu do acordo entre os vencedores.
Destes 62 anos de actividade da ONU, merece especial destaque a proclamação, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, um documento notável pelo seu alcance na defesa dos direitos básicos dos seres humanos.
As duas estruturas mais conhecidas da ONU são a Assembleia Geral, na qual todos os países que a integram estão representados e o Conselho de Segurança. Este Conselho é formado por um grupo restrito de países, dos quais alguns se vão sucedendo de forma rotativa enquanto outros são membros permanentes e têm direito de veto (República Popular da China, França, Federação Russa, Reino Unido e Estados Unidos da América)

Objectivos e Princípios da ONU Logo no artigo 1º da sua “Carta” ficam bem definidos os objectivos primordiais das Nações Unidas: a manutenção da paz internacional; a defesa dos direitos humanos; o estabelecimento de relações amistosas entre as nações, com base no princípio de autodeterminação dos povos; a cooperação dos países na resolução de problemas internacionais de ordem económica, social, cultural e humanitária; e constituir-se em centro de convergência das acções dos estados na luta pelos objectivos comuns.
Nos artigos seguintes são expressos os princípios básicos que devem reger a acção das Nações Unidas. Em primeiro lugar, as disputas devem ser solucionadas por meios pacíficos, através de conversações entre as partes, eventualmente com a mediação da própria ONU. No caso de desrespeito pelas decisões da organização, são privilegiadas acções não violentas, como é o caso das sanções económicas ou políticas e só em último caso mediante o uso de uma força colectiva (os chamados “capacetes azuis”. Em troca, cada membro compromete-se a não fazer uso da força nem a utilizar a ameaça da força contra os objectivos das Nações Unidas.
Cada um dos membros é obrigado a prestar ajuda à organização em qualquer iniciativa prevista pela Carta. Os estados não pertencentes à organização são chamados a agir de acordo com os mesmos princípios, quando isso for necessário para a manutenção da paz e da segurança.
Em síntese os principais objectivos das Nações Unidas são:
- Manter a paz mundial
- Proteger os Direitos Humanos
- Promover o desenvolvimento económico e social das nações
- Estimular a autonomia dos povos dependentes
- Reforçar os laços entre todos os estados soberanos

Desde o seu início, a ONU procurou conciliar os interesses particulares de cada estado, e criar uma ordem mundial baseada no acordo e na cooperação. Apesar de nem sempre ter conseguido levar a cabo os seus objectivos pacificadores e humanitários, a verdade é que a organização tem contribuído para amenizar a desigual distribuição do poder e da riqueza entre os países, assim como tem procurado manter a paz e a segurança internacionais, tem defendido o direito à autodeterminação dos povos e incentivado a cooperação internacional na resolução de problemas económicos, sociais, culturais e humanitários.
Apesar do sentido democrático e universalista que orienta seus objectivos e princípios, o poder de veto atribuído aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança impediu muitas vezes uma acção eficaz nos conflitos bélicos ocorridos depois da II Grande Guerra.
A evolução histórica das Nações Unidas foi determinada durante quase meio século pela "guerra fria" e pela rivalidade entre os dois grandes blocos então existentes: o capitalista e o socialista. Essa situação perdurou até à dissolução da União Soviética, no início da década de 1990.
A organização nunca se propôs constituir algo como um governo mundial, tendo antes procurado criar um sistema de segurança colectiva, fundamentado na cooperação voluntária de seus membros, ou seja, cada um dos estados-membros continuou a manter-se plenamente soberano, sem que a organização, como tal, tivesse competência nos assuntos pertencentes à jurisdição interna dos estados.

Organismos AutónomosAs Nações Unidas dispõem também de organismos autónomos para áreas específicas.
Assim, para os aspectos culturais foi criada a UNESCO, para as questões económicas existem o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), a UNCTAD (Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento) e ainda a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO). Para os aspectos sociais, a ONU criou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ao lermos não só a “Carta” das Nações Unidas, mas em especial a "Declaração Universal dos Direitos Humanos", não podemos deixar de notar a notável similitude entre os objectivos da ONU e os propósitos da Maçonaria. Destaco em primeiro lugar a defesa dos direitos fundamentais de todos os seres humanos. Mas também são evidentes as preocupações na busca da Paz, da Justiça e da Tolerância que ambas as organizações consideram essenciais. Da mesma forma, o combate à fome, às doenças e a ajuda em caso de calamidade defendidos pela ONU, são aspectos que, como maçons, não podemos deixar de registar com grande satisfação. Claro que como todas as obras humanas, há decerto aspectos no funcionamento das Nações Unidas que podem e devem ser melhorados para que os objectivos mais ambiciosos possam ser alcançados.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A Criança

Quis nascer um dia novamente, esquecer o passado e ser criança na sua plenitude.
Nasci como quis, com as virtudes e pureza da criança mas com a sabedoria e o conhecimento para moldar o meu eu, sendo contido nos meus actos e sabendo guardar segredo sempre que saio de casa e quando estou em casa.
Sim pensar com arte, dentro da arte de pensar.
Haverá alguém que se compare a uma criança no seu estado de pureza, despida de preconceitos, de vaidades, que busca a verdade e partilha o seu conhecimento sem limites, bem como a cumplicidade com quem se identifica, sempre com o sentido da responsabilidade?
Certamente, que sim.
Como toda a criança aprendi a ganhar firmeza nos meus passos, viver o presente, com o olhar no futuro, resguardando-me dos estranhos, embora os trate com respeito.
Sou uma criança que ignoro a vaidade e a arrogância mas defendo a verdade, o saber e a justiça.
Quero crescer e ser forte para ajudar os Homens a encontrarem a criança que existe dentro deles.
Como toda a criança ainda que me aliciem guardarei sempre o segredo que me foi confiado, pois, saberei sempre estar no meio sem me imiscuir com o meio, como aprendi no exercício da arte de pensar, enquanto corria livremente pelos campos e prados, tentando tocar a linha do horizonte, sem nunca desistir.
Bem Haja

Autor: Salomão

sábado, 13 de outubro de 2007

Choremos, choremos, choremos

Faleceu o Dr. Fausto Correia

Foi com profundo pesar que soubemos do falecimento do Dr. Fausto Correia no dia 09 de Outubro aos 55 anos de idade.

