quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

ASA - "Voar" em Liberdade

O meu nome simbólico de ASA assenta em 3 pilares fundamentais, que sustentam a forma da minha forma de ser, de estar e por fim a minha razão de existir e que se traduzem na justiça, na honra e na verdade. Estes três pilares foram cimentados ao longo dos meus trinta e nove anos de existência e particularmente construídos durante vinte e nove anos no Mundo Profano.

A escolha feita em reflexões, em adoptar o nome simbólico de ASA, não tem nada de filosófico, mas muito de emocional e sentimental. Ao entrar na escuridão, e perante as responsabilidades que se deparavam a partir daquele momento, não me poderia esquecer do Homem, e que ao mesmo tempo era meu Pai, que me formou e que a ele fui beber todos os conceitos atrás descritos.
Espero portanto, com os ensinamentos que “Ele” me deu e com a ajuda de todos os demais, possa trabalhar a pedra com o objectivo de me tornar num homem ainda mais justo, mais fraterno e defensor acérrimo da Verdade neste Ideal Maçónico.

No dicionário Texto Editores:
ASA - " é um membro guarnecido de penas que serve às aves para voar" e é precisamente este último termo “voar” sinónimo de Liberdade; no sentido figurado ASA é definido por “protecção” no plural “ligeireza”;
Estes dois termos definem, por um lado a aplicabilidade do nome simbólico nesta grande família e por outro lado representa com uma grande amplitude a minha visão do Mundo Maçónico.

No dia 6 de Dezembro do ano passado passei a ser um novo Homem. Renasci

Autor: ASA

Curiosidade: ASA, foi Rei de Judá, filho de Abias, neto de Roboão e Bisneto de SalomãoRei de Israel. Trouxe a paz para Judá e reinou quarenta e um anos. Lutou com Zerá Rei Etíope e venceu, não obstante a força militar deste de um milhão de homens e trezentos carros, na Batalha que teve lugar noVale Zefata em Maressa. Os seus assuntos ficaram escritos no Livro dos Reis de Judá e de Israel. Foi sepultado na terra de Davi, tendo sido feita uma queima fúnebre extraordinarimente grande. Cr.14:2

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Homenagem a meu pai

Na remota década de 50 do século transacto, Álvaro vivia em Queluz com sua mulher, Aurora, e o filho de ambos, Francisco, este ainda a dar os primeiros passos. As dificuldades eram mais que muitas e as perspectivas menos que poucas. Ouviu-se, então, o chamamento africano, e Álvaro rumou, com mulher e filho, para a então remota cidade de Luanda, que ficava a 17 dias de barco, numa viagem em que não escassearam as atribulações.
Francisco foi crescendo num ambiente em que os pais – sobretudo Álvaro, sempre mais interventivo e assertivo – lhe transmitiam um conjunto de princípios e de valores que só mais tarde começaram a ser entendidos na verdadeira plenitude do seu significado intrínseco.

Para não vos incomodar mais com historietas estéreis, invoco então apenas três dos incontáveis momentos que retenho das conversas com meu pai. Elenco-os por ordem cronológica, não pela hierarquia da importância que possam encerrar.

Numa conversa a três – mãe, pai e filho –, Álvaro disse a Francisco não recear que este andasse com más companhias, porque a obrigação de Francisco seria a de trazer os maus exemplos para os caminhos do bem. Falou então em coisas à época tão herméticas para mim, como a missão que estava cometida a todos os homens livres para apontarem o rumo dos bons costumes aos seus semelhantes, em ordem a que pudesse ser construído um Templo no seio do qual cada um pudesse encontrar-se consigo próprio e com os outros, no respeito pela fraternidade. E lá foi acrescentando, perante a perplexidade de Francisco, que tinha aprendido aquilo com um homem de estatura intelectual invulgar, chamado Norton de Matos que, ao que fiquei a saber, era tio de uma tia minha.

