terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Façamos Maçonaria

Sermos Europa, África, Ásia, América e Oceânia, sermos todos os povos num só dia.

Sermos uma janela aberta da Maçonaria Universal, em defesa dos valores Iniciáticos das nossas Ordens, da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que são o caminho comum da Maçonaria Universal: Humanismo e Cidadania.


Libertar os homens das suas grilhetas e torná-los livres e de bons costumes.

 
Pintar esta tela de todos os sonhos, Sóis e Luas, abrir nela os nossos conhecimentos e partilhá-los universalmente.


Façamos Maçonaria! Construamos um mundo melhor!

Autor: Jónatas

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

História da Maçonaria em Portugal

Em Portugal a maçonaria instala-se em 1727, por iniciativa de comerciantes britânicos que exerciam a sua actividade em Lisboa. 
Em 1733 instala-se uma segunda Loja em que os seus membros são na sua maior parte Irlandeses católicos. Em 1738 é promulgada a bula de condenação de Clemente XII e a Loja dissolve-se. 
Somente em 1741 se instala uma nova Loja, por acção de John Coustos, lapidário de diamantes, denunciado posteriormente à Inquisição em 1742. Vários membros dessa loja são presos, torturados e condenados. 
A maçonaria reorganizou-se em Portugal entre 1760 e 1770, graças à tolerância do Marquês de Pombal. Instalam-se então Lojas em Lisboa, Coimbra, Valença, Elvas ou Olivença, Funchal e talvez a seguir em Cabo Verde (na Ilha de Santiago), nos Açores (em S. Miguel) e no Porto. 
Após a queda do Marquês de Pombal, em 1777, as perseguições recomeçam e a inquisição e a polícia desmantelam pela segunda vez a maçonaria em Portugal. No entanto, algumas Lojas recomeçam a funcionar em Coimbra e no Porto, a partir de 1793. 
A Ordem Maçónica renasce graças ao desembarque em Lisboa, em 1797, de um corpo de expedição inglês. Em 1798 registam-se três Lojas militares em Lisboa e uma quarta aceitando civis, todas elas filiadas na Grande Loja de Londres.

No início do séc. XIX sente-se a necessidade de reorganizar a Ordem e Hipólito José da Costa desloca-se a Londres em 1802 e aí obtém o reconhecimento do Grande Oriente Lusitano. O juiz Sebastião José de São Paio e Melo é eleito Grão-Mestre. Funcionam em Lisboa oito lojas; existem várias outras em Tomar, Coimbra, Porto, Setúbal, Funchal e no Brasil. 
Em 1809-1810 tem lugar uma nova grande vaga de perseguições, a terceira, que desmantela a maçonaria. Só depois das invasões napoleónicas ocorre o renascimento da Ordem; em 1817 dá-se uma quarta vaga de perseguições que conduz o Grão-Mestre Gomes Freire de Andrade e vários dos seus companheiros ao cadafalso.

Na vanguarda de todos os movimentos progressistas, a maçonaria combateu o absolutismo. É de uma das suas organizações, o Sinédrio, que irrompe triunfante a revolução liberal de 1820. Contudo, pela quinta vez, com o retorno do absolutismo, os maçons são novamente perseguidos, encarcerados e executados. 
Entre 1826 e 1828 assiste-se a um breve renascimento da Ordem, que no entanto não resiste a novas e violentas perseguições miguelistas. Quase todos os maçons ligam-se então a D. Pedro IV, que era maçon e Grão-Mestre da maçonaria brasileira. 
O triunfo definitivo do liberalismo em 1834 conduz os maçons ao poder. A maçonaria portuguesa é então dominada pelo Grande Oriente Lusitano, também chamado Grande Oriente de Portugal entre 1849 e 1859, e pelos seus Grãos-Mestres regularmente eleitos desde 1802. Ocorrem então várias cisões, e entre 1849 e 1867 a maçonaria divide-se em cinco a oito Obediências.

