terça-feira, 27 de maio de 2008

Tolerância

Na análise de ponto de vista da sociedade, a tolerância é no fundo a capacidade de uma pessoa ou até de um grupo social de aceitar, noutra pessoa ou também no outro grupo social, uma atitude diferente das atitudes que são norma no seu próprio grupo. Ser tolerante, tem muito a ver com a auto-estima que habita em cada um de nós, e alguém que necessite de se auto-afirmar a cada momento não poderá nunca praticar a tolerância. Admitir as diferenças com a tolerância em nós é aceitar que existam tantas verdades quantas pessoas existam. Não devemos confundir a verdade do outro com a nossa realidade, porque cada um tem a sua realidade, ou seja, aquilo que vive. O que outro vive é a realidade para o outro, para mim é apenas verdade e não é o que eu vivo.
Às vezes é comum ouvir-se: «A minha realidade é outra». Aceitar que outras pessoas possam pensar, agir e até viver diferente de si mesmo, é compreender isso e principalmente, respeitar o outro na sua forma de ser. Ser tolerante trás consigo a benevolência, que é sempre expressa de uma forma positiva e benéfica de ver as coisas e as pessoas. No fundo ser tolerante é ter uma visão positiva da vida e do ser humano, é compartilhar em todos os sentidos, em todos os segmentos das nossas vidas. Ser tolerante é uma das condições básicas para que ocorra uma boa comunicação entre duas pessoas ou mais pessoas, entre várias comunidades, credos etc.
O tolerante deve expor sempre com cuidado as suas ideias, buscando assim o convencimento e a persuasão. O tolerante deve estar sempre apto a receber ideias diferentes e aproveitá-las, fazendo enriquecer assim o seu mundo experimental, e até aproveitar para mudar a sua forma de viver em Sociedade ou até consigo próprio. Nos meios em que a tolerância predomina, as pessoas crescem de uma forma constante e convivem harmoniosamente entre si, é a pura prática da cooperação colectiva, assim nunca haverá espaço para posições individualistas e egoístas. Mas, atenção, ser tolerante não é admitir ou permitir qualquer tipo de situação ou comportamento, mas sim não ser intransigente e intolerante com tudo e todos, sem nem mesmo reflectir no que se está a ser debatido. Quem possuir uma visão tolerante das coisas e das pessoas, possui também calma e maior domínio de si mesmo para lidar com os obstáculos da vida, com isso busca superá-los sem actos de desespero e age sempre sem ferir outros.

Faça uma experiência: Levante-se com uma postura tolerante, olhe para os acontecimentos diários da sua vida em sociedade e pense que você está ali preparado para resolver todos os obstáculos que outrora o incomodavam e constate a diferença nos resultados que irá obter.
Tolerância, é viver com harmonia, alegria e respeito pelo próximo.

Autor: Gonçalves Ledo

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ícaro: Levantar voo…

Voar, é um objectivo, uma vontade, que invade o espírito de Homem desde os primórdios da humanidade, nenhuma cultura nega essa vontade e o céu foi sempre um lugar especial, a morada dos deuses ou um universo cheio de mitos e lendas desenhados nas constelações. Outrora, era um lugar cheio de divindade somente alcançado por homens especiais e homenageados pelos deuses.
O acreditar, o delinear objectivos e sem duvida a vontade de vencer limites, barreiras levou o Homem a encontrar meios de atingir o céu e tornou-o parte do nosso quotidiano, uma realidade que uniu culturas e facilitou o desenvolvimento da Humanidade. Um exemplo desse desejo é a interessante história sobre Dédalo, relatada na mitologia grega.
“Ícaro era filho de Dédalo, o construtor do labirinto que o rei Minos aprisionava o Minotauro, um ser com corpo de homem e cabeça de touro. A lenda grega conta que Dédalo ensinou Teseu, que seria devorado juntamente com outros jovens pelo monstro, como sair do labirinto. Dédalo sugeriu que ele deveria utilizar um novelo que deveria ser desenrolado a medida em que fosse penetrando no labirinto. Dessa forma, após ter matado o monstro ele conseguiu fugir do labirinto. O rei Minos ficou furioso e prendeu Dédalo e o seu filho Ícaro no labirinto. Como o rei tinha deixado guardas a vigiar as saídas, Dédalo construiu asas com penas dos pássaros colando-as com cera. Antes de levantar vôo, o pai recomendou a Ícaro que quando ambos estivessem voando não deveriam voar nem muito alto (perto do Sol, cujo calor derreteria a cera) e nem muito baixo (perto do mar, pois a humidade tornaria as asas pesadas). Entretanto, a sensação de voar foi tão estonteante para Ícaro que ele esqueceu a recomendação e elevou-se tanto nos ares a ponto da previsão de Dédalo ocorrer. A cera derreteu e Ícaro perdeu as asas, precipitando-se no mar e morrendo afogado.”A realidade torna impossível de facto, voarmos com asas como imaginou Dédalo, o ser humano não consegue voar batendo asas porque ele não tem força física suficiente para levantar o seu peso. Há outras maneiras de nos fazer voar, muito mais eficientes, para voarmos é importante encontrarmos meios e coragem para levantar voo nunca esquecendo a prudência necessária que permita a uma calma e tranquila aterragem.
O Homem por acreditar, cruzou os céus e não deve esquecer estas asas, deve sim interiorizá-las como sendo as da imaginação humana que, ao tentar obter o que lhe parece impossível, acaba sempre por criar novos, e mais ousados, objectivos. Por acreditar na liberdade de pensamento e na concretização e materialização dos nossos projectos e objectivos, fundamentado em valores que validaram esses propósitos que renasci Ícaro.
As asas, o acreditar, vão dar-me força e coragem para voar mais alto de forma ponderada e evitar acções impensadas e precipitadas que me levem a aterragens bruscas ou desastrosas.
Tendo o mito em mente, torna-se mais claro que deveremos sempre pensar nas consequências reais dos nossos actos e o impacto que eles possam vir a ter na vida de terceiros e da nossa família.
Enquanto que a ousadia de Ícaro é certamente um dos mais importantes aspectos da mente humana, é também necessário viver com a prudência de Dédalo, sem a qual algumas decisões se podem tornar muito perigosas. Há que saber quando se deve arriscar e quando se devem retrair os impulsos curiosos.
Por acreditar nas minhas asas e a coragem as fazer levantar voo que me apresento com todo o agradecimento de me ter sido dada a oportunidade de com elas poder fazer parte desta família que acredita em voos tão grandiosos como tornar este mundo, num mundo melhor com base na Liberdade, Fraternidade e Igualdade.
Por acreditar renasci Ícaro.

Autor: Ícaro

terça-feira, 13 de maio de 2008

A Maçonaria e o seu Ritual

É natural que se pergunte qual o sentido do ritual Maçónico neste novo século. De alguma forma, para quem não o vive, trata-se de um mistério que leva a grandes equívocos e, por vezes, a especulações pouco exactas e quase sempre depreciativas.
A verdade é que é difícil para um não Maçon sentir e compreender algo que nunca viveu e que não encontra equivalente em mais nenhuma outra experiência espiritual e social seja a nível individual ou a nível colectivo.
Vivemos numa sociedade em que somos bombardeados em permanência pela existência do conflito, da injustiça, pela barbárie. Neste contexto, ser-se Maçon é tomar o partido dos grandes valores da Humanidade, combatendo através da prática quotidiana o lema fundador da Maçonaria: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
Assim, o Maçon enfrenta de forma gradual, iniciática, um sistema de símbolos e sinais que ao serem vividos na sua plenitude o preparam para uma vivência elevada, tornando-se capaz, num trabalho constante de auto-aperfeiçoamento, de constituir um núcleo de seres livres, permanentes construtores de um Templo de Paz e Dignidade no seio da sociedade em que se movimentam.
Desta forma, o ritual Maçónico é, essencialmente, um momento de descoberta, do indivíduo entre pares, de permanente inovação e criatividade onde através de movimentos cuidados, palavras específicas, silêncio e melodia se edifica criteriosamente um trabalho poético pleno de força, sabedoria e beleza.

Para cada Maçon a vivência do ritual revela-se de forma diferente. Cada símbolo, cada palavra dita, ecoa de forma diferente consoante aqueles que participam dessa sessão conjunta de homens na senda da Liberdade.
Gradualmente, cada detalhe ganha novas formas, novas leituras e sentidos. Nada é mecânico ou uma simplista repetição. Da mesma maneira que todos os dias estamos despertos para diferentes pontos da nossa vida, em cada sessão somos chamados e engrandecidos com surpresa para novos aspectos do ritual. O Maçon torna-se um investigador de si próprio, penetrando no seu ser mais íntimo como se entrasse num intricado bosque no qual vai aprendendo a orientar-se.
Fazendo mais uma vez referência a este mundo de agressividade, hoje como sempre a Maçonaria e o seu ritual simbólico surgem como uma resposta profunda e consistente, unindo mãos numa gigantesca cadeia.