Um ou dois anos volvidos, Francisco começou a fumar, buscando assim uma forma de afirmação perante os pais de sua namorada, que o consideravam imaturo. Mas Francisco escondia ciosamente de Álvaro as provas do vício, até que um dia, inadvertidamente, entrou em casa com um maço de cigarros no bolso transparente de uma camisa.
Quando Francisco reparou no lapso, tentou emendá-lo e dirigiu-se com celeridade à casa de banho. No momento em que escondia no bolso opaco das calças a “prova do crime”, Álvaro disse-lhe, do outro lado da porta: “Não vale a pena esconderes os cigarros. Comecei a fumar com a tua idade. Estou arrependido, mas não consigo voltar atrás. E por isso não tenho moral para te condenar. Os exemplos transmitem-se por acções concretas e não por palavras vadias. Fuma e fica em paz.”.
Abrindo receosamente a porta da casa de banho, por recear que aquelas palavras encerrassem uma cilada, Francisco estacou frente a Álvaro, que lhe sorria, dizendo: “Meu filho, devemos contribuir para a construção de um mundo mais tolerante, aceitando as diferenças, mas teimando para que o nosso exemplo possa ser seguido e multiplicado. Sabes quem me ensinou isto? Norton de Matos.”. Foi a segunda vez que ouvi aquele nome.

Mas Álvaro, apesar das suspeitas de Aurora, de quando em vez, à noite, pegava numa linha e em anzóis e anunciava que ia pescar. Claro que Aurora pensava que a pesca tinha mais a ver com carne do que com peixe, até porque meu pai raramente regressava com algo que pudesse constituir um álibi inquestionável. Numa dessas noites, Álvaro convidou Francisco a acompanhá-lo. E lá fomos para uma praia deserta, a duas vintenas de quilómetros de distância.
Álvaro iscou o anzol, arremessou a linha e distanciou-se. Permaneceu calado e exortou-me a não quebrar o silêncio.
Mas, a certa altura, Francisco não aguentou mais. “Tenho fome!” – murmurou, timidamente. Álvaro foi ao farnel, retirou duas generosas postas de bacalhau e uma dúzia de batatas com casca, colocou tudo dentro de uma panela que encheu de água do mar, fez uma fogueira e a tão esperada refeição começou a ser cozinhada.
Todavia, Álvaro era uma caixa de surpresas. Foi buscar uma toalha de mesa cuidadosamente dobrada, que cuidadosamente desdobrou e colocou sobre a areia. Duas facas, dois garfos e dois guardanapos de pano completavam o cenário.

Era uma noite ferozmente tropical, em que a Lua fazia multiplicar, no espreguiçar remansoso das ondas, uma miríade de minúsculos corpos luminosos, símbolos da vida que o mar encerra. Atrás de nós erguia-se uma falésia rochosa, inclinada, de onde, de repente, começaram a surgir uns repugnantes e bem encorpados caranguejos brancos, cujo habitat era aquele. E, descaradamente, ignoraram a nossa presença, dirigindo-se para o local preparado para o repasto, apoderando-se dos talheres, que a custo removiam para os buracos onde habitavam.

Indignado, mas com medo daqueles seres que mais pareciam frutos de um filme de qualquer Spielberg de ocasião, revoltei-me com o furto e insurgi-me contra meu pai, por nada fazer para o evitar. Extasiado perante a cena, Álvaro retorquiu-me: “Deixa-os em paz. E admira a coragem deles, que enfrentam o perigo para conseguirem objectos de que provavelmente necessitarão para a construção da casa deles. Nós não precisamos dos talheres. Eles, pelos vistos, sim. Podemos comer à mão. É que também foi à custa de muita coragem que alguns homens conservaram até hoje símbolos que significam coisas que eu gostaria que tu um dia mais tarde conhecesses e de que te apercebesses. Norton de Matos ensinou-me alguns.”

Francamente, e aproveitando o facto de a cena se desenrolar na praia, permitam-me que desabafe: era muita areia para a minha camioneta. E mais ainda quando, logo de seguida, ao sentir a linha de pesca a mexer-se convulsivamente, anunciei a meu pai que, por fim, havia pescado algo, ele se lhe dirigiu, recolheu o imprevidente peixe, desembaraçou-o do anzol e devolveu-o à água.

