Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

A Estrela D'Alva a brilhar


Estrela D'Alva, Técnica Mista s/ Tela 40x40

por Carmen- Lara
INTERPRETAÇÃO DA AUTORA



No centro da criação do Universo - os 5 elementos, a matéria, o espírito, a alma, a força e a vida - emerge o Homem com os 5 sentidos, iluminado pelo conhecimento, irradia a Luz, com zelo e fervor.

De braços abertos e pernas afastadas, regenerado e pronto para partir na estrada luminosa, a Luz que ilumina os livres-pensadores, a eterna vigilância e a protecção objectiva do G.A.D.U..
O impulso que leva o homem a aprender sempre mais e que é o principal factor de progresso.

Sempre pautado pela Temperança, Doçura, Lealdade e Sabedoria na senda da Perfeição, construindo assim uma Obra de Luz, tal, como é a Maçonaria.




Esta Obra foi elaborada por ocasião da comemoração o 103.º Aniversário da Loja Estrela D'Alva pela artista Carmen-Lara e oferecida com enorme carinho e sentida sensibilidade simbólica, sendo recebida de igual modo. Vai estar presente nos trabalhos da Loja Estrela D'Alva para iluminar o caminho iniciado à mais de 100 anos.


Autor: Júlio Verne

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Mito, Rito e Ritual

Templo de Salomão por Carmen-Lara
A palavra Mito deriva do grego “ mithós” que significa narrativa de carácter simbólico. 
Há quem ligue a maçonaria a inúmeras raízes históricas e lendárias que influenciaram de várias maneiras o seu conteúdo simbólico, mas é na tradição judaico-cristã onde vai encontrar o seu mito fundador e principal, e que vem a ser comum a todas as obediências – a lenda de Hiram. 
É aqui que a maçonaria contemporânea vai encontrar as suas fontes de inspiração mais intensas. 
Quem era este Senhor? era um famoso arquitecto tírio que o Rei de Tiro cedeu ao Rei Salomão a solicitação deste, para a construção do maior santuário alguma vez concebido para a glória do Altíssimo. 
Hiram, aquém também chamavam Abif “o filho da viúva”, organizou toda a sua força de trabalho em três categorias: aprendizes, companheiros e mestres, cada categoria recebendo uma palavra secreta de livre transito, somente conhecida pelos seus membros. 
Foi o conhecimento desta palavra secreta, que três companheiros que a pretendiam conhecer a fim de poderem usufruir dos salários e da consideração devidos aos Mestres, e dada a recusa de Hiram em a divulgar, a razão do seu assassinato. 
É através desta lenda que a maçonaria se liga a um dos temas principais essenciais, praticamente de todas as atitudes espirituais tradicionais – o da morte e da renascença interiores. 

No congresso de Lausana de 1875 procurou-se definir o que é o rito: 
A ordem maçónica é partilhada em diferentes Ritos reconhecidos e aprovados que, apesar de diversos, são todos oriundos da mesma fonte e tendem para o mesmo objectivo. 
Seja de que Rito reconhecido for, um Mação é irmão de todos os Mações do globo. 
Cada Rito tem a sua autoridade reguladora e a sua hierarquia. 
Cada Rito reconhecido é perfeitamente distinto e independente. Os actos de administração que emanam dos seus chefes só são obrigatórios para os Mações da sua obediência. 
Não me parece que o tenham definido de forma clara. 
Para mim o rito não é mais do que um modo de acção do mito e que possui uma força operativa que veicula pela sua prática a energia contida no simbolismo. É uma ferramenta necessária á realização interior de cada um, na medida em que abala a estrutura do indivíduo. 