Em 1841 é instalado um Supremo Conselho português dos Grandes Inspectores Gerais do 33.º grau, que autonomiza em Portugal o Rito Escocês Antigo e Aceite (introduzido em 1837). A junção das funções de Grão-Mestre com as de Soberano Grande Comendador institucionaliza-se em 1869 e a maçonaria portuguesa, unida a partir desta data, toma o nome de Grande Oriente Lusitano Unido, Supremo Conselho da maçonaria portuguesa. 
O período compreendido entre 1834 e 1926 corresponde ao apogeu da implantação da maçonaria em Portugal. A sua actividade em todos os domínios da vida nacional é notável. Devem-se-lhe as grandes vitórias das ideias progressistas dessa época: a abolição da pena de morte e da escravatura, a criação de escolas primárias e escolas secundárias técnicas, a generalização da instrução nas colónias, a criação de orfanatos, a luta contra o clericalismo, o embrião da laicização das escolas, a criação de associações promotoras da instrução e da assistência segundo novos modelos, a campanha a favor da obrigatoriedade do registo civil, … Deve-se-lhe também a criação do sistema de jurados. 
Em 1869-1870 os maçons são cerca de 500 irmãos, repartidos por 36 lojas; o seu número atinge o apogeu em 1913, com 4341 irmãos repartidos por 198 lojas e “triângulos”. Em 1864 é instalada a primeira loja de adopção. 
A revolução espanhola de 1868 e a irregularidade que ela induz na prática maçónica, acarretam a integração de dezenas de lojas de toda a Espanha e das suas colónias na maçonaria portuguesa, sob a autoridade do Grande Oriente Lusitano Unido. O mesmo acontece com lojas romenas e búlgaras.

No início do séc. XX a maçonaria portuguesa tem condições para apoiar a constituição da carbonária e desencadear decisivamente a revolução republicana de 1910. A politização que sofre a maçonaria resulta num grande aumento de iniciações. No Parlamento, metade ou mais dos representantes do povo pertence à Ordem, bem como três presidentes da República. Nos sucessivos governos formados até 1926 há numerosos ministros maçons. Devem-se também à maçonaria algumas das medidas progressistas adoptadas pelo regime republicano: a obrigatoriedade de inscrição no registo civil, as leis que autorizam o divórcio, a separação da Igreja do Estado. Mas a aproximação entre a maçonaria e o Partido republicano origina cisões no seio deste; por sua vez em 1914 é a maçonaria que se cinde. Forma-se uma nova obediência, que se chama, em termos profanos, Círculo luso-escocês, a que aderem mais de um terço dos maçons portugueses. 
No final do ano de 1925 as duas obediências encontram uma plataforma de entendimento, unindo-se em Março de 1926. É demasiado tarde para contrariar as forças de direita, porque dois meses mais tarde ocorre o golpe militar de 28 de Maio, que instaura a ditadura. Ainda que a maçonaria tenha gozado de total liberdade de acção até 1929, abatem-se sobre ela sucessivos ataques. Em 1929 o Grande Oriente Lusitano é assaltado pela Guarda Republicana e pela polícia, apoiadas por numerosos populares. Este facto assinala o começo de uma nova e grande perseguição.