Autor: Hugo Pratt

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ser Maçon

Ser Maçon, é ser homem de bons costumes;
Ser Maçon, é ser livre.
Ser Maçon, é ser fraterno.
Ser Maçon, é ser tolerante.
Ser Maçon, é estar preparado para desbastar a pedra bruta, preparando-se assim para combater a tirania, vencer a ignorância e os preconceitos;
É este o trabalho de um Pedreiro-livre, transformar a pedra bruta numa pedra talhada para que assim se possa atingir a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

Autor: Gonçalves Ledo

terça-feira, 29 de abril de 2008

A Pedra

O distraído nela tropeça.
O bruto usa-a como projéctil.
O empreendedor utiliza-a para construir.
O camponês, cansado da lida, dela faz assento.
Para os meninos, é brinquedo.
Com ela David matou Golias.
Miguel Ângelo dela extraiu a mais bela escultura.
Em todos esses casos, a diferença não está na pedra, mas no Homem.
Não existem pedras no caminho de um Maçon que ele não possa aproveitar para o seu próprio crescimento.

Elaborado por: Álvaro

terça-feira, 22 de abril de 2008

As noites de Inverno são longas

Os anos já lhe pesavam nas pernas e o tempo húmido e frio não ajudava nada. Mas ele não era dos que desistem facilmente. Com passos vagarosos ia subindo a rua. Há muito que a noite tinha estendido o seu manto negro sobre a cidade. Não se via muita gente nas ruas. As molas de um velho autocarro chiavam com os solavancos do piso irregular. Dava para perceber que o motorista evitava os carris do eléctrico, pois aí o perigo de derrapagem aumentava ainda mais. Lá dentro, meia dúzia de passageiros olhava distraidamente para a rua.
Teve de parar um pouco para respirar. Havia contudo outro motivo para a sua paragem. Queria certificar-se de não estar a ser seguido. No passeio por onde subia a íngreme rua não se via ninguém a caminhar na mesma direcção. Ficou mais descansado. No entanto, mal pôde, dobrou uma esquina e depois de caminhar alguns metros, voltou a parar olhando discretamente para trás. Retomou a marcha, mas pelo sim pelo não, depois de voltar a mudar de rua repetiu a paragem.
À medida que caminhava, vinham-lhe à memória cenas que gostaria de nunca mais voltar a viver. Ele que criticava todas as ideologias radicais, ele que apenas queria que no seu país houvesse justiça, liberdade de expressão e menos pobreza, tinha sido expulso do ensino público só porque tinha sido um dos subscritores de um abaixo-assinado. Ao fazê-lo entrava para a lista negra dos “perigosos comunistas” e passava a ter de viver com os magros proventos das explicações que dava.
Pensou nos amigos que o esperavam. Um tinha sido desterrado para centenas de quilómetros da cidade alentejana onde tinha nascido e onde sempre tinha vivido e exercido a profissão. Só de lá tinha saído para estudar direito. Motivo: ter-se assumido como republicano num país que oficialmente continuava a ser uma república! Agora, reformado, sempre que podia vinha à capital para se encontrar com os amigos.
Apesar da idade, o médico ainda tinha de trabalhar. Não tendo direito a qualquer reforma, se não fosse dando as suas consultas não teria forma de se sustentar a ele e à mulher que a diabetes tinha cegado.
Quem lhe tinha feito mais confusão era o graduado da polícia. Fazia uma vida dupla. De dia fingia ser o mais fiel dos seguidores do ditador. De noite, reunia-se com os resistentes. De início receavam-no, mas depois de anos de convívio, tinham total confiança nele, até porque por mais de uma vez os tinha avisado da eminência de mais alguma vaga repressiva.
O velho marujo era o que mais vezes sentia o maravilhoso sabor da liberdade… a ditadura não conseguia proibir o vento de trazer o cheiro a maresia. Tinha andado num seminário, mas fartara-se e o chamamento do mar tinha sido irresistível. Já o tinham tentado apanhar com as artimanhas em que o regime era fértil, mas sem sucesso. A última tinha sido a de obrigar os seus homens a irem a uma manifestação favorável ao regime que se tinha sentido em perigo com a candidatura de um general sem medo. Habituado a lidar com as fúrias do oceano, lá se conseguiu escapar airosamente: teve de zarpar na véspera da manifestação “espontânea” devido a um aviso meteorológico…
Não bastando a mais do que evidente cumplicidade da alta hierarquia da Igreja nacional com o ditador, há muito que as ordens de Roma eram claras: nenhum crente podia pertencer a uma organização como aquela que os unia sob pena de excomunhão. Mas o padre João não se preocupava e dizia que respondia directamente perante o Criador. Só queria que o pesadelo em que o país estava mergulhado havia décadas acabasse. E ele bem sabia do que falava, pois passava a maior parte do tempo a tentar acudir aos mais necessitados. Mas era tão pouco o que tinha para lhes dar…
É verdade que naquele grupo predominavam os “doutores”, por isso os dois que pouco mais sabiam do que ler e escrever eram especialmente acarinhados. Um era motorista da Carris e o outro ferroviário. Homens calejados pela vida desejavam um futuro mais justo para os filhos e os netos.
Pensou no que iriam falar nessa noite. Havia muitos boatos, mas parecia certo que a polícia política tinha armado uma cilada ao General e que o teria assassinado. À hora combinada chegou a casa do amigo. Desta vez calhava-lhe a ele ser o último. Tinham de chegar um a um, discretamente. Subiu com esforço até ao primeiro andar. A cada degrau, as artroses dos joelhos causavam-lhe dores.
Pareceu-lhe que havia um silêncio mais pesado do que era habitual. Devia ser impressão sua. Como sempre, deu três discretas pancadas na velha porta. A voz que ouviu fez-lhe parar o sangue: «é só um momento».
Dez minutos depois aqueles homens bons e honrados que apenas queriam que o seu país vivesse em paz e que no mundo inteiro reinassem a liberdade, a igualdade e a fraternidade, lá iam a caminho de uma masmorra…

Viva o 25 de Abril





Autor: Carl Sagan

Memórias de uma rua

Desde pequeno que eu adorava lá passar uns bocados. Por vezes, eram mesmo várias horas. Até porque, para além da agradável companhia de pessoas da família, tinha oportunidade de ler (de borla!) as revistas de banda desenhada acabadas de sair… Além disso, dali podia sentir o burburinho da cidade, ver as pessoas a passar. Havia sempre tanta gente! Da porta da minúscula loja eu avistava facilmente a Praça da Liberdade e até a Torre dos Clérigos. E quando lá estava com o meu avô, era garantido que, mal chegasse o meu tio para o substituir, se seguia um petisco na rua sombria que ladeia a estação de S. Bento.
Já me não lembro quando me terão ensinado o nome da rua, mas não tardei a sentir que havia ali algo de estranho. De facto havia muita gente que se enganava e lhe chamava 31 de Janeiro. Cá por mim, tanto me fazia, afinal o nome Santo António dizia-me tanto como aquela data. Acabaram por me dizer que, todos os anos nesse mesmo dia, a minha avó queria a loja fechada mais cedo por causa da tinta azul. Tive de insistir para que me explicassem o que era isso da tinta azul. Lá fiquei a saber, no maior dos segredos, que era a polícia que atirava jactos de água com tinta azul às pessoas que eram do “contra”. E a água, para mais com tinta, estragava as revistas e os jornais… Além disso, as pessoas, ao fugirem apavoradas, podiam esconder-se na loja e, se os polícias lá entrassem, o mais certo era partirem tudo e baterem em toda a gente. Por isso estava decretado: «31 de Janeiro, dia de fechar cedo».
Também me lembro do meu tio, impressionado, descrever ao meu pai a violência com que a polícia batia nas pessoas que lá na rua gritavam «Viva a República». Fiquei calado, mas confuso. Então Portugal não era uma República? Até tinha um Presidente. É verdade que, quando davam os discursos dele na televisão, ninguém prestava a menor atenção… Havia qualquer coisa que não batia certo, mas eu, com os meus 10 anos, tinha mais com que me entreter.
Um dia, já eu era mais crescido, ia a descer a rua, quando notei alguma agitação. Motas da polícia abriam caminho e, logo atrás, ia um carro muito grande. Lá dentro, o tal Presidente. Nunca me esquecerei de que muitos transeuntes, só de o verem, começaram a bater palmas. Eu, que nada percebia de política, achei que não tinha qualquer lógica aplaudir só porque um sujeito ia a passar… Quando contei isto à minha avó, ela disse-me que era melhor a gente bater palmas, porque nunca se sabia quem nos estava a ver. Isto ainda me impressionou mais…

Viva o 25 de Abril

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 15 de abril de 2008

Gonçalves Ledo

Fazer a interiorização deste nome, não me foi difícil pois, como disse estou a falar de sangue do meu sangue, nas suas virtudes que se superiorizam, pelo carácter, pelo agente libertador de certezas, pelo agente libertador do seu povo, pela sua brilhante frontalidade com actos e palavras, com o seu carácter de homem de bons costumes, pela sua lisura e transparência, mas sempre amigo do amigo. É isso que me faz sentir perto deste homem, que de forma marcante lutou pela libertação do seu povo da opressão da monarquia, que tanto escravizou um povo notável como o povo brasileiro irmão. Muito me honra falar deste homem, responsabilizando-me ainda mais sobre esta querida sociedade maçónica, passando-me o seu legado para dele fazer aqui fazer jus.
Traçar linhas acerca de Gonçalves Ledo é uma tarefa agradável, tendo em vista a importância deste estadista e Maçom na Independência do Brasil. Nome esquecido nos meios académicos, não podemos deixar de render-lhe estas homenagens e dar-lhe, na História do Brasil, o papel que lhe é devido. As datas que aqui transmito podem não ser as exactas, porque na pesquisa histórica levada a cabo, elas são contraditórias, peço por isso desculpa caso exista alguma imprecisão.

