quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Carta ao Egoísmo

Sinto-me distante, e não me refiro a este espaço em particular, mas ao reconhecer-me ostracizado da humanidade em geral, fruto não de um desinteresse fugaz, mas de algo mais profundo e hermético; é resultado do egoísmo de estar centrado em mim, nos meus problemas, nos meus anseios, nos meus temores. 

Este egocentrismo não é introspetivo nem endémico nem fruto das circunstâncias que nos assolam nestas últimas semanas, mas algo muito anterior, profundamente extrospectivo e assustadoramente extenso.

Enquanto penso nesta retórica, toca o telefone e, vocifero para o meu íntimo: mais uma chamada ao trabalho. Errei; era alguém importante, com a importância daqueles indivíduos que na nossa vida são símbolos da força e do otimismo; mas desta vez ouço um homem enfraquecido, onde perpassa o desanimo e o temor; à distância do telefone, vi o medo no seu rosto.

Falhei no propósito tão almejado de lhe transmitir confiança, como antes tantas vezes me tinha sido oferecida; fosse por necessidade ou por conveniência, senti o ceder das pernas e sentei-me, no mesmo assento que tantas vezes usara, mas desta vez soou diferente; sucumbi ao desalento.

Perante novo harpejar do telefone, forcei-me a erguer desta minha poltrona desconfortável, e desta vez o cético em mim não falhou, era trabalho. Granjeadas as matérias laborais, surge inevitavelmente a retórica em torno da pandémica e, quando pensei que nada me iria sobressaltar nesta interlocução, é com assombro que ouço um jovem instruído apregoar a sua revolta pelo facto de os hospitais do seu país estarem a receber enfermos de França e de Itália. Ainda tentei o diálogo em torno da solidariedade, mas fiquei inerte quando retorquiu “…e um dia se não houver camas disponíveis nos nossos hospitais, como trataremos dos nossos?” Esta frase, e em particular a prevalência do vocábulo “nossos”, gerou em mim a consternação da descoberta de uma certeza; a certeza de que solidariedade, igualdade e fraternidade não estão enraizados no íntimo de todos os homens.

Findo o dia, finamente recolho ao meu leito, esforçando-me por afastar do pensamento que este destino é de alguma maneira merecedor desta humanidade que forma indesejada o abraçou.

Como em tantos outros dias, já o descanso pernoitava nas gentes da minha casa, quando por alguma inusitada razão, olhei para a minha companheira de sempre; aquela que constantemente me julga pelo meu ar soturno e negativo mas que desta vez, e talvez pela primeira vez, me fez encontrar nos seus olhos cerrados um singular brilho no olhar, que me transmitiu a mais genuína e singular esperança.

Acordei e procurei junto da janela o desassossego das ruas e o agitar das crianças a caminho da escola, mas nada soava; nada senão o agora ensurdecedor ruido do chilrear dos pássaros que nunca antes havia escutado. Teriam estado sempre ali, no beiral da minha janela, ou terão ocasionalmente despontado a pretexto de uma recém-chegada primavera?

De regresso à agitação possível de quem está confinado à mesma morada, reparo na exuberância com que ecoa nestas quatro paredes o riso e as gargalhadas dos meus gaiatos, enquanto brincam com nada, literalmente com nada; há quanto tempo não sentia tão grande alegria, apenas fruto da mais pura inocência!

Por muito inusitada que seja esta retrospectiva, decidi não me perder em reflexões, até porque não sei se em algum momento no tempo serei capaz de me demitir deste egoísmo que me define; mas soube aprender o significado e alcance dessa mesma palavra, sei revoltar-me contra ela e estou decidido a lutar arduamente contra quem a defende, mesmo sendo eu próprio.

De regresso a esta realidade que chamamos levianamente dia-a-dia, constato o quão antagónica é a vida hoje quando comparada com de um passado que, por estar tão próximo, o mais honesto seria chama-lo de presente; volto a ser egoísta, pois sem o assolo da enfermidade e envolto pelo calor da família e no conforto do lar, infiro sem displicência que já não há dia-a-dia; esta, como tantas outras palavras, perdeu todo o significado para quem está a enfrentar o sobressalto da doença, para quem a reclusão forçada obriga ao distanciamento da família e para quem todos os dias abandona a segurança da sua morada para socorrer os que padecem desta sinistra enfermidade.

E da mesma forma que perdemos uma palavra encontramos outra, no altruísmo destes homens e mulheres; será na abnegação destas homéricas gentes que encontrarei o derradeiro arquétipo de ensinamento para eu derrubar a minha própria muralha de egoísmo?

