terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Álvaro de Campos - Nome Simbólico

É talvez pouco convencional a escolha como nome simbólico de uma figura que não teve uma existência física, mas na verdade Álvaro de Campos foi tão real quanto é possível a um heterónimo, confundindo-se na vida e na escrita com Fernando Pessoa. É deste modo que, através de Álvaro de Campos, pretendo prestar homenagem a quem considero uma das figuras mais relevantes da literatura Portuguesa. 
Tecendo em primeiro lugar algumas considerações sobre Fernando Pessoa ortónimo, quer como homem quer como cidadão, partilho não só do seu “orgulho nacionalista”, como da sua postura liberal e anti reacionária, bem patentes na sua ideologia política; apesar de indiciar que o sistema monárquico seria o mais indicado para uma nação dita imperial como Portugal, acha-o inviável no contexto da época, mostrando-se favorável à República. Revejo-me também no seu patriotismo e humanismo e, como agnóstico não convicto, entendo o seu ceticismo quanto à religião. Pessoa toma-se por um Cristão gnóstico e como tal inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, sobretudo à Católica, mostrando um especial interesse na Santa Kabbalah, que considera a fonte comum de todo o iluminismo e filosofia esotérica. Consta ter sido iniciado nos três graus menores da Ordem Templária de Portugal e foi um profundo conhecedor da essência da Maçonaria, bem patente no artigo “Associações Secretas”, escrito em sua defesa e publicado no Diário de Lisboa de 4 de Fevereiro de 1935; este foi possivelmente o seu mais importante texto político, quer pelo seu conteúdo quer pela repercussão social que alcançou; considerando o regime que Portugal vivia à época, Pessoa demonstra uma admirável coragem, impossível de não ser louvado. Fernando Pessoa escritor, é alguém cuja vida parece se resumir à própria obra e que, ao mesmo tempo, põe em dúvida a cada momento a sua existência como pessoa e como autor; a sua escrita exprime constantemente os seus sentimentos ou as suas crenças, quer através do próprio quer através dos seus heterónimos. 
Qual a razão por detrás destes heterónimos, como Ricardo Reis, Alberto Caeiro e em particular Álvaro de Campos (omito propositadamente o semi-heterónimo Bernardo Soares)? É um tema de amplo debate se a sua escrita seria fruto de um puro génio ou potenciada por alguma patologia do foro psiquiátrico; o próprio Pessoa refere-o numa carta a dois psiquiatras franceses, datada de 10 de Junho de 1917, da qual não resisto em salientar três excertos que caracterizam bem a sua “omnisciência”:
Primeiro: "Do ponto de vista psiquiátrico, sou um hístero-neurastênico, mas felizmente minha neuropsicose é bastante fraca … Exceto nas coisas intelectuais, onde cheguei a conclusões que tenho como firmes, mudo de opinião dez vezes por dia; só tenho juízo assentado a respeito de coisas em que não haja possibilidade de emoção".
Segundo: "… a emotividade excessiva perturba a vontade; a cerebralidade excessiva (a inteligência por demais apaixonada pela análise e pelo raciocínio) esmaga e amesquinha essa vontade que a emoção acaba de perturbar".
Terceiro: "Quero sempre fazer, ao mesmo tempo, três ou quatro coisas diferentes; mas no fundo não só não faço, mas não quero mesmo fazer nenhuma delas. A ação pesa sobre mim como uma danação: agir, para mim, é violentar-me".  
Independentemente do diagnóstico médico de Pessoa, fica patente a complexidade do seu pensamento e a profunda e constante introspeção que ele faz de si próprio e do mundo que o rodeia; Pessoa é um viver de emoções difícil de descrever, até mesmo para ele próprio, fruto de uma inteligência rara e apaixonada pela análise e pelo raciocínio, contraposta à sua incapacidade ou falta de vontade em agir.
Na carta a Adolfo Casais Monteiro, onde pela primeira vez Pessoa fala abertamente dos seus heterónimos, este explicita que os mesmos surgem com os poemas de que são autores e não são ideados previamente à sua escrita. Na mesma carta, e em referência concreta a Álvaro de Campos, Pessoa escreve “pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida”. Talvez assim se explique a sua negação da realidade concreta do mundo objectivo, o estado de permanente desencanto perante a vida e da criação de personalidades fictícias nas quais proteja a vida que ele próprio não consegue viver - os seus heterónimos.
Longe do génio e clarividência de Pessoa, sinto idêntico rol de emoções e sofrimento com a realidade algo trágica de uma humanidade que está muito longe do que havia idealizado. Enquanto Pessoa marcou uma época, e ainda faz a diferença através dos seus textos, eu vejo-me constantemente a refletir na forma de criar uma sociedade mais justa e livre, mas de forma inconsequente, pois falta-me a força interior para tomar um papel mais ativo. Faço-o em família e entre amigos e, talvez pela primeira vez, em prosa, através destas palavras de homenagem a Álvaro de Campos. 
 

