terça-feira, 9 de abril de 2019

A Cadeia de União

Segundo Rizzardo da Camino, a cadeia de união, “formada dentro de um Templo, não simboliza a união fraterna; ela é a própria fraternidade, numa demonstração físico-mental”. No rigor da postura, fica possibilitada a passagem dos eflúvios através do pensamento e da vontade única por todos os que compõem a cadeia de união, com vista ao fortalecimento espiritual da invocação feita.
Segundo os ensinamentos de Francisco Ariza, “as individualidades, ou melhor, a ideia do individual e do particular que cada componente da cadeia pudesse ter de si mesmo, desaparece como tal, para formar um só corpo que vibra e respira a uma própria cadência rítmica”. A cadeia de união cria, assim, um círculo mágico e sagrado onde se concentra e flui uma força cósmica e telúrica que assimilada por todos os integrantes lhes permite participar do verdadeiro espírito maçónico e da sua energia salutar e regeneradora. Já se vê que para que tal ocorra, o ambiente deve ser tornado propício, com música de fundo, iluminação fraca e, principalmente, a concentração de todos os participantes.

Quem queira, no entanto, fazer um estudo, mesmo que perfunctório, sobre este tema, logo se depara com algumas incongruências. Por exemplo, para Francisco Ariza “a cadeia de união é também a representação da corda de nós que encima o Templo, e ainda o bordo dentado (ou houpe dentalée) que aparece figurada nos quadros de loja maçónicos, mais concretamente nos pertencentes aos graus de aprendiz e de companheiro”. Para o maçon Luís Conceição, e no mesmo trilho, “a cadeia de união é a dinamização, a tomada de acção, do princípio sugerido pela corda que serpenteia nos três lados da Loja, ligando a coluna “J” à coluna “B”, sem, contudo, as unir. E a razão pela qual o rito da cadeia de união consiste na formação de um anel completo, enquanto que a sua homóloga – a corda denteada que contorna parcialmente o Templo – não constitui um círculo fechado, quedando-se de um lado a coluna “J” e do outro a coluna “B” é que de facto as colunas não precisam de estar ligadas pela corda para formar um círculo. O círculo é o Universo, o Infinito, tal como a Loja se estende do Oriente ao Ocidente, do Sul ao Setentrião e do Zénite ao Nadir”.
Já para outros Autores tais conceitos não fazem sentido, pois a cadeia de união é, por definição, constituída por elos, enquanto que os nós são formados por uma só corda, que se entrelaça e prossegue, pelo que o nó não une. Por outro lado, independentemente da dimensão universal do Templo, as duas colunas, constituindo simbolicamente a sua porta, descontinuam-no, pelo que há rompimento da cadeia. Deste modo, a houppe dentalée simbolizará, isso sim, o ovo ensimesmado que é o Templo Coberto.
Deste modo, distinguindo a realidade da simbologia, pode-se dizer, com Luís Clóvis Grassi, que “a cadeia de união constitui, no Rito Escocês Antigo e Aceito, o coroamento de uma proveitosa sessão em Loja”, significando ou podendo significar, mas apenas e tão-só simbolicamente, as mãos dadas, com os braços entrecruzados, a corda de nós, e os pés unidos a orla dentada do quadro da Loja. Porém, este significado simbólico será irrelevante para o sentir resultante da cadeia de união para todos os intervenientes na mesma, como adiante se verá.

