terça-feira, 23 de outubro de 2007

A Criança

Quis nascer um dia novamente, esquecer o passado e ser criança na sua plenitude.
Nasci como quis, com as virtudes e pureza da criança mas com a sabedoria e o conhecimento para moldar o meu eu, sendo contido nos meus actos e sabendo guardar segredo sempre que saio de casa e quando estou em casa.
Sim pensar com arte, dentro da arte de pensar.
Haverá alguém que se compare a uma criança no seu estado de pureza, despida de preconceitos, de vaidades, que busca a verdade e partilha o seu conhecimento sem limites, bem como a cumplicidade com quem se identifica, sempre com o sentido da responsabilidade?
Certamente, que sim.
Como toda a criança aprendi a ganhar firmeza nos meus passos, viver o presente, com o olhar no futuro, resguardando-me dos estranhos, embora os trate com respeito.
Sou uma criança que ignoro a vaidade e a arrogância mas defendo a verdade, o saber e a justiça.
Quero crescer e ser forte para ajudar os Homens a encontrarem a criança que existe dentro deles.
Como toda a criança ainda que me aliciem guardarei sempre o segredo que me foi confiado, pois, saberei sempre estar no meio sem me imiscuir com o meio, como aprendi no exercício da arte de pensar, enquanto corria livremente pelos campos e prados, tentando tocar a linha do horizonte, sem nunca desistir.
Bem Haja

Autor: Salomão

sábado, 13 de outubro de 2007

Choremos, choremos, choremos

Faleceu o Dr. Fausto Correia

Foi com profundo pesar que soubemos do falecimento do Dr. Fausto Correia no dia 09 de Outubro aos 55 anos de idade.

Fausto de Sousa Correia, nascido em Coimbra a 29 de Outubro de 1951, casado, três filhos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Advogado e consultor de empresas, Jornalista do "República", co-fundador de "A Luta" e chefe da Delegação Regional Centro da ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa. Regeu a cadeira de "Iniciação ao Jornalismo" no Liceu D. Duarte, em Coimbra. Durante quase nove anos, de 1983 a 1992, fez parte dos sucessivos Conselhos de Administração da RDP – Radiodifusão Portuguesa. Desde Abril de 1992 e até Outubro de 1995, foi Vice-Presidente da Direcção-Geral da Agência LUSA de Informação. Deputado à Assembleia da República, eleito pelo Círculo de Coimbra, nas IV, VII, VIII e IX Legislaturas. De Outubro de 1995 e até Outubro de 1999, exerceu as funções de Secretário de Estado da Administração Pública do XIII Governo Constitucional. Entre Outubro de 1999 e Abril de 2002 foi, sucessivamente, Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Secretário de Estado Adjunto do Ministro de Estado e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Minisstro. Foi ainda Vogal da Junta Distrital de Coimbra, Vice-Governador Civil de Coimbra, Presidente-Substituto e Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Secretário do Conselho Fiscal da Associação Atlântica dos Jovens Dirigentes Políticos, Deputado à Assembleia Municipal de Coimbra e membro da Direcção do Instituto de Imprensa Democrática (IID) e deputado à Assembleia Municipal de Miranda do Corvo.

Fundador e presidente da Direcção do FORUM CONIMBRIGAE, foi dirigente da Associação Académica de Coimbra, co-fundador do Clube Académico de Coimbra e vice-presidente da Assembleia Geral da Académica/Organismo Autónomo de Futebol; membro do Conselho Nacional de Solidariedade Afro-Lusitana. Foi presidente da Direcção da Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol até Outubro de 1995. Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra durante vários mandatos e era Presidente da Assembleia Geral do Olivais Futebol Clube.
Sócio honorário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra e da Secção de Andebol da Associação Académica de Coimbra, bem como militante honorário da Juventude Socialista. Homenageado em 2002 pela Casa da Académica em Lisboa.

Publicou Praça da República I (1997), Praça da República II (1998) e Praça da República III (1999). Melhor Administração, Mais Cidadania (1999), em co-autoria com o Dr. Jorge Coelho, então Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

Deputado Europeu desde Julho de 2004. Membro efectivo da Comissão Parlamentar das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos e suplente da Comissão Parlamentar dos Transportes e Turismo.Ainda membro efectivo da Delegação EU – Comunidade Andina e membro suplente da Delegação para as Relações com o Mercosul e da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latina-Americana (EUROLAT).

Morreu ao 55 anos deixando-nos um forte legado de princípios baseados na moral, na ética, na generosidade e na fraternidade, e deve ser recordado como um grande impulsionador da modernidade administrativa do Estado Português com a implementação das Lojas do Cidadão.

Como disseram, António Arnaut “ as pessoas valem pelo que fazem, mas valem sobretudo pela herança moral que deixam e a sua capacidade de se relacionar com todos, independentemente da sua sensibilidade política ou social” e António Reis, Grão Mestre do GOL que o descreveu como “um grande cidadão europeu e um homem de fraternidade, tolerante e justo”.

O Grémio Estrela D’Alva, apresenta as mais sentidas condolências aos familiares e amigos do Dr. Fausto Correia e o abraço fraterno aos irmãos do Grande Oriente Lusitano, em especial aos irmãos da Respeitável Loja à qual aquele irmão pertencia.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A morte de Julieta Gandra não foi notícia

Não foi notícia, na comunicação social portuguesas a morte de Julieta Gandra, a médica portuguesa incriminada pela PIDE em 1959 e condenada no primeiro julgamento político do nacionalismo angolano moderno, o chamado "processo dos cinquenta" onde a par de muitas militantes angolanos figuravam alguns portugueses como António Veloso, Calazans Duarte e Julieta Gandra, que foram deportados para cadeias em Portugal, tendo os angolanos sido deportados para Cabo Verde, onde ficaram internados no campo de concentração do Tarrafal que assim reabria as suas portas em 1960, agora para outros presos políticos, os angolanos.

O falecimento de Julieta Gandra não foi notícia para jornais, rádios ou televisões de Portugal. Apenas a SIC passou em rodapé uma breve informação. Outras pessoas, alguma de bem menor envergadura que J.Gandra preencheram o obituário da comunicação social portuguesa.

Nos anos 50 do século XX, Julieta Gandra, ginecologista (especialidade raríssima na Luanda de então) atendia no seu consultório da Baixa as clientes da sociedade colonial, tirando daí os seus proventos, e, nos musseques, atendia em modesto consultório, a preço simbólico, as mulheres desses bairros suburbanos. Simultaneamente participava em actividades do Cine-Clube e da Sociedade Cultural de Angola realizando também actividade política em organização clandestina do nacionalismo angolano. Por isso foi presa pela polícia do regime salazarista, condenada a pesada pena de prisão, internada em cadeias de Portugal. Quer nos interrogatórios da PIDE, quer nas cadeias, portou-se com uma dignidade exemplar. Em 1964 foi considerada a presa do ano pela Amnistia Internacional

Esta breve resenha da vida cívica de Julieta Gandra cabia em qualquer jornal ou bloco informativo de rádio ou televisão mas os profissionais da comunicação social, sem brio nem remorsos, omitem uma curta e última referência a esta médica portuguesa que foi marco na luta pela liberdade da Mulher e dos Povos.

Autor: A. M. (publicado como um grito de revolta e homenagem)