Fausto de Sousa Correia, nascido em Coimbra a 29 de Outubro de 1951, casado, três filhos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Advogado e consultor de empresas, Jornalista do "República", co-fundador de "A Luta" e chefe da Delegação Regional Centro da ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa. Regeu a cadeira de "Iniciação ao Jornalismo" no Liceu D. Duarte, em Coimbra. Durante quase nove anos, de 1983 a 1992, fez parte dos sucessivos Conselhos de Administração da RDP – Radiodifusão Portuguesa. Desde Abril de 1992 e até Outubro de 1995, foi Vice-Presidente da Direcção-Geral da Agência LUSA de Informação. Deputado à Assembleia da República, eleito pelo Círculo de Coimbra, nas IV, VII, VIII e IX Legislaturas. De Outubro de 1995 e até Outubro de 1999, exerceu as funções de Secretário de Estado da Administração Pública do XIII Governo Constitucional. Entre Outubro de 1999 e Abril de 2002 foi, sucessivamente, Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Secretário de Estado Adjunto do Ministro de Estado e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Minisstro. Foi ainda Vogal da Junta Distrital de Coimbra, Vice-Governador Civil de Coimbra, Presidente-Substituto e Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Secretário do Conselho Fiscal da Associação Atlântica dos Jovens Dirigentes Políticos, Deputado à Assembleia Municipal de Coimbra e membro da Direcção do Instituto de Imprensa Democrática (IID) e deputado à Assembleia Municipal de Miranda do Corvo.

Fundador e presidente da Direcção do FORUM CONIMBRIGAE, foi dirigente da Associação Académica de Coimbra, co-fundador do Clube Académico de Coimbra e vice-presidente da Assembleia Geral da Académica/Organismo Autónomo de Futebol; membro do Conselho Nacional de Solidariedade Afro-Lusitana. Foi presidente da Direcção da Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol até Outubro de 1995. Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra durante vários mandatos e era Presidente da Assembleia Geral do Olivais Futebol Clube.
Sócio honorário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra e da Secção de Andebol da Associação Académica de Coimbra, bem como militante honorário da Juventude Socialista. Homenageado em 2002 pela Casa da Académica em Lisboa.

Publicou Praça da República I (1997), Praça da República II (1998) e Praça da República III (1999). Melhor Administração, Mais Cidadania (1999), em co-autoria com o Dr. Jorge Coelho, então Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

Deputado Europeu desde Julho de 2004. Membro efectivo da Comissão Parlamentar das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos e suplente da Comissão Parlamentar dos Transportes e Turismo.Ainda membro efectivo da Delegação EU – Comunidade Andina e membro suplente da Delegação para as Relações com o Mercosul e da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latina-Americana (EUROLAT).

Morreu ao 55 anos deixando-nos um forte legado de princípios baseados na moral, na ética, na generosidade e na fraternidade, e deve ser recordado como um grande impulsionador da modernidade administrativa do Estado Português com a implementação das Lojas do Cidadão.

Como disseram, António Arnaut “ as pessoas valem pelo que fazem, mas valem sobretudo pela herança moral que deixam e a sua capacidade de se relacionar com todos, independentemente da sua sensibilidade política ou social” e António Reis, Grão Mestre do GOL que o descreveu como “um grande cidadão europeu e um homem de fraternidade, tolerante e justo”.

O Grémio Estrela D’Alva, apresenta as mais sentidas condolências aos familiares e amigos do Dr. Fausto Correia e o abraço fraterno aos irmãos do Grande Oriente Lusitano, em especial aos irmãos da Respeitável Loja à qual aquele irmão pertencia.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A morte de Julieta Gandra não foi notícia

Não foi notícia, na comunicação social portuguesas a morte de Julieta Gandra, a médica portuguesa incriminada pela PIDE em 1959 e condenada no primeiro julgamento político do nacionalismo angolano moderno, o chamado "processo dos cinquenta" onde a par de muitas militantes angolanos figuravam alguns portugueses como António Veloso, Calazans Duarte e Julieta Gandra, que foram deportados para cadeias em Portugal, tendo os angolanos sido deportados para Cabo Verde, onde ficaram internados no campo de concentração do Tarrafal que assim reabria as suas portas em 1960, agora para outros presos políticos, os angolanos.

O falecimento de Julieta Gandra não foi notícia para jornais, rádios ou televisões de Portugal. Apenas a SIC passou em rodapé uma breve informação. Outras pessoas, alguma de bem menor envergadura que J.Gandra preencheram o obituário da comunicação social portuguesa.

Nos anos 50 do século XX, Julieta Gandra, ginecologista (especialidade raríssima na Luanda de então) atendia no seu consultório da Baixa as clientes da sociedade colonial, tirando daí os seus proventos, e, nos musseques, atendia em modesto consultório, a preço simbólico, as mulheres desses bairros suburbanos. Simultaneamente participava em actividades do Cine-Clube e da Sociedade Cultural de Angola realizando também actividade política em organização clandestina do nacionalismo angolano. Por isso foi presa pela polícia do regime salazarista, condenada a pesada pena de prisão, internada em cadeias de Portugal. Quer nos interrogatórios da PIDE, quer nas cadeias, portou-se com uma dignidade exemplar. Em 1964 foi considerada a presa do ano pela Amnistia Internacional

Esta breve resenha da vida cívica de Julieta Gandra cabia em qualquer jornal ou bloco informativo de rádio ou televisão mas os profissionais da comunicação social, sem brio nem remorsos, omitem uma curta e última referência a esta médica portuguesa que foi marco na luta pela liberdade da Mulher e dos Povos.