A 11 de Dezembro de 1769, nasce no Brasil, Joaquim Gonçalves Ledo, filho de comerciante abastado e já destinado a ser doutor em Leis. Em 1800, parte para Portugal, para estudar em Coimbra, sendo que, por força da morte de seu pai, volta ao Brasil, interrompendo os seus estudos. Em 15 de Novembro de 1817 é instalada no Rio de Janeiro a Loja Maçónica Comércio e Artes, sendo certo que, em 1818, havia enviado uma carta a seu irmão, que estudava medicina em Londres, afirmando a sua intenção de fundar no Brasil a primeira Loja, "que será o centro de propaganda liberal do Brasil". Gonçalves Ledo foi iniciado na Loja Comércio e Artes, a Primaz do Grande Oriente do Brasil, não podendo haver uma precisão de datas em virtude da destruição de documentos à época. Em 30 de Março de 1818, D. João VI, por Decreto, proíbe a existência das "sociedades secretas" e, com isso, são encerradas as actividades da Loja.
Relativamente à participação de Gonçalves Ledo no processo de independência do Brasil e na Maçonaria, narra-se o seguinte: «…F. Soares, representante da Maçonaria em São Paulo, descreve a "Joaquim Gonçalves Ledo, Venerável da Loja Comércio e Artes", os acontecimentos, daquele dia, quando os Maçons paulistas depuseram João Carlos Augusto Oyenhausen, presidente de São Paulo, que representava o governo português: "A confiança que V. S. depositou no Conselheiro, e nos Coronéis Lázaro, Lobo, Inácio e outros, foi imerecida. O novo governo já começou, como primeiro acto, a perseguição aos maçons que não concordaram com o Conselheiro José Bonifácio. Reunimo-nos na casa do patriota José Inocêncio Alves Alvim. Tanto ele, como o irmão Ledo, foram fiéis até o último instante e, por isso são alvos dos outros que são traidores…”
Apesar de problemas nacionais e outros envolvendo Irmãos, a 24 de Junho de 1821 é reinstalada a Loja Comércio e Artes, tendo como Venerável Mestre o Irmão Ledo. Até a Proclamação da Independência do Brasil, Ledo teve em mente esta ideia, podendo, sem dúvida alguma, ser considerado um dos principais responsáveis por este facto histórico. Em Julho de 1821, trocava ele correspondência com o Cónego Januário da Cunha Barbosa, afirmando a necessidade de lançar o “Revérbero Constitucional”, que seria o clarim das ideias de liberdade nacional. O primeiro número do periódico, quinzenal, surge em 15 de Setembro deste mesmo ano, com redacção de Ledo e do Cónego Januário. Foi este periódico que em muito contribuiu para a Independência do Brasil. Em 16 de Fevereiro de 1822 Ledo é nomeado Conselheiro e Secretário de Estado e, a 30 de Abril, novo exemplar do “Revérbero Constitucional” é lançado, elogiando Dom Pedro e clamando pela independência.
Em 01 de Junho é eleito Procurador Geral pela Província do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, instalado o Conselho de Estado, fazendo parte dele Ledo. Em 17 de Junho de 1822 é fundado o Grande Oriente Brasiliense, tendo sido seu Grão Mestre José Bonifácio, por nítida influência de Ledo, que seria seu 1º Grande Vigilante e verdadeiro dirigente da Instituição. Ledo foi atacado, por diversas vezes, de conspirar contra a Monarquia, porque a desejava constitucional. No entanto, não sabem os historiadores informar, se por ciúmes ou vinganças pessoais, atacavam-no de republicano.
Em 14 de Outubro D. Pedro oferece a Ledo o título de Marquês da Praia Grande, mas este recusa a honraria, posto entender que não poderia aceita-lo, mas aceitaria de grande prazer o título de patriota brasileiro. Dom Pedro, como era de costume em momentos de ira, desferiu palavras ásperas a Ledo, afirmando que o mesmo não tomaria assento na Câmara. Diversos factos fazem com que Ledo seja obrigado a embarcar para Buenos Aires com uma ligeira passagem por Portugal e refugia-se uns meses no Alentejo, porque a "tarja" de republicano poderia levar-lhe a própria vida.

Absolvido das acusações impostas, Ledo retorna ao Brasil, em 1833, é agraciado, em 17 de Fevereiro de 1834, pelo Imperador, com a Ordem do Cruzeiro do Sul, mas, assim como tinha recusado o título de Marquês, ele recusa. Em 1845 consta entre os Deputados da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano abandona a política e a Maçonaria, indo recolher-se na sua fazenda, em Sumidouro, vindo a falecer, a 19 de Maio de 1867, de ataque cardíaco.

Autor: Gonçalves Ledo

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Maçonaria na RTP

No passado dia 09 de Abril, a RTP apresentou um pequeno programa sobre a Maçonaria, na rubrica “Grande Reportagem”. As diversas intervenções são merecedoras de alguma apreciação.
Destaca-se em primeiro lugar as ideias expressas por um importante membro do clero da Igreja Católica. Depois de se referir da forma a que estamos habituados à actividade da Maçonaria e de ter feito a afirmação assombrosa de que durante o Estado Novo o ensino em Portugal foi dominado pelos maçons, as suas palavras finais foram uma surpresa. Penso que terá sido a primeira vez que ouvi um bispo católico português sugerir um diálogo entre a Maçonaria e a Igreja, dizendo que o mesmo se justifica pelo estado actual da nossa sociedade. Espero que não se trate de mera retórica, mas de uma proposta honesta. Foi também importante o depoimento de um historiador a mostrar que a Maçonaria nada teve a ver com o regicídio de 1908.
A intervenção do Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano foi simultaneamente firme e moderada, transmitindo uma ideia muito clara do papel e dos objectivos da Maçonaria ao longo da história e dos tempos. As câmaras puderam registar imagens de um dos Templos do Palácio e do corredor onde estão expostos os retratos dos anteriores Grão Mestres, mas logicamente não lhes foi permitido proceder a filmagens de qualquer sessão maçónica.
Também pudemos assistir a uma intervenção do Grão Mestre da Grande Loja Tradicional de Portugal (GLTP) sobre os critérios de admissão de candidatos na sua Obediência. Lamentavelmente, ao longo do programa foram sendo mostradas cenas dos trabalhos de uma Loja dessa mesma Obediência, incluindo todos os pormenores do início solene, da entrada ritual de um aprendiz e da cadeia de união. Também não faltou o juramento final de guardar segredo sobre os trabalhos! Está visto que a GLTP tem especial apetência pela apresentação televisiva das suas sessões rituais. No entanto, é inacreditável que se mostre a Venerável da Loja a jurar segredo de tudo o que se passou durante os trabalhos e uma parte significativa dos mesmos tenha sido mostrada ao grande público. Que noção terão os obreiros dessa Loja sobre o significado de palavras como “juramento” e “perjúrio”?
Também é de gosto muito duvidoso ter sido mostrado o interior de uma câmara de reflexão, pois ao ser especialmente destacada uma caveira, haverá decerto muitas pessoas que irão tirar ilações do género de que a Maçonaria se dedica a actividades diabólicas ou a bruxarias.

Em resumo: as intervenções de um historiador e do Grão Mestre do GOL por um lado e a de um membro do clero católico por outro, teriam decerto constituído um programa muito útil e eventualmente frutuoso. Já o “tempero” do programa com as cenas oferecidas uma vez mais pela GLTP foi absolutamente lamentável.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 1 de abril de 2008

O meu nome simbólico

O meu nome simbólico é uma homenagem ao meu Avô Paterno – José Francisco Esteves, nascido em Bragança nos finais do Séc. IXX (1884 ou 85).

Inicialmente, quando pensei qual o nome simbólico a adoptar, ocorreu-me de imediato Manuel Fernandes Tomás, figura ímpar da luta pela Pátria e pelos valores humanitários, que muito admiro. Marcou-me também pela sua maneira de estar na vida pública, defendendo sempre os interesses do bem comum, sem buscar para si os “louros” da vitória. Nessa reflexão, lembrei-me de muitos mais. Grandes figuras, grandes nomes. Não fazia ideia se eram maçons. Sabia (e sei) muito pouco sobre a nossa Augusta Ordem. Vou sabendo ao longo desta ainda curta aprendizagem, que muitos desses grandes nomes que admiro, eram maçons. Não me enganei na porta!

Porquê o meu Avô José Francisco? Não faço ideia se era maçom, mas pelo que conheci e me contam, era-o por princípios e actos. Foi, como se diz agora, um self made man, com apenas a instrução primária, foi um autodidacta brilhante. Correu Mundo, criou uma Família extraordinária, incutiu nos filhos e nos netos o gosto pela leitura e pela cultura de uma maneira geral, fundou com o cunhado a primeira grande livraria e papelaria de Bragança. Era um Cidadão de bons princípios, defendia a Igualdade a Liberdade e a Fraternidade. Contava-me o meu Pai, que durante a Guerra Civil de Espanha era incapaz de recusar ajuda a quem precisasse.
Não sendo católico, reconhecia como irmão o seu semelhante.