Os anos de 1931 e 1935 são, com efeito, sinónimos de discriminação. Em 1935, um deputado do novo Parlamento apresenta um projecto de lei que tem como objectivo proibir as “associações secretas”. Em Maio, a maçonaria é legalmente interdita. Em 1937, é inaugurada uma secção da organização fascista Legião Portuguesa no Palácio maçónico, que é confiscado pelo Estado. 
Apesar disto, o Grande Oriente Lusitano Unido resiste e entra na clandestinidade. O Grão-Mestre Norton de Matos demite-se. Em 1937, cabe ao Grão-Mestre interino, Luís Gonçalves Rebordão, a pesada tarefa de manter a chama durante trinta e sete anos, até ao fim da clandestinidade. Impede assim que a maçonaria portuguesa tenha que se refugiar no exílio. Contudo, o número de lojas diminui para treze e mais tarde, em 1973, para seis. A maioria dos organismos para-maçónicos desaparece ou perde a qualidade maçónica. Durante a Segunda Guerra mundial o Grande Oriente Lusitano Unido está praticamente isolado na luta. No entanto, são entabuladas negociações com as maçonarias britânicas e norte-americana. Em 1941, a constituição maçónica de 1926 está em condições de ser modificada pelo acréscimo de uma declaração de princípios decalcada dos landmarks da Grande Loja Unida de Inglaterra. Mas as obediências anglo-saxónicas marginalizam e ignoram completamente a maçonaria portuguesa, sob o pretexto de não ser reconhecida pelo governo do país. 
Após o Grande Oriente Lusitano Unido ter sobrevivido à revolução do 25 de Abril de 1974 e regressado à luz do dia, o Estado restitui-lhe o Palácio maçónico e paga-lhe uma indemnização. 
Em 1984, tem lugar uma cisão conduzida pelas maçonarias anglo-saxónicas ditas “regulares”, que conduz à constituição da Grande Loja de Portugal (1985-1986). Em 1990 é fundada uma nova Grande Loja Regular de Portugal. A maçonaria “regular” instala, igualmente, um segundo Supremo Conselho. Constitui-se também uma maçonaria feminina, originalmente dependente de França, e autónoma desde 1997, sob o nome de Grande Loja Feminina de Portugal, assim como uma maçonaria do Direito Humano (1980), integrada no correspondente movimento internacional. Constituem-se, igualmente, várias lojas “inglesas” directamente dependentes da Grande Loja Unida de Inglaterra.» 

Apesar das várias vagas de perseguição a que a maçonaria portuguesa foi sujeita, a divisa de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, assim como o seu timbre de Justiça, Verdade, Honra e Progresso e a transmissão dos seus valores de Tolerância, Solidariedade, Trabalho e Paz sempre se têm afirmado e vingado sobre todas estas vagas de intolerância social e religiosa.

A. H. Oliveira Marques e João Alves Dias
Encyclopédie de la Franc-Maçonnerie, Le Livre de Poche, Paris, 2000

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Miguel Torga


"Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores"
Miguel Torga - 1993

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Padrão das Coisas

Lidamos mal com o caos e a incerteza. Por isso, nós, os seres humanos temos a tendência de ver padrões por toda a parte. Faz parte do nosso processo cognitivo. É importante quando tomamos decisões ou fazemos julgamentos ou adquirimos conhecimentos. O homem relaciona-se com o mundo através das coisas e também através delas se relaciona com os outros.

O reconhecimento de padrões é a capacidade de um indivíduo considerar e integrar simultâneamente um complexo de percepções fornecidas pelos nossos cinco sentidos. Muitas vezes essas percepções contém centenas de características. Elaborar uma imagem, um conceito, uma decisão, baseadas na comparação de alguns subconjuntos dessas características ajuda-nos a edificar a nossa estrutura mental e a nossa consciência, sedimentando a nossa própria existência. 


Assim, toda a informação que temos acerca do mundo exterior, e que conseguimos gravar na nossa memória, é-nos trazida pelos nossos cinco sentidos. O mundo como o vemos consiste naquilo que os nossos olhos vêem, os nossos ouvidos ouvem, o nosso nariz cheira, a nossa língua saboreia e a nossa pele sente, sinais estes processados e integrados pela nossa consciência no cérebro. O homem depende apenas destes cinco sentidos desde o nascimento, para a sobrevivência e a reprodução. Só conhecemos o mundo como nos è apresentado por estes cinco sentidos. Por exemplo: a luz viaja dos objectos para o olho e concentra-se na retina. Aqui transforma-se em sinais electricos que são transportados pelos neurónios para o centro da visão, onde se formam as imagens provenientes do exterior. Quando nós dizemos que vemos, o que vemos é o efeito dos sinais electricos no nosso cérebro, interpretados pela nossa consciência e pela nossa alma como padrões anteriormente aprendidos. O mesmo se passa com os outros sentidos que são percebidos e interpretados pela nossa consciência através de sinais. Assim, o nosso cérebro e a nossa consciência não são confrontados com o original da matéria que está no exterior, mas sim com uma cópia dela que se forma no seu interior. Realidade ou ilusão? A realidade e a ilusão só existem dentro de nós. Somos enganados assumindo que estas cópias são casos reais da matéria fora de nós. Parece que estas imagens reais estão repletas de perigos. O problema é mais com a nossa estrutura biológica e a nossa estrutura neural de com a física. Somos prisioneiros dos nossos sentidos, podemos perceber algumas coisas, outras não. Infelizmente, a nossa tendência para ver padrões em tudo pode levar-nos a ver coisas que não existem.