Definir o que é ritual por palavras simples não é fácil pois se a iniciação é a transmissão, a aprendizagem e a integração efectuam-se essencialmente através do vivido simbólico do ritual maçónico. Este é apreendido de uma forma sensorial e não intelectual, o simbolismo do ritual não é enunciado mas funcional. Sendo o ritual estruturante ele é aberto á procura de uma ou várias compreensões interiores ou pessoais. O ritual é uma característica do grupo dos maçons: repetitivo, ele manifesta e produz a pertença ao conjunto tornando-se na memória dos maçons e o seu propósito de manutenção da sua identidade promovendo a coesão do grupo. 
É por isso que o ritual pelo seu valor, vai actuar sobre o indivíduo e tornando-se eficaz, se for praticado com rigor, sem faltas ou falhas.

Autor: Jorge Amado

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Visualizações da página por País



Brasil

14 895

Portugal

11 576

Estados Unidos

1 016

França

264

Alemanha

255

Holanda

133

Rússia

130

Espanha

69

Reino Unido

49

Angola

47

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Intertexto - Bertold Brecht



Intertexto -  Bertold Brecht 

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão a levar-me
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo. 



Os campos de concentração nazis, durante a Segunda Guerra Mundial, possuíam um sistema de figuras geométricas em forma de triângulos, para auxiliar na identificação do tipo de pessoa que a portava.
A título de legenda e exemplificando a significação das cores e triângulos que eram marcados os opositores, raça, género, religião e demais, o triângulo vermelho invertido: 
 Vermelho = maçons, anarquistas, dissidentes políticos, incluindo comunistas, sociais-democratas, liberais.

Autor: Júlio Verne

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Foi atribuída a Medalha da Cidade de Coimbra a António Arnaut



António Arnaut contra proposta do GovernoA Câmara de Coimbra decidiu, por unanimidade, na sua reunião de hoje, atribuir a medalha da cidade ao advogado, escritor e fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) António Arnaut, noticia a Lusa.

A proposta, apresentada pelo vereador do PS António Vilhena, mereceu, além do voto da bancada socialista, o apoio da maioria da coligação PSD/CDS/PPM e do eleito pela CDU.
António Arnaut é «um coração espelhado onde há o poeta, o romancista, o político, o homem de cultura, de família, o amigo, a mente brilhante que nos deixa a pensar», sustenta, na sua proposta, António Vilhena.
O antigo ministro dos Assuntos Sociais, função em cujo desempenho criou o SNS, «tem uma vida dedicada aos outros, ao país que ele ama, a Coimbra que o inspira e que lhe deu quase tudo», sublinha a mesma proposta.

Natural do concelho de Penela, António Arnaut, 75 anos de idade, foi co-fundador do PS e desempenhou, entre outros, os cargos de deputado, presidente do Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados, vogal do Conselho Superior da Magistratura e de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano da Maçonaria Portuguesa.


Autor: Grémio Estrela D'Alva

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

António Arnaut defende os maçons ... finalmente!





Finalmente, após, mais um vergonhoso ataque das forças obscuras e com fins de outrora como a Inquisição, surge uma voz sábia e ética de um homem impoluto com respeito merecido por toda a sociedade, pela sua integridade de ser humano, moral e Maçon, que com toda a transparência e lucidez desmonta toda a cabala movida pelos interesses de todos aqueles que a coberto da Liberdade conquistada querem agora proibir e castrar o Livre Pensamento. 

A História, como antes o fez, se encarregará de desmascarar estes seres das trevas, a nós Maçons pelo legado dos que nos antecederam temos que estar na primeira linha do combate pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade!


Bem hajas Irmão António Arnaut!


Autor: Grémio Estrela D'Alva

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Câmara de Reflexão

Câmara de Reflexão por Carmen-Lara
As iniciações remontam aos primórdios da humanidade, estando essencialmente associadas a ritos de passagem.
Geralmente nos objectivos das iniciações estão a aprendizagem de valores fundamentais para a vivência de um nível seguinte. Na Maçonaria, a Câmara de Reflexão surge como “peça” fundamental no processo de iniciação. Cuidadosamente dissimulada e fora do conhecimento dos profanos apresenta normalmente uma entrada discreta e de dimensões reduzidas, assemelhando-se no possível a uma gruta, túmulo, ou interior da terra. Sendo a chave da iniciação do neófito na Maçonaria tem uma importância excepcional para o futuro Maçon,  pois é nesse local que o neófito efectua uma reflexão sobre a sua vida profana e o que deverá ser após admissão na Ordem. 