Autor: A. M. (publicado como um grito de revolta e homenagem)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Aquilino e a Liberdade

Aquilino Ribeiro repousa finalmente no Panteão Nacional. Homenagem merecida, não deixou, apesar disso, de ostentar imerecida frieza: foi tudo muito “técnico”, muito “tecnocrático”, tendo sido esquecida a vertente social e de intervenção daquele foi o “escritor maldito” por parte do antigo regime, ou não tivesse sido a sua obra subtilmente subtraída ao estudo dos alunos nas escolas e nos liceus de então.

Soube a pouco. Faltou a componente que mais inspirou a obra de Aquilino: o povo. Faltou calor humano. Quase pareceu uma homenagem envergonhada. Parece que, de alguma forma, ainda está insidiosamente instalada na sociedade portuguesa um clima de medo. Parece que se teme beliscar as forças ocultas do obscurantismo, infelizmente ainda instaladas entre nós mas que Aquilino combateu com denodo, em prejuízo flagrante do seu próprio bem-estar, tendo preferido os exílios e o degredo a pactuar com essas mesmas forças.

Cabe-nos a nós, Maçons, homens livres e de bons costumes, depositar simbolicamente sobre o mausoléu de Aquilino a bandeira da liberdade pela qual nos batemos. E, ao cumprir esse desiderato, não estamos a fazer mais do que colocar-nos em sintonia com um homem que também se tornou conhecido por uma frase que tem tudo a ver com os princípios que regem a nossa Ordem Universal: “Para chegar a bom termo da viagem é preciso ser livres.”

Aquilino foi o primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores. E mais uma vez, na cerimónia de homenagem aos cinquenta anos da sua obra, recomendou a adopção de uma atitude que também ela se adequa na perfeição aos procedimentos maçónicos: “Cultivar a inquietação como uma fonte de renovamento.”

Com efeito, a partir do momento da iniciação, é inevitável que o Maçon verdadeiramente vocacionado para o apostolado do Conhecimento não se sinta quase permanentemente inquieto por se municiar das alavancas que o conduzem simultaneamente mais alto e mais fundo nas sendas intermináveis desse mesmo Conhecimento.

E, por outro lado, como disse Aquilino, é essa inquietação, é esse Conhecimento que conduz os homens livres e de bons costumes para a permanente renovação, no sentido do melhoramento, de si próprio e da sociedade em que se insere.
Mas as coincidências não se quedam por aqui. Permaneçamos nesse episódio de elevado significado que foi a referida cerimónia de homenagem por ocasião da passagem do cinquentenário da produção literária de Aquilino. Na circunstância, a Sociedade Portuguesa de Escritores nomeou uma Comissão de Iniciativa para organizar o evento, de que sobressaiu, pelo seu empenhamento, entre outros insignes representantes das letras portuguesas, nem mais nem menos do que o nosso past-Grão-Mestre, o Sapientíssimo Irmão Raul Rêgo, mais tarde director do jornal “República”, que teve em Aquilino um dos principais colaboradores.
Mas eis-nos então chegados à parte mais significativa desta prancha. Referindo-se ao primeiro exílio de Aquilino, dele escreveu Jorge Reis as seguintes palavras, no mínimo intrigantes: “Turista sem cheta na bagagem, transportava, porém, um alforge de promessas de “irmãos” e “primos” que lhe haviam jurado, com os pés em esquadria, que nunca o deixariam comer o pão amargo do exílio. (…) Bastar-lhe-ia procurar a seu patrão da “Vanguarda” (jornal que se publicava em Paris e que afrontava o regime de D. Carlos), esse Hiram da Fraternidade Portuguesa, o qual, embora não tivesse levantado templo veramente lusitano no oriente parisino, mantinha loja aberta num restaurante dos Grands Boulevards reputado pelos ágapes que servia a uma iniciada clientela ciosa da verdade e famélica de luz”.

Face a este texto, confesso que não ouso fazer quaisquer tipos de afirmações. Mas não posso deixar de colocar algumas interrogações, elas também inquietantes como recomendava Aquilino:
1. Quem eram os “irmãos” que haviam jurado com os pés em esquadria?
2. Quem utiliza a designação específica de “irmãos” para designar os laços que unem os membros de uma colectividade?
3. Quem utiliza a posição de colocação dos pés em esquadria para fazer os juramentos?
4. Porquê a referência a um tal Hiram como aquele que liderava o agrupamento de homens de que Aquilino fazia parte em Paris?
5. Qual a razão da expressão “Hiram da Fraternidade Portuguesa”?
6. Qual a razão da expressão “não tivesse levantado templo”?
7. Quem são tidos, habitualmente, como construtores de templos, para mais sob a orientação desse tal “Hiram da Fraternidade Portuguesa”?
8. Qual a razão da expressão “oriente parisino”?
9. Quem costuma designar o Oriente como o local de implantação dos templos numa determinada cidade ou região?
10. Qual o significado da expressão “manter loja aberta”?
11. De quem se diz que “trabalha em Loja”?
12. Porquê a utilização da palavra “ágapes”?
13. Qual a organização que diz, na mais pura da sua ritualística, que os trabalhos prosseguem e terminam com um ágape fraternal?
14. Porquê a utilização do adjectivo “iniciada” para qualificar a clientela?
15. Qual é habitualmente conhecida a “iniciada clientela ciosa da verdade”?
16. Qual é habitualmente conhecida a “iniciada clientela famélica de luz”?

As interrogações que acabo de formular não revestem qualquer atitude especulativa. Elas são baseadas em factos concretos, vividos e testemunhados. Não passam de interrogações. Quem tiver conhecimento e atrevimento bastante, que as aprofunde se com elas se tiver sentido aquilinamente inquietado.