É por estas razões e mais outras do coração, que aqui me apresento com o nome simbólico de José Francisco Esteves.

Autor: José Francisco Esteves

terça-feira, 25 de março de 2008

Compromisso com o sigilo

De vez em quando surgem, aqui e ali, notícias a respeito da Maçonaria que teve origem em informações levadas por irmãos participantes nos trabalhos de Loja, sobre assuntos tratados no seio da Ordem. Recentemente, estes casos voltaram ao noticiário com maior frequência e podem culminar com a geração de problemas graves para a Instituição, porquanto, municiados de informações obtidas por esses meios esconsos, dão uma ideia errónea da Ordem e tendem a incluir e a meter tudo no mesmo saco, não fazendo a legitima diferença de organizações e instituições existentes em Portugal, aparecendo aos olhos e ouvidos das pessoas em geral como “Maçonaria”, omitindo propositadamente as diferentes Obediências maçónicas existentes. Alguns dirigentes da Ordem revelam-se preocupados. E não é para menos. Os acontecimentos no seio das reuniões são privativos e não devem ser informados ou comunicados, nem a maçons que não estiveram presentes na sessão, nem levá-los ao conhecimento de profanos! Isto é proibido. Conversar, fora da reunião, o que se ventilou durante a sua realização, não é maçónico. Contraria os nossos princípios e leis. Deforma a tradição!

Ainda a propósito da questão do segredo, se a Maçonaria é uma organização secreta, se deve revelar o que se passa nas suas reuniões, para aquelas pessoas que pensam e imaginam o quanto tenebroso é a Maçonaria, que devia ser tudo publicado, revelado e até público, recordo o artigo de Fernando Pessoa no Diário de Lisboa, de 4 de Fevereiro de 1935, sobre o projecto da Assembleia Nacional que visava a ilegalização das “associações secretas”, onde com inteligência e conhecimento profundo das Ordens Iniciáticas, respondia ao Sr. José Cabral, autor do referido projecto: “ Dada a latitude desta definição, e considerando que por “associação” se entende um agrupamento mais ou menos permanente de homens, ligados por um fim comum, e que por “secreto” se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao sr. José Cabral uma associação secreta – o Conselho de Ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente. Se não reúnem em público os conselhos de ministros, também o não fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos, ou os que formam os conselhos de administração das companhias comercias e industriais”.

Portanto será da melhor geometria estar sempre a lembrar aos nossos Irmãos os juramentos e compromissos assumidos quanto ao sigilo. Não dizer, não falar, não escrever, não revelar, convém ser lembrado com frequência, mesmo que nada tenha ainda acontecido a este respeito com a nossa Loja, assim como não devemos perder de vista o que ensina a sabedoria popular: “quem vê as barbas do vizinho a arder põe as suas de molho”.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 18 de março de 2008

Jacques De Molay

Historiadores modernos acreditam que Jacques De Molay nasceu em Vitrey, França, no ano de 1244 e pouco se sabe da sua família ou da sua infância, porém, aos idade de 21 anos, tornou-se membro da Ordem dos Cavaleiros Templários. Na Ordem participou destemidamente em numerosas Cruzadas, e o seu nome era uma palavra de ordem e de heroísmo. Em 1298, De Molay foi eleito Grão Mestre da Ordem. Este cargo foi assumido numa época em que a situação para a Cristandade no Oriente estava má. Os sarracenos haviam capturado Cavaleiros das Cruzadas e conquistado Antioquia, Tripoli, Jerusalém e Acre. Restavam somente os "Cavaleiros Templários" e os "Hospitalários" para se confrontarem com os sarracenos. Os Templários, estabeleceram-se na ilha de Chipre, com a esperança de uma nova Cruzada. Porém, as esperanças de obterem auxílio da Europa foram em vão pois, após 200 anos, o espírito das Cruzadas havia-se extinguido. Os Templários estiveram fortemente entrincheirados na Europa e Grã-Bretanha, com as suas grandes casas, as suas ricas propriedades, os seus tesouros; os seus líderes eram respeitados por príncipes e temidos pelo povo, porém não havia nenhuma ajuda popular para os seus planos de guerra. Foi a riqueza, o poder da Ordem, que despertou os desejos de inimigos poderosos e, finalmente, ocasionou a sua queda.

Em 1305, Felipe, o Belo, então Rei de França, atento ao imenso poder que teria se pudesse unir as Ordens dos Templários e Hospitalários, conseguindo um titular controle, procurou agir assim. Sem sucesso, no seu arrebatamento de poder, Felipe reconheceu que deveria destruir as Ordens, a fim de impedir qualquer aumento de poder do Sumo Pontificado, pois as Ordens eram ligadas apenas à Igreja. Em 14 de Setembro de 1307, Felipe agiu, emitiu regulamentos secretos para aprisionar todos os Templários. Jacques De Molay e centenas de outros Templários foram presos e atirados para os calabouços. Foi o começo de sete anos de celas húmidas e frias, torturas desumanas e cruéis para De Molay e seus cavaleiros. Felipe forçou o Papa Clemente a apoiar a condenação da Ordem, e todas as propriedades e riquezas foram transferidas para outros donos. O Rei tentou forçar De Molay a trair os outros líderes da Ordem e a descobrir onde todas as propriedades e os fundos poderiam ser encontrados. Apesar do cavalete e outras torturas, De Molay recusou-se.

Finalmente, em 18 de Março de 1314, uma comissão especial, que havia sido nomeada pelo Papa, reuniu-se em Paris para determinar o destino de De Molay e três de seus Preceptores na Ordem. Entre a evidência que os comissários leram, encontrava-se uma confissão forjada de Jacques De Molay há seis anos passados. A sentença dos juízes para os quatro cavaleiros era prisão perpétua. Dois dos cavaleiros aceitaram a sentença, mas De Molay não! Ele negou a antiga confissão forjada, e Guy D'Avergnie ficou ao seu lado. De acordo com os costumes legais da época, isso era uma retratação de confissão e punida por morte. A comissão suspendeu a secção até o dia seguinte, a fim de deliberar. Felipe não quis adiar nada e, ouvindo os resultados da Corte, ordenou que os prisioneiros fossem queimados no pelourinho naquela tarde.

Quando os sinos da Catedral de Notre Dame tocavam ao anoitecer do dia 18 de Março de 1314, Jacques De Molay e o seu companheiro foram queimados vivos no pelourinho, numa pequena ilha do Rio Sena, sendo destemidos até ao fim. "Embora o corpo de De Molay tivesse sucumbido naquela noite, seu espírito e suas virtudes pairam sobre a Ordem De Molay, cujo nome em sua homenagem viverá eternamente”.

Como todos sabem, sou membro da Ordem De Molay, ordem inspirada na história e exemplo do 23º e último Grão Mestre da Ordem dos Templários. Durante 17 anos de Ordem De Molay, assisti e fiz muitos trabalhos no que se refere às Ordens Templária, Maçónica e De Molay. Tive contacto com vários maçons estudiosos, vários livros e outros tipos de materiais cujo o principal assunto era Jacques De Molay e a Ordem dos Templários.
Escolhi como meu nome simbólico, Jacques De Molay, não somente por ser membro da Ordem que leva seu nome, mas também por tudo aquilo que ele representou e enfrentou com amor, coragem e determinação. Combateu a tirania, procurava junto com a Ordem dos Templários ajudar os mais fracos e oprimidos, e teve a coragem de enfrentar o poder da inquisição. Jacques De Molay não delatou a identidade de outros companheiros Templários, nem dos seus bens. Ele foi leal sob incontáveis torturas físicas e psicológicas. Até parte das riquezas templárias a Inquisição ofereceu a De Molay se ele colaborasse, no entanto, nem a tortura, nem anos e anos na prisão, nem o suborno fizeram que De Molay cedesse ou vacilasse nos seus principios e valores.

O amor que Demolay demonstrou ter pela Ordem Templária e pelos seus Irmãos, a sua fidelidade, a sua bravura e forma heróica como viveu e morreu fez com que eu adoptasse o seu nome, como sendo o meu nome simbólico.

Autor: Jaques De Molay

quarta-feira, 12 de março de 2008

Quem foi Albert Mackey

Nascido em 12 de Março de 1807 na cidade de Charleston no estado americano da Carolina do Sul, Albert Mackey graduou-se com honras na faculdade de medicina daquela cidade em 1834. Praticou a sua profissão cerca de vinte anos, após o que dedicou quase que completamente a sua vida à obra maçónica. Recebeu o 33.º, o último grau do Rito Escocês Antigo e Aceite, e tornou-se membro do Supremo Conselho onde serviu como Secretário-Geral durante anos. Foi nesta época que manteve uma estreita associação com outro famoso maçon americano, Albert Pike.
Participou como membro activo em muitas Lojas, inclusive na lendária “Solomon's Lodge N.º 1", fundada em 1734, que é, ainda hoje, a mais famosa e mais antiga Loja a trabalhar continuamente na América do Norte. Ocupou inúmeros cargos de destaque nos mais altos postos da hierarquia maçónica do seu país. Pessoalmente o Dr. Mackey foi considerado encantador por um círculo grande de amigos íntimos. Sempre que se interessava por um assunto era muito animado na sua discussão, até mesmo eloquente. Generoso, honesto, leal, sincero, mereceu bem os elogios e qualificações que recebeu de inúmeros maçons de destaque.