Assim, espera-se do candidato, no interior da Câmara de Reflexões, uma séria meditação, através da qual seja levado a entender a efemeridade das coisas terrenas e a importância dos bens espirituais. Sendo recebido à entrada do edifício da ordem, a introdução do candidato na Câmara tem uma simbologia especial, correspondendo à descida ao interior da Terra, ao mundo da matéria densa. Ao fazer-se passar o profano pela Câmara de Reflexão, espera-se que o isolamento, a envolvente e os objectos lá colocados possam proporcionar novos ensinamentos. Outro simbolismo muitas vezes associado à Câmara é o do feto no ventre materno, sendo que a estadia no local corresponderia ao tempo de gestação que antecede o nascimento. O embrião desenvolve-se, nascendo para uma nova vida. Tudo isto precedido do aspecto fúnebre simbolizando a morte do neófito para a vida profana. O isolamento e as paredes negras representarão a transição das trevas para a luz que constituirá o culminar do processo de iniciação. Por isso a finalidade da Câmara não será o de provocar medo ao neófito, mas antes o estado de clareza e receptividade a nível espiritual absolutamente necessário ao entendimento dos ensinamentos esotéricos inerentes à Iniciação. Na presença da morte todos os interesses de natureza material perdem todo e qualquer valor ficando a esperança concentrada na possibilidade de um novo nascimento. Torna-se assim extremamente importante que o neófito permaneça na Câmara, preferencialmente sozinho, durante o tempo que lhe permita reflectir sobre tudo aquilo que lhe é possível observar no local.

Autor: Gualdim Paes

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Zeca Afonso - Canção de Embalar


video


Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti 
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis) 
Outra que eu souber na noite escura 
Sobre o teu sorriso de encantar 
Ouvirás cantando nas alturas 
Trovas e cantigas de embalar 
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis) 
Trovas e cantigas muito belas 
Afina a garganta meu cantor 
Quando a luz se apaga nas janelas 
Perde a estrela d'alva o seu fulgor 
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis) 
Perde a estrela d'alva pequenina 
Se outra não vier para a render 
Dorme que ainda à noite é uma menina 
Deixa-a vir também adormecer 
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Estrela D'Alva - 103.º Aniversário

“A região do Vale do Alva tem na sua história uma disputa entre três rios, o Mondego, o Alva e o Zêzere, todos nascidos na Serra da Estrela. Estes três rios envolveram-se um dia numa grande discussão sobre quem seria o mais valente e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor. 

O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim, pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra. O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo. O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe. Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.” 

Esta lenda de Portugal encerra em si um tríptico simbolismo relacionado com a origem e fundação da Estrela D’Alva. 

Em primeiro lugar, a Loja nasceu em 1871 na cidade de Coimbra formada por um conjunto de maçons que viviam, tinham valores e princípios morais éticos, sonhavam com uma sociedade mais justa e fraterna, e segundo dados históricos com relevância na região do Vale do Alva com as suas funções profissionais, universitárias e de família, mantendo a sua actividade nesta cidade até 1912. 

Em segundo lugar, a região do Vale do Alva embora seja uma região serrana com as adversidades da natureza e de formação territorial, nunca impediu que as gentes que viviam, e vivem na região se deixassem abater por essas contrariedades, foram gentes que lutaram pelo progresso, pela evolução e com valores determinados em prol dos mais desfavorecidos, da justiça, da igualdade e com vasta intervenção social e de cidadania. 
Em terceiro lugar, existe a ligação ao nome Alva como uma homenagem às gentes da região, existe mesmo uma localidade na região como o nome: Estrela de Alva; por outro lado, serviu para a ligação do mundo terreno ao celeste, através da estrela mais próxima do planeta Terra, que se tem chamado popularmente de Estrela Vespertina, Estrela Matutina, Estrela do Pastor ou Estrela d'Alva. 