A “pessoa” Álvaro de Campos nasce em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 às 13:30 da tarde; teve uma educação vulgar de liceu e estudou engenharia mecânica e naval em Glasgow na Escócia, lançando talvez as bases do seu fascínio quase erótico pela ciência e pelo que é moderno; terá ainda aprendido Latim com um tio beirão que seria padre. Em termos de fisionomia é caracterizado como de tipo vagamente judeu português, com a pele entre branca e morena, cabelo liso e normalmente apartado ao lado e usando monóculo.
É com Álvaro de Campos que Pessoa estabelece uma relação privilegiada, uma quase coalescência, tão profunda que eles próprios como que se plagiam em alguns textos. Esta intimidade é transversal e tem não só sentido poético e dramático, em diversas incursões de Campos na vida privada de Pessoa, mas também biográfico, na origem judaica de Pessoa atribuída a Campos. Mas nem em tudo são coincidentes; o ocultismo a que pessoa aderiu em determinada fase da sua vida contradiz inteiramente a visão de Álvaro de Campos, voltado para a ciência e para o dinamismo da vida moderna.
Se é possível resumir a essência de Campos numa única frase, diria que este foi a forma última que Pessoa encontrou para se afirmar no mundo e conhecer a realidade terrena que, de outra forma e como ele próprio não conseguiria; foi o elo de ligação entre tudo aquilo que Pessoa nunca conseguiu ter, ainda que permanece-se no seu íntimo, exteriorizado apenas pela sua escrita. É por esta imanência entre Pessoa e Campos que não me é fácil escrever apenas sobre um, mas chega o momento de tentar explanar melhor onde me identifico com Álvaro de Campos. 