Outra incongruência detectada entre os diversos autores é como a mesma é desfeita. Para uns, como Luís Clóvis Grassi, “a cadeia de união é desfeita bruscamente, de forma a que se evite romper o equilíbrio estabelecido”; para outros, como Benedito Alves do Nascimento, “os maçons, além disso, poderão fazer uma saudação de regozijo abaixando e levantando os braços, sem desfazer a cadeia”; já Sérgio Crisóstomo dos Reis e J. Drinks entendem que “a quebra da cadeia deverá ser lenta e suave, para que a força de cada um se estabilize no seu circuito fechado”.
Outros aceitam-na para outros objectivos, os mais variados, nomeadamente a invocação de forças invisíveis e benéficas do macrocosmo, com vista ao benefício das fraquezas do corpo, ou da matéria, como a doença, a ansiedade, a incompreensão, o desânimo, a desconfiança, o infortúnio e mesmo o ódio. Conforme os ritos e as obediências, encontram-se como objectivos da cadeia de união os mais díspares, como demonstrar a igualdade entre maçons, a união e a fraternidade entre os irmãos que fazem parte do corpo místico da Maçonaria Mundial, tanto no plano terrestre como espiritual, comunicar-se com as energias celestes, ou seja, como canal de comunicação da terra com o céu, entre outras.

Refira-se que “fora do templo” só se forma cadeia de união em homenagem fúnebre a maçom falecido. E aí, então, têm lugar como elos nessa cadeia todos aqueles que se reclamam de ser maçons. Aí não importam reconhecimentos, nem regularidades, nem nada dessas miudezas. Aí, pessoas de boa vontade e com muito em comum homenageiam uma pessoa de boa vontade que nos precedeu no caminho que todos trilharemos.
Como se pode ver, todas estas diferenças resultam do facto de estarmos perante diversos ritos e obediências. Puseram-se em destaque, porém, para constatar, não só que a cadeia de união está presente em toda a maçonaria, seja qual for a forma que assuma, como para destacar que, com uma finalidade ou com outra, ela é feita pelos maçons sempre com os nobres objectivos da Ordem Maçónica, em que acreditam, pelo que podemos concluir que tais diferenças são irrelevantes e que apenas demonstram que a Maçonaria não tem dogmas, mas Princípios.

Em todo o caso, não é só na Maçonaria que nós encontramos este tipo de cadeia. Na verdade, ela já estava presente na vida do homem primitivo, sentado em forma de círculo para melhor aproveitar o calor em torno da fogueira, assim organizados socialmente próximos uns dos outros e em posição de igualdade perante cada um dos seus próximos; ela está também presente nas danças de roda das crianças, em que todas dão as mãos, começando desse modo a criar com os seus condiscípulos os laços de amizade que os irão acompanhar o resto das suas vidas; os desportistas, nos desportos colectivos, formam uma roda antes dos jogos, abraçando-se e dizendo palavras de incentivo, com vista a que cada indivíduo se torne um elo mais forte do grupo.

