terça-feira, 5 de março de 2019

As três luzes da Maçonaria


Na iniciação maçónica, logo após o juramento, e ao receber a Luz, defrontamo-nos imediatamente com as três grandes Luzes emblemáticas da Maçonaria, que estão presentes no altar. o elas os livros sagrados, (ou a constituição Maçónica) o esquadro e o compasso, sendo o esquadro a matéria e o compasso o espírito. Daí as ferramentas utilizadas pelo aprendiz, o cinzel – que simboliza o discernimento na forma e o aperfeiçoamento pela procura da perfeição – e o maço força bruta que pode ser moldada pelo esforço do Conhecimento e da energia espiritual, com trabalho e afinco.

Com o Compasso podemos desenhar o círculo que simboliza o infinito, centralizado pelo ponto que pode representar o início de toda a criação. Representa a Justiça, e o princípio e o fim dos nossos direitos. No compasso podemos observar a dualidade das suas hastes, as quais são unidas pelo ponto de união. É nisto que se exprime um dos mais sublimes preceitos maçónicos, ou seja, o da união, da harmonia e do amor entre os maçons com todas as suas diferenças e qualidades.
O Esquadro é um instrumento imprescindível para a execução dos projectos, significando como que a base de um edifício. É um instrumento que apresenta a forma de um triângulo rectângulo podendo as suas linhas rectas indicar-nos o caminho mais curto para a prática da virtude. Todo o trabalho seria inútil se não tivéssemos a condição de medir as distâncias e coordenar os ângulos perfeitos para transformação de nossa Pedra Bruta. O Esquadro é o símbolo da retidão e ensina-nos a permanecermos fiéis aos Maçons.

Por fim os livros sagrados, instrumentos e fontes da Sabedoria que nos ilumina e nos guia, regulando a nossa conduta no lar, no trabalho e na sociedade. Sobre o Livro Sagrado é feito o juramento, pois é o ponto culminante da habilitação interior para o recebimento da Luz. Não é suficiente o juramento fundamentado na Honra. Este acto solene é realizado em presença do Grande Arquitecto do Universo, adquirindo um carácter espiritual, comprometendo a consciência do homem. Nestas condições, a sua Honra e a sua Fé dão garantia da autenticidade das suas afirmações.
No altar, e através dos livros sagrados, podem estar representadas todas as grandes religiões e poderá estar também presente as Constituições Maçónicas, representando assim a universalidade dos ideais maçónicos tanto para os que têm fé como para os que não têm qualquer crença, pois também esses podem passar de pedra bruta a pedra cúbica, também se podem lapidar e sublimar, exaltar o espírito em detrimento da matéria.

Autor: António Egas Moniz

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

As Luzes da Loja


Na Maçonaria existem “luzes” fundamentais divididas em dois “grupos”, que são as três luzes do templo e as três luzes emblemáticas da maçonaria. As três luzes do templo são respectivamente o Venerável Mestre, o 1º Vigilante e o 2º Vigilante, sendo por esta ordem as maiores autoridades na direcção dos trabalhos. Cada um com suas atribuições, formando um todo que deve funcionar em harmonia. Cada um deles tem a sua simbologia e as suas responsabilidades.

O Venerável Mestre é a dignidade máxima do templo. Ele representa a Natureza em todas as suas manifestações. Deve, pois, presidir os trabalhos com absoluta justiça e retidão, agindo de acordo com a Lei e de forma imparcial. Assim, deve traduzir a expressão dos sentidos de justiça, equidade e igualdade, ao abrir e presidir os trabalhos em loja. Está associado ao planeta Júpiter, que simboliza a sabedoria, e era considerado o rei dos deuses na mitologia romana e representante do dia. Com assento no altar colocado no oriente do templo, e no eixo da loja, é o referencial moral e intelectual da loja, é o guardião do equilíbrio que deve reinar entre maçons.
A ele está associado o esquadro, símbolo da sabedoria e rectidão das suas acções, pautadas pela justiça. O esquadro tem um ramo mais curto que o outro, tal como um triângulo rectângulo, ou triângulo de Pitágoras. O ramo mais longo, deverá estar voltado para o lado direito no peito, para salientar a preponderância do activo (direito), sobre o passivo (esquerdo). Ele tem também o significado de equidade, equilíbrio e justiça e transmite a ideia da imparcialidade e da plenitude de carácter. É o guia, o referencial, a primeira luz. As suas acções e características influenciarão, na aprendizagem e na vida maçónica, os restantes elementos da loja.