Um revisor da obra de Mackey disse que, como autor de literatura e ciência maçónica, trabalhou mais que qualquer outro na América ou na Europa. Em 1845 publicou o seu primeiro trabalho, intitulado “Um Léxico de Maçonaria” depois, seguiram-se: “The True Mystic Tie” 1851; The Ahiman Rezon of South Carolina,1852; Principles of Masonic Law, 1856; Book of the Chapter, 1858; Text-Book of Masonic Jurisprudence, 1859; History of Freemasonry in South Carolina, 1861; Manuel of the Lodge, 1862; Cryptic Masonry, 1867; Symbolism of Freemasonry, and Masonic Ritual, 1869; Encyclopedia of Freemasonry, 1874; and Masonic Parliamentary Law 1875.

Mackey esteve até o fim da vida envolvido com a produção de conhecimento maçónico. Além dos livros citados contribuiu com frequência para diversos periódicos e também foi editor de alguns. Por fim, publicou uma monumental “History of Freemasonry”, em sete volumes. Um testemunho da importância e popularidade que os livros escritos por Mackey têm, é o facto de que muitos deles são editados até hoje e estão à venda em livrarias, inclusive pela Internet. Dos muitos trabalhos que o Dr. Mackey legou à posteridade, um julgamento quase universal identifica a “Encyclopedia of Freemasonry” como a obra de maior importância. Anteriormente à publicação deste livro não havia nenhum de igual teor e extensão em qualquer parte do mundo. Esta obra teve muitas edições e foi revista várias vezes por outros autores maçónicos.

A contribuição de Mackey para o pensamento e leis maçónicas, produto da sua mente clara e precisa, é tida como de fundamental importância. Praticamente toda a legislação maçónica fundamental é hoje interpretada com base em alguns de seus escritos. É verdade que algumas de suas obras contêm enganos, mas o conjunto é de extremo valor e, em particular, um trabalho tem especial destaque no mundo todo. A compilação feita por ele dos marcos ou referenciais básicos da maçonaria, que é adoptada como fundamento em vários ritos e obediências. Os tão mencionados e conhecidos “Landmarks”. Os Landmarks, que podem ser considerados uma "constituição maçónica não escrita", longe de serem uma questão pacífica, constituem uma das mais controvertidas demandas da Maçonaria, um problema de difícil solução para a Maçonaria Especulativa. Há grandes divergências entre os estudiosos e pesquisadores maçónicos acerca das definições e nomenclatura dos Landmarks. Existem várias e várias classificações de Landmarks, cada uma com um número variado deles, que vai de 3 até 54.

Facto é que o grande trabalho de Mackey em jurisprudência, sobreviveu ao teste do tempo. Ainda hoje é frequentemente citado como uma autoridade final. As suas contribuições tiveram, e ainda têm, um efeito profundo e permeiam grande parte do pensamento maçónico moderno. Ao criar a sua obra, este autor, estava na realidade a criar os marcos sobre os quais foi possível edificar grande parte do conhecimento maçónico que se produziu posteriormente.

Albert Gallatin Mackey passou ao oriente eterno em Fortress Monroe, Virgínia, em 20 de Junho de 1881, aos 74 anos. Foi enterrado em Washington em 26 de Junho, tendo recebido as mais altas honras por parte de diversos Ritos e Ordens. Hoje existe nos Estados Unidos uma condecoração, a “Albert Gallatin Mackey Medal”, que é a mais alta condecoração concedida a alguém que muito tenha contribuído para a causa maçónica.

Autor: Júlio Verne, Baseado In "The Grand Lodge of Free and Accepted Masons of the State of California"

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Dia Internacional do Maçom

Nos dias 20, 21 e 22 de Fevereiro de 1994, realizou-se em Washington, nos Estados Unidos, a Reunião Anual dos Grão-Mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México). Na ocasião, estiveram presentes como Obediências Co-Irmãs, a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja Nacional Francesa, a Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Regular da Itália, o Grande Oriente da Itália, a Grande Loja Regular da Grécia, a Grande Loja das Filipinas, a Grande Loja do Irão, no exílio e o Grande Oriente do Brasil, como observador. No encerramento dos trabalhos, o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Ir.'. Fernando Teixeira, apresentou uma sugestão apoiada pelos Grão-Mestres das Grandes Lojas dos Estados Unidos, do México e Canadá, no sentido de fixar o dia 22 de Fevereiro como o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, a ser comemorado por todas as Obediências reconhecidas, o que foi totalmente aprovado.

E porquê 22 de Fevereiro? Porque foi no dia 22 de Fevereiro de 1732, em Bridges Creek, na Virginia (EUA), que nasceu GEORGE WASHINGTON, o principal artífice da independência dos Estados Unidos. Nascido pouco depois do início da Maçonaria nos Estados Unidos – o que ocorreu em 23 de Abril de 1730, no estado de Massachussets - Washington foi iniciado a 4 de Novembro de 1752, na "Loja Fredericksburg nº 4", de Fredericksburg, no estado da Virgínia; foi elevado ao grau de Companheiro em 1753 e exaltado a Mestre em 4 de Agosto de 1754. Representante da Virgínia no 1º Congresso Continental (1774) e Comandante-Geral das forças coloniais (1775), dirigiu as operações durante os cinco anos da Guerra de Independência, após a declaração de 1776. Ao ser firmada a paz em 1783, renunciou à chefia do Exército, dedicando-se então aos seus afazeres particulares. Em 1787, reunia-se, em Filadélfia, a Assembleia Constituinte para redigir a Constituição Federal e Washington, que era um dos Delegados da Virgínia, foi eleito, por unanimidade, para presidi-la. Depois de aprovada a Constituição, havendo a necessidade de se proceder à eleição de um Presidente, figura na nova política norte-americana, Washington, pelo seu passado, pela sua liderança e pelo prestígio internacional de que desfrutava, era o candidato lógico e foi eleito por unanimidade, embora desejasse retornar à vida privada e dedicar-se às suas propriedades. Como Presidente da República norte-americana, nunca olvidou a sua formação maçónica. Ao assumir o seu primeiro mandato, em Abril de 1789, prestou o seu juramento constitucional sobre a Bíblia da "Loja Alexandria nº 22", da qual fora Venerável Mestre em 1788; em 18 de Setembro de 1783, como Grão-Mestre pro-tempore da Grande Loja de Maryland, colocou a primeira pedra do Capitólio – o Congresso norte-americano – apresentando-se com todos os seus paramentos e insígnias de alto mandatário Maçom. Falecido em 14 de Dezembro de 1799, o seu funeral ocorreu no dia 18, na sua propriedade de Mount Vernon, numa cerimónia fúnebre Maçónica, dirigida pelo Reverendo James Muir, capelão da "Loja Alexandria nº 22" e pelo Dr. Elisha C. Dick, Venerável Mestre da mesma Oficina.

In Revista "O Prumo" nº 84, Artigo do Ir.'. José Castelanni

Como se pode verificar, a criação do DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM representou uma mais do que justa homenagem ao um grande maçom, e embora não seja considerado por todas as Obediências e Potências maçónicas mundiais é historicamente pertinente.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

As três peneiras

Mais uma jornada na construção do Templo terminara. Cansado por mais este dia, Mestre Hiram recostou-se sob o frescor do Ébano para o tão merecido descanso. Eis que, subindo em sua direcção, aproxima-se o seu Mestre Construtor predilecto, que lhe diz:
"-Mestre Hiram...Vou lhe contar o que disseram do segundo Mestre construtor...
Hiram com a sua infinita sabedoria responde:
- Calma, meu Mestre predilecto, antes de me contares algo que possa ter relevância, já fizeste passar a informação pelas "Três peneiras da Sabedoria"?
- Peneiras da sabedoria? Não me foram mostradas, respondeu o predilecto!
- Sim... Meu Mestre! Só não te ensinei, porque não era chegado o momento;
Escuta-me com atenção: tudo quanto te disseram de outrém, passa antes pelas três peneiras da sabedoria. E na primeira, que é a Verdade, eu te pergunto:
-Tens certez a de que o que te contaram é realmente a verdade?
Meio sem jeito o Mestre respondeu:
- Bom, não tenho certeza realmente, só sei que me contaram...
Hiram continua:
-Então, se não tens a certeza, a informação vazou pelos furos da primeira peneira e repousa na segunda, que é a peneira da Bondade. E eu te pergunto:
-É alguma coisa que gostarias que dissessem de ti?
-De maneira alguma Mestre Hiram... Claro que não!
-Então a tua história acaba de passar pelos furos da segunda peneira e caiu nas cruzetas da terceira e última; Faço-te a derradeira pergunta:
- Achas mesmo necessário passar adiante essa história sobre teu Irmão e Companheiro?
-Realmente Mestre Hiram, pensando com a luz da razão, não há necessidade...
-Então ela acaba de vazar os furos da terceira peneira, perdendo-se na imensão da terra. Não sobrou nada para contar.

-Entendi poderoso Mestre Hiram. Doravante somente as boas palavras terão caminho em minha boca.
-És agora um Mestre completo. Volta a teu povo e constrói os teus templos, pois terminaste a tua aprendizagem.