Em termos de postura perante divino Campos vai em busca do deus da modernidade, a ciência. Como engenheiro, investigador, estudioso e pragmático, mas sobretudo como alguém que tem profundas dúvidas sobre as suas origens religiosas, é na ciência que, tal como Álvaro de Campos, procuro justificar não só a minha própria existência, como a existência do universo como um todo, como algo que teve um princípio e que terá um fim; no fundo, o sentido da vida.
Contrariamente a Álvaro de Campos, cuja crença na modernidade e no seu contributo para o avanço da humanidade aparenta não ser inteiramente verdadeira, mas talvez uma necessidade da sua própria investigação, quero acreditar no avanço científico-tecnológico e na sua ligação intima com o progresso da sociedade e da humanidade; esta afirmação é tudo menos consensual, mas enquanto houver homens livres, de bons costumes e com vontade de trabalhar, nada é inatingível.
No meio de tão vasta coleção de sensações, compreende-se que este seja o heterónimo de Pessoa mais complexo e o único que acaba por viver fases distintas, bem expressas na sua obra escrita; Campos inicia lentamente o seu percurso influenciado pelo simbolismo, para depois aderir ao futurismo, onde denota um entusiasmo quase despropositado, recaindo mais tarde numa certa postura crítica em relação ao mundo, totalmente inesperada para quem antes mostrava tamanha exaltação. É impossível não sentir admiração pela forma como o escritor consegue não só erguer a identidade de Álvaro de Campos, como dentro da mesma criar momentos tão distintos e ao mesmo tempo tão complementares. 
Na primeira fase, dita decadentista, Campos exprime o tédio, o cansaço, a falta de sentido para a vida e a necessidade de novas sensações, sendo profundamente marcado pelo romantismo e pelo simbolismo, bem patentes no poema “Opiário”. Na fase posterior, Campos é influenciado pelo futurismo de Marinetti, na evocação da vida moderna e nos avanços tecnológicos, e pelo sensacionismo de Walt Whitman, com a expressão e vivência em excesso das sensações. A “Ode Triunfal”, publicada no primeiro Orpheu, e a “Ode Marítima”, publicada no segundo, constituem o ponto mais alto desta poesia de exaltação do mundo moderno, do progresso técnico e científico, da industrialização e da evolução da humanidade, não sem evidenciar também uma visão negativista da poluição física e moral consequente dessa mesma vida moderna.
A melancolia presente neste último poema é já um prelúdio da fase abúlica, onde após uma série de desilusões existenciais, e perante a incapacidade das realizações, a sua escrita chega a uma fase intimista, com claras reminiscências do seu ortónimo; Álvaro de Campos sente-se um marginal da sociedade, um incompreendido, sofrendo de forma solitária e com profunda nostalgia da sua infância.
 
O poema "Tabacaria", escrito em 1928 e publicado em 1933, é a maior de referência desta fase e muito possivelmente o texto mais marcante da minha juventude, a par do “Cântico Negro” de José Régio. Parece paradoxal que me identifique com estes dois últimos momentos da escrita de Álvaro de Campos. Por um lado o meu fascínio, fé e mesmo obsessão na ciência e na tecnologia, fruto talvez da minha educação e vivência como engenheiro, como forças imparáveis do progresso da humanidade; por outro lado vivo a dor de ser lúcido e a estranheza e a perplexidade quando entendo que esta sociedade movida pela tecnologia não é ainda justa nem livre e que o sofrimento humano não é sempre minorado pelo progresso científico.
Este evolucionar de uma euforia desmedida com a modernidade para uma imensa angústia com a realidade, traduz o meu estado de alma; a forma como o homem perverteu o legado da ciência, privilegiando o bem de poucos indivíduos em detrimento do bem comum é total corrupção de tudo em que sempre acreditei.

É sem veleidades que posso afirmar que revejo as minhas próprias inquietações e dúvidas neste turbilhão de sensações e emoções que Campos transmite através dos seus versos. Se pudéssemos imaginar um poeta que sofresse com a realidade das coisas, esse poeta
seria Álvaro de Campos; de forma talvez exacerbada, mas dentro do que a liberdade de escrita permite. 
Certamente depois desta longa exposição que me irão perguntar, mas afinal quais as razões objectivas para a escolha do nome simbólico de Álvaro de Campos em detrimento de outras personalidades também marcantes a título pessoal? Em conjunto com alguns momentos particulares, já referidos neste texto, são essencialmente dois os motivos:
Em primeiro lugar, e a conselho de um agora maçon por quem nutro elevada estima e consideração, enaltecer a língua portuguesa e Portugal. Quer em vida quer depois da morte, Fernando Pessoa, quer ele próprio quer através dos seus heterónimos, foi e sempre será um dos maiores embaixadores da língua de Camões e, a par deste, enalteceu de um modo único a cultura e a história de um povo e de uma nação; Portugal.

Em segundo lugar, Álvaro de Campos foi para mim o mais completo, complexo e próximo heterónimo de Fernando Pessoa e no qual revejo parte da minha própria experiência de vida. Tal como eu, começou o seu percurso consciente com desalento e com o perscrutar do sentido da vida, que conclui num estado de euforia com a ciência e com a crença que esta responderia a todas as suas inquietações; tal não era verdade na altura para Campos e não é verdade agora para mim.

