sexta-feira, 15 de setembro de 2006

O Templo de Salomão

Muitas pessoas se questionam sobre a Maçonaria, sobre o que fazem os maçons e onde se reúnem. Esta curiosidade aumenta exponencialmente, quando se falam em rituais, lojas e templos, com referência em particular ao Templo de Salomão, com todo o mistério que este encerra, assim como sobre o próprio rei que o mandou construir e quem o concebeu e construiu.
Com efeito, os maçons reúnem-se em assembleias em locais discretos, ao abrigo da indiscrição, com o objectivo de aí trabalharem com o recolhimento e a dedicação que a actividade maçónica reclama, de paz e harmonia, sem que o espaço e vida exterior perturbem o local de reunião, que se quer calmo e tranquilo.
Inicialmente, estes locais de reunião, designados por “Templos”, podiam ser quaisquer, e assim se chamam, não porque neles se exerçam actividades de adoração pagânica ou outra, qualquer que seja a sua natureza, mas essencialmente por alegoria ao Templo de Salomão e ao seu significado, que se tornou ao longo dos tempos, uma referência incontornável da sabedoria e do desejo da evolução do Homem.
Quando procuramos a descrição da construção e do próprio Templo de Salomão, somos remetidos para escritos antigos, nomeadamente para a Bíblia, uma feliz descrição da construção, que diz: “quando se edificava a casa, faziam-na de pedras lavradas na pedreira, e assim, nem martelo, nem machado, nem instrumento de ferro algum foram ouvidos na casa enquanto ele era construída”.
Deve-se no entanto, bem entendido, fazer algumas reservas a respeito dessas descrições muito precisas que não podem apoiar-se senão em textos bíblicos cuja característica dominante não é a clareza nem a objectividade.

Salomão significa em hebraico, “homem pacífico”. O Templo de Salomão significa por isso, o “Templo da Paz”, da “Paz Profunda”, rumo à qual caminham todos os maçons que se abrigam da agitação do mundo exterior.
Ele terá sido construído em sete anos, em que por muitos este número tem sido considerado importante e significativo, nomeadamente em aspectos da natureza, no espectro solar, na música, os sete sábios da Grécia, sete maravilhas do mundo, sendo por isso, conservado como número característico mais elevado, por causa do seu duplo valor, cientifico e tradicional. Considera-se também que “sete” é o número daquele que chegou à plenitude da iniciação.

Deste modo cada um de nós tenta também, fazer uma “reconstituição” material do Templo de Salomão, pois na Maçonaria, esse Templo é tão apenas e acima de tudo, um símbolo, apesar de ser um símbolo de um alcance magnífico, designadamente “o Templo ideal jamais terminado”, o templo em que cada maçon é uma das sua pedras, preparada sem machado, nem martelo, no silêncio da meditação.
Nele sobe-se aos seus andares por escadas em caracol, por “espirais”, que indicam ao Iniciado que é nele mesmo, é voltando-se sobre si mesmo, que ele poderá atingir o ponto mais alto, que constitui o seu objectivo de evolução.
Alegoricamente, o Templo de Salomão é construído de pedra, madeira de cedro e ouro, simbolizando a pedra a estabilidade, a madeira a vitalidade e o ouro a espiritualidade. Assim, para o maçon , o Templo de Salomão não é considerado na sua realidade histórica, nem na sua acepção religiosa, mas apenas na sua significação esotérica profunda e bela.

NOTA HISTÓRICA:O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitectónico transmitido por Davi, seu pai. O trabalho prosseguiu por sete anos. Em troca de trigo, cevada, azeite e vinho, Hiram ou Hirão, o rei de Tiro, forneceu madeira do Líbano e operários especializados em madeira e em pedra. Ao organizar o trabalho, Salomão convocou 30.000 homens de Israel, enviando-os ao Líbano em equipas de 10.000 a cada mês. Convocou 70.000 dentre os habitantes do país que não eram israelitas, para trabalharem como carregadores, e 80.000 como cortadores. Como responsáveis pelo serviço, Salomão nomeou 550 homens e, ao que parece, 3.300 como ajudantes.
O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo e do Santo dos Santos ou Santíssimo, sendo maiores do que as do tabernáculo. O Santo tinha 40 côvados (17,8 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado.
Os materiais aplicados foram essencialmente a pedra e a madeira. Os pisos foram revestidos a madeira de junípero (ou de cipreste segundo algumas traduções da Bíblia) e as paredes interiores eram de cedro entalhado com gravuras de querubins, palmeiras e flores. As paredes e o tecto eram inteiramente revestidos de ouro.
Após a construção do magnífico templo, a Arca da Aliança foi depositada no Santo dos Santos, a sala mais reservada do edifício.
Foi pilhado várias vezes. Seria totalmente destruído por Nabucodonosor II da Babilónia, em 586 a.C., após dois anos de cerco a Jerusalém. Os seus tesouros foram levados para a Babilónia e tinha assim início o período que se convencionou chamar de Captividade Babilónica na história judaica.
Décadas mais tarde, em 516 a.C., após o regresso de mais de 40.000 judeus da Captividade Babilónica foi iniciada a construção no mesmo local do Segundo Templo, o qual foi destruído no ano 70 d.C., pelos romanos, no seguimento da Grande Revolta Judaica.
Alguns afirmam que o actual Muro das Lamentações era parte da estrutura do templo de Salomão.

