terça-feira, 15 de abril de 2008

Gonçalves Ledo

Fazer a interiorização deste nome, não me foi difícil pois, como disse estou a falar de sangue do meu sangue, nas suas virtudes que se superiorizam, pelo carácter, pelo agente libertador de certezas, pelo agente libertador do seu povo, pela sua brilhante frontalidade com actos e palavras, com o seu carácter de homem de bons costumes, pela sua lisura e transparência, mas sempre amigo do amigo. É isso que me faz sentir perto deste homem, que de forma marcante lutou pela libertação do seu povo da opressão da monarquia, que tanto escravizou um povo notável como o povo brasileiro irmão. Muito me honra falar deste homem, responsabilizando-me ainda mais sobre esta querida sociedade maçónica, passando-me o seu legado para dele fazer aqui fazer jus.
Traçar linhas acerca de Gonçalves Ledo é uma tarefa agradável, tendo em vista a importância deste estadista e Maçom na Independência do Brasil. Nome esquecido nos meios académicos, não podemos deixar de render-lhe estas homenagens e dar-lhe, na História do Brasil, o papel que lhe é devido. As datas que aqui transmito podem não ser as exactas, porque na pesquisa histórica levada a cabo, elas são contraditórias, peço por isso desculpa caso exista alguma imprecisão.

A 11 de Dezembro de 1769, nasce no Brasil, Joaquim Gonçalves Ledo, filho de comerciante abastado e já destinado a ser doutor em Leis. Em 1800, parte para Portugal, para estudar em Coimbra, sendo que, por força da morte de seu pai, volta ao Brasil, interrompendo os seus estudos. Em 15 de Novembro de 1817 é instalada no Rio de Janeiro a Loja Maçónica Comércio e Artes, sendo certo que, em 1818, havia enviado uma carta a seu irmão, que estudava medicina em Londres, afirmando a sua intenção de fundar no Brasil a primeira Loja, "que será o centro de propaganda liberal do Brasil". Gonçalves Ledo foi iniciado na Loja Comércio e Artes, a Primaz do Grande Oriente do Brasil, não podendo haver uma precisão de datas em virtude da destruição de documentos à época. Em 30 de Março de 1818, D. João VI, por Decreto, proíbe a existência das "sociedades secretas" e, com isso, são encerradas as actividades da Loja.
Relativamente à participação de Gonçalves Ledo no processo de independência do Brasil e na Maçonaria, narra-se o seguinte: «…F. Soares, representante da Maçonaria em São Paulo, descreve a "Joaquim Gonçalves Ledo, Venerável da Loja Comércio e Artes", os acontecimentos, daquele dia, quando os Maçons paulistas depuseram João Carlos Augusto Oyenhausen, presidente de São Paulo, que representava o governo português: "A confiança que V. S. depositou no Conselheiro, e nos Coronéis Lázaro, Lobo, Inácio e outros, foi imerecida. O novo governo já começou, como primeiro acto, a perseguição aos maçons que não concordaram com o Conselheiro José Bonifácio. Reunimo-nos na casa do patriota José Inocêncio Alves Alvim. Tanto ele, como o irmão Ledo, foram fiéis até o último instante e, por isso são alvos dos outros que são traidores…”
Apesar de problemas nacionais e outros envolvendo Irmãos, a 24 de Junho de 1821 é reinstalada a Loja Comércio e Artes, tendo como Venerável Mestre o Irmão Ledo. Até a Proclamação da Independência do Brasil, Ledo teve em mente esta ideia, podendo, sem dúvida alguma, ser considerado um dos principais responsáveis por este facto histórico. Em Julho de 1821, trocava ele correspondência com o Cónego Januário da Cunha Barbosa, afirmando a necessidade de lançar o “Revérbero Constitucional”, que seria o clarim das ideias de liberdade nacional. O primeiro número do periódico, quinzenal, surge em 15 de Setembro deste mesmo ano, com redacção de Ledo e do Cónego Januário. Foi este periódico que em muito contribuiu para a Independência do Brasil. Em 16 de Fevereiro de 1822 Ledo é nomeado Conselheiro e Secretário de Estado e, a 30 de Abril, novo exemplar do “Revérbero Constitucional” é lançado, elogiando Dom Pedro e clamando pela independência.
Em 01 de Junho é eleito Procurador Geral pela Província do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, instalado o Conselho de Estado, fazendo parte dele Ledo. Em 17 de Junho de 1822 é fundado o Grande Oriente Brasiliense, tendo sido seu Grão Mestre José Bonifácio, por nítida influência de Ledo, que seria seu 1º Grande Vigilante e verdadeiro dirigente da Instituição. Ledo foi atacado, por diversas vezes, de conspirar contra a Monarquia, porque a desejava constitucional. No entanto, não sabem os historiadores informar, se por ciúmes ou vinganças pessoais, atacavam-no de republicano.
Em 14 de Outubro D. Pedro oferece a Ledo o título de Marquês da Praia Grande, mas este recusa a honraria, posto entender que não poderia aceita-lo, mas aceitaria de grande prazer o título de patriota brasileiro. Dom Pedro, como era de costume em momentos de ira, desferiu palavras ásperas a Ledo, afirmando que o mesmo não tomaria assento na Câmara. Diversos factos fazem com que Ledo seja obrigado a embarcar para Buenos Aires com uma ligeira passagem por Portugal e refugia-se uns meses no Alentejo, porque a "tarja" de republicano poderia levar-lhe a própria vida.

