O Grau de Companheiro, é o segundo grau dentro do Rito
Escocês Antigo e Aceito e do Rito Francês. Juntamente com o primeiro e o
terceiro, estes graus são denominados Graus Simbólicos. Ser Companheiro,
significa ser o laço de união entre o Aprendiz e o Mestre. Não sendo já
Aprendiz e sem ter alcançado ainda a posição de Mestre, o Companheiro coloca-se
como se fora o fiel de uma balança imaginária, equilibrando posições,
aspirações e tendências.
O Aprendiz deverá assim passar da posição de
prumo, que significa estar de forma correta e precisa em qualquer situação na
vida, quer familiar, quer profissional ou ainda fraternal, à posição de nível,
se comprovadamente tais propósitos foram cumpridos, ou seja, se ele se
considerar um homem são, vertical e ativo. O nível, simbolicamente, ensina-nos
que devemos pautar a nossa vida dentro do equilíbrio, a fim de que as nossas
ações se ajustem à perfeição desejada, dando o equilíbrio necessário para que a
nossa obra seja permanente e estável, na medida justa e satisfatória. Assim, o
nível e o prumo formam o dualismo perfeito e conduzem à sabedoria.
Quando somos iniciados como Aprendizes de Maçom, e
passamos das trevas à luz, somos submetidos a três viagens simbólicas que nos
transportam através dos quatro elementos da Natureza, Terra, Água, Ar e Fogo.
Para continuar a progredir os trabalhos, e continuando no crescimento pessoal,
o Aprendiz deve iniciar cinco novas viagens que o levarão a atingir o grau de
Companheiro. Tendo já vencido três viagens durante a cerimónia da sua Iniciação
soma, agora, oito viagens.
O Companheiro maçom deve transcender do mundo
concreto, (o Ocidente), ao mundo abstrato ou transcendente (o Oriente), o mundo
dos Princípios e das Causas, atravessando a região obscura da dúvida e do erro
(o Norte), para voltar pela região iluminada pelos conhecimentos adquiridos (o
Sul), constituindo cada viagem uma nova e diferente etapa de progresso e de
realização. Ora durante essas viagens simbólicas vão sendo usadas algumas das
ferramentas do grau de Companheiro, as quais passo a descrever.
Primeira Viagem
Ferramentas: Maço e Cinzel, simbolizando a
Vontade ativa, firme e perseverante e o Livre Arbítrio; fortifica-se a Vontade
para chegar ao Livre-Arbítrio.
Esta primeira viagem simboliza o período de um ano,
que o Companheiro deve empregar em aperfeiçoar-se na prática de cortar e lavrar
a Pedra Bruta que aprendeu a desbastar, enquanto Aprendiz, com o maço e o
Cinzel.
O Maço representa a força, a energia
necessária para a execução de qualquer trabalho. O Aprendiz precisa da força e
da energia do Maço para que as ações pensadas possam ser efetivamente
realizadas. Com o maço desbasta-se a matéria, que é a desagregação da parte não
desejada. Por consequência deste efeito de força e precisão, o maço representa
o poder destrutivo, e, se não for utilizado com extremo cuidado e muita
inteligência, compromete seriamente a Obra de Construção Individual, ao mesmo
tempo que se transforma num potencial perigo para a estabilidade do edifício
social. Podemos tirar uma boa lição desse instrumento tão contundente, usando-o
em nós mesmos para retirar as arestas de nossa pedra bruta, com um objetivo de autoaperfeiçoamento.
A maçonaria é uma escola, mas é viável a autoeducação,
pois, em vez de esperarmos que alguém nos bata para aparar as nossas arestas,
podemos fazer isso nós mesmos, através de uma atitude mais suave e precisa.
Reconhecer os próprios erros já é uma prática de desbastamento do espírito,
ainda embrutecido da inteligência humana.
O Cinzel - Instrumento do grau de Aprendiz,
que, com o maço, serve para desbastar simbolicamente a pedra bruta, que é uma
alegoria à personalidade não educada e polida, e representa o intelecto. Possui
o poder de cortar, dar forma, abrir caminho através da matéria. É um
instrumento de aprimoramento.
O Cinzel significa a capacidade de enxergar aquilo que
é preciso mudar, deve ser a autocrítica do Maçom que, apoiada pela força de
vontade, fará com que consiga o desbaste necessário da sua ‘pedra bruta’. Para
isso, o Aprendiz Maçom deve possuir qualidades morais, sentimentos bons e
generosos (linha da virtude), uma mente bem-dotada e educada (linha da direção)
e uma natureza espiritual pura e profunda (linha do discernimento), os quais
serão utilizados nas suas obras.
Em síntese a utilização do Maço e do Cinzel na
primeira viagem leva o candidato a Companheiro maçom a compreender, que o uso
combinado das duas ferramentas, ou seja, o uso harmónico da força inteligente,
aplicada ao carácter, que é a pedra bruta da personalidade profana, resultará numa
pedra polida, apta a ser integrada no seu Templo Interno.
Segunda Viagem
Ferramentas: Régua e Compasso. As ferramentas que
o candidato leva na sua segunda viagem, são de uma natureza inteiramente
diferente daquelas com que executou o seu primeiro trabalho. A régua e o
compasso agora destinadas à segunda viagem, são ferramentas leves e de precisão
que, além de se destinarem a verificar e a dirigir o trabalho executado com as
anteriores ferramentas, têm ainda um objetivo puramente intelectual.