Mas, outros significados mais simbólicos têm este nome e esta lenda. Na lenda estão plasmados valores, princípios, símbolos que são interiorizados pelos Maçons, senão vejamos: a determinação de lutar, progredir, vencer, a honra, o caminho a percorrer. Tem o simbolismo dos elementos da natureza, da terra, água, ar, numa viagem feita com o objectivo de conhecer outras realidades, o chegar ao mar imenso e por conhecer, por que não, outros mundos, foi do mar que partiram os Descobrimentos.
Tem o conhecimento, a procura da geometria do espaço e a ligação à astronomia, a divagação com a ligação à filosofia, a poesia para as artes, o sonho na demanda do mundo melhor, pois como diz o poeta: o sonho comanda a vida.
Por fim, e não menos importante, a disputa por chegar mais longe, o desbravar o caminho, é feita por 3 irmãos que em igualdade, partem na demanda do conhecimento e de outros mundos.

Pelo saber de hoje, o nome “Estrela D’Alva” dado a uma Loja em Portugal remonta a ano de 1871, perfazendo 140 anos de existência. Por perda de elementos para garantir a transmissão iniciática, a actual Loja Estrela D’Alva é herdeira de 103 anos de trabalho, irradiação da Luz, mantendo-se activa e regular desde 1908 sem qualquer interrupção ou abatimento, mesmo nas dificuldades e agruras da clandestinidade. 

Nestes mais de 100 anos de trabalho em que o testemunho foi passando por gerações e que foram atravessados por múltiplos acontecimentos, como a Implantação da Republica, Estado Novo e a sua Ditadura, a privação da Liberdade e dos Direitos Humanos, a clandestinidade, uma guerra colonial, o alvorecer da Liberdade em Abril de 74, temos que prestar a nossa homenagem aos Maçons que nos antecederam, pela grande competência e extraordinária dedicação aos valores da Maçonaria e por manterem as colunas bem erguidas e irradiar com esplendor e brilho a Liberdade, a Justiça, a Verdade, a Honra e o Progresso.
Renovamos os agradecimentos pela Honra que nos deram com a vossa presença nas nossas comemorações e como o objectivo da Maçonaria é o da procura da Verdade nos seus mais variados aspectos e utiliza como linguagem, fundamentalmente, a linguagem simbólica, apelamos-vos, por isso, para que conjuntamente trabalhemos na construção do Templo para que seja possível atingir a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade Universal. 

Saúde e Fraternidade! 

Autor: Júlio Verne

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Gustavo, apresento-me

A data estava marcada com hora incerta para o momento final. 
No entanto, eram exactamente meio-dia, do dia 24 de Maio de 2002, quando me foi pedido para entrar numa sala e aguardar.
Era a primeira vez, desconhecia por completo aquele ambiente, era como se estivesse de olhos vendados. O lugar era frio, sinistro e deveras impressionante, ambiente propicio a meditação e pensamento. 
Não estava sozinho, mas sentia-me só, estou acompanhado com mais duas pessoas que não conheço mas que esperam pelo mesmo acontecimento. Envolvidos todos na mística que nos rodeia, não conseguíamos disfarçar o nervosismo que impera neste espaço.
Sozinho na minha espera, a ansiedade apoderou-se de mim, pensei por longos momentos, que tudo iria mudar na minha vida e o quanto prestes estava para acontecer. Estou a breves momentos, de triplicar a responsabilidade que faz de mim um homem de bons costumes e com o dever de transmitir aos outros valores sociais tão importantes como a justiça, respeito, honestidade e rectidão. 
Ruídos estranhos e barulhos constantes rompem pelas brechas da porta que me separa da acção, .…. são ecos longínquos que vão despertando os meus medos e receios. 
Algum tempo depois, entra alguém com um formulário de poucas e concretas perguntas para preencher. Sentei-me na mesa colocada de frente do janelão espelhado, aproximando-me do candeeiro com lâmpadas em forma de vela para que a escrita fosse perfeita. Á medida que preenchia a minha mente refugiava-se em Deus e na minha Família. Naquele momento nada era importante, dinheiro, bens materiais e tempo, eram coisas fúteis, a situação assim o proporcionava, era só eu e os meus pensamentos de reflexão para com o mundo, na esperança que tudo corresse bem. 