Vale a pena, pois, ver se há alguma explicação científica, ou mesmo paranormal, que explique estes comportamentos. Luís Conceição, já atrás citado, relata uma experiência que terá sido realizada em 1932 por Jacqueline Chantereine e Camille Savoire, que terão detectado no interior e em torno do organismo humano movimentos turbilhónicos e ondulatórios. Estes seriam produzidos por energias radiantes provenientes de tudo o que nos envolve: acção cósmica, proveniente da energia solar, à qual se junta a da lua e dos restantes astros. A resultante destas acções energéticas desenvolve-se sob a forma de um turbilhão que penetra pelo lobo anterior da hipófise para terminar no dedo grande do pé direito. Esta força conflitua com uma força energética, dita telúrica, que se manifesta sob a forma de uma corrente inversa da precedente, e, portanto, ascendente, penetrando pelo dedo pequeno do pé esquerdo para se escapar pelo topo do crânio.
Quem também estudou a cadeia de união foi o pai da teoria do magnetismo animal, Franz Anton Mesmer. Para este autor do Séc. XVIII, existe um fluido universal, que será a energia básica e primordial que produz tudo o que há no Universo, incluindo as substâncias materiais existentes, como veio a afirmar Allan Kardec, criador da Doutrina Espírita. Sobre Mesmer, corre fama de que, para além de ser o pai da hipnose, terá curado doentes através de terapia magnética utilizando primeiro o íman como condutor do magnetismo, e depois outros elementos como a água e o ferro.
Mas a mais perplexa explicação da cadeia de união é a de Francisco Pucci, a partir das experiências de um biólogo quântico, Vladimir Poponin. Criou-se vácuo num recipiente deixando-se dentro apenas partículas de luz (fotões). Medida a sua distribuição, viu-se que essas partículas estavam distribuídas aleatoriamente. Foi então colocada dentro do recipiente uma amostra de DNA e a localização dos fotões foi medida novamente. Desta vez, os fotões tinham-se organizado em linha com o DNA. Ou seja, o DNA físico terá produzido efeito em fotões não físicos. Outra experiência foi feita com amostras de leucócitos, que foram colocados num local equipado com um aparelho de medição das mudanças eléctricas. Nesta experiência, o doador era colocado num local e submetido a estímulos emocionais provenientes de vídeo clips que geravam emoções mensuráveis ao doador. O DNA era colocado em lugar diferente daquele em que se encontrava o doador, primeiro no mesmo edifício e depois mais longe, até oitenta quilómetros de distância. Ambos, o doador e o seu DNA eram monitorizados, e quando o doador mostrava os seus altos e baixos emocionais, medidos em ondas eléctricas, o DNA expressava respostas idênticas, e ao mesmo tempo. Os altos e baixos do DNA coincidiram exactamente com os altos e baixos do doador, com respostas ao mesmo tempo. Que significa isto? Segundo Gregg Braden, “isto significa que as células vivas se reconhecem por uma forma de energia não reconhecida anteriormente e que não é afectada nem pela distância nem pelo tempo”, facto este que teria embaraçado Albert Einstein.

Garanto-vos que há teorias ainda mais fantásticas, através das quais há quem tente explicar o que sentimos numa cadeia de união, mas há que concluir. Na verdade, para um céptico, não parece que seja uma energia telúrica, ou o magnetismo animal em que acreditam os Espíritas, e muito menos experiências por explicar de física quântica que impressionam o mais íntimo do ser quando se participa numa cadeia de união. Por certo que na cadeia de união nada se transmite de palpável. Dela nada se recebe que possa ser explicável ou mensurável. O sentimento de irmandade e de partilha, extraordinariamente impressivo, que experimentamos jamais pode ser visto, analisado ou demonstrado, porquanto eles são o reflexo da própria dádiva para a cadeia. Quando partilhamos a cadeia de união, quando concordamos com a intenção da mesma é com muita força nos entregamos a essa intenção, aquilo que sentimos são o regresso dos eflúvios que tentámos doar e transmitir, e tanto os recebemos como intentámos dá-los.
Cada um só pode receber na medida do que deu. Quem diz que nada sentiu numa cadeia de união, não será porque estava desconcentrado ou distraído. Não recebeu porque, muito simplesmente, não se empenhou em dar. Daqui resulta que quem esteja na cadeia na mesma sintonia de dádiva sinta que o estado de espírito se torna uno, e é natural que essa unidade se sinta. Sem forças telúricas, magnéticas ou quânticas, apenas com o sentimento interior de Fraternidade e Tolerância (e porque não dizê-lo, de bondade) que nos distingue. Voltando à citação de Francisco Ariza do início, não é de estranhar que se sinta que “as individualidades, ou melhor, a ideia de individual e do particular que cada componente da cadeia pudesse ter de si mesmo, desapareça para formar um só corpo, que vibra e respira a uma própria cadência rítmica”. Isto só acontecerá, porém, se cada um por si e para si esteja neste estado de espírito.