O 1.º Vigilante, associado ao planeta Marte, que era o senhor da guerra, simboliza a força. Em ordem hierárquica, ele secunda o Venerável Mestre, podendo em alguns ritos substituí-lo em caso de impedimento. Em regra, senta-se no Ocidente do templo, junto à coluna norte, e tem a seu cargo a coluna sul, a inspecção e vigilância dos companheiros, além de seus deveres fundamentais, que são dois: verificar se o templo está a coberto de profanos e se todos os presentes são maçons.
Tem como símbolo o nível, que representa a igualdade. Como instrumento, ferramenta do construtor, do pedreiro medieval, o nível sempre foi de fundamental importância. O nível maçónico é, contudo, diferente do nível de pedreiro. Ele tem a forma de um triângulo, saindo uma perpendicular do ápice, ficando solta no espaço, com um pequeno cilindro de chumbo na ponta, dividindo o triângulo em dois esquadros. É o instrumento destinado a determinar a horizontalidade de um plano. Ao ser integrado na ordem simbólica, provoca a reflexão acerca da igualdade, base do direito natural, e lembra aos Maçons que todos somos – filhos da mesma Natureza – e que devemos interagir com igualdade fraterna. Todos são dignos de igual respeito e carinho, seja aquele que ocupa o mais elevado grau da Ordem, seja o que está a iniciar a sua vida maçónica. Lembra que ninguém deve dominar os outros e remete-nos para um dos valores base da Maçonaria que é a fraternidade. É a segunda luz em loja, e é constantemente solicitado pelo Venerável Mestre, esclarecendo, orientando os demais maçons.

O 2.º Vigilante, associado ao planeta Vénus, a deusa romana de igual nome, símbolo do amor e da beleza, simboliza a concórdia. Em loja, está sentado no Ocidente, junto à coluna sul. A sua função é observar o sol no meridiano, chamar os obreiros ao trabalho, pela direcção e orientação da coluna de Aprendiz, trabalho por demais importante para garantir que estes se tornam verdadeiros e diligentes obreiros maçónicos. Tem ainda a função de substituir o 1º Vigilante na sua ausência e de transmitir as ordens do Venerável Mestre na sua coluna. É ele que responde ao Venerável Mestre sobre quais os três pilares básicos de apoio da loja, que são: Sabedoria, Força e Beleza, que correspondem às três luzes do templo, que como vimos são o Venerável Mestre, e os 1º e 2º Vigilantes.
Tem como símbolo o prumo. Este instrumento é composto por um peso, geralmente de chumbo, suspenso por um fio que forma a perpendicular. Serve para se verificar a verticalidade de objectos. Na Maçonaria, é fixado no centro de um arco de abóbada. Este artefacto simboliza a profundidade do Conhecimento e da rectidão da conduta humana, segundo o critério da moral e da verdade, tão caros à ordem maçónica. Incita o espírito a subir e a descer, já que leva à introspecção que nos permite descobrir os nossos próprios defeitos, e nos eleva acima do carácter comum. Com isso, ensina-nos a seguir com firmeza e sem desvios pela estrada da virtude, sem nos deixarmos levar pela avareza, pela injustiça, pela inveja e pela perversidade, valorizando a rectidão de julgamento e a tolerância. O prumo é considerado como o emblema da estabilidade, qualidade inerente à função do 2º Vigilante. É a terceira luz em loja.

Estas luzes estão ainda simbolizadas através das luminárias acesas nas colunetas do templo: a coluna dórica, a força, o nível, a procura da justiça da equidade e do equilíbrio, que corresponde ao 1º Vigilante; A coluna jónica, da sabedoria, correspondente ao Venerável Mestre; a coríntia, a da beleza, que corresponde ao 2º Vigilante, que com o seu fio de prumo, defende o equilíbrio, o controlo, a verticalidade e a conformidade com a regra.

Autor: António Egas Moniz

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Vais mais longe?

O Símbolo é um elemento essencial na comunicação, o mesmo está no nosso dia a dia sob as mais variadas formas do saber humano. Cada um de nós absorve o Símbolo de uma forma muito pessoal, atribuindo-lhe um determinado significado.
O Símbolo, embora com uma matriz que lhe é inerente, quando integrado com a característica pessoal de cada um, transporta-nos por mundos e mundos que se vão interligando, formando Caminhos que nos poderão levar a uma compreensão maior de nós próprios e do mundo em que vivemos.