Absolvido das acusações impostas, Ledo retorna ao Brasil, em 1833, é agraciado, em 17 de Fevereiro de 1834, pelo Imperador, com a Ordem do Cruzeiro do Sul, mas, assim como tinha recusado o título de Marquês, ele recusa. Em 1845 consta entre os Deputados da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano abandona a política e a Maçonaria, indo recolher-se na sua fazenda, em Sumidouro, vindo a falecer, a 19 de Maio de 1867, de ataque cardíaco.

Autor: Gonçalves Ledo

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Maçonaria na RTP

No passado dia 09 de Abril, a RTP apresentou um pequeno programa sobre a Maçonaria, na rubrica “Grande Reportagem”. As diversas intervenções são merecedoras de alguma apreciação.
Destaca-se em primeiro lugar as ideias expressas por um importante membro do clero da Igreja Católica. Depois de se referir da forma a que estamos habituados à actividade da Maçonaria e de ter feito a afirmação assombrosa de que durante o Estado Novo o ensino em Portugal foi dominado pelos maçons, as suas palavras finais foram uma surpresa. Penso que terá sido a primeira vez que ouvi um bispo católico português sugerir um diálogo entre a Maçonaria e a Igreja, dizendo que o mesmo se justifica pelo estado actual da nossa sociedade. Espero que não se trate de mera retórica, mas de uma proposta honesta. Foi também importante o depoimento de um historiador a mostrar que a Maçonaria nada teve a ver com o regicídio de 1908.
A intervenção do Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano foi simultaneamente firme e moderada, transmitindo uma ideia muito clara do papel e dos objectivos da Maçonaria ao longo da história e dos tempos. As câmaras puderam registar imagens de um dos Templos do Palácio e do corredor onde estão expostos os retratos dos anteriores Grão Mestres, mas logicamente não lhes foi permitido proceder a filmagens de qualquer sessão maçónica.
Também pudemos assistir a uma intervenção do Grão Mestre da Grande Loja Tradicional de Portugal (GLTP) sobre os critérios de admissão de candidatos na sua Obediência. Lamentavelmente, ao longo do programa foram sendo mostradas cenas dos trabalhos de uma Loja dessa mesma Obediência, incluindo todos os pormenores do início solene, da entrada ritual de um aprendiz e da cadeia de união. Também não faltou o juramento final de guardar segredo sobre os trabalhos! Está visto que a GLTP tem especial apetência pela apresentação televisiva das suas sessões rituais. No entanto, é inacreditável que se mostre a Venerável da Loja a jurar segredo de tudo o que se passou durante os trabalhos e uma parte significativa dos mesmos tenha sido mostrada ao grande público. Que noção terão os obreiros dessa Loja sobre o significado de palavras como “juramento” e “perjúrio”?
Também é de gosto muito duvidoso ter sido mostrado o interior de uma câmara de reflexão, pois ao ser especialmente destacada uma caveira, haverá decerto muitas pessoas que irão tirar ilações do género de que a Maçonaria se dedica a actividades diabólicas ou a bruxarias.

Em resumo: as intervenções de um historiador e do Grão Mestre do GOL por um lado e a de um membro do clero católico por outro, teriam decerto constituído um programa muito útil e eventualmente frutuoso. Já o “tempero” do programa com as cenas oferecidas uma vez mais pela GLTP foi absolutamente lamentável.

Autor: Carl Sagan

terça-feira, 1 de abril de 2008

O meu nome simbólico

O meu nome simbólico é uma homenagem ao meu Avô Paterno – José Francisco Esteves, nascido em Bragança nos finais do Séc. IXX (1884 ou 85).

Inicialmente, quando pensei qual o nome simbólico a adoptar, ocorreu-me de imediato Manuel Fernandes Tomás, figura ímpar da luta pela Pátria e pelos valores humanitários, que muito admiro. Marcou-me também pela sua maneira de estar na vida pública, defendendo sempre os interesses do bem comum, sem buscar para si os “louros” da vitória. Nessa reflexão, lembrei-me de muitos mais. Grandes figuras, grandes nomes. Não fazia ideia se eram maçons. Sabia (e sei) muito pouco sobre a nossa Augusta Ordem. Vou sabendo ao longo desta ainda curta aprendizagem, que muitos desses grandes nomes que admiro, eram maçons. Não me enganei na porta!

Porquê o meu Avô José Francisco? Não faço ideia se era maçom, mas pelo que conheci e me contam, era-o por princípios e actos. Foi, como se diz agora, um self made man, com apenas a instrução primária, foi um autodidacta brilhante. Correu Mundo, criou uma Família extraordinária, incutiu nos filhos e nos netos o gosto pela leitura e pela cultura de uma maneira geral, fundou com o cunhado a primeira grande livraria e papelaria de Bragança. Era um Cidadão de bons princípios, defendia a Igualdade a Liberdade e a Fraternidade. Contava-me o meu Pai, que durante a Guerra Civil de Espanha era incapaz de recusar ajuda a quem precisasse.
Não sendo católico, reconhecia como irmão o seu semelhante.

É por estas razões e mais outras do coração, que aqui me apresento com o nome simbólico de José Francisco Esteves.

Autor: José Francisco Esteves