A Régua e o
Compasso, simbolizam a Harmonia e o Equilíbrio. Com elas podem-se construir
todas as figuras geométricas existentes. A linha reta, que é traçada com
o auxílio da régua, representa a direção retilínea de todos os nossos atos,
dado que é dever de todos os maçons nunca se desviarem no seu progresso da
exatidão pela qual constantemente se orientam na procura do caminho mais justo
e sábio.
Com o
compasso, filosoficamente, o homem constrói-se a si próprio. Para que resulte
num templo apropriado a glorificar o grande arquiteto do universo, torna-se
indispensável saber usar cada um dos principais instrumentos da construção. O
compasso mede os mínimos valores até completar a circunferência e o círculo
onde fixamos uma das hastes do compasso. E, girando sobre nós próprios,
poderemos executar então com facilidade o projeto perfeito.
Por outro
lado, o compasso é a procura incessante pela justiça. A régua traça a linha de
conduta e o compasso traça um círculo que indica o alcance da nossa linha de
conduta e é o emblema da sabedoria e da prudência.
Terceira Viagem
Ferramentas: Nesta viagem o compasso é
substituído pela alavanca, mantendo-se na mão esquerda a régua. A alavanca é o
símbolo da força, servindo para erguer os mais pesados fardos; moralmente, ela
representa a firmeza de caráter, a coragem indomável do homem independente e o
poder do amor à Liberdade.
A Alavanca, em lugar do Compasso, é o emblema do poder
que, em conjunto com as nossas forças individuais, multiplica a potência do
esforço e possibilita o desempenho de grandes tarefas.
O seu formato, de per si, sugere essa força; basta-lhe
um ponto de apoio para erguer um peso enorme sob a simples pressão muscular de
um braço. Arquimedes dizia: " Dai-me um ponto de apoio e erguerei o
mundo", manifestação filosófica no sentido de valorizar o "ponto de
apoio".
Na nossa vida quando nos deparamos com algum obstáculo
a ser removido e que implica um esforço impossível, o Maçom deve evocar a
alavanca e buscar esse "ponto de apoio".
Às vezes a solução está perto de nós e não a
visualizamos porque a nossa atenção está voltada para o obstáculo. A lição da
alavanca é que não há peso que não possa ser removido, pois a alavanca suspende
e desequilibra o peso, fazendo com que este se mova.
Existindo o problema, ao lado estará a solução, basta
encontrá-la. O "ponto de apoio" é quem suporta todo o peso do
obstáculo e, assim, revela-se a parte mais importante. Numa fraternidade, cada
irmão constitui um "ponto de apoio", e unidos representam a alavanca.
Devemos aprender a usar esse poder que só a maçonaria propicia.
Quarta Viagem
Ferramentas: Régua e Esquadro que simboliza os
propósitos segundo o ideal que inspira.
O Esquadro que forma um ângulo reto representa a
retidão de nossas ações; o Maçom na sua linguagem simbólica diz que pauta a sua
vida "dentro do esquadro". Tudo está na dependência da retidão, tanto
na horizontalidade como na verticalidade. Seguindo-se as hastes do esquadro,
teremos dois caminhos que se vão afastando, quanto mais distantes seguirem;
isso ensina-nos que, se a nossa vida for conduzida de forma correta,
encontraremos o caminho da verticalidade espiritual e o da horizontalidade
material. Este instrumento é imprescindível na construção; caso não for usado,
teremos uma obra torcida, sem equilíbrio e pronta para ruir.
Quinta Viagem
Esta viagem é realizada com uma ferramenta final, a
Trolha, ou colher de pedreiro. A trolha serve normalmente para alisar o cimento
do reboco, deixando uma superfície lisa e perfeita. Simbolicamente pode ser
considerado como um instrumento que simboliza a tolerância, o amor fraternal.
Da mesma forma que o pedreiro passa a trolha para alisar o cimento, o Maçom
passa a trolha nos seus irmãos quando perdoa e aplaina as suas diferenças e as
suas imperfeições. A trolha assume-se assim como um símbolo da paz que deve
reinar entre os irmãos.
No total são 9 as ferramentas do Grau de Companheiro,
as quais estão representadas no Quadro de Loja referente a este grau. Para além
das já mencionadas, o Maço, o Cinzel, a Régua, o Esquadro, o Compasso, a
Alavanca e a Trolha, temos ainda o Nível e o Prumo.
Na verdade, estas ferramentas dizem-nos que, apesar de
todo os conhecimentos transmitidos, não basta estarmos no caminho da virtude, e
nela nos conservarmos para chegarmos à perfeição, são necessários ainda muitos
esforços, estudo e pesquisas.
A atuação do Maçom não se restringe à loja, pois é seu
dever exercer a verdadeira postura maçónica no mundo profano, agindo com
tolerância, prudência e respeito pelo ser humano.
Portanto, a evolução maçónica depende de muito
trabalho e esforço, seja nos três anos de aprendiz ou nos cinco anos de
companheiro. As viagens demonstram que com muita dedicação pessoal, e com o uso
adequado dos instrumentos possamos evoluir no nosso trabalho. Dessa forma,
alcançando o objetivo de lapidar a pedra bruta e chegarmos a um resultado justo
e perfeito.
Autor: António Egas Moniz