 
Autor: Júlio Verne

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Ser Maçon

Entre os maçons que conheço, quase sempre foram três as razões que os conduziram ao caminho da Maçonaria.
Uma das mais comuns, deve-se à herança dos princípios maçónicos que têm levado muitos a trilharem pelos caminhos que outros como objecto da sua admiração lhes indicaram, e de certo modo, legaram na sua formação humana e cívica.
Outra razão, igualmente comum, se não mesmo a mais frequente, está associada ao convite directamente formulado por alguém, que na qualidade de Maçon, revê em alguém, que não o sendo ainda, as qualidades e as características que entende, de boa fé, constituírem a base de um potencial Irmão Maçon.
Finalmente a terceira razão, e decerto a menos frequente, mas não necessariamente menos importante, resulta de uma busca ou encontro mais ou menos fortuito, a que se seguiu o apelo e a atracção da cultura e causa maçónicas.
De qualquer modo, e indiferentemente do modo como cada indivíduo se tornou Maçon, importa saber as razões que levam a cada momento, milhares de pessoas em todo o mundo a abraçarem uma causa, que para a maioria da pessoas é “secreta”, mas que para os mais atentos, é apenas “discreta”.

À imagem pública de “secretismo” segundo a qual, indivíduos de postura suspeita, se reúnem em locais secretos numa atitude quase conspirativa, para aí desenvolverem acções de influência ou de lobby em proveito próprios, sobrepõe-se outra bem diferente e mais consistente com a realidade.
De facto, ser-se Maçon, é pensar-se em si mesmo como um templo que se vai construindo numa busca constante pela melhoria e aperfeiçoamento enquanto indivíduo, e pensar na sociedade geral que o rodeia e acolhe, como objecto igualmente importante da sua acção enquanto ser integrado na mesma, na busca pela Justiça, a Verdade, a Honra e o Progresso, que caracterizam os Maçons, que neles, aplicam dedicadamente toda a sua Força, a sua Sabedoria e buscando a Beleza nas acções e nas obras.
Com efeito, ser-se Maçon, significa trabalhar com dedicação, numa causa de que todos beneficiem, não sujeitar-se a dogmas ou interesses que excluam o bem social dos demais. É acreditar que a saúde, a educação e a cultura são bens essenciais e que a evolução se dá pela via da instrução e do conhecimento e assim, promovê-los de uma forma acessível e universal.
Poderia dizer-se que não se é Maçon porque se quer simplesmente sê-lo. Ser-se Maçon, é sobretudo uma forma de estar que resulta de um esforço continuado, de modo que não se é Maçon porque se tornou apenas, mas porque os outros nos reconhecem como tal.

Autor: Sheikh

sábado, 5 de agosto de 2006

Quadro "Essência Maçónica" - Artista Sílvia Soares

O quadro intitulado “Essência Maçónica” trata-se de uma obra de Arte essencialmente de carácter simbólico que tem como principal objectivo enaltecer a Maçonaria no seu expoente máximo.

A afirmar com convicção e, em simultâneo, a justificar a obra em si, estão representadas as colunas simbolizadoras dos limites do mundo criado, da vida e da morte, dos elementos masculino e feminino, e de tudo o que se pode considerar como activo e passivo; o pavimento em mosaico representado pelo chão em xadrez de quadrados pretos e brancos, com que devem ser revestidos os templos maçónicos e que reflectem a diversidade do globo e das raças, unas pela Maçonaria e com a oposição dos contrários, bem e mal, espírito e corpo, luz e trevas. Nele estão transcritos os fulcrais pensamentos e acções que regem a Ordem Maçónica: Justiça Social, Fraternidade, Aclassismo, Aperfeiçoamento Intelectual e Democracia = Igualdade.
A escadaria apresentada é como uma espécie de guia que nos conduz ao ex-libris da simbologia: o esquadro e o compasso. O Esquadro resulta da união da linha vertical com a linha horizontal, é o símbolo da rectidão e também da acção do Homem sobre a matéria e sobre si mesmo. Significa que devemos regular a nossa conduta e as nossas acções pela linha e pela régua maçónica, temendo Deus como criador do Universo, a quem temos de prestar contas das nossas acções, palavras e pensamentos. Emite, de igual modo, a ideia inflexível da imparcialidade e precisão de carácter e simboliza a moralidade enquanto que o Compasso simboliza o espírito, o pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também o relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas.

Finalmente, a letra G: é a sétima letra do nosso alfabeto onde, por sabedoria, os Maçons apresentam as suas cogitações, que através de estudos, apresentam um resumo dos diversos significados: Gravitação - Força primordial que rege o movimento e o equilíbrio da matéria; Geometria ou a Quinta Ciência - Fundamento da ciência positiva, simbolizando a ciência dos cálculos, aplicada à extensão, à divisão de terras, de onde surge a noção da parte que aos Maçons compete, na grande partilha da humanidade e dos direitos da terra cultivada; Geração - A vida perpetuando a série dos seres. Força Criadora que está no centro de todo ser e de todas as coisas; Génio - Inteligência humana a brilhar com seu mais vivo fulgor; Gnose - Amplo conhecimento moral, é o impulso que leva o homem a aprender sempre mais e que é o principal factor do progresso; Glória - a Deus; Grandeza - O homem, a maior e mais perfeita Obra da Criação; Gomel - Uma palavra hebraica, que entende as obrigações do homem para com Deus e os seus semelhantes. Concluindo, a letra G é, indiscutivelmente, o grande segredo maçónico, segredo tão secreto e misterioso, que nem mesmo os mais cultos e sábios Maçons conseguem decifrá-lo.

Autor: Sílvia Soares
O Quadro "Essência Maçónica" fez parte da exposição: Artistas de Gaia – Exposição Anual de Sócios / 2006 - Exposição na Biblioteca Municipal de Gaia patente de 30 de Junho a 23 de Julho de 2006