Experienciamos um momento no tempo de natureza tão notável que as gerações vindouras o irão encontrar inscrito nos livros de história, em páginas e folhas tão extensas como as que emolduram os grandes acontecimentos, aqueles que pela sua dimensão definem a humanidade; a esta distância no tempo, creio que ninguém se atreve a medir o real alcance destas palavras, mas uma coisa podemos dar como certa, o mundo jamais será o mesmo.

É raro não encontrar um escrito de Fernando Pessoa, ou de um qualquer dos seus heterónimos, que não nos proporcione alguma forma de ensinamento, pensamento, consideração ou opinião sobre um qualquer assunto, e esta prosa não poderia terminar com tamanha exceção:

Por mim, o meu egoísmo é a superfície da minha dedicação. O meu espírito vive constantemente o estudo e no cuidado da Verdade, e no escrúpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade.

Reconheço que o sentido intelectual que esse Serviço da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifestações que em geral revelam o espírito humanitário. Os actos de caridade, a dedicação por assim dizer quotidiana são cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a negação delas.

Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.



Autor: Álvaro de Campos

terça-feira, 9 de novembro de 2021

As Religiões e a Maçonaria

JUDAISMO E MACONARIA

Antes de descrever de forma sucinta algumas semelhanças do simbolismo judaico e maçónico, será importante citar alguns aspetos da cultura judaica, muitas vezes esquecidos ou mesmo ignorados. Começo por citar um texto de Leon Zeldis, Grão-Mestre do Supremo Conselho do R.E.A.A. do Estado de Israel:

"Numa região sacudida pela guerra e pelo terrorismo, profundamente dividida política e pela religião, as lojas maçónicas constituem um oásis de Paz e de Tolerância, onde os homens livres e de boa vontade transcendem as suas diferenças para darem as mãos e o seu espírito, ligados pela aspiração comum de criar um Mundo melhor, aperfeiçoarem-se e de contribuírem para a construção de uma sociedade mais racional, fundada nos princípios da Liberdade, da lgualdade e da Fraternidade."

Existem traços comuns entre rituais, símbolos e palavras judaicas. Um dos Landmarks judaicos é a crença num Deus que criou tudo na nossa existência e que nos deu uma Lei, para ser seguida, incluindo os preceitos morais de relacionamento humano. A crença em Deus (G.A.D.U.), a prece, a imortalidade, a caridade, o agir respeitosamente entre os seus semelhantes fazem parte integrante do ideário maçónico - (maçonaria Teista) - como também no Judaísmo e até na maioria das religiões.

A maçonaria e o judaísmo, tais como os padrões éticos das outras religiões, ensinam­ nos que nos devemos autodisciplinar e manter as nossas paixões em constante contenção. A disciplina ritualística, seja nas sinagogas seja nas lojas maçónicas, auxilia a desenvolver esta virtude.

O judaísmo ensina que todo o ser humano e capaz do bem e do mal, tentando ser fiel a si próprio usando o livre arbítrio para escolher o caminho eticamente correto. A maçonaria ensina aqueles que são moralmente capazes a poderem encontrar a "Luz" na disciplina maçónica, se eles o desejarem por sua própria e livre vontade.

A "Luz" representa um importante símbolo, tanto no judaísmo como na maçonaria. A "Luz " para o maçom é imaterial, ilumina o intelecto e a razão, sendo o objetivo máximo do iniciado maçon que, vindo das trevas, quer caminhar em direção à "Luz ". De igual modo a "Luz" para o judaísmo possui o mesmo significado.

Um dos feriados judaicos é o "Chanukah", a festa da Luz, comemorando a vitória do povo de Israel sobre aqueles que tinham feito da prática da religião um crime punível pela morte (ano 165 da Era Vulgar- os judeus substituem o A.C. e o D.C.).

Outro símbolo compartilhado entre a maçonaria e o judaísmo e o Templo de Salomão. O templo de Salomão representa o "zénite" da religião judaica. Na maçonaria, juntou­ se a figura de Salomão, à construção do Templo, pois os maçons são simbolicamente pedreiros, construtores, geómetras e arquitetos. Os rituais maçónicos estão cheios de lendas sobre a construção do Templo de Salomão. Para os maçons existem, em sentido figurado, três "Salomões": o S. Maçónico, o S. Bíblico e o S. Histórico.

A tradição judaica ensina uma obediência de respeito para com os pais e rabinos. A maçonaria ensina desde a Constituição de Andersen de 1723, o respeito para com a autoridade legitimamente constituída.