Porém, lembra-te sempre: As abelhas, construtoras do Grande Arquitecto do Universo, nas imundíces dos charcos, buscam apenas flores para suas laboriosas obras, enquanto as nojentas moscas, buscam em corpos sadios as chagas e feridas para se manterem vivas."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Ainda a divulgação da Maçonaria

Penso ser óbvio que nenhum maçon receia que os ideais maçónicos sejam do conhecimento público, muito pelo contrário. Afinal esses ideais são os mais nobres que a humanidade alguma vez criou e estou certo de que serão partilhados por todas as pessoas de bem, sejam ou não membros da Maçonaria.
De facto, os maçons pretendem que no mundo reinem a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Por consequência o seu maior desejo é que a Paz, a Tolerância e a Justiça se espalhem por todo o mundo, o mesmo é dizer que se opõem ao ódio, à tirania, às ditaduras e a todas as violações dos direitos humanos. Assim, nenhum maçon terá o menor receio de que os seus ideais sejam divulgados na Comunicação Social.
Outro dos valores defendidos pela Maçonaria é a Honra. E uma pessoa de honra, cumpre rigorosamente os seus juramentos, para mais prestados de uma forma livre e consciente.
Por outro lado, a Maçonaria é uma organização que respeita determinados rituais, pois eles não só contribuem para a unidade dos seus membros, como contribuem para um aprofundamento da espiritualidade que os ajuda no seu empenho em prol dos seus ideais. No entanto, o cumprimento dos rituais implica uma obrigação expressa de discrição para os que neles participam e não é por acaso que em todas as sessões maçónicas se faz o juramento de nada revelar do que nelas ocorre.
Convirá afirmar claramente que esta discrição não pretende esconder seja o que for de pecaminoso, imoral ou quaisquer objectivos inconfessáveis. O que acontece é que, para os maçons, uma sessão ritual é em tudo semelhante a uma conversa em família. E, como qualquer conversa em família, não tem o menor sentido que a mesma seja propalada aos quatro ventos.
Virá a propósito chamar a atenção de que, exceptuando os raríssimos casos de fecundação “in-vitro”, todos sabemos como começou a existência de qualquer um de nós. No entanto, para a generalidade das pessoas, há um pudor natural em falar desse momento de intimidade dos nossos pais. Trata-se afinal de um sinal de respeito pelos que nos fizeram vir ao mundo.

Um dos momentos mais marcantes na vida de um maçon é a sua Iniciação. Trata-se da passagem do mundo comum para o seio de uma família muito especial. Assim, assistir a na televisão a um simulacro desse momento tão solene como marcante é, no mínimo, incómodo para quem sente profundamente a Maçonaria. Como homem de palavra e como maçon que me honro de ser, confesso que ter visto uma reportagem televisiva onde são relatados muitos pormenores de uma Iniciação me desagradou profundamente.
Quando nessa mesma reportagem se assiste a um diálogo ritual em que é afirmado que «o Templo está a coberto da indiscrição dos profanos» e isso é feito perante uma câmara de televisão, então estamos, lamentavelmente, a assistir a um “teatro”. O teatro é uma forma de arte que muito admiro. Mas a Maçonaria não é, nem nunca poderá ser um teatro. A nossa Augusta Ordem deve merecer-nos todo o respeito e nenhum pretexto servirá de desculpa para que se brinque com ela ao “faz de conta”.

Divulguem-se os nossos ideais, critiquem-se os nossos erros, mas respeitem-se as situações de “intimidade” da nossa “família”. Considero que, por melhor que fosse a intenção dos maçons que participaram no simulacro de uma Iniciação, no mínimo cometeram uma grave inconveniência. Pior, uma vez que na reportagem é também mostrado o momento em que esses mesmos maçons juram nada revelar sobre o que se passou na sua sessão, parece-me que terão também cometido perjúrio. Ou serão os seus juramentos também de “faz de conta”?

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Maçonaria e Maçons

Muitos de vós perguntam e questionam o que é a Maçonaria? O que é um Maçom?

Nós respondemos: Dizem-se os filhos da Luz e pretendem transformar homens bons em Homens melhores sobre os três pilares da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Transportam consigo a ciência do traço, o número, a regra no maior dos segredos, rectos como fio-de-prumo transmitem a Luz. Quando partem, no Céu são as estrelas que iluminam na Terra os seus Irmãos, transmitindo-lhes força para continuarem fiéis aos seus ancestrais princípios. A cinzel, deixaram as suas marcas nas mais magníficas catedrais góticas da Idade Média que o mundo conhece. Com o esquadro e compasso estabeleceram planos, traçaram desenhos, calcularam e realizaram o Templo de Salomão.

Senhores da Espada Flamejante, do Triângulo, do Fogo, da Água, do Ar, do Delta Luminoso, do Sol e da Lua nos seus Templos unem a terra com o céu, entre estes símbolos trocam os segredos e entre eles colocam os frutos da sua união, a bela, sã e perfeita Romã e formam a Cadeia de União que gera energia e eleva o espírito. Diz a lenda, que com folhas de Acácia, símbolo da imortalidade, cobriram o túmulo do Mestre Hiram, o Príncipe dos Arquitectos, que no silêncio escutava o vento do deserto que lhe devolvia respostas.

Procuram a verdade universal, defendem a liberdade e os direitos humanos, a intimidade e convicções pessoais, solidários com os desfavorecidos querem a fraternidade entre os homens, tolerantes, de isenção política e religiosa, em democracia anseiam a paz entre os povos, defendem a natureza e o universo, buscam o aperfeiçoamento individual na construção do seu próprio templo interior.
Amados e odiados, temidos e cobiçados, os maçons desde sempre foram perseguidos, e desde sempre resistiram às maiores atrocidades cometidas contra si, perpetuando no tempo a sábia espiritualidade e das colunas dos seus Templos irradiaram a Luz dos seus valores para Mundo.

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Quem é o Aprendiz?

O aprendiz é a pedra bruta que foi escolhida na pedreira para ser desbastada e se tornar uma pedra de forma cúbica. A pedra bruta representa a natureza humana no estado primitivo, ainda bruta, rude, rústica, não trabalhada, imperfeita e cheia de arestas. É a imagem do homem sem introdução, com defeitos, vícios e paixões.
O aprendiz é simbolicamente comparado à pedra bruta antes de ser instruído nos mistérios maçónicos, devendo estudar para adquirir o simbolismo do seu grau, sua aplicação e interpretação filosófica. Deverá trabalhar constantemente para aperfeiçoar-se assimilando novos conhecimentos e consequentemente buscando auto conhecer-se, aparando as arestas do seu espírito.
Como maçom, desenvencilhando-se dos defeitos e paixões, para se tornar pedra cúbica ou polida e concorrer à construção moral da humanidade que é a verdadeira obra da maçonaria. Quando conseguir desbastar a pedra bruta, o aprendiz terá vencido a primeira batalha, vencendo-se a si mesmo e desfraldando a bandeira de sua evolução interior, sem perder de vista aquele fosco pedaço de granito e com o fito de diminuir as suas imperfeições. Propõe-se a descobrir de vez, seus defeitos, suas fraquezas seus deslizes e suas vaidades. Identifica-se, então, com o período de lapidação do seu ego, adaptando-se melhor aos costumes observados nas reuniões de seus irmãos e vai tornando-se mais puro e mais apto para pugnar pela felicidade do género humano.

É para realizar esta tarefa que ele trabalha com as ferramentas do aprendiz. O maço é o símbolo da vontade de trabalhar, esta vontade, guiada pela inteligência, habilita-nos a desejar o bem e o justo, impulsionando-nos à acção. O maço representa a força de vontade necessária para dominar as paixões.
O cinzel representa a inteligência, pois é o cinzel que direcciona a força do maço rumo às imperfeições da Pedra Bruta. Só a força não consegue tirar com perfeição os defeitos da mesma. É necessário que o cinzel encaminhe esta força ao ponto exacto e arranque com a sua ponta contundente a imperfeição percebida pelo aprendiz. O cinzel significa o livre arbítrio que é dotado o homem, manifestando-se nele na proporção do seu desenvolvimento espiritual. O homem comporta-se de acordo com as concepções formadas em seu coração, e recebe o fruto de seus pensamentos e de suas acções.

Para finalizar gostaria de dizer que este trabalho não significa a última macetada, pois não é última macetada que transforma a pedra bruta em pedra cúbica, mas sim a soma de todas elas!

Autor: Jacques De Molay
(Este trabalho foi efectuado com base no estudo e pesquisa: Grupo Maçom Orvalho do Hermom; O Aprendiz de Maçom , Assis de Carvalho , Ed. A Trolha; Curso de Maçonaria Simbólica, Theobaldo Varoli Filho, Gazeta Maçônica; Cartilha do Aprendiz , José Castelani; Maçonaria, um Estudo Completo , Júlio Doin Viera)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Serei ateu?