Apenas um pormenor mais, que, provavelmente, não passará de mera coincidência, à semelhança das questões que acabo de abordar. O último dos companheiros de Aquilino foi Mestre Zé, imortalizado nas obras do escritor, que lhe atribuiu qualidades de força e vigor para enfrentar as autoridades repressivas do regime de então e que o qualificou de responsável e solidário perante os interesses da comunidade. Pois. Tudo isto talvez com significado irrelevante, não tivesse sido Mestre Zé um hábil pedreiro, ou melhor, um conhecedor artesão da pedra.

Por último, apenas peço que me seja permitido terminar com um texto provocatório. Ele aí vai.

Eu vos juro, meus Irmãos, com os pés em esquadria, que continuo a perseguir a sabedoria de Hiram no seio desta Fraternidade Portuguesa, a qual levantou este templo veramente lusitano no Oriente lisboeta, mantendo Loja aberta a uma iniciada clientela ciosa da Verdade e famélica de Luz.

Autor: Álvaro

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A procura da palavra - II

Muitos de vós questionam o que é um Maçon? Nós, maçons também nos interrogamos constantemente e procuramos a palavra, a verdade, por isso, hoje vamos apresentar a nossa visão e tentar responder a essa vossa/nossa interrogação, baseados em alguns textos antigos, mas que mantém toda a actualidade.

Quando é que se é Maçon?

Quando puder olhar por sobre os rios, os morros e o distante horizonte com um profundo sentimento da sua própria pequenez no vasto panorama das coisas que o rodeiam e, assim mesmo, ainda conservar a fé, a coragem e a esperança – que são as raízes de toda a virtude.
Quando sabe que no fundo do seu coração, todo o homem é tão nobre, tão vil, tão divino, tão diabólico, e tão solitário como ele mesmo e procura conhecer, perdoar e amar seu semelhante.
Quando sabe simpatizar com os homens em suas tristezas, sim, mesmo em seus pecados, sabendo que cada homem luta duramente contra muitos óbices no seu caminho.
Quando aprendeu como fazer amigos e conservá-los, e, sobretudo, como conservar-se seu próprio amigo.
Quando nenhuma voz de desespero atinge os seus ouvidos em vão e nenhuma mão procura sua ajuda sem obter resposta.
Quando achar um bem em toda a fé que ajuda qualquer homem a ver as coisas divinas e a perceber as significações majestosas da vida, qualquer que seja o nome dessa crença.
Quando conservar a fé em si mesmo, nos seus companheiros, e em sua mão uma espada contra o mal, em seu coração um pouco de canção.
Quando satisfeito por viver mas não temendo de morrer.

Tal homem encontrou o único segredo da Maçonaria, aquele que Ela procura transmitir ao mundo inteiro.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A procura da palavra - I

Muitos de vós questionam o que é a Maçonaria? Nós, maçons também nos interrogamos constantemente e procuramos a palavra, a verdade, por isso, hoje vamos apresentar a nossa visão e tentar responder a essa vossa/nossa interrogação, baseados em alguns textos antigos, mas que mantém toda a actualidade.


O que é a Maçonaria?

É uma instituição humanitária e sublime que exalta tudo o que une e repudia tudo aquilo que divide, que aspira a fazer da Humanidade uma grande Família de Irmãos.
É uma instituição de paz e amor, aberta às mais nobres aspirações, onde se realiza a união necessária, a fecunda de coração e espírito, onde se adquire o equilíbrio interior, onde os caracteres se afirmam e se consolidam.
É uma instituição em que a Fraternidade é uma influência ou guia espiritual para a concepção mais nobre e mais elevada da vida, que não é contra ninguém, porque é uma força indestrutível, nobre, generosa, porque é a luz da razão.
É uma instituição que prepara o terreno onde florescerão a Justiça e a Paz, a sua única arma é a espada da inteligência. Sabe que o único modo de produzir, mesmo socialmente, uma mudança profunda e durável de um meio, é de modificar a sua mentalidade.

Um instituição que ensina o valor eterno dos princípios de cultura humana e individual, independente dos lugares e épocas, proporciona aos indivíduos e aos seus grupos, a noção clara e certa da Solidariedade, do Amor, do Direito, da Justiça e da Liberdade.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Recreação

Caros Leitores, Amigos e Irmãos, votos de Saúde e Fraternidade.

Este vosso/nossso Blog esteve em pausa de trabalhos e publicações, sim, que em Maçonaria os trabalhos nunca acabam, ficam suspensos para serem retomados nos momentos ou na data seguinte, simbolizando o trabalho contínuo e o constante aperfeiçoamento do eu interior de cada um e da Ordem em geral.
Terminado o período da recreação os trabalhos tomam de novo força e vigor!

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sons do Silêncio

Certo dia um rei mandou o seu filho estudar no templo de um grande mestre, com o objectivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.
Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre mandou-o sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta. Quando o príncipe voltou ao templo, após um ano, o mestre pediu-lhe que descreve-se todos os sons que conseguira ouvir.
O príncipe disse: - Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na floresta, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...
Quando terminou o seu relato, o mestre pediu ao o príncipe que volta-se à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível.
Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu à ordem do mestre, pensando: "Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."
Por dias e noites, ficou sozinho, ouvindo, ouvindo, ouvindo...mas, não conseguiu distinguir nada de novo, além daquilo que havia dito ao mestre.
Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..."
Sem pressa, ficou ali, ouvindo, ouvindo, pacientemente. Queria ter a certeza de que estava no caminho certo.
Quando voltou ao templo, o mestre perguntou-lhe que mais conseguira ouvir.
Paciente e respeitosamente, o príncipe disse: - Mestre, quando prestei atenção, pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra, o som da floresta a beber o orvalho da noite...
O mestre sorrindo, acenou com a cabeça, em sinal de aprovação, e disse: - Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa.

Nesta fábula, fica como moral da história, que apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, os seus sentimentos mudos, os seus medos não confessados e as suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor, entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um.
A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem, apenas, as palavras pronunciadas pela boca, sem atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.
É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas, que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 3 de julho de 2007

Vale a pena ser maçon?