 

A MAÇONARIA E O ISLÃO

Sempre existiram relações entre o Ocidente e o próximo Oriente Muçulmano, quer tratando-se das Cruzadas, quer do lmpério Otomano ou mais tarde da Colonização, sobretudo dos franceses e dos ingleses.

É no Egito, com a expedição francesa de Bonaparte, que aparecem os primeiros maçons deixando as "sementes" da maçonaria Universal em terras do lslão.

Em 1748 é fundada a primeira Loja maçónica em Alexandria, com a iniciação de Ismail Pacha durante o período da expedição de Bonaparte e a Loja ISIS do rito de Memphis que teve como primeiro Venerável o General Kleber.

No ano de 1830 os maçons italianos que residiam em Alexandria formam a Loja Carbonari seguida da Loja Menes. Com o rito de Memphis adotado (1867) é fundado o Grande Oriente do Egito e nomeado seu Grão-Mestre o Príncipe Halim Pacha.

Em 1890 o maçom Idris Bey Raghib é eleito G.M. do Egito. Sucede-lhe Redige Tawfik como G.M., o que dá origem a grandes conflitos que originam a suspensão do reconhecimento destas lojas egípcias pela Grande Loja de Inglaterra e da Grande Loja da Escócia.

Mais tarde em 1932, sob a égide da Grande Loja do Oriente de França, funda-se a Grande Loja Nacional do Egito. Durante o ano de 1952 com a queda da monarquia egípcia e a abdicação do Rei Farouk, sobe ao poder Abdel Gamal Nasser grande politico, maçom e membro da Ordem Mística do Egito dos Shrinners. (Todos os shrinners são maçons mas nem todos os maçons são shrinners. Os shrinners pertencem à Antiga Ordem Árabe dos Nobres do Santuário Místico, organização ligada à maçonaria. Entretanto, com a Crise do Suez e a politica no período Nasser, a maçonaria é proibida.

Com a ascensão ao poder do Presidente Anouar Sadate as Obediências lnglesas e Francesas desaparecem e funda-se a Grande Loja do Egito. A subida ao poder de Hosni Mubarak, que chegou a ser acusado de pertencer a maçonaria fora Egipto.

Atualmente com o progresso da lrmandade Muçulmana e a instabilidade politica, sabe-se que a maçonaria egípcia atravessa dificuldades na sua reconstrução.

 

LIBANO

O inicio da maçonaria no Líbano no séc. XIX na década de 1850 coincidem com o estabelecimento de fábricas de seda no vale de Chouf, pelos franceses. Inicialmente as lojas são fundadas pelos franceses e aderentes libaneses.

Duas lojas disputam ainda hoje a paternidade da maçonaria libanesa na Loja Palestina, fundada 1861 pela Grande Loja da Escócia e pela Loja Líbano fundada em 1862 pelo Grande Oriente de França.

A maçonaria Libanesa começa a desenvolver-se nos finais do sec. XIX, no momento em que no lmpério Otomano começa a despontar a revolução dos Jovens Turcos em 1908 e que na época o sonho do Grande Reino Arabe. No ano de 1936 funda-se a Grande Loja Libanesa dos Países Árabes pelo filho do Emir Abdel el-Kader onde mais tarde foi iniciado o Rei Hussein da Jordânia Pai do atual Rei.

De 1920 a 1946, ainda sob o mandato Francês, a maçonaria Libanesa e Síria expande-se com a fundação de varias Lojas. Após a grande revolta de 1925, a maçonaria do Levante quer emancipar-se da tutela das Obediências francesas em parte pelo apoio destes a minoria dos cristãos maronitas. (seguidores do Monge Maroun eremita 410D.C fieis à Sta. Sé). É considerado o despertar dos maçons libaneses face à potencia colonizadora Francesa na Síria e Líbano. Nos anos 50, depois a criação do Estado de Israel, foi criado o Grande Oriente Árabe também conhecido por Christian-Muslin Lodge.

Nota curiosa: são os maçons libaneses muçulmanos os primeiros a denunciar "a doença do lslão", lamentando os atentados do 11 de Setembro de 2001.

 

SIRIA

E na cidade de Aleppo em 1738, vinte e um anos depois do nascimento da maçonaria especulativa, que foi fundada a primeira Loja maçónica.

Com a subida ao poder Medhat Pacha fundaram-se varias Lojas uma das quais em 1878, a Loja Luzes de Damasco, frequentada na época pela elite intelectual da capital. No início da primeira Guerra Mundial, as Lojas maçónicas Sírias foram obrigadas a suspender os seus trabalhos.