Julgo que será consensual que o órgão que mais distingue o ser humano dos restantes seres vivos é o cérebro. De facto, na natureza é fácil encontrar animais que nos são superiores em muitos aspectos. Não nos comparamos em força a um elefante, em velocidade a uma chita, em audição ou olfacto a um cão e em acuidade visual a um lince, mas nenhum outro animal tem a nossa capacidade de raciocínio, de elaboração de linguagem ou de cálculo abstracto.
Uma vez que a natureza nos dotou com um cérebro acima do vulgar entre todas as espécies, parece-me que o mínimo que poderemos fazer será usá-lo. É isso que faz de nós animais racionais. Ou seja, sermos racionais não é um estatuto, mas uma obrigação natural.
A aplicação da racionalidade na análise da realidade implica inevitavelmente o recurso ao método científico. Quero no entanto deixar desde já bem claro que considero a ciência como uma ferramenta de trabalho na busca do conhecimento e não como um fim em si mesmo e ainda menos como uma forma alternativa de credo.
No método científico, há uma pedra basilar: o cepticismo. De facto o cepticismo, não é uma doença nem uma forma de antipatia, mas o ponto de partida para a construção de um raciocínio lógico e coerente. Respeito a opção daqueles que preferem acreditar em vez de pensar, mas para mim esse caminho não serve. Pessoalmente, assumo não só a minha formação científica como procuro sempre guiar-me por ela na minha forma de pensar.
No entanto, tenho de admitir que a crença tem uma vantagem inegável sobre a ciência. Enquanto esta é cansativa na sua dúvida permanente e na sua busca constante por mais e melhores respostas para as questões postas pela realidade, a crença não dá trabalho e é uma forma muito reconfortante de ter “certezas”. Mas ao pouparmos o esforço do cérebro, em vez de conseguirmos uma imagem tão objectiva quanto possível da realidade, ficamos submetidos às ideias e fantasias de outros, às superstições e aos preconceitos.
Na verdade são poucas as certezas absolutas que a ciência nos dá. A razão é óbvia: a ciência não é um livro sagrado, mas um método de trabalho. Talvez a única certeza seja a de que temos de manter sempre o espírito aberto às novas descobertas e estarmos preparados para, perante uma prova de que as nossas teorias estão erradas, as substituir. É que não são os factos que se têm de adaptar às nossas ideias, mas estas aos factos desde que devidamente comprovados.
A ciência é um livro aberto. Um livro de que talvez nunca se escreva a última página. E é isso que a torna mais fascinante para quem gosta de desafios e de dar trabalho aos neurónios.
Penso ter deixado clara a forma como encaro a ciência.

Passo então à questão que levanto no título desta prancha: Serei ateu?
A pergunta é mais séria do que possa parecer. É verdade que sou uma pessoa de ideais e de convicções, mas pelas razões que antes apresentei, tento nunca ser obstinado ou cego perante a realidade.
Penso que baseados apenas numa lógica racional, não nos é possível concluir que existem seres sobrenaturais. Mas também não podemos provar que não existem. E ao falar de seres sobrenaturais incluo deuses, fadas, duendes, anjos, demónios, o Pai Natal, o Coelhinho da Páscoa e tantos outros. Estou convencido de que todos eles são apenas produto da extraordinária e inesgotável imaginação de gerações sucessivas de seres humanos.
Apercebemo-nos de que somos mortais – inventamos seres imortais.
Percebemos que a nossa força é limitada – inventamos o Hércules, o Super-homem, o Homem Aranha e feiticeiros que levantam montanhas com uma varinha mágica.
O nosso conhecimento é reduzido – inventamos seres omniscientes.
Ou seja, compensamos as nossas limitações inventando seres que as não tenham.
Será o momento de responder à minha pergunta.
Se por ateu entendermos alguém que não acredita em quaisquer deuses ou outros seres sobrenaturais, então sou indiscutivelmente ateu. Mas se para ter essa classificação se exigir também uma certeza absoluta e baseada em provas incontestáveis de que tais seres não existem, então tenho de admitir que não me poderei assumir como tal. Não por cobardia, mas por humildade. Na prática resolvo este dilema dizendo: «sou ateu até que alguém me prove racionalmente que existem seres sobrenaturais».
Devido à sistemática campanha dos cleros das diversas religiões, palavras como “ateu” e “ateísmo” ganharam uma conotação negativa. Para muitos, os ateus são alguém que odeia Deus e portanto adora Satanás, não percebendo que não se pode odiar nem adorar o que se considera não existir. Para tais pessoas o ateísmo é considerado sinónimo de imoralidade, de total insensibilidade e de toda a espécie de vícios.

Mas será o ateísmo um perigo para a humanidade como tentam fazer crer?
A lógica dos que afirmam que sem religião o mundo entraria no caos é simples: sem o medo do castigo divino as pessoas fariam o que lhes apetecesse, o mesmo é dizer que só praticariam o mal. Discordo totalmente dessa perspectiva por várias razões.
Antes de mais, porque me parece evidente que as religiões têm fomentado muito mais ódios, violência e guerras, do que o amor, a paz e a tolerância que todas dizem defender. Até porque cada uma diz que só ela defende de facto esses valores.
É verdade que nos livros sagrados das religiões monoteístas se encontram versículos em que se proclamam a tolerância e o amor ao próximo. No entanto, nesses mesmos livros também se encontram claramente expressos pensamentos de sinal contrário, em que a destruição dos infiéis é um dever do verdadeiro crente.
Concretizando um pouco: um seguidor de uma determinada religião acredita que será castigado pelo seu Deus se matar um seu correligionário. Mas tudo muda de figura no caso de ser um “infiel”. Quanto sangue foi derramado pelo “povo eleito” em nome de Jeová na conquista da “Terra Prometida”? Quantas vidas foram ceifadas sem dó nem piedade em nome de Deus pelas Cruzadas ou pela Santa Inquisição? Quantos inocentes já foram sacrificados pela Guerra Santa dos fundamentalistas islâmicos?
O mais perverso de tudo é que, nestes casos, os torturadores e assassinos não só se sentem plenamente justificados como se acham uns heróis com lugar assegurado no Paraíso. São conhecidas as declarações de membros do clero e de outros dirigentes muçulmanos que prometem aos “mártires” que se suicidam com bombas no meio de “infiéis” não só esse Paraíso como um prémio suplementar: 70 virgens para cada um.
Este prémio levanta naturalmente outras questões como: alguém perguntou alguma coisa às tais virgens? E se for uma mártir também tem direito a 70 homens sexualmente inexperientes?

Estou plenamente convencido de que não haverá motivos para recear o caos por uma imaginária ausência de religiões. Pelo contrário, se as pessoas estiverem submetidas a leis baseadas num credo religioso, não terão liberdade de pensamento e estarão à mercê dos ditames de quem se arroga no direito de ser o verdadeiro intérprete da vontade divina. Uma sociedade governada por um clero que decide o que está certo e o que está errado, é certamente uma sociedade amordaçada e onde mais do que a fé, reinará o medo.
Por outro lado, parece-me que, mais importante do que um cumprimento do dever por medo do castigo divino, será que as pessoas compreendam que uma vida harmoniosa em sociedade só é possível num regime democrático, onde cada um pode pensar como muito bem entender e não ser perseguido por isso. Um regime democrático pode ter muitos defeitos, mas, até que se invente algo melhor, é sempre preferível a qualquer ditadura.
Penso que as directivas para o comportamento humano não devem resultar de dogmas ou crenças, mas serem fruto de uma moral racional e profundamente humanista. Só esta proporcionará mais harmonia entre as pessoas de qualquer sociedade ou cultura.
A moral que defendo baseia-se num princípio elementar: não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós ou aos nossos entes queridos. Mas também deverá buscar incessantemente os grandes ideais da humanidade e que se podem resumir na magnífica trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Só com esses pilares poderemos criar um mundo mais justo, mais pacífico e tolerante.
Ora esta moral racional e global já existe e seria magnífico que fosse ela a governar o mundo: é a que resulta claramente do espírito da nossa Augusta e Sublime Ordem.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Choremos, choremos, choremos

Faleceu Jefferson Isaac João Scheer

Terá lugar na sede da Grande Loja Unida do Paraná, em Curitiba (Brasil), no próximo dia 29 de Janeiro, a cerimónia solene que assinalará a passagem ao Oriente Eterno do presidente do Centro de Ligação e de Informação das Potências Maçónicas Signatárias do Apelo de Estrasburgo (CLIPSAS), o nosso Irmão Jefferson Isaac João Scheer.
Jefferson Scheeer morreu no passado dia 31 de Dezembro, devido a complicações surgidas na sequência de uma operação ao estômago a que fora submetido, pouco tempo antes.
Jefferson Scheer tinha sido eleito para a presidência na Assembleia Geral do CLIPSAS que decorreu em Matosinhos, em 19 de Maio de 2007, quando o Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa (GOL) foi anfitrião de representantes de 56 potências maçónicas. Depois de eleito, Jefferson Scheer declarou ao “Diário de Notícias” que defenderia a participação do CLIPSAS na Organização das Nações Unidas, com o fim de aí “apresentar as ideias dos maçons liberais”.
Antes de presidir ao CLIPSAS, Jefferson Scheer era Grão-Mestre da Grande Loja Unida do Paraná, Brasil.

O Grémio Estrela D’Alva, apresenta as mais sentidas condolências aos familiares e amigos de Jefferson Isaac João Scheer e o abraço fraterno aos irmãos do Grande Loja Unida do Paraná, em especial aos irmãos da Respeitável Loja à qual aquele irmão pertencia.