Tal como Álvaro de Campos e Fernando Pessoa na fase final da sua escrita eu, como homem de ciência, sinto-me um inconformado; vivo com a desilusão de a “minha arte” ter sido corrompida e de eu próprio não ter dado o necessário e altruísta contributo para a humanização da humanidade. 

Que estes pensamentos finais não sejam palavras vãs, mas sim o mote para que, com trabalho constante a desbastar a pedra bruta, consiga edificar o meu templo e possa deixar às gerações futuras, e em particular aos meus filhos, uma herança moral digna de seu nome e uma sociedade mais justa e igualitária.  

"Viverei em permanente desassossego enquanto houver uma única criança que passe fome; um homem oprimido; uma só mulher discriminada; só assim poderei olhar para os meus filhos sem verter uma lágrima; só assim poderei sentir orgulho quando me chamarem de “Pai”.
 

Como provocação, deixo à consideração caso se interessarem por este texto e por Álvaro de Campos a interpretação de um poema pouco conhecido, escrito pelo próprio, em 8 de Agosto de 1934 no seu “Livro de Versos”:

Estou cheio de tédio, de nada. Em cima da cama
Leio, com uma minuciosidade atómica, 

Lentamente, com uma atenção sem chama, 
A Nova Enciclopédia Maçónica. 
Penso no que fui (não me escapam as entrelinhas),
E o que a minha alma quis e a minha vida fez. 

Coube-me, como a uma senhora um carrinho de linhas, 
No meio do Grau 32 do Rito Escocês. 
O que quis do passado por brisas se esfolha,
O que pude de oculto teve a tempo medo; 

E olho a sorrir o título no alto da folha: 
Sublime Príncipe do Real Segredo...

 Autor: Álvaro de Campos

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Romã - Símbolo da União entre Maçons


Num texto de Fernando Pessoa, é dito pelo autor que há três maneiras de ensinar ou transmitir um conhecimento a alguém: dizer-lhe, provar-lhe e sugerir-lhe. 
“Dizer-lhe” é o processo dogmático, no qual o receptor do conhecimento tem um papel passivo, aceitando sem pensamento crítico aquilo que lhe é transmitido como verdade. Como exemplo temos o ensino a crianças da escola primária, que devido à idade ainda não desenvolveram o seu próprio pensamento crítico. É dirigido à Memória. “Provar-lhe” é o processo filosófico, quando a transmissão do conhecimento é feita a pessoas com pensamento crítico plenamente desenvolvido, mas que desconhecem os fundamentos ou bases teóricas acerca do conhecimento transmitido. Só poderá criticar o que lhe é transmitido após compreender esses fundamentos. É dirigido à Inteligência. “Sugerir-lhe” é o processo simbólico, quando a transmissão do conhecimento é feita a pessoas com qualidades mentais superiores ao simples raciocínio e dedução. O símbolo é dado como uma sugestão, de modo que o conhecimento que se pretende transmitir nasça e se desenvolva dentro do próprio receptor, com recurso às faculdades e conhecimentos por si já adquiridos e consolidados. É dirigido à Intuição e é a forma mais eficaz e duradoura de transmissão de conhecimento. Esta pequena introdução serve de início para o tema principal deste trabalho: a Romã. 