Autor: Bocage

terça-feira, 2 de abril de 2019

Tradição e Progresso: uma visão dualista

Na Generalidade das Constituições Maçónicas, defin
e-se a Maçonaria como uma Ordem universal, filosófica e progressiva, fundada na Tradição Iniciática, obedecendo aos princípios da Fraternidade e da Tolerância.
O ponto principal deste trabalho é a dialéctica dualista entre Tradição e Progresso, tanto no contexto maçónico como no contexto profano da Civilização e da Humanida
de. Serão estes dois conceitos antagónicos? Poderão coexistir pacificamente? Ou podem ser complementares? É possível haver um equilíbrio entre os dois?
Entende-se Equilíbrio na percepção grega do termo, traduzido na necessidade da existência simultânea do Bem e do Mal: um não tem sentido existir sem o outro, ou melhor dizendo, um só existe porque o outro também existe. 
No que respeita à Tradição, ou à base das tradições maçónicas com as suas histórias e lendas, existem alguns termos que são conhecidos e utilizados correntemente, cujo significado preciso não está inteiramente consolidado. Refiro-me às “Charges” e às “Landmarks”. Adaptando de um texto de Daniel Doron (33º), temos:
Old Charges - É o nome dado a um conjunto de 131 documentos antigos, entre os quais se inclui o manuscrito “Regius” de 1390, considerado o mais antigo documento maçónico conhecido. O termo “charges” pode ser traduzido por deveres ou responsabilidades. Assim, este conjunto de documentos estabelece os deveres dos maçons, nesta altura ainda operativos, deveres esses relacionados com o ofício de construtores e pedreiros e sua regulamentação, organizados em guildas. Fazem parte deste conjunto, os documentos relacionados com a Lenda de York.
Ancient Charges & Regulations - Estas não estão relacionadas com as “Old Charges”, são apenas um conjunto de 15 regras constantes nas primeiras páginas da Constituições da Grande Loja Unida de Inglaterra que todos os seus membros devem prometer cumprir antes de ser eleito Venerável Mestre.
Landmarks - Pode ser traduzido por marcos, são princípios básicos da Maçonaria, semelhantes aos axiomas da Matemática. Como o próprio nome indica, vem de marco geográfico, são os limites daquilo que é considerado dentro ou fora da Maçonaria. A sua origem pode ser atribuída ao Antigo Testamento em Provérbios 22-28_. Transcrevendo uma passagem das Constituições de Anderson: “Toda a Grande Loja (entenda-se assembleia da Grande Loja) anual tem o inerente Poder e Autoridade para fazer nova Regulamentação_, ou para alterá-los, para o real benefício desta antiga Fraternidade, desde que as “Old Landmarks” sejam sempre preservadas”. Note-se que não é dada um definição do termo.

Na Maçonaria uma definição de “Landmark” não é consensual, havendo inúmeros trabalhos dedicados ao tema. Por exemplo, temos a obrigatoriedade da crença no Grande Arquitecto do Universo e a presença de um Livro Sagrado aberto no altar, que são considerados “Landmarks”. Não se encontram nem nas “Old Charges” nem nas “Ancient Charges & Regulations”. Por outro lado, o reconhecimento dos três graus da Maçonaria Simbólica já fazem parte destas últimas. Alguns são da opinião que apenas os sinais, toques e palavras constituem “Landmarks”, enquanto outros incluem também as alfaias litúrgicas. A pessoa que fez a primeira tentativa de elaborar uma lista foi Albert Mackey, com os seus 25 “Landmarks” publicados na sua obra “A Fundação da Lei Maçónica” em 1858. Outras listas de “Landmarks” têm sido posteriormente publicadas. Segundo William Preston, as “Landmarks” estabelecem limites de modo a que as inovações decorrentes da evolução dos tempos possam ser aceites, ou recusadas na Maçonaria.
Está aqui patente a eterna luta entre Tradição e Progresso. Tendo as “Landmarks” um papel tão importante de fiel da balança entre estes dois conceitos opostos, mas não antagónicos, devem possuir determinadas qualidades para que possam desempenhar a sua função. A saber:
- existir desde tempos imemoriais, quer sob forma escrita ou oral;
- expressar a forma e a essência da Maçonaria;
- ser acordado que não pode ser alterada.
Se as duas primeiras qualidades não suscitam grandes dúvidas, já a terceira pode ser questionada, em cada época, especialmente no que diz respeito entre quem é acordado que uma “Landmark” não pode ser alterada. As “Landmarks” são assim os instrumentos através dos quais a Tradição pode ser abolida ou alterada, contribuindo para o Progresso.