Tudo o que queria saber, era o que se passava lá fora ou lá dentro, perto do acontecimento, pensava em tudo e em todos, dava a volta ao meu mundo num curto espaço de tempo, como se estivesse a definir e redefinir a minha pessoa. Estava a acusar a responsabilidade de nove meses de preparação para um novo amanhã. 
Também pensava em todas as pessoas do mundo, pessoas com dificuldades, pessoas que nunca lhes foi dado uma oportunidade para sorrir como eu espero sorrir, pessoas que levaram uma vida recta e nunca puderam saborear uma situação fraternal. Enfim, pessoas de outro contexto, com vidas complicadas. 
Estava na eminência de alterar a minha vida, iriam chamar-me a qualquer instante e não sei se estou preparado para agarrar o que me espera ou para o que esperam de mim. Mas naquele momento estava decidido a consolidar tudo o que de bom me ensinaram para ser capaz de o difundir junto dos que amo. O relógio era o objecto, entre os outros da sala, o mais olhado, as horas pareciam intermináveis, tornando-me pequenino por não poder de controlar o momento. São nestas alturas que damos valor ao que temos e ao que queremos manter a todo custo, pois nada é garantido, tudo é efémero. Percebemos que a vida é uma passagem e todas as decisões tomadas definem-te o homem que és. Encontras-te num momento de auto-critica, deveras pesado para quem vai assumir um novo cargo na sociedade. 

Eis que sou chamado, cego pela escuridão e sem noção do espaço pelo qual caminho, aproximo-me daquilo que hoje sei ser, o lugar do acontecimento, trémulo e sem controlo no discurso, fui respondendo e validando as informações que apresentei anteriormente, e tentando discretamente saber o que se estava a passar de forma a confortar-me. 
Sentia um ambiente carregado de pressão sobre mim, como se me estivessem a avaliar na prova da minha vida, e continuavam a não me dar novidades, só queria era que tudo terminasse em bem.
De volta á câmara ou á sala de espera da maternidade, já não tenho posição de estar, os ruídos continuam do outro lado da porta,, e agora sinto que estou perto de o ver, passado algum tempo, a hora da verdade chegou. 

É meia-noite, chamaram-me e mostraram-me a Luz da minha vida.  
Eu tornara-me Pai de um menino que acabou de nascer com 3,4kg de seu nome Gustavo.
Curiosamente, passado 3 anos, passei pela mesma prova de fogo, desta vez de um modo diferente. Fui convidado a nascer de novo, aprendendo a trabalhar espiritualmente e a comungar de uma elite, onde todos os valores que tento transmitir são as colunas do meu carácter, Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 
Hoje todos os meus irmãos me reconhecem como …. Gustavo.

Autor: Gustavo

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Sucedeu

O que a seguir vos relato é inteiramente verdade. Só não importa onde ocorreu, porque a Maçonaria é Universal. Fica o exemplo. 