Estou ligado à Maçonaria há cerca de três anos. Será pois oportuno perguntar a mim mesmo se, nos dias que correm, vale a pena ser maçon.
Não sou sociólogo, pelo que a análise que faço do mundo que me rodeia é a de um leigo na matéria. No entanto, a sensação que tenho é de que a nossa sociedade está a atravessar uma fase em que impera o egoísmo e o vazio das ideias. E não me refiro apenas ao nosso país, mas à generalidade das nações. Proliferam as guerras, os atentados com bombistas suicidas e os fundamentalismos. Verifico com horror que a pedofilia é um monstro muito maior e mais poderoso do que alguma vez imaginei.
Fala-se muito em globalização, mas torna-se cada vez mais evidente que esta não inclui valores éticos ou de diálogo amigável entre os povos. Pelo contrário, é de puro materialismo em que o que conta é apenas o lucro. Valores como a solidariedade ou as preocupações sociais nada valem para as multinacionais que são quem mais fomenta essa globalização. “Deslocaliza-se” para onde a mão-de-obra seja mais barata e despedem-se milhares de trabalhadores com a maior das naturalidades.
No que se refere à religião, talvez eu andasse distraído, mas parece-me que nunca houve tantas seitas e religiões “alternativas”, como nos nossos dias. As pessoas buscam respostas para uma faceta muito importante das suas vidas: a espiritualidade. E há sempre quem esteja pronto para se servir dessa carência para apresentar as suas “verdades”. Pelo menos nalguns casos, tais seitas geram receitas milionárias e tornam-se elas mesmas multinacionais. Vendem milagres, prometem o céu, mas não esquecem o seu verdadeiro objectivo: o dinheiro.
Não me lembro de alguma vez haver como hoje tantos astrólogos, numerólogos, videntes, e afins. Claro que nem com todos os seus “conhecimentos” juntos conseguem descobrir uma qualquer criança raptada. Mesmo assim, os seus negócios prosperam.
Por outro lado também acho que nunca houve tantas revistas dedicadas a temas a que chamamos “cor-de-rosa”. Até as rádios, mas em especial as televisões não fogem à moda, pelo contrário, aproveitam-na.
Nos órgãos de informação, o espaço dedicado à cultura, ao estudo ou à divulgação das ciências e das artes é cada vez menor.
Perante este quadro, sinto ser absolutamente necessária uma força que, de uma forma empenhada e a nível mundial, promova a paz e a liberdade, a tolerância e a justiça social, assim como a cultura e o combate à ignorância.
Durante a minha caminhada desde o grau de Aprendiz, fui formando a minha própria ideia do que é Maçonaria. No meu entender, ela é uma extraordinária instituição iniciática, onde cada um de nós sente cada vez mais como indispensável o seu aperfeiçoamento pessoal nas suas diversas vertentes: moral, intelectual, social e familiar. Mas a Maçonaria não poderia ser apenas uma escola de aperfeiçoamento dos seus membros, pois é também uma instituição filantrópica, onde a prática desinteressada da beneficência deverá ser uma constante.
Por outro lado, compreendi que a filosofia que lhe está subjacente proclama com clareza a prevalência do espírito sobre a matéria, pugna pelos mais altos valores da humanidade, enaltece o trabalho, recusa qualquer tipo de intolerância política, religiosa, sexual ou racial, considera a liberdade de pensamento e de expressão como direitos fundamentais do ser humano, assim como estimula o estudo e a educação para eliminar a ignorância e a superstição.
Ou seja, uma vez que entendo a Maçonaria como uma instituição defensora da paz, da justiça, da tolerância e do bem-estar para todos os seres humanos, estou profundamente convencido de que ela pode ser a força que a humanidade necessita para enveredar pelo rumo que a conduza à paz em liberdade, que afinal as pessoas de boa vontade do mundo inteiro tanto desejam.

Poderão dizer que a Maçonaria é apenas um sonho, talvez mesmo uma utopia, mas vale a pena lutar por ela, pois quem não sonha não vive…
Ser maçon implica um esforço permanente e até alguns sacrifícios tanto materiais como dos escassos tempos livres. Mas depois de ter aprendido o que é de facto ser maçon, a minha resposta à pergunta inicial só pode ser uma: sim, vale a pena.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 26 de junho de 2007

Considerações por um Solstício

O solstício de Verão, recentemente ocorrido, marca o apogeu do percurso solar: o Sol está no zénite, no ponto mais alto do céu.
Trata-se de uma data particularmente festejada pela Maçonaria, que escolheu o Sol como um dos símbolos principais em torno dos quais gira a liturgia desta Ordem Universal – circunstância que, aliás, se encontra inequivocamente plasmada pelo destaque que lhe é concedido na decoração dos Templos.
Para além de outros significados que ocorrem em concomitância, o Sol simboliza a inteligência cósmica, aquela que guia a Razão, fonte do Conhecimento sempre almejado pelos Maçons mas jamais alcançado na sua plenitude.
Todavia objectivo inatingível, ao iniciado é cometida a tarefa inesgotável de perseguir os caminhos do Conhecimento – razão primeira e última das actividades que se desenrolam nos trabalhos em Templo, desenvolvidos pelos obreiros, os quais, por seu turno, devem socorrer-se da Geometria Simbólica para traçar pranchas que constituam não peças acabadas, mas sim contributos para uma reflexão individual e colectiva.
É neste contexto que o Conhecimento é a forma mais eficaz de derrotar o Obscurantismo que tem sido causa de grandes males que se têm abatido sobre a Humanidade, em geral, e sobre a Ordem Maçónica, em particular – desde a eclosão das ditaduras até às atitudes persecutórias e intolerantes desenvolvidas em nome de religiões ou de deuses cujo nome apenas é utilizado como pretensa justificação de homens que utilizam a manipulação para a prossecução de objectivos inconfessáveis.
Mas o Sol é, também, uma referência permanente na vida dos Maçons, porque, colocado a Oriente e irradiando para a Coluna do Sul, são os seus raios simbólicos que permitem tornar perceptíveis os conhecimentos que vão sendo adquiridos no longo e interminável percurso de quem teima e persevera no desbastar da Pedra Bruta.
Particularmente, considero que uma das grandes dádivas que a Maçonaria proporciona é a possibilidade de enveredar por um verdadeiro dédalo de conhecimentos, que nos fazem mergulhar não apenas naquilo que constitui o nosso Catecismo, como também em outras culturas – elas, outrossim, formas de conhecimento a que podemos ir tendo acesso.
Ora, é precisamente neste domínio que considero que as coincidências são, por vezes, arrepiadoramente óbvias. Assim – e como falamos de Sol – não deixa de ser curioso que os raios solares com os quais são identificados os cabelos de Xiva (terceiro, repito, terceiro deus da trindade hindu) são tradicionalmente sete (repito, sete). E o Sol é também o personagem da obra “O Ancião dos Dias”, do poeta britânico do século XVIII William Blake, que relata o deus solar medindo o céu e a terra com a ajuda de um compasso (repito, com a ajuda de um compasso).