Por instantes temi que Álvaro tivesse ensandecido. Com o mesmo sorriso, adiantou-se: “Julgavas que eu vinha à pesca? Não! Este é apenas um pretexto para sublimar o silêncio, para comungar com a natureza, para apreciar a sua perfeição e para me aperceber das minhas imperfeições.”. Pretensiosamente irónico, murmurei entre dentes: “Se calhar esse tal Norton de Matos também era pescador!...”
- Não – elucidou Álvaro. Era construtor.
- Da construção civil? – perguntei, incrédulo.
- Não. Da construção de coisas de que talvez um dia possas aperceber-te.

Assim se encerra este tríptico. Um triângulo traçado com linhas talvez metafóricas, mas nem por isso menos reais.

Autor: Álvaro

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Gomes Freire de Andrade (27-1-1757...18-10-1817)


Gomes Pereira Freire de Andrade e Castro nasceu em Viena, Áustria, a 27 de Janeiro de 1757, filho de Ambrósio Pereira Freire de Andrade e Castro, e da Condessa Elisabeth von Schaffgotsch.
Iniciado antes de 1785, provavelmente em Viena na Loja Zur gekrönten Hoffnung, à qual também veio pertencer Wolfgang Amadeus Mozart.
Em 1801, reúne-se em sua casa a assembleia que levou à organização definitiva da Maçonaria portuguesa, com a posterior criação do Grande Oriente Lusitano em 1802, vindo a ocupar o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano de 1815 a 1817.

Defensor dos princípios de liberdade e do nacionalismo, veio a ser acusado de liderar uma conspiração liberal e nacionalista contra a monarquia absoluta de João VI, instrumentalizada em Portugal continental pela Regência, em conluio com o governo militar britânico de William Carr Beresford.

Assim, Gomes Freire de Andrade foi detido como traidor nacional junto com outras onze pessoas: o coronel Manuel Monteiro de Carvalho, os majores José Campelo de Miranda e José da Fonseca Neves e mais oito oficiais do Exército.

Feitos os julgamentos, as execuções tiveram lugar a 18 de Outubro de 1817, sábado no Campo de Santa Anna (posteriormente Campo dos Mártires da Pátria), pouco depois do meio dia, com a saída dos presos do Limoeiro, descalços e vestidos com a “alva” acompanhados por membros do clero. A última vítima, foi executada às 9 horas da noite, tendo posteriormente, os corpos sido empilhados e deitado fogo, tendo as fogueiras ardido até às 11 horas da noite, ao que D. Miguel Pereira Forjaz, a propósito da morosidade das execuções terá dito “é verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar”.
No mesmo dia, no Forte de São Julião da Barra, a execução de Gomes Freire de Andrade teve lugar às 9 horas por enforcamento, seguido de decapitação, tendo sido o seu corpo posteriormente queimado e lançados os restos mortais ao mar.

Após o julgamento e execução de Gomes Freire de Andrade em 1817 e outros, Beresford deslocou-se ao Brasil para pedir maiores poderes. Supostamente havia pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano português. Mas a Regência, "melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente".
Este procedimento brutal da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao retornar do Brasil, onde conseguira de D. João VI maiores poderes ainda.

Numa atitude contemplativa dos princípios que nortearam Gomes Freire de Andrade e demais mártires que com ele perderam a vida, durante a “Primeira Republica” o dia 18 de Outubro foi assumido com dia de feriado nacional, que ainda é recordado como um dia de luto para a maçonaria portuguesa.

Rende-se assim homenagem a Gomes Freire de Andrade como um dos maiores vultos da nossa História, enquanto português e como maçon do Grande Oriente Lusitano, que ajudou a edificar e a engrandecer na luta pela Liberdade e pelo Progresso.
Nota:
No ano de 2003 o Grande Oriente Lusitano ofereceu à cidade de Lisboa um monumento em homenagem a Gomes Freire de Andrade, colocado na rua com o seu nome, em frente à Academia Militar.
Referência ao livro:
"Gomes Freire de Andrade - um retrato do homem e da sua época" da autoria de António Lopes - Edição Grémio Lusitano
Autor: Júlio Verne