Durante o ano de 1922, foi fundada em Damasco, a Loja da Síria sob a égide do Grande Oriente de França . Outra Loja importante no panorama maçónico Sírio foi a Loja Qaysun a Oriente de Damasco.

Atualmente a maçonaria está proibida na Siria, embora o pai do Presidente Hafez el Assad tenha pertencido a Loja Al Fatat de Damasco. (citado Rev. Express, Fev.2009).

Na Síria, antes da catástrofe da guerra e do êxodo a que assistimos hoje, existia já claramente um movimento que preconizava que o lslão deve parar no ano 622 e ficar confinado as relações do homem com o seu Criador. (Nova Leitura do Corão). Este movimento influenciado pelas ideias maçónicas de intelectuais como Ziad Hafez e Mohamed Charour.

 

PALESTINA

É pouca a bibliografia sobre a maçonaria palestina. Sabe-se que a Grande Loja o Egito estabeleceu treze Lojas na Palestina.

Em Jerusalém cerca de 1895 fundou-se a Loja Salomon ou Suleiman com apoio da Grande Loja Nacional do Egito mais tarde também apoiada pela Grande Loja do Canada, a Royal Salomon Mother Lodge do R.E.A.A.

A Loja Nur el Hachemat (Luz da Sensatez ) n°125 foi fundada em 1908 em Jerusalém, a Loja tinha os seus trabalhos em árabe. Cessou a sua atividade durante a Primeira Guerra Mundial retomando os trabalhos em 1924 juntando-se mais tarde a Grande Loja da Palestina em 1933.

Em 1951 a Grande Loja da Palestina era composta por judeus, muçulmanos, cristãos e druzos. Com a criação o Estado Judaico esta Loja parece ter sido desmantelada.

Apesar das relações tensas entre as populações árabes e judias, a Grande Loja Nacional da Palestina fazia grandes esforços para manter candidatos de todas as comunidades: Judeus, Árabes Cristãos (Koptas) Arménios e Druzos, assim como várias lojas compostas quase exclusivamente por Árabes.

O Grande Oriente Árabe Ecuménico, em 2010 e a Obediência Maçónica Francesa de Estudos e Pesquisa, trabalha em conjunto no novo Rito Judeo-Cristao e Muçulmano, também chamado Rito Ecuménico.

Em 2003, em plena Intifada palestiniana, a Loja Galileia e a Loja Fraternidade continuaram os seus trabalhos.

 

EM RESUMO

A colonização francesa no Magreb e em quase toda a Bacia Mediterrânica foi a grande impulsionadora da Maçonaria na Argélia, na Tunísia e em Marrocos. A influencia dos maçons ingleses também foi determinante para o estabelecimento dos valores da maçonaria nesta região.

Hoje quando as forças da intolerância e do fanatismo ameaçam os fundamentos da civilização livre e democrática, e imperativo refletir de novo nos valores da maçonaria, na tolerância, na mora e ainda na construção de uma sociedade mais tolerante, mais livre e mais humana, mesmo que esta tarefa seja feita em circunstancias adversas.

Deixarei para uma próxima prancha as relações da maçonaria no lmpério Otomano e as controversas relações entre a maçonaria e a religião Cristã.


Autor: Aquilino Ribeiro

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Um Especulação sobre a Origem da Maçonaria Especulativa

Esta pequena prancha não teve nenhuma pequisa bibliográfica específica para a sua realização, resultando apenas na destilação das minhas reflexões sobre o assunto e das leituras que fiz sobre o mesmo e assunto adjacentes. Pretendento apenas levantar a questão e ouvir as opiniões dos meus Irmãos, visto que penso que a verdade histórica nunca será conhecida ou comprovada documentalmente.

Quando se entra na Nossa Augusta Ordem, um tema de conversa recorrente é sobre a Grande Loja de Inglaterra, como a primeira instituição maçónica organizada aquando da sua fundação no Verão de 1717, e a sua importânciano desenvolvimento e expansão da Maçonaria. Esta Maçonaria já é especulativa, integrando membros de todas as classes e profissões. Dentro deste contexto, a pergunta que sempre me perturbou foi porque razão se dá em Inglaterra a transição da Maçonaria Operativa para a Especulativa, quando este país até não tinha, quando comparado com outros, grande tradição de pedreiros livres, os construtores das catedrais europeias, que faziam parte da Maçonaria Operativa.