Saudemos, pois, o Solstício, com o Sol ocupando o ponto mais alto de onde pode partir a nossa marcha rumo ao Conhecimento, que une as vocações libertárias, igualitárias e fraternas da Ordem Maçónica Universal.

Autor: Álvaro

terça-feira, 19 de junho de 2007

Acácia

“É preciso saber morrer para nascer para a imortalidade”
Gérard de Nerval

Quando hoje ouvimos falar de Acácias associamo-las ao flagelo dos fogos florestais e às espécies infestantes que ameaçam a vegetação autóctone, com efeito sendo uma espécie adaptada aos fogos florestais tende a proliferar após estes, em especial as variantes australianas introduzidas, mas disso já falaremos.
O fogo e o seu controlo foram fundamentais para o desenvolvimento da humanidade, pensemos na cerâmica e talvez ainda mais importante o desenvolvimento da siderurgia só possível através do domínio do fogo. Assim o fogo irá assumir um papel fundamental na imagética da humanidade, por um lado associado aos infernos, por outro à regeneração, valorizando o que lhe estava associado. Hoje a equação surge-nos alterada pela vulgarização do seu domínio e pelo horror das suas potencialidades, os crescentes fogos florestais cada vez com mais impacto no homem mas também o espectro infernal de um possível holocausto nuclear. Quão longe estamos da versão alquímica de INRI da cruz - IGNIS NATUREA RENOVATUR INTEGRA (pelo fogo se renova a natureza inteira).

Mas indo à dendrografia e a outros aspectos associados, o género das acácias é muito vasto, pensando-se que poderá ser constituído por umas 1200 espécies repartidas pelos climas temperados e tropicais, só na Austrália onde são consideradas emblema nacional crescem umas 660 variantes, (duma das quais são feitos os conhecidos boomeranges) e serão estas, que importadas se tornam infestantes já que estão adaptadas aos fogos, pelo que após estes se desenvolvem muito rapidamente não dando oportunidade às espécies autóctones. É o que se passa em Portugal, onde foram introduzidas por D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha no parque da Pena em Sintra, pelo seu valor ornamental e aroma, que aliás já tinha seduzido o papa Paulo III (1534-1549) em Roma.

A madeira de acácia é escura, pesada e de grão mais ou menos, forte e resistente à putrefacção quando enterrada. Era a mais empregue das madeiras autóctones do Egipto e segundo Heródoto era a mais empregue nas barcas de carga do Egipto (seria de madeira de acácia a barca de Osíris), também era utilizada em móveis sarcófagos, caixas, arcas, etc. Teofrasto no séc III a.C. menciona pelo menos duas espécies de acácia a de madeira branca e a de madeira negra esta mais consistente e duradoira, fonte não só de madeira mas também de goma-arábica, casca para curtir os couros e forragem para o gado. Esta acácia será provavelmente a babul ou acácia do Nilo (Acacia nilotica L.).

A acácia está ligada a valores mistícos solares e triunfantes, na Índia a concha sacrificial (sruk) atribuída a Brahma era em madeira de acácia, o fogo sagrado sacrificial era obtido pela fricção de um pau de figueira sobre madeira de acácia (aqui a acácia toma o valor feminino por oposição à figueira que encarna o masculino), uma lenda africana coloca a acácia na origem da romda, (instrumento musical iniciático, em que se faz girar um pau de acácia preso por uma ponta a uma corda) na tradição judaico-cristã a coroa de espinhos da paixão de Cristo seria de acácia, simbolizando os raios de sol, madeira quase incorruptível dela seria feita a arca da aliança e seus varais, e depois coberta a ouro, assim como a mesa dos pães oferecidos a Deus e o altar dos holocaustos, este forrado a bronze, finalmente na maçonaria um ramo de acácia é utilizado para lembrar aquele arbusto que foi plantado sobre o túmulo de Hiram. Esta madeira como se disse quase incorruptível com espinhos temíveis e flores de leite e sangue é um símbolo solar de renascimento e imortalidade.
É através da procura do conhecimento que a verdade se torna transparente, e os equívocos e diferenças são resolúveis.
Autor: Éolo

terça-feira, 12 de junho de 2007

Na escada

A entrada do prédio era escura. Dia e noite tinha uma lâmpada acesa que lutava ingloriamente contra a escuridão. De dia mal se via se estava ou não acesa devido à luz que vinha da rua. Durante a noite o seu papel poderia ser mais eficaz, mas não era. Atravessava-se a estreita e longa passagem mais por a conhecer do que por aí se ver fosse o que fosse.