Para interpretar os padrões da natureza e vencer a lei do esquecimento temos utilizado utilizado alguns instrumentos como os números, a matemática, a geometria e a física quântica. Os números encontram-se distribuidos por vários fenómenos da natureza, salientando a necessidade humana de explicar todo o universo com base na matemática. Da multiplicidade de números existentes na natureza podemos evidenciar os seguintes: Phi= 1,618, em recordação do arquitecto Phidias, o número de ouro que exprime o príncipio da vida divina; os números de Fibonacci; o número π (pi)= 3,1416, em recordação de Pitágoras, a constante do círculo e da esfera que se insinua entre o universo construído sobre os símbolos e o número e, em recordação de Euler, a porta aberta em direcção às matemáticas superiores. 
O número de Ouro, também conhecido como rácio dourado, proporção divina ou razão áurea é um dos números mais misteriosos da natureza. Este número irracional e enigmático surge numa infinidade de elementos da natureza na forma de uma razão, sendo considerado por muitos uma oferta de Deus ao mundo servindo de suporte matemático a inúmeros padrões universais.
Temos, assim, à nossa disposição um número que rege tanto a disposição das pétalas de uma rosa, como as dimensões das obras de LeCorbusier, que se esconde nas partituras de Debussy e na Mona Lisa de Leonardo da Vinci, que define a dinâmica dos buracos negros e a estrutura microscópica de alguns cristais. Esse número é número Φ (Phi) ou Divina Proporção. A descoberta deste estranho fenómeno matemático deve-se ao matemático italiano Leonardo Fibonnacci, no principio do sec. XIII. No entanto, o número phi já tinha sido descoberto pelo grego Euclides 1500 anos antes. 
Mas, numa primeira análise, este número não parece ter nada de especial, sendo apenas mais um número. As surpresas começam quando se observam as situações em que ele aparece, como por exemplo, na criação geométrica do retângulo áureo ou rectângulo de ouro, construído a partir de dois segmentos cuja proporção é phi. De igual modo no pentágono regular esconde-se esta mesma proporção. A relação entre os seus lados e as diagonais está também definida pelo número phi. No interior desta figura encontramos igualmente o triângulo áureo. Ao dividirmos ambas as figuras, sucessivamente, em elementos mais pequenos, no seu interior vai-se configurando, uma mesma figura, uma espiral logarítmica, a espiral de Fibonnaci. Esta espiral encontra-se nos mais diversos lugares da natureza: nas flores, nos microorganismos mais diminutos, nas galáxias.

O Pentagrama é o exemplo mais eloquente da aplicação da regra de ouro. Escondido dentro do Pentagrama está o segredo da criação do rectângulo de ouro que os gregos admiravam pelas suas proporções mais belas e pelas suas qualidades mágicas. Para eles o rectângulo de ouro representava a lei da beleza matemática, presente na arquitectura clássica e na escultura. Nos séculos seguintes o rectângulo de ouro dominou o conceito de beleza em toda a arquitectura ocidental. A Catedral de Notre Dame é um exemplo notável. Também, os pintores renascentistas conheciam bem esse segredo.
Um outro exemplo é o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, resposta gráfica para um desafio matemático formulado por Vitrúvio (arquiteto e engenheiro romano que viveu no Séc. I a.c.) . Segundo ele, a construção de um Templo deveria ser baseada nas proporções do homem consideradas divinas. Assim, aplicando a razão áurea na escala do desenho do corpo humano, o movimento em cruz determina os lados do quadrado, o movimento em estrela delimita o círculo. A área total do círculo é igual à área total do quadrado e estão dispostos de tal forma que as suas proporções podem ser utilizadas como base do algoritmo matemático que calcula o número de ouro phi. E, então, como por magia, o problema da quadratura do círculo é resolvido por um simples movimento do corpo humano.
Da Vinci acreditava na perfeição da figura humana e considerava as medidas e o funcionamento do corpo humano, como uma analogia das medidas e funcionamento do universo, todos interligados pela proporção do número de ouro,