Parece que seria mais lógico que tal desenvolvimento tivesse acontecido na Europa Ocidental, nomeadamente Peninsula Ibérica, França, Península Itálica e Sacro Império Romano, com mais tradições nesse domínio.

Na minha opinião, temos de recuar algumas décadas até 1660 para perceber o que poderá ter acontecido. É nesta altura que se dá a Restauração da Monarquia dos Stuart, família real inglesa de origem escocesa, com o regresso de Carlos II, após dez anos de exílio no seguimento da Guerra Civil Inglesa, da execução de rei Calos I e da experiência “republicana” do Protectorado do puritano Oliver Cromwell.

Esta época, considerada por alguns como um era dourada, é caracterizada por uma renovação e libertação da sociedade inglesa com grande dinamismo no desenvolvimento das artes e ciências. Em 28 de Novembro de 1660 é fundada a Royal Society, a primeira academia de ciências do mundo, por filósofos naturais, como eram chamados os cientistas da altura. Nas lendas da sua fundação é mencionado como inspiração o colégio invisível, termo que aparece em diversos pamfletosrosicrucianos do início do século XVII, que por sua vez parece retirar ideias da Casa de Salomão, descrita na obra Nova Atlântida do famoso filósofo Francis Bancon, um dos fundadores Empiricismo e do Método Científico moderno. Ainda hoje, é uma instituição muito respeitada, e contou entre os seus membros Robert Boyle, Robert Hooke, Isaac Newton, Christopher Wren, Kelvin, Faraday, Maxwell, JJ Thomson, Stephen Hawking e bastantes laureados com o Prémio Nobel.

Um segundo acontecimento relevante foi o Grande Incêndio de Londres ocorrido entre 2 e 6 de Setembro 1666, que se estima que tenha destruído as habitações de mais de 85% da população da cidade, incluindo também a velha catedral de S. Paulo. Esta grande devastação levou certamente que um grande número de pedreiros livres tivesse sido contratado para efectuar a reconstrução da cidade.

A junção temporal destes dois eventos leva-me a concluir, que terá havido, no tempo e nos espaço, uma grande concentração de pedreiros livres e a nova vaga de filósofos naturais que fundaram a Royal Society, e que certamente terá havido contactos entre eles.

A minha especulação começa aqui. Este grupo de filósofos naturais, alguns precussores do Iluminismo do século XVIII, contaram entre os seus membros figuras ilustres que a História consagrou, e numa quantidade invulgar para o mesmo intervalo temporal. Penso que eles terão ficado fascinados com o método simbólico que a Maçonaria usava para a transmissão de conhecimentos e valores. Não nos esqueçamos que, por exemplo, Isaac Newton foi um estudante entusiástico dos mistérios da Alquimia.

É assim natural que os valores maçónicos da Igualdade, Liberdade, Fraternidade, Rectidão e Justiça, e os seus respectivos símbolos seriam muito apelativos a esta geração de homens esclarecidos. E sendo eles homens de ciência, todo o conhecimento antigo de geometria e engenharia que os pedreiros livres possuiam, também deve ter contribuído para esse fascínio.

O respeito e admiração entre os dois grupos deve ter sido mútuo, pelo que devem ter começado a ter reuniões conjuntas, chegando ao ponto dos maçons operativos terem aceite membros fora da sua profissão nas suas Lojas, onde as discussões filosóficas devem ter sido fascinantes. O proxímo passo terá sido certamente, a criação de Lojas Maçónicas puramente especulativas. Tendo Isaac Newton sido presidente da Royal Society entre 1703 e 1727, precisamente na altura se forma a Grande Loja

de Inglaterra, a minha especulção é que ele terá sido uma das figuras mais impulsionou a criação da Maçonaria Especulativa, utilizando o Método Simbólico de transmissão de conhecimentos da Maçonaria Operativa. Apesar de haver provas documentais de que Newton era um adepto da Alquimia e dos Mistérios Antigos Iniciáticos, não existem provas que ele tivesse sido iniciado ou pertencido a alguma Loja Maçónica.No entanto a minha especulação mantém-se: terá sido Newton, juntamente com outros comtemporâneos da Royal Society, incluindo o arquitecto da nova Catedral de S. Paulo, Christopher Wren, os criadores da Maçonaria Especulativa, e na Inglaterra? E terá Newton criado o cálculo diferencial e integral, a teoria clássica da mecânica e da gravidade, tão importantes no desenvolvimento tecnológico da sociedade actual, com base em conhecimentos mais antigos transmitidos pelos pedreiros livres, guardões da altura da Sabedoria Antiga? Ficam as especulações


Autor: Imhotep