Tinha uns dezasseis anos e vinha de assistir a uma corrida de ciclismo. Tinha levado a chave de casa da avó, o que o fazia sentir que já era um homem!
Passava da meia-noite quando chegou à entrada do prédio. Como sempre, a porta estava apenas encostada. Foi percorrendo com cuidado o escuro corredor de entrada. Por fim a escada que deveria subir e que a luz da cidade iluminava vagamente através da suja clarabóia lá bem no alto do edifício. Adivinhava-se, mais do que se via.
Ao virar a esquina e colocar o pé no primeiro degrau, ouviu uma voz lamentosa de mulher. Estava deitada nos degraus e ergueu-se um pouco com a sua chegada. Parecia estar enrolada num cobertor. As únicas palavras que proferiu eram uma súplica: «oh meu senhor, deixe-me ficar aqui». Não sabia como responder. Nunca teve facilidade em responder de repente a coisa alguma. Para mais sentiu uma emoção desconhecida embargar-lhe as palavras. Por fim conseguiu articular: «fique descansada». Confuso e atormentado, subiu as escadas escuras.

Quando entrou já todos dormiam. Também ele foi para a cama, mas demorou muito até que o sono lhe chegasse. Revia a mulher deitada na escada, tentava imaginar os motivos que a levariam a estar ali, sem ter o seu próprio tecto e as dores que os degraus lhe causariam no corpo. Como seria possível dormir em tais condições? Pensou que, se fosse dono da casa, lhe arranjaria uma cama. Mas não era e não convinha acordar a avó que se levantava antes das seis.

A sua imagem do mundo começava a sofrer rombos. Até então acreditava estar no melhor dos países, no melhor dos regimes, com o mais sábio dos governantes que nos tinha livrado dos horrores da II Grande Guerra, onde tudo estava bem e ia ficando cada vez melhor apesar dos terroristas lá na Guiné, Angola e Moçambique.
Também lhe tinham ensinado que nem um só cabelo cai da cabeça das pessoas sem que Deus o saiba. Melhor ainda, cada um de nós tinha o seu anjo da guarda. Afinal havia quem tivesse de dormir numa escada... Onde estavam os anjos? Os do céu e o da terra?

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 5 de junho de 2007

A Chamada...

Contemplei a Lua,
Vi o Sol resplandecente,
Ouvi os assobios do Vento,
Senti o sabor Salgado nos lábios depois de ter saciado a minha sede com água Doce,
Meditei sentado sobre Pedra.
O Sol prosseguiu a sua trajectória atingindo os seus raios a verticalidade, apercebi-me que era meio-dia, procediam à chamada para mais um dia de trabalho.
Reparei que houve quem não respondesse à chamada, por ter passado ao Oriente Eterno.

Pranteamos, pranteamos, pranteamos... e cobrimo-los com ramos de acácia, pois tinham trabalhado arduamente na pedra bruta para atingir a pedra cúbica e continuar a construção do Templo, deixando como legado o saber, o conhecimento, em que as questiúnculas da vida mundana não têm lugar.
Honremos a sua memória e recordemo-nos de todos os Irmãos para todo o sempre, pois apesar da carne se ter desprendido dos ossos e não terem respondido a chamada, o exemplo deixado deve permanecer imaculado na nossa memória e aproveitado para corrigir os eventuais erros que o egoísmo humano pode determinar, porque no fim somos uma só pedra.
Bem Haja...

Autor: Salomão

terça-feira, 29 de maio de 2007

Fábula do Camelo

A propósito das questões sobre o Conhecimento, que tão oportuna e judiciosamente aqui têm sido trazidas por alguns Irmãos, gostaria de reforçar a pertinência das mesmas, sobretudo no que concerne ao posicionamento dos Maçons, quer no seio da nossa Ordem Universal, quer enquanto agentes activos e actuantes no mundo profano.

É neste contexto que La Fontaine, se ainda estivesse vivo, poderia ter escrito aquilo a que chamo de “Fábula do Camelo”.

Com efeito, a mãe e o bebé camelo descansavam, quando, de repente, o bebé acomete:
- Mãe, mãe, posso fazer-te umas perguntas?
- Com certeza! Mas porquê, filho? Há alguma coisa que te preocupe?
- Não, mas por que é que os camelos têm bossas?
- Bem, filho, nós somos animais do deserto, precisamos de bossas para armazenar água. Somos conhecidos por sobrevivermos sem água.
- Okay. Então por que é que temos pernas compridas e pés arredondados?
- Filho: são apropriados para caminhar no deserto. Sabes, assim podemos deslocar-nos naquele meio melhor do que qualquer outro.
- Okay. Então por que é que temos pestanas tão compridas? Às vezes até me perturbam a visão!
- Filho: estas pestanas servem-nos de protecção. Ajudam a proteger os nossos olhos da areia e dos ventos do deserto.
- Não compreendo. Se as bossas servem para armazenar água quando estamos no deserto; se as pernas servem para caminharmos na areia; se as pestanas protegem os olhos das tempestades de areia… então que raio estamos nós a fazer aqui no jardim zoológico?
Se isto fosse uma história, poderia terminar aqui. Mas, como é uma fábula, termina com a moral da história: aptidões, saber, capacidade e experiência só têm utilidade se estivermos no lugar certo.

E pronto. É desta forma que pretendo exprimir a minha congratulação e o meu regozijo pelas pranchas que alguns Irmãos têm apresentado. Ao demonstrarem as suas aptidões para o desbastar da pedra bruta, ao evidenciarem o seu saber em questões que são do interesse comum, ao transmitirem a sua capacidade para o cabal desempenho das funções que estão cometidos, ao legarem a sua experiência como forma solidária de partilha e ao fazerem tudo isto entre nós e nos espaços que partilhamos, fazem-nos sentir que estamos, de facto, por opção e sem transigência, no lugar certo para a prossecução de um trabalho que nos conduz a mais elevados patamares de Conhecimento, quer em termos absolutos quer de nós próprios – afinal um dos primeiros e últimos objectos da Maçonaria.