O Templo construído segundo a Geometria Sagrada é um ser vivo, algo que respira, que tem pulso, está envolto numa energia e numa electricidade peculiar. É um organismo organizado, no qual todas as suas partes se interrelacionam e se integram naturalmente com os seus habitantes. Transcende o carácter realista do mundo e penetra na estrutura íntima e matemática do universo, em aparente contradição com o seu arquético, o Templo interior do ser humano. 
O Templo Maçónico é considerado como uma imagem simbólica do homem e do Mundo e uma aplicação exemplar da Geometria Sagrada. Os oficiais da loja, situam-se perfeitamente nos vértices de um hexagrama (o símbolo de Salomão). O Venerável e os dois vigilantes que dirigem a loja, formam o triângulo ascendente; o Orador, o Secretário e Guarda Interno, que organizam a loja, formam o triângulo descendente. Podemos distribuir igualmente os oficiais nos vértices de um pentagrama, de acordo com a importância da lojas. 
De igual modo, se colocarmos um homem em decúbito dorsal, no rectângulo dourado que é o Templo Maçónico, a cabeça é o Venerável, os seus braços são o Orador e o Secretário, as suas mãos o Tesoureiro e o Hospitaleiro as suas pernas e os seus pés os dois Vigilantes.

No Templo Maçónico inscrevem-se com facilidade as colunas do Zodíaco. O Zodíaco foi um progresso fundamental para o nosso conhecimento do Universo, a descoberta da precessão dos equinócios, que funciona como um imenso relógio cósmico, necessitou de milhares de anos de observações. Todos os meses , o Sol passa em frente das doze constelações que formam o Zodíaco. No Templo, as Doze Colunas Zodiacais estão situadas no Ocidente, estando seis no lado Norte, onde têm assento os Aprendizes, e seis no lado sul, onde têm assento os Companheiros. De um modo geral, essas Colunas simbolizam o caminho iniciático do Aprendiz, Companheiro e Mestre, resumido pelo “desbastamento da pedra bruta”, ou seja, o seu aperfeiçoamento moral e espiritual. 
Os Signos Zodiacais, assim como todos os mitos solares e agrários da Antiguidade, representam a morte e o renascimento anual da Natureza. Pode imaginar-se que tudo começou em tempos imemoriais, quando o homem, em vigília a zelar pelos rebanhos, observava os corpos celestes no firmamento intrigando-se com os seus movimentos regulares. Percebeu então que lenta e precisamente os astros mudavam de posição em relação ao nascer do Sol, e que depois de determinado tempo voltavam com absoluta regularidade ao mesmo ponto no firmamento desenhando um padrão celeste absolutamente divino.

A Astrologia e a Astronomia podem ser definidas como sistemas simbólicos que relacionam o macrocosmo (os Planetas) e o microcosmo (o indivíduo na Terra), tornando o Templo um Universo ainda mais completo e complexo. No seu interior, a localização dos lugares dos Oficiais é rigorosamente obtida através da geometria sagrada, demonstrando que a simbologia maçónica, assim como todos os simbolismos tradicionais possuem uma polivalência e uma universalidade que é necessário conhecer para nos iniciar no estudo da origem e do sentido da vida. 
Até mesmo quando o segundo vigilante, em esquadria perfeita com o primeiro vigilante e o Venerável Mestre, sob o patrocínio de Vénus observa, a janela do Oriente que transporta os primeiros raios da alvorada e o renovar da actividade dos trabalhos, a janela do meio-dia que emana força e calor quando o Sol atinge com todo o seu esplendor o Templo e a janela do Ocidente que dá uma luz a cada passo mais enfraquecida e que incita ao fim dos trabalhos e ao repouso, o padrão cósmico se repete.