Passei da minha anterior condição de Aprendiz, onde o Silêncio era essencial, para melhor trabalhar, melhor aprender numa lapidação da minha Pedra Bruta sempre feita de dentro para fora. Para chegar até aqui fiz 5 Viagens, onde me foram mostradas todas as possibilidades de evoluir como ser humano e maçon, elas reflectiram como seria todo o meu futuro, numa imensa possibilidade de escolhas, de uso de Instrumentos e seus Simbolismos. O número Cinco é o número do Grau de Companheiro, e foi na sequência da 5ª Viagem de “mãos e alma” Livre que fiz o meu Juramento, só podemos jurar sendo plenamente livres, pois temos de jurar com o coração. E foi isso que senti nessa Quinta Viagem, uma Poderosa Liberdade da Alma que me acompanhou ao Altar dos Juramentos e disse: Juro! O número cinco está traduzido na Estrela Flamejante que em si é o Emblema que eleva as grandes causas, sendo essa a finalidade de todos nós e a minha.

O Homem, como miniatura do mundo, com os seus quatro membros e a cabeça que os governa, a sede da Inteligência, a cabeça elevada ao céu de onde vem a Verdadeira Luz, esse Espírito empreendedor fundamental para a harmonia do Homem com o Universo. A Estrela, composta por 5 linhas rectas possuindo 5 pontas, vem desde os primórdios da Humanidade, além do seu significado primordial dos 5 elementos, Ar, Fogo, Água e Terra sendo que o 5º elemento é a Força, o Espírito que os anima e governa. Era a Estrela do Microcosmos, o pequeno Universo – o Homem – dominando o Espírito sob Matéria, a Inteligência sobre os Instintos, a Mente sobre o Corpo. Era também a representação da deusa Vénus, a deusa da Primavera onde tudo floresce, interpretada simbólicamente com os conceitos de Abundância, Geração, Nutrição, Beleza e Harmonia, nos Poemas de Ovídio (poeta romano nascido em 43 A.C.), refere que foi ela que deu as Leis ao Ceú e à Terra, às ondas e a todas as criaturas viventes e que reuniu nos laços da Sociedade os primeiros Homens e lhes retirou o aspecto feroz e bárbaro, e lhes ensinou a União dos sexos em toda a sua santidade e grandeza.

O planeta Vénus também conhecido, como Estrela D’Alva, Estrela da Manhã ou o Portador da Luz, é o mais brilhante dos Cinco planetas conhecidos na antiguidade, o mesmo descreve um Pentagrama perfeito no plano elíptico do céu a cada 8 anos, assim, este fenómeno de Vénus e o seu Pentagrama tornaram-se o Símbolo da Perfeição e da Beleza, e em tributo a esta “magia” de Vénus, os gregos usaram os semi-ciclos do seu Ciclo de 8 anos para organizar os seus Jogos Olímpicos. As Olimpíadas modernas continuam a seguir estes semi-ciclos de Vénus onde a Estrela de cinco pontas esteve muito perto de tornar o seu Emblema oficial, sendo substituída por Cinco anéis entrelaçados simbolizando a União dos Povos dos Cinco Continentes. A Estrela de cinco pontas era usada também como emblema dos Pitagóricos, em que o seu lema era “Tudo é número” e rendiam verdadeiro culto a este número natural considerando-o como a essência de Todas as Coisas.

Na verdade, e depois de ficar desperta neste sentido, encontro o 5 em várias coisas, eu, um tão pequeno Universo de cabeça erecta em busca de Conhecimento em tudo o que me rodeia, com os meus Cinco Sentidos que na simbologia medieval, eram vistos nas cinco pétalas de muitas flores, que podemos observar na arquitectura gravada na pedra. As Cinco Cores primárias, que dão origem a uma infinita paleta de cores na natureza, os Cinco Pontos Cardeais( incluso o do meio) – o centro, que orientam os Homens, os animais e o mundo. Os Cinco Reinos dos Seres Vivos, os Cinco Bens da Felicidade: a Riqueza, a Longevidade, a Paz, a Virtude e a Saúde. São estes os verdadeiros Caminhos, as Cinco Viagens da minha vida, aqueles que quero trilhar em plena Liberdade da Alma, buscar a Sabedoria em tudo quanto existe, não somente o saber, mas saber como a usar, ter um dominio positivo sobre o saber.   
As Cinco Qualidades do Homem Perfeito: Bondade, Justiça, Amor, Sabedoria e Verdade:
Verdade - Não há Justiça sem a Verdade, pois as injustiças ocorrem pelo desconhecimento da Verdade. 
Justiça - Conhecimento não requer Justiça, pois é possível ser injusto com Conhecimento, mas não existe, nem nunca existirá Sabedoria sem Justiça.
Bondade - Não existe um tratamento justo, verdadeiro e sábio sem Bondade, pois a Bondade impulsiona a busca da Verdade para eu possa efectivar uma Justiça sábia.
Amor - A manifestação da Essência Cósmica em cada um de nós. A Verdadeira Luz!

Vais mais longe? - Vi a Estrela Flamejante!


Autor: Asherah