É, aliás, a predisposição para trilhar com firmeza o caminho do Conhecimento, um dos maiores desafios que se colocam ao iniciado, até porque se trata de um combate sem tréguas contra o obscurantismo que pauta, ainda hoje, muitos dos actos que regem a sociedade em que vivemos e que conduzem, eles também, às mais diversas formas de fundamentalismos.

Por outro lado, o Conhecimento é o melhor conselheiro para que o recipiendário das luzes maçónicas enverede também pela senda da prudência que deve marcar as suas acções e os seus pensamentos, não se deixando conduzir pela irracionalidade dos ímpetos nem por juízos precipitados.

Perdoem-me, pois, se me socorri de camelos para falar do Conhecimento. É que são eles os principais habitantes dos desertos, onde cada grão de areia se junta aos outros em perfeita justaposição, todos semelhantes como irmãos que se unem num imenso espelho que reverbera a luz do Sol nascido no Oriente. E todos tão semelhantes como os bagos das romãs, que derramam a fraternidade à entrada dos templos onde o Conhecimento constitui o elo que liga os homens livres e de bons costumes por toda a face do universo. No lugar certo.

Autor: Álvaro

sábado, 12 de maio de 2007

Grande Oriente Lusitano 1802 – 2007 * 205 anos da Maçonaria Portuguesa

O Grande Oriente Lusitano (GOL) foi criado em 1802, tendo o tratado de reconhecimento sido assinado em 12 de Maio desse ano, pela Grande Loja de Inglaterra. Em 1806 foi possível aprovar a sua primeira Constituição.

Em Portugal, a Maçonaria teve sempre um papel muito importante na sociedade civil. Foi assim que esteve na linha da frente nas lutas liberais, no século XIX, e na fundação da Primeira República em 1910. Deve-se-lhe a criação das leis de separação das Igrejas do Estado, do Registo Civil, de um grande número de escolas, orfanatos, centros republicanos e muitas mais realizações de cariz sócio-cultural.

Em 1935, o ditador Salazar mandou votar a Lei n.º 1901 que proibiu as Sociedades Secretas, ou seja a Maçonaria, tendo confiscado os seus bens, assim como os das sociedades de beneficência criadas por ela. O Palácio Maçónico, sede do GOL, adquirido em 1869, pelo Grémio Lusitano, a face profana da Maçonaria, foi também ocupado pela Legião Portuguesa, a milícia do Estado Novo.

Depois de 25 de Abril de 1974, data da Revolução dos Cravos, a Junta Militar que ocupou provisoriamente o poder, restituiu as instalações do Grémio Lusitano. Na mesma linha, o Primeiro Governo Constitucional, chefiado por Mário Soares, fez votar a Lei n.º 929/76, de 31 de Dezembro, que atribui uma indemnização para reparação da destruição que ocorreu durante a ocupação.

O Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, designação oficial retomada em 1982, manteve sempre as luzes acesas, mesmo durante os períodos mais sombrios da história do país. O GOL orgulha-se também de ter dado a Portugal alguns dos nomes mais prestigiados da sua história em sectores tão diferentes como a política e a administração, a ciência, a religião, as forças armadas, a cultura, as artes e a música, o teatro, o movimento feminista, o desporto, o mundo económico e o movimento social e operário.

O regresso da democracia permitiu que algumas Lojas adormecidas tenham retomado a actividade e que muitas Lojas novas tenham erguido colunas. Actualmente, o GOL tem federadas cerca de sessenta Lojas, entre as quais uma em Macau (China). Os Ritos Escocês Antigo e Aceite e Francês ou Moderno são praticados com toda a fraternidade e harmonia.

O Museu Maçónico, sedeado no GOL, está aberto ao público e regista um crescente número de visitantes. Pela sua qualidade e prestígio estás prestes a integrar a rede nacional de museus.

Pautando o seu comportamento pelo rigoroso respeito do princípio de não ingerência nas lutas políticas partidárias e reconhecendo naturalmente aos irmãos a liberdade total de opinião, de espiritualidade e de religião, o Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa pode afirmar-se como sendo uma escola de valores éticos, que não esquece as tradições iniciáticas que constituem o cimento da nossa Obediência.

A Liberdade, a Igualdade e Fraternidade, bem mais que uma máxima, são a razão de trabalho permanente, que permite aos nossos Irmãos aperfeiçoarem-se, na procura de uma sociedade mais justa, que se paute pelo respeito dos Direitos Humanos, para instituir a harmonia na Humanidade.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 8 de maio de 2007

Homenagem aos Maçons na Clandestinidade

O Grande Oriente Lusitano, por altura da realização do 1.º Encontro Internacional de Lisboa e do 205.º aniversário da sua fundação, decidiu homenagear os 7 (sete) irmãos que restam neste momento em actividade e que foram iniciados durante o período em que a Maçonaria esteve forçada a trabalhar em clandestinidade, entre 1935 e o 25 de Abril de 1974.

Para o efeito, foi atribuído a estes 7 irmãos um título Honorário pelos serviços prestados à Ordem maçónica durante o período de clandestinidade, simbolizando nestes irmãos, todos os Irmãos que durante a ditadura, com perseverança, abnegação e risco da própria vida, mantiveram a Maçonaria activa, permitindo assim, que após o 25 de Abril de 1974, a Ordem fosse retomando força e vigor e se apresente hoje como uma pujante Potência Maçónica com expressão na vida nacional e plenamente integrada na Comunidade Maçónica Internacional.

Esta homenagem serve, também, para nos recordar que o nosso país viveu um período negro da sua História e com consequências nefastas para os Portugueses, bem como quão importantes e fundamentais são a Liberdade, os Direitos Humanos, a Justiça Social, os Direitos de Cidadania.

Obrigado, Queridos Irmãos, bem hajam!

Autor: Júlio Verne