A Romã é uma infrutescência que contem centenas de pequenas sementes no meio de uma polpa carnuda e protegida por uma pele espessa. Símbolo maçónico por natureza, de uma riqueza simbólica com as suas múltiplas “sugestões”, diferentes para cada maçom. 
O seu significado simbólico principal é o da união entre maçons. As sementes representam cada maçon, obreiro de uma Loja, e a parte exterior, constituído pela casca e a polpa, que protege as sementes dos elementos da Natureza, tem a associação simbólica à Loja na qual os seus obreiros trabalham em colaboração, e num sentido mais lato a própria Maçonaria. Podem também ter um simbolismo ligado à fisionomia: a parte mais consistente que envolve as sementes simboliza a “carne”, o seu sumo o “sangue” e as sementes os “ossos”. Como as suas sementes são todas diferentes, pode ter também o simbolismo da semelhança na diversidade, da unidade na multiplicidade. Diferentes, mas iguais: não é um dos pilares da Maçonaria?! 
Faz parte da decoração de um templo maçónico, estando três romãs semi-abertas no capitel de cada uma das colunas B e J na entrada do templo. 
Na introdução deste trabalho, menciona-se o processo simbólico com a melhor forma de transmissão de conhecimento, porque através da sugestão, o mesmo é passado através de um processo intrínseco ao próprio receptor. A riqueza de um símbolo está precisamente na sua capacidade de sugestão. Sendo a Romã um símbolo da multiplicidade, a sua riqueza simbólica fica comprovada por si própria, fechando um círculo desde a sugestão até à recepção e consolidando o conhecimento, gera uma nova sugestão. Assim sendo, a Romã torna-se um símbolo do Conhecimento em si, ou usando o termo grego da Gnose. 

Agora um pouco da história simbólica da Romã nas diversas civilizações. No Antigo Egipto, a Romã era um símbolo sagrado, sendo utilizada pelos sacerdotes em actos litúrgicos iniciáticos. Era conhecida por “Anhmen”, estabelecendo uma ligação entre a Romã e o deus Amon Rá, chefe do panteão dos deuses egípcios durante o Novo Império, cujo culto é originário da cidade de Tebas. Apenas os sacerdotes deste deus podiam cultivar a romãzeira, e sendo consideradas oferendas sagradas, eram colocadas nos túmulos dos faraós. São mencionadas por Manetho, sacerdote egípcio de Heliópolis, que no século III AEC escreveu a mais antiga história do Egipto de que há referência. 
Eram colocadas as mais bonitas romãs nos altares dos deuses Hórus, Seth, Ísis e Osíris como símbolo dos iniciados nos mistérios. O número de romãs nas oferendas aumentavam conforme a categoria do iniciado, sendo referenciados os números 3, 5 e 7. As romãzeiras eram plantadas nas necrópoles, podendo constituir o pagamento de dívidas ao falecido. Significava também a união territorial do Egipto através do número 3 (Baixo, Médio e Alto Egipto). Com o número 5 adquiria o significado da câmara alta dos deuses que presidiam ao julgamento das almas dos falecidos (Osíris, Ísis, Horus, Seth e Néftis). O número 7 significava o número de viagens que a alma tinha de fazer para se purificar.
Haverá aqui alguma relação com as viagens que os maçons fazem nos seus rituais iniciáticos? No seu interior, a Romã tem duas câmaras: uma alta com 5 celas e uma baixa com 3 celas. Daqui vem a alusão aos números 3 e 5, e neste último à câmara alta dos deuses. 


Para os Assírios, a Romã significava a Vida; os Fenícios tinham-na como fruto Sagrado, bem como os Cartagineses, Gregos e Romanos que a utilizavam como motivo decorativo nos capitéis das colunas. Inclusivamente, esta infrutescência era oferecida à deusa da sabedoria Atena, novamente a ligação ao conhecimento, protectora da cidade de Atenas. 
Na maçonaria, o símbolo da romã deve ter entrado através das tradições hebraicas, que além de símbolo de vida, representava também a abundância, a fecundidade e a propagação do seu povo, ligação à multiplicidade. Era considerado um afrodisíaco, podendo constituir um símbolo sexual quando conjugado com lírios, símbolo tipicamente feminino. 

Em conclusão, pode-se dizer que a Romã é um símbolo de grande riqueza e significado na Maçonaria, de valor intrínseco excepcional, com diversas camadas interpretativas, algumas das quais nem sequer foram afloradas nesta publicação, que poderá servir como tema para trabalhos futuros, significando a Vida, o Conhecimento, a Igualdade, a Multiplicidade, a Loja, a Fraternidade e a União entre Maçons.

Autor: Imotep