Os trabalhos dos Maçons começam simbolicamente ao meio dia e terminam à meia noite. Os aprendizes são colocados ao Norte porque necessitam de ser iluminados; recebem assim a luz plena da janela do Meio-dia. Os Companheiros, colocados no Meio-dia, não têm necessidade de tanta luz e a sombra produzida pelo muro do Templo ilumina-os de forma adequada. Na mesma ordem de ideias salienta-se que o Venerável e os seus assessores recebem de frente a luz do crepúsculo. Por outro lado, os Vigilantes são alertados desde a alvorada pelos primeiros raios do Sol, num ritual cósmico que se repete diariamente, mensalmente, anualmente. Sempre assim foi e será.

Autor: Louis Pasteur

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dizes-me

Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta?  Não sei.
Sou diferente.  Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.

Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada.  Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um Longo Caminho

A Loja é essencialmente o lugar onde se ensina pela Palavra e onde se busca a Luz, que, em Maçonaria, é um termo que se refere ao conhecimento iniciático. “Conhecer a Luz” é conhecer a verdade, adquirir a consciência da força espiritual. A Luz representa a perfeição na tarefa pessoal a que deve aspirar qualquer Maçom, está ligada ao conceito de viagem, de aproximação, de busca. Por isso o processo de Iniciação é a passagem da noite para a luz, da morte para a vida.

A Iniciação expressa uma experiência humana, do mesmo modo que a poesia, a literatura, a arte, a filosofia, também traduzem experiências humanas. Neste aspecto, são numerosas as obras do génio humano que ensinam ao homem prisioneiro de uma situação como deve dela libertar-se rumo à verdade e à luz.
Um Maçom só pode chegar à verdade, à luz, através de todo um percurso que lhe cabe caminhar em sua própria companhia – caminho difícil e sombrio, caminho de sombras veladas mas também de brilhos intensos, de penumbras dos mais variados matizes.
Submersos no caminho das sombras iniciadas para se chegar a apreender a verdade da luz, passa-se pela experiência da Câmara de Reflexão. E uma vez retirada a venda dos olhos, apercebemo-nos de uma luz débil que debilmente ilumina o que nos rodeia, que nos recorda a passagem da morte para a vida, que nos alerta para o compromisso que estamos a ponto de tomar. Luz e cor são valores que comportam a beleza dos espaços, dos objectos iluminados. Por isso os metais são mais valiosos quando brilhantes – que é a qualidade da luz. Não é em vão que o ouro é o representante máximo do brilho da luz, luz essa que outorga o grau de beleza na percepção medieval do valor estético.
Despojado dos metais, desprovido de recursos, fica o profano face ao olhar atento da sua sombra, da sombra do seu passado. Chegam-lhe vozes de pessoas sem rosto.
E assim o processo de formação de um Maçom começa pela própria análise da sua sombra, da sua origem, desprovido de brilhos desnecessários que perturbem a imersão numa profunda análise dos seus deveres para com os demais e da realização do seu testamento filosófico, que não é mais do que uma declaração crítica das suas intenções, ainda reconhecidas de forma sumária, sob a sombra de uma vela.
Quando lhe é perguntado o que procura e o candidato humildemente responde “a Luz”, essa Luz constitui um tesouro de conhecimentos concentrados nas lições de Sabedoria, Força e Beleza, na sua luta perene contra a ignorância, no combate contra os vícios e em prol das virtudes capitais contra a preguiça, o egoísmo, a avareza, a ira, a gula, a luxúria, a idolatria, a prepotência, o narcisismo, a egolatria, o fanatismo e o desejo desmedido de bens materiais.

Enfim, um caminho longo, cujo início sabe sempre bem recordar…
 

Autor: Álvaro

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Solstício de Inverno 2012

Solstício de inverno.
Aqui estou novamente a festejá-lo
À fogueira dos meus antepassados
Das cavernas.
Neva-me na lembrança,
E sonho a primavera
Florida nos sentidos.
Consciente da fera
Que nesses tempos idos
Também era,
Imagino um segundo nascimento
Sobrenatural
Da minha humanidade.
Na humildade
Dum presépio ideal,
Emblematizo essa virtualidade.
E chamo-lhe Natal.