A propósito da Lenda de York, descrita em vários manuscritos ao longo dos tempos, nomeadamente no manuscrito “Regius” ou “Halliwell” de 1390, manuscrito “Cooke” de 1490, manuscrito “Lansdowne” de 1560 e nas Constituições de Anderson (1ª edição em 1723, 2ª edição em 1738). Trata-se de uma lenda à cerca da formação de uma suposta Grande Loja Maçónica em York em 926 ou 930, durante o reinado de Athelstan, cujo grão-mestre seria o seu irmão príncipe Edwin, e que reunia todos os maçons do reino. Na sua assembleia redigiram-se as primeiras constituições maçónicas a partir da documentação antiga existente à altura, e tinha ainda a responsabilidade de se reunir anualmente para debater, preservar as tradições e a sua evolução ao longo dos tempos; no fundo, as questões relacionadas com Tradição e Progresso. Existem outras lendas ainda mais antigas que atribuem a criação de uma organização maçónica semelhante no século VII, no reino da Northumbria, mas sem grande suporte documental. 
A corrente anglo-saxónica da Maçonaria, de tendência teísta, defende o primado da Tradição, com a defesa cerrada das “Old Landmarks”, fortemente influenciadas pelo pensamento cristão; por contraste, a corrente continental, de tendência deísta, defende o primado do Progresso. Estas duas correntes tiveram uma cisão em 1877, depois do Congresso de Lausanne em Setembro de 1875, do qual surgiu um conceito mais abrangente do Grande Arquitecto do Universo, visto mais como um Princípio Criador do que um Ente Supremo. Uma análise mais aprofundada da questão leva a razões de outra natureza, nomeadamente política, para a existência deste cisma que perdura até aos nossos dias.

Na minha opinião, sendo as “Old Landmarks”, resultado de trabalho humano, filosófico e reflexivo numa ou em várias épocas, necessariamente podem conter imperfeições; à semelhança do conceito maçónico de que o trabalho de desbastar a pedra bruta nunca está concluído, estas também não deverão ser consideradas eternamente imutáveis. As “Old Landmarks” devem-se adaptar no tempo e no espaço em que são aplicadas. Este trabalho de adaptação deve ser progressivo e evolutivo de modo a poder continuar a desempenhar o papel para o qual eles foram criados, o de definir aquilo que é considerado Maçonaria. No entanto podem existir conceitos de tal modo universais que transcendem o tempo e o espaço, que podem ser considerados “Landmarks” inalteráveis como por exemplo a defesa da Vida Humana.
Por isso, a Tradição deve ser sempre respeitada de um ponto de vista histórico ou cultural, mas sua aplicação, numa determinada época, deve ser feita apenas se essa mesma Tradição fizer sentido às pessoas que vivem nesse Tempo. Se tal não acontecer, o Progresso deve alterar e adaptar a Tradição de acordo com o pensamento vigente. Este princípio de coexistência entre Tradição e Progresso, deve ser sempre aplicado não só no Mundo Maçónico mas também no Mundo Profano, contribuindo assim para o melhoramento da Humanidade, o objectivo último da Maçonaria.

Autor: Imhotep

terça-feira, 26 de março de 2019

Vem Primavera


Vem Primavera!
Traz contigo as flores de Abril
Da solene promessa de uma nova vida.
Trás milhares muita gente.
Vem devagar! Vem de repente!

Vem Primavera!

Vestida de Mulher com cabelos pela cintura
Vem descalça…
Caminha no verde da palavra mais pura.

 Vem Primavera!
Não demores na escuridão das vozes

Solta as palavras e os sons
Faz-te ouvir nas alturas!

Autor: Asherah