Reinava profundo silêncio no Templo; era noite de Iniciação e tinha-se acabado de dar a Luz a um profano. Os Irmãos tomavam assento nas suas colunas quando uma voz forte se faz ouvir e um Irmão, de pé, pede a palavra ao VM fora da altura convencionada para tal. Todavia, face ao tom da voz e ao porte assumido e pensando que se tratava de um caso fortuito de indisposição, aliás não incomum em sessões prolongadas, o VM concede-lha. 
“V M”, disse o Irmão se tinha colocado de pé, “permite-me cobrir o Templo, uma vez que não posso resistir por mais tempo à presença deste profano. Separa-nos um facto da vida que, quando ocorreu, prometi vingá-lo, se possível com a morte; mas tive a sorte de me serenar a tempo e a sua ausência também me o impediu. Mas, no momento em que o vejo chegar a este sagrado recinto, não posso resistir ao veemente desejo de me afastar imediatamente da sua presença”. 
“Senhor”, interrompeu o recém-iniciado, dirigindo-se ao VM. “Sou eu quem deve ir-se embora e rogo-lhe que me permita sair. 
O VM, com a serenidade própria que nunca deve abandonar o bom Maçom, perguntou ao seu Irmão de Oficina se era tão grave e tão profundo o assunto que o levava a abandonar o Templo, ao que este respondeu: “Serei breve, VM. Há alguns anos, um filho meu, gravemente doente, foi assistido por um médico mas morreu, na sequência de uma prescrição errada de medicamentos que tomou. Esse médico é o homem que hoje se inicia e, para não perturbar a cerimónia, prefiro abandonar o Templo. 

O silêncio de morte e a emoção contida que tinha invadido os presentes foram interrompidos pelo recém-iniciado que, com voz trémula e dorida, explicou: “Senhor, durante os meus anos de estudo tive um companheiro de aula, mais do que um amigo, quase um irmão; saíamos quase sempre juntos e fazíamos anos no mesmo dia. Já eu tinha tirado o curso quando soube que tinha ficado doente. Acudi imediatamente para lhe dar consolo e para o atender. Coloquei todo o meu esforço, todo o meu carinho e todas as minhas energias a tempo inteiro para o aliviar das suas dores e para acelerar a sua cura. Desgraçadamente, tudo saía ao contrário. A doença tornava-se mais grave a cada dia e, possivelmente pelo empenho em restabelecê-lo, cometi um erro. O meu querido amigo, o meu irmão de alma, morreu. Era nobre e generoso como poucos, inteligente e bom. Eu, senhor, angustiado pela dor, com a alma e com o coração afligidos até ao mais íntimo pela perda irreparável deste tão querido irmão, perdi a motivação para tudo o mais e passei a viver fechado em casa. Destroçado e decadente, acabei por ficar doente e sem poder dedicar-me a qualquer tarefa profissional. Vendo que a minha vida se tornava impossível ao conviver com os amigos comuns e que não podia dedicar-me à minha profissão, fui para o estrangeiro. Ali vivi alguns anos, que, todavia, não tiveram a capacidade de curar esta profunda ferida que deixou na minha existência a morte daquele companheiro, o filho deste digno senhor, a quem publicamente peço que me perdoe. A minha culpa foi inocente. O seu pai quis a minha vida. Pode dispor dela quando quiser. Compreendo a sua dor, porque a minha também foi horrível. 

O Irmão da Oficina, surpreendido, exclamou: “VM, as minhas forças como homem e como pai abandonam-me. Só me resta, como Maçom, suplicar-vos que me permitis ir à coluna para perdoar ao recém-iniciado.” O VM assim o permitiu. 

Uma vez entre colunas, ao lado do iniciado, disse-lhe: “Nunca pensei olhar a tua cara frente a frente, mas tocaste o íntimo do meu coração, que te perdoa neste Templo sagrado. Compreendo que sofreste. São coisas do destino. Irremediáveis. Mas eu, que tanto chorei pelo meu filho idolatrado, neste momento solene e neste local sagrado de abraço como se tu também o fosses, e abraço-te também como meu Irmão de Loja.” 

Fez-se Maçonaria.

Autor: Álvaro