Miguel Torga (1982)

sábado, 15 de dezembro de 2012

104.º Aniversário da Respeitável Loja Estrela D'Alva

O nome “Estrela d’Alva” foi dada pela primeira vez em Portugal a esta Loja, em Coimbra, no ano de 1871 e manteve a sua actividade até 1873.  
Mais tarde, em 1908 retomou a sua actividade com o n.º 289, o que indicava que era regular e estava inscrita no Grande Oriente Lusitano. Em 1919, ao Vale de Algés, instalou-se em Lisboa trabalhando regularmente e mantendo o Rito Escocês Antigo e Aceite. Em 1937, fez uma incursão pelo Rito Francês. Finalmente, em 1945 adoptou definitivamente o REAA, mantendo a sua actividade ininterrupta até à presente data.  
A sua existência foi quase toda passada na clandestinidade, no entanto, manteve sempre o seu trabalho e as colunas erguidas até ao 25 Abril de 1974. Após, esta data histórica para o povo português, apresenta-se a trabalhos ao Grande Oriente Lusitano e em 11 de Dezembro de 1974, neste Palácio, realiza a primeira sessão em Liberdade com a presença de 16 Obreiros que vinham todos da clandestinidade.  
Tem como divisa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade, como desígnio: Pátria e Liberdade e como timbre: ‘’Augusta, Benemérita e Respeitável Loja Capitular, Areopagita e Consistorial Estrela D’Alva n.º 289 sob os Auspícios do Grande Oriente Lusitano”.  
Nestes anos de trabalho existiram múltiplos acontecimentos, como a Implantação da Republica, Estado Novo e a sua Ditadura, a privação da Liberdade e dos Direitos Humanos, a clandestinidade, uma guerra colonial, o alvorecer da Liberdade em Abril de 74, entrelaçando-se com a história do Grande Oriente Lusitano e da Maçonaria Portuguesa.  
Muitos dos seus Obreiros, abnegadamente, com empenho, com sacrifício da sua vida, mesmo correndo vários perigos com a ditadura, entregaram-se à causa da Maçonaria e nunca hipotecando sua cidadania e a defesa intransigente dos Direitos Humanos, vieram a exercer vários e importantes cargos em Loja e nos vários órgãos Grande Oriente Lusitano, salientando aqui os mais recentes:  
- João Carlos Costa, VM e Órgãos do GOL de 1919 a 1931. 
- Raul Weelhouse, VM e Órgãos do GOL de 1931 a 1944. 
- Luis Bettencourt, VM e Órgãos do GOL de 1944 a 1988. 
- José Pascoal Gomes, 55 anos de Iniciado, Vários Órgãos GOL, Social, Obras Palácio. 
- António Reis, Grão Mestre GOL de 2005 a 2011. 

Todavia, este caminho não é fácil de seguir, durante o percurso da Maçonaria em Portugal houve perseguições, condenações à fogueira, morte, ditaduras, castramento da Liberdade, privação dos Direitos Humanos, e muitos Maçons pagaram com a sua própria vida a defesas destes ideais e valores.  
Desde 1727 que há Maçonaria em Portugal e o Grande Oriente Lusitanos existe desde 1802, a título de exemplo, vamos nomear alguns entre muitos:  
1742 - Jonh Coustos – denunciado à Inquisição, ele e vários membros da Loja são presos, torturados e condenados; 
1817 - Gomes Freire de Andrade – e vários Companheiros são presos, torturados, condenados, conduzidos ao cadafalso e fogueira; 
1820 – Com o retorno do absolutismo, os maçons são perseguidos, encarcerados e executados; 
1921 – Machado Santos, António Granjo, Carlos Maia - Um comando monárquico, fazendo-se transportar na “camioneta fantasma” durante a “noite sangrenta” procede a liquidações de proeminentes figuras republicanas. 
1929 – O Palácio Maçónico é assaltado pela Guarda Republicana e Policia – nova e grande perseguição;
1935 – O GOL resiste à lei de proibir “associações secretas” passa à clandestinidade; 
1937 – O Palácio Maçónico e confiscado e entregue à fascista Legião Portuguesa;  
Talvez, agora, compreendam melhor a ameaça que paira na actualidade de algumas vozes que querem que os maçons se declarem como tal, exigência essa só feita aos maçons, esqueçam propositadamente, as restantes organizações, ordens, clubes ou religião. Com esta intenção reiterada, seria ferido o principal direito dos cidadãos: o direito à livre associação e descrição.  