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Exposição de Pintura

Exposição de Pintura denominada "Essência Maçónica" da artista Sílvia Soares

Esta exposição está patente em: Rapósmolhus Restaurante / Galeria na Estrada Exterior da Circunvalação, nº 12016, 4460-282 Srª Hora- Matosinhos. Tendo em referência o Norte Shopping em direcção a Hospital Prelada ... Rotunda Produtos Estrela ... Staples ... O Rapósmolhus situa-se do lado oposto, junto bombas Esso. A expoisção pode ser visitada até 15 de Janeiro de 2008.

A artista Sívia Soares nesta exposição elaborou um conjunto de obras que tratam a Arte Real, essencialmente no seu carácter simbólico e tem como principal objectivo enaltecer a Maçonaria no seu expoente máximo.
Eis um resumo do quadro "Essência Maçónica" que deu origem ao título da exposição "A afirmar com convicção e, em simultâneo, a justificar a obra em si, estão representadas as colunas simbolizadoras dos limites do mundo criado, da vida e da morte, dos elementos masculino e feminino, e de tudo o que se pode considerar como activo e passivo; o pavimento em mosaico representado pelo chão em xadrez de quadrados pretos e brancos, com que devem ser revestidos os templos maçónicos e que reflectem a diversidade do globo e das raças, unas pela Maçonaria e com a oposição dos contrários, bem e mal, espírito e corpo, luz e trevas. Nele estão transcritos os fulcrais pensamentos e acções que regem a Ordem Maçónica: Justiça Social, Fraternidade, Aclassismo, Aperfeiçoamento Intelectual e Democracia = Igualdade.A escadaria apresentada é como uma espécie de guia que nos conduz ao ex-libris da simbologia: o esquadro e o compasso. O Esquadro resulta da união da linha vertical com a linha horizontal, é o símbolo da rectidão e também da acção do Homem sobre a matéria e sobre si mesmo. Significa que devemos regular a nossa conduta e as nossas acções pela linha e pela régua maçónica, temendo Deus como criador do Universo, a quem temos de prestar contas das nossas acções, palavras e pensamentos. Emite, de igual modo, a ideia inflexível da imparcialidade e precisão de carácter e simboliza a moralidade enquanto que o Compasso simboliza o espírito, o pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também o relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas".

Autor: Júlio Verne

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ao chegar o Natal

Ao chegar o Natal é costume falar-se muito dos pobrezinhos e assistirmos a campanhas de angariação de géneros para lhes dar. Mostra-se na televisão a Sopa dos Pobres e uma ementa generosa para a ceia natalícia. Infelizmente, passado o dia 25 de Dezembro, já apenas se ouve falar nas festas mais ou menos grandiosas que estão a ser preparadas para a passagem de ano. Estou mesmo convencido de que se gasta muito mais nos fogos de artifício e nessas festas de celebração de uma simples mudança de calendário do que tudo quanto foi angariado para dar aos mais necessitados.
Claro que essas campanhas a favor dos mais carenciados e quem as organiza, merecem em geral o nosso respeito. No entanto, é frequente haver também um sentimento de desconfiança em relação às pessoas que nelas se empenham, o que cria mal-estar em quem, muitas vezes, o faz com sacrifício da sua vida pessoal.
Ao mesmo tempo, essa suspeita cria um dilema para quem pretende ajudar. Por um lado quer genuinamente minorar o sofrimento alheio, mas por outro receia que aquilo que oferece vá parar às mãos de alguém que se interpõe entre o dador e o legítimo beneficiário da dádiva.
A solução para este dilema só poderá ser obtida através da clarificação de quais são as organizações que têm esses objectivos tão nobres e que sejam tornadas públicas não só as suas contas como a forma como foi concretizada a sua actividade.

Estas minhas divagações causadas pela fase natalícia levam-me a pensar de uma forma mais global no espírito da sociedade de que fazemos parte e na falta de idealismo que nela é cada vez mais evidente. De facto, nos dias que correm, temos a sensação de que os grandes ideais (em especial os surgidos durante o século XX) se foram mostrando como meras utopias e, por consequência irrealizáveis na prática, ou deram mesmo origem a sociedades de pesadelo. Estou a pensar em concreto em estados onde, com base em ideais aparentemente muito belos, se forjaram ferozes ditaduras, mas também em grupos formados em torno de alguns gurus que os levaram a cometer crimes e mesmo a suicídios colectivos.
Daí até às pessoas comuns se sentirem desiludidas, terá sido um passo muito pequeno.
Por outro lado, especialmente nas cidades, devido ao frenesim das nossas vidas, ao trabalho e às obrigações que nos aprisionam, ao cumprimento de prazos e de horários, e à tentativa de realização de objectivos pessoais, deixámos de ter tempo para pensar nas ideias e em valores que não sejam os imediatos. Para a maioria dos nossos concidadãos, parece reinar o egoísmo, o “chega para lá”, ou mesmo o “salve-se quem puder”. A palavra “stress” parece ter-se instalado no nosso léxico de forma irreversível.
Mas será que no fundo de cada um de nós terão de facto desaparecido em definitivo os desejos de algum idealismo? Penso, ou desejo pensar, que não.
É certo que a nossa sociedade tem problemas importantes para resolver: na justiça, na educação, na saúde, no equilíbrio das contas públicas, e em outros aspectos que os noticiários não deixam esquecer. Mas estou certo de que acabará por chegar o momento em que as pessoas deixarão de pensar apenas nas coisas mais “terra a terra” e começarão de novo a tentar encontrar ideais colectivos.
Pergunto a mim mesmo se o futuro nos trará novos ideais, ou se serão alguns dos antigos a readquirir o seu justo valor. Estou a pensar concretamente nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Quanto a estes, seria bom recordar que são extremamente belos. No entanto, talvez seja necessário que adquiram um sentido mais profundo do que actualmente lhes atribuímos. Por exemplo, seria muito positivo que ao pensarmos na ideia de “liberdade”, não nos limitássemos apenas a querer as nossas liberdades individuais, o nosso direito de opinião ou de iniciativa, mas também a que os seres humanos de todo o mundo tivessem essas mesmas liberdades. Já que tanto se fala em que vivemos na era da “globalização”, penso que seria excelente que a liberdade responsável fosse, também ela, “global”.
O mesmo se poderia dizer da ideia de “igualdade”. Se todos a conseguíssemos interiorizar, ou seja, se sentíssemos realmente dentro de nós que todos os seres humanos devem ter os mesmos direitos e deveres, quaisquer discriminações, sejam elas as baseadas no sexo, na raça, no credo religioso, nas ideias políticas ou no volume das contas bancárias, desapareceriam para sempre.
Mais distante ainda da generalidade das pessoas está uma ideia que, em conjunto com as duas anteriores, formou uma trilogia que se espalhou a partir da Revolução Francesa. Refiro-me à “fraternidade”. Como era bom que todos os seres humanos sentissem que fazemos parte de um mesmo mundo e que na realidade somos membros de uma só família! Podemos desligar o televisor quando aí nos são mostradas situações terríveis que infelizmente continuam a acontecer. Podemos fingir que não sabemos de nada, mas na verdade não deveríamos nunca esquecer que as vítimas de guerras estúpidas (e todas o são), do terrorismo e das calamidades naturais, são nossos irmãos. As crianças que, em vários pontos do planeta, morrem de fome são tão nossos irmãos como os amigos com quem vamos almoçar.

Há um outro ideal que não nasceu com a Revolução Francesa, mas antes devido à constatação de uma realidade terrível: a protecção do meio ambiente. É cada vez mais importante que todos tenhamos consciência das limitações dos recursos naturais e da necessidade de proteger da extinção todas as espécies que connosco partilham este pequeno planeta. Aqui já não estamos apenas perante um ideal mais ou menos distante, mas antes na presença de uma obrigação colectiva. Temos de interiorizar que é preciso defender o nosso mundo não só para nós como para as gerações que nos vão suceder. E também aí, todos podemos fazer alguma coisa, desde o apagar a lâmpada desnecessária até ao levar para a reciclagem o jornal que já lemos.
Antes de se criarem novos ideais, talvez seja necessário tomarmos plena consciência das realidades que nos envolvem e de que fazemos parte. O egoísmo tem de dar lugar à tolerância. Os nossos interesses individuais devem submeter-se aos da sociedade no seu conjunto.
Da mesma forma, as conveniências das nações e das multinacionais, podem ser muito respeitáveis, mas não se podem sobrepor aos interesses de toda a humanidade. Por isso há que substituir o som das bombas pelo das palavras, a guerra pelo diálogo, a injustiça e a ambição pela fraternidade.

Se nós, as pessoas comuns, criarmos um espírito colectivo suficientemente forte, os governantes e os grandes empresários, por mais poderosos que sejam, serão obrigados a mudar de rumo.
Podemos continuar a trabalhar arduamente e a divertir-nos quando tempos oportunidade, mas é imperioso que comecemos a guardar um pouco do nosso tempo e das nossas energias para a busca dos ideais, pois estes são essenciais para que a humanidade progrida e alcance a paz e a justiça de que tanto carece, num planeta que, tanto quanto sabemos até ao presente, é o único com condições para que nele possamos viver.

Autor: Carl Sagan