Também, neste caminho não pode ser esquecido o papel, actividade e acção de muitas mulheres que desde sempre lutaram por ideias de igualdade, direitos cívicos, direitos sociais, direito ao trabalho, direito ao salário, essas mulheres maçons, estiveram na primeira linha do combate e ombrearam com os homens maçons na luta por estas conquistas. 
Muitas delas iniciaram o seu caminho sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano, com destaque, entre muitas outras: Carolina Beatriz Ângelo, Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Maria Veleda. 
Sabemos até que Carolina Beatriz Ângelo e Adelaide Cabete foram depositárias da confiança de seus pares revolucionários a quem estes confiaram o segredo da conspiração republicana. Assim, Carolina e Adelaide coseram as primeiras bandeiras republicanas, que haveriam de ser desfraldadas após a vitória da revolução, ondulando as cores verde e rubra que até hoje permanecem como símbolo nacional. 

Quase certo, que as notícias que vos chegam, através dos órgãos de comunicação social são bem diferentes desta prestigiante história. Só vos chegam as notícias ou de possíveis maçons que tiveram um comportamento ao arrepio do que agora tiveram conhecimento ou de “maçons” com atitudes e acções criminosas, mas a história não pode ser apagada ou reescrita. A actividade da Maçonaria em todos os domínios da vida nacional é notável. Devem-se-lhe as grandes vitórias das ideias progressistas: a abolição da pena de morte e da escravatura, a criação de escolas primárias e escolas secundárias técnicas, a generalização da instrução nas colónias, a criação de orfanatos, a luta contra o clericalismo e a separação do Estado da Igreja, o embrião da laicização das escolas, a criação de associações promotoras da instrução e da assistência segundo novos modelos, a campanha a favor da obrigatoriedade do registo civil, promoção e divulgação dos grandes vultos de Portugal, as leis que autorizam o divórcio, a reformulação do código civil e comercial … Deve-se-lhe até a criação do sistema de jurados na justiça.   
Com certeza, que há maus maçons, alguns que escaparam à rigorosa selecção que é praticada, alguns que por interesses alheios e contra os valores e princípios dos bons costumes, sim há, poucos entre muitos, mas em quase 300 anos de Maçonaria moderna esses maus maçons serão escorraçados do Templo e mais cedo ou mais tarde serão afastados e apontados como os maus companheiros.  

Os maçons, procuram a verdade universal, sobrepõem a espiritualidade ao materialismo, defendem a liberdade e os direitos humanos, a intimidade e convicções pessoais, solidários com os desfavorecidos, querem a fraternidade entre os homens, tolerantes, de isenção política e religiosa, em democracia anseiam a paz entre os povos, defendem a natureza e o universo, buscam o aperfeiçoamento individual na construção do seu próprio templo interior.  
Amados e odiados, temidos e cobiçados, os maçons desde sempre foram perseguidos, e desde sempre resistiram às maiores atrocidades cometidas contra si, perpetuando no tempo a sábia espiritualidade, as colunas dos seus Templos e irradiaram a Luz dos seus valores no Mundo. 

Desde 1908, a Respeitável Loja Estrela D’Alva conta com 104 anos de trabalho regular e apesar de várias perseguições o testemunho foi passando por gerações, numa cadeia de elos formada por homens de todas as condições, na senda dos antigos usos e costumes da Ordem maçónica, em busca do aperfeiçoamento moral e intelectual do individuo e da sociedade, na procura de Verdade, Honra e Progresso e na transmissão dos valores de Tolerância, Solidariedade, afirmando-se contra a injustiça, a intolerância social e religiosa, a corrupção, a falta de ética e moral, as desigualdades sociais e enaltecendo o Mérito, o Trabalho e a Paz. 